Como reerguer os campeonatos estaduais?

Foto: Divulgação
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Por Hugo Medeiros

Sabemos que alguns campeonatos estaduais já perderam o brilho em seus estados, tanto que até criaram campeonatos regionais, como Copa do Nordeste e Copa Verde, que vêm ganhando força atualmente. E também já tivemos os extintos Torneio Rio-São Paulo, Sul- Minas, Primeira Liga, entre outros.

Mas a verdade é que diante da pandemia, tivemos atrasos da Copa América, Eliminatórias da Copa do Mundo, Eurocopa e Olimpíadas, além do início da Libertadores da América, Copa Sul-americana, Copa do Brasil e dos Campeonatos Brasileiros — que por sinal irá até o final do ano com 38 partidas em duas das 4 divisões nacionais.

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Diante disso, não sobra tempo e nem interesse dos clubes pelos campeonatos regionais. Qual então seria a solução para resolver esse impasse?

Como sabemos, ao longo do tempo, os campeonatos estaduais já foram o mais importante de todos os campeonatos disputados na época. É só vermos as rivalidades estaduais nascidas nesse período, como Grêmio x Inter, Cruzeiro x Atlético, Flamengo x Fluminense , Corinthians x Palmeiras, Bahia x Vitória, entre outros.

Mas com o mundo globalizado de hoje, os clubes aumentaram os seus desejos pelos campeonatos nacionais , continentais e mundiais. Até por que estão mais bem organizados e são melhores renumerados financeiramente.

A sugestão, então, seria que nos campeonatos estaduais não existisse mais o rebaixamento durante sua execução, a não ser entre equipes que não disputam nenhum campeonato nacional (da Série A até a Série D).

Os campeonatos estaduais seriam disputados em exatos três meses, sempre começando entre o dia 10 de janeiro até 10 de abril, jogando somente aos finais de semana, deixando os meios de semana para os jogos da Copa do Brasil, Libertadores, Sul-Americana, Copa do Nordeste e Copa Verde.

E os campeonatos estaduais seriam em formatos de UEFA Champions League e Libertadores, alguns com 32, 24, 16 ou 12 equipes, dependendo do estado. E esses torneios seriam jogado pelos os clubes melhores ranqueados no campeonato nacional. Por exemplo: São Paulo poderia ter as 32 equipes (5 da Série A, 2 da Série B, 5 da C, 5 da D e os outros 15 viriam da nova Serie E, organizado pela própria federação e que será explicado mais à frente).

Esse novo Campeonato Paulista teria 8 chaves de 4 equipes jogando entre si em turno e returno (totalizando 6 jogos na primeira fase), e nas oitavas, quartas, semi e final em 2 jogos de ida e volta, totalizando 14 partidas para o campeão e vice-campeão.

Os melhores classificados dos campeonatos dariam vaga para a Copa do Brasil e Taça Brasil Regional (um outro torneio regional que poderia ser criado para os clubes que não disputam Copa Libertadores, Copa Sul-Americana, Copa do Brasil, Copa do Nordeste ou Copa Verde).

 

A nova pirâmide do futebol brasileiro

Além dessa mudança nos estaduais, seria interessante modificar os campeonatos nacionais de modo a contemplar mais clubes. Minha sugestão é a seguinte:

Brasileirão série A – chamaria “Superliga”: Continuaria no mesmo formato

Brasileirão Série B – chamaria “Primeira Liga”: Continuaria no mesmo formato

Brasileirão Série C- chamaria “Segunda Liga”:

  • 30 equipes divididas em 3 grupos (Um grupo Noroeste do Brasil, sentido ao Centro-Oeste; um segundo grupo pegando da região do Nordeste, sentido ao Centro-oeste e o terceiro e último grupo do Sul, sentido Centro-Oeste)
  • As 4 melhores equipes de cada grupos avançam para o hexagonal final, Hexagonal A e Hexagonal B, onde os dois primeiros garantiriam acesso à Série B, e os campeões de cada grupo fariam a final.
  • Os piores colocados de cada grupo e o pior penúltimo colocado dos grupos seriam rebaixados.

Equipes: 30 (A, B e C)

Rodadas: 30 até a final

Partidas: 332 até a final

Formato: Pontos Corridos e Hexagonal final

 

Brasileirão Série D – chamaria “Liga Nacional”:

  • 40 equipes divididas em 4 grupos de 10 times
  • Classificam-se os 4 primeiros de cada grupo.
  • Os 16 times seriam divididos em 4 quadrangulares, onde o campeão de cada grupo subiria automaticamente à Série C e disputariam a semifinais e finais. Ou então, os dois melhores de cada grupo fariam quartas de final, semifinal e final.
  • Seriam rebaixados somente os piores colocados de cada grupo.

Equipes: 40 ( A,B, C e D)

Rodadas: 30 até o final (considerando os 2 melhores jogando as quartas de finais)

Partidas: 438 no máximo Formato: Misto e mata-mata

 

Brasileirão Série E – chamaria “Liga Regional”:

  • Cada Estado teria a sua (a sugestão para São Paulo é que deixasse a Série A2 do Paulistão para o Brasileirão série E e a Série A3 para o Brasileirão Série F, e assim sucessivamente)
  • Os mesmos critérios das vagas para a disputa da Série D atuais seriam usadas para a segunda fase do Brasileirão da Série E. As partidas seriam em jogos de mata mata, de ida e volta no total de 14 partidas, e por conta da CBF, já que seriam disputas interestaduais.
  • A primeira fase ficariam por conta de cada federação.
  • As disputas da segunda fase da Série E e de todo o campeonato das Séries C e D seriam realizadas somente aos finais de semana

Considerando somente a fase de mata-mata da Série E teríamos um total de:

Equipes: 174

Rodadas: 12

Partidas: 126

Formato: na primeira fase (dentro de cada estado) pontos corridos e fase final (interestaduais) mata-mata

 

Acredito que seria bem mais interessante não só para os clubes, mas principalmente para a maior importância de os campeonatos existirem, falando como torcedor de futebol.

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