Os dois grandes ídolos que nos deixaram por causa da COVID-19

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O vírus do COVID-19 foi pela primeira vez noticiada em Janeiro de 2020 e desde então mudou complementarmente o cenário mundial em praticamente todas as áreas, já vitimou milhares de pessoas pelo mundo. Mais do que somente números, o novo coronavírus vitimou pessoas, cada qual em sua ocupação, cada qual com seus sonhos, ou, aqueles que já deixaram um legado seja lá qual for.

Dentro do futebol tivemos duas enormes perdas para o vírus, e é sobre esses dois heróis da bola, quase desconhecidos do público em geral, que iremos falar hoje.

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O Iraque obteve pouco destaque em competições internacionais, em 2007 a seleção comandada pelo brasileiro Jorvan Vieira surpreendeu seu continente ao vencer a Copa da Ásia e posteriormente disputar a Copa das Confederações de 2010.

Contudo, um dos feitos mais lembrados dos Leões da Mesopotâmia é a classificação para a Copa do Mundo de 1986, aonde comandada pelo também brasileiro Evaristo de Macedo chegou como surpresa para a disputa em solo Mexicano. Dos três jogos disputados, três derrotas, mas o momento mais marcante da participação Iraquiana foi o gol anotado por Ahmed Radhi.

Radhi jogou toda sua carreira em solo asiático, seja no seu país natal ou no Catar. Atuou por 3 clubes diferentes e notabilizou-se por anotar muitos gols por suas equipes, mas foi pela seleção nacional que veio a consagração como herói nacional em 1986. Vestindo a camisa iraquiana atuou 121 vezes e foi às redes 62, contando o icônico gol ante os belgas no dia 8 de junho de 1986.

Pouco mais de 34 anos depois do gol mais importante da vida de Ahmed Radhi e da seleção Iraquiana, o então diplomata faleceu aos 56 anos por complicações vinculadas ao novo coronavírus. O anúncio da morte aconteceu poucas horas depois de sua transferência de avião para a Jordânia, para aonde já havia fugido em 2006, tentando deixar de lado a violência que assolava seu país.

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O iraquiano Ahmed Radhi perdeu a luta contra a covid-19 (FIFA)

Nosso outro herói da bola é brasileiro, mas ficou conhecido mesmo no Uruguai. Isso mesmo: Célio Taveira será certamente lembrado eventualmente pelos mais saudosistas torcedores vascaínos, porém, só obteve a idolatria com a camisa do Nacional de Montevidéu.

Começou sua gloriosa carreira pelo Jabaquara de Santos e, logo em seguida, jogou por Portuguesa Santista e Ponte Preta antes de fazer história no Vasco da Gama e ser o maior artilheiro da equipe cruz-maltina na década de 1960. Em 1967, transferiu-se para o Uruguai, onde se tornaria grande ídolo do Nacional.

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Célio foi ídolo do Nacional-URU (Divulgação / Nacional-URU))

Jogou por três temporadas pela equipe de Montevidéu e mantém até os dias de hoje o título de segundo maior goleador da história do clube na Taça Libertadores, com 22 gols. Além de ser também o terceiro maior goleador brasileiro na competição, atrás somente de Luizão e Palhinha.

A grande frustração de sua carreira foi não ter disputado uma Copa do Mundo, em que foi o último a ser cortado pelo técnico Vicente Feola para o Mundial de 1966 na Inglaterra.

No começo dos anos 1970 voltou ao Brasil para atuar pelo Corinthians. Porém, sofreu uma séria lesão na clavícula após duro choque com Rivellino, ficando apenas até 1971. Tentou ainda uma volta em 1972 pelo Operário de Campo Grande, mas, acabou deixando o futebol com apenas 32 anos de idade.

Célio passou então a viver no estado da Paraíba aonde permaneceu até perder a batalha para o COVID-19, no dia 29 de Maio, na cidade de João Pessoa.

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Célio Taveira ainda defendeu as cores do Corinthians (Reprodução/Terceiro Tempo)

Infelizmente o futebol não passou isento de perder grandes nomes em decorrência dessa pandemia mundial que vivemos, mas fica de alerta tais acontecidos para valorizarmos grandes nomes do futebol, que por muitas vezes não são lembrados por público ou mídia. Afinal, são esses que por muitas vezes constroem as melhoras histórias do esporte, aqueles que vencem as adversidades, seja surgindo de um país com pouco visibilidade no cenário mundial ou se tornando ídolo em um país diferente do seu.