A curiosa história dos cartões no futebol

Imagem: Mohamed Hassan/Pixabay
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Com o passar do tempo, o futebol e as suas regras foram se moldando para que o jogo ficasse mais dinâmico e mais justo para equipes, árbitros e também espectadores. A mais recente e impactante dessas mudança foi a adoção do VAR, ou árbitro assistente de vídeo, diante do qual é possível a revisão de lances capitais dentro de uma partida.

Dentro desses lances, está a aplicação – ou não – de cartão vermelho a um jogador por entrada faltosa violenta ou ato antidesportivo. Mas como surgiu a ideia de aplicação de um cartão para punição de um jogador?

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No dia 23 de Julho de 1966, no estádio de Wembley, em Londres, na Inglaterra, durante partida pelas quartas de final da Copa do Mundo, Argentina e Inglaterra (que viriam a ter uma rivalidade ainda maior alguns anos depois por conta da Guerra das Malvinas, em 1982) se enfrentavam, e um fato no minimo curioso ocorreu.

O então capitão da seleção alviceleste, Antonio Rattín – que é um dos grandes ídolos do Boca Juniors por ter jogado pela equipe durante 14 anos, e não ter atuado por nenhuma outra – contestou a marcação de uma falta com o árbitro alemão Rudolf Kreitlein, que não entendia nada de espanhol (até aquele momento só havia apitado a partida entre União Soviética e Itália) e decidiu usar o dedo indicador para colocar o jogador para fora, expulsando-o de campo diante da reclamação acintosa feito pelo jogador.

Não satisfeito com a expulsão, Rattin pediu tradutor em campo, mas não adiantou: o juiz manteve a expulsão do atleta. Furioso com a expulsão, injusta ao seu ver, ele sentou na cadeira reservada para a Rainha Inglesa, que naquele dia não estava presente no estádio, e ainda alisou uma bandeirinha de escanteio, com a bandeira do Reino Unido hasteada, para insinuar um favorecimento aos britânicos e mostrar toda a sua indignação.

Na Copa do Mundo seguinte, a histórica de 1970, no México, passou-se a adotar os cartões. Mas assim como o curioso caso acima, a ideia de se usar o amarelo e o vermelho veio através de uma situação bem peculiar. O então chefe da equipe de arbitragem naquele mundial, o inglês Ken Aston ( que é creditado pela própria Fifa como criador da regra dos cartões) estava a se deslocar de táxi do aeroporto na Cidade do México ao hotel, quando o motorista reduziu a velocidade no momento em que o semáforo ficou amarelo e parou quando acendeu o vermelho dando assim a ideia que ele queria.

E o verde do semáforo? Bem, a federação Italiana de Futebol , em 2015, pensou em aplicar em forma de demonstrar agradecimento a um jogador por atitude de fair play; contudo, a ideia ainda não consta no livro de regras do futebol. Constam apenas a do amarelo e vermelho da seguinte forma. Regra 12 na parte disciplinar:

  • “O cartão amarelo é utilizado para informar ao jogador, ao substituto e ao jogador substituído, que o mesmo foi advertido.”
  • “O cartão vermelho é utilizado para informar ao jogador, ao substituto e ao jogador substituído, que o mesmo foi expulso.”

O primeiro cartão vermelho, somente viria a ser aplicado no Mundial seguinte, em 1974 na Alemanha Ocidental o juiz turco Dogan Babacan deu dois amarelos no chinelo Carlos Caszely, expulsando-o de campo. Enquanto que, outra Copa do Mundo na Alemanha, a de 2006, ficaria marcada como a que mais expulsou jogadores: 28.

Hoje em dia, eles servem inclusive de critério de desempate em alguns competições, como aconteceu na Copa do Mundo de 2018, na Rússia, na qual Japão e Senegal disputavam uma vaga para as oitavas de final. As duas seleções tinham a mesma pontuação e saldo de gols zerado, enquanto no confronto direto haviam empatado em 2 a 2. Sobrou para os cartões decidirem que os Japão avançaria, já que somava quatro cartões, contra seis da seleção Senegalesa.

Mais do que o VAR, fica difícil de se imaginar o futebol sem os cartões, sejam eles justos ou não.

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