Sete jogos internacionais que você nunca imaginou que o Paraná Clube já fez

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Inúmeros clubes brasileiros têm, em sua história, diversas viagens internacionais. Amistosos, Libertadores, Mundiais, Copa Suruga, Copa Seringa, enfim. Perguntar a um torcedor do eixo Rio-São Paulo sobre os jogos de seus times além das fronteiras nacionais é perguntar sobre questões rotineiras. Cada um tem na memória jogos inesquecíveis por torneios diversos. E para um torcedor de time médio no cenário, com poucas excursões? Essa pergunta é um pouco mais difícil, porém extremamente saudosa e sempre acompanhada de um sorriso enorme.

Pensando nesses assuntos, comecei a lembrar saudosamente das partidas que o meu Paraná Clube havia feito internacionalmente. Não foram muitas, mas foram marcantes. Além de uma Copa Libertadores da América em 2007 (saudades!), existem algumas passagens do Tricolor da Vila pelo estrangeiro que são bem curiosas. Algumas até estranhas e, porque não, absurdas. E não é de se estranhar que o Paraná tenha na sua história essa lista de jogos non-sense. A título de curiosidade, o primeiro jogo da história do Paraná foi contra a Seleção de Matinhos, município do litoral paranaense que não possui nem clube de futebol nem estádio em seu território. Preferimos pensar que a primeira partida da nossa história foi uma partida de Beach Soccer. Em Matinhos. Sublime!

Confira a seguir a lista completa de confrontos inimagináveis:

1. Torneio Internacional KLM (1994)

Com praticamente cinco anos de vida e recém-campeão paranaense no ano anterior (o primeiro dos cinco consecutivos), o Paraná foi convidado a participar de um torneio em San Jose, na Costa Rica. Patrocinado pela empresa de aviação KLM, o torneio contava com dois clubes costa-riquenhos (Liga Desportiva Alajuelense e Deportivo Saprissa), além do poderoso e mundialmente conhecido Borussia Dortmund, da Alemanha. Quadrangular só de ida, jogos de dois em dois dias, começando em 16 de janeiro, na Costa Rica. Sensacional!

Alex e Paulo André babariam de raiva. Após uma derrota na primeira partida por 2 a 1 para a Liga Desportiva Alajuelense e um empate por 2 a 2 com o Deportivo Saprissa, o Paraná enfrentou o Borussião da Massa em terras caribenhas. O jogo terminou empatado em 1 a 1, com invasão de campo do então presidente do clube, Ocimar Bolicenho, para reclamar de um pênalti não marcado para o Paraná e um escandalosamente marcado a favor do Borussia. Ou seja, o Borussia precisou do apito amigo para arrancar o empate contra o escrete tricolor. Histórico!

2. Paraná x La Coruña-ESP (1994)

Jogo sensacionalmente alternativo. O jogo entre as duas equipes foi realizado em junho de 1994, no Couto Pereira, com o intuito de ser um amistoso internacional para a troca de faixas entre os dois clubes. O Paraná receberia as faixas dos jogadores do La Coruña devido ao bi-campeonato paranaense que haviam acabado de conquistar. E os jogadores do time espanhol iriam receber as faixas dos paranaenses devido ao… vice-campeonato espanhol!

Sim! O La Coruña foi o primeiro clube do mundo a receber faixas por causa de um segundo lugar. Depois disso, o jogo já não valia mais nada, certo? Errado! O Paraná ganhou de 2 a 0 (gols de Adoílson e Ney Junior), mantendo o 100% de aproveitamento contra times espanhóis. Era difícil o Couto Pereira ver um time mandante vencer um jogo internacional ali dentro. Até hoje é! E, como vocês podem ver no vídeo abaixo, a renda foi de apenas 17 mil dólares. Ah, ele não sabia o que falava…

3. Torneio Internacional Rei Dadá (1995)

Vocês acham o Dadá Maravilha maluco? Então esperem para conhecer o tal do Torneio Internacional Rei Dadá. Uma empresa do oeste paranaense convidou, além do Paraná Clube, o Internacional de Porto Alegre, o Cascavel-PR e o Olímpia, do Paraguai, para disputar um “torneio de verão”, um “mundialito”, um “campeonatinho migué” em Cascavel. Aquele típico caça-níquel.

A fórmula era simples, porém absurda. Dois jogos no sábado. Os vencedores fariam a final no domingo, com os perdedores fazendo a preliminar deste jogo. Entendeu? Nem eu. Enfim! Nos jogos do sábado, o Paraná venceu o Cascavel por 4 a 1, enquanto o Internacional venceu o Olímpia nos pênaltis por 4 a 3, após empate de 0 a 0 no tempo normal. Dia seguinte, hora das finais… e os quatro clubes se recusaram a jogar! A empresa que havia criado o torneio não havia pagado o combinado aos quatro clubes.

Final da história: não houve campeão. Porém, alguns paranistas consideram que o Paraná foi o grande campeão, por ter vencido o jogo no sábado, enquanto Inter e Olímpia ficaram no empate. Campeões nos “pontos corridos de uma rodada só”? Só o Paraná!

4. Copa Conmebol (1999)

A Copa Conmebol sempre foi inferior a Libertadores, mas tinha o seu charme. Botafogo, São Paulo, Santos e Atlético-MG (2), por exemplo, foram campeões, mas no ano em que o Paraná jogou o torneio já estava desprestigiado, humilhado e não tinha mais atrativos. Tanto que a própria Conmebol já havia anunciado que aquela seria a última edição do torneio.

A classificação dos brasileiros para o torneio era feita com base nos quatro torneios regionais da época. Como ninguém queria participar, as vagas foram sobrando para os vices, terceiros e até quartos lugares desses torneios. O São Raimundo-AM foi o único clube campeão (Copa Norte 1999) que quis participar do torneio-múmia. O Paraná, vice-campeão da Copa Sul de 1999, herdou a vaga do Grêmio, campeão, que não quis participar. O Vila Nova-GO, vice-campeão da Copa Centro-Oeste de 1999, herdou a vaga do Cruzeiro. E o CSA-AL, com o rabo virado para a casa do Collor, herdou a vaga após ser o quarto colocado da Copa Nordeste, devido às desistências dos três primeiros colocados: Vitória, Bahia e Sport.

O que começa bizarro termina bizarro. O Paraná iniciou sua trajetória jogando contra o San Lorenzo, do Paraguai. Após uma vitória simples na Vila Capanema e uma derrota por 2 a 1 em Ciudad Del Leste (sim, a das muambas!), o jogo foi para as penalidades máximas. Porém, algo diferente aconteceu. O goleiro Marcos havia sido expulso aos 43 minutos do segundo tempo. Como o treinador Dionísio Filho, o grande Djonga, já havia feito as três substituições, o atacante Flávio Guilherme (até pouco tempo antes jogador da base do clube) foi para o gol. Nas penalidades, além de converter a sua cobrança, defendeu três penalidades e assegurou a classificação do Paraná à fase seguinte. O feito é lembrado até hoje.

Na fase seguinte, nada de anormal. O Paraná enfrentou o Talleres, da Argentina. Após uma derrota de 1 a 0 em Córdoba e uma vitória pelo mesmo placar em Curitiba, novamente teríamos pênaltis, mas agora com os goleiros de profissão embaixo das traves. Dessa vez, não deu para o Paraná, sendo eliminado após perder por 3 a 1. Inclusive, Flávio bateu uma penalidade e não converteu. Até hoje, nos corredores da Vila Capanema, ouve-se dizer que se Flávio tivesse ido para o gol, teríamos sido campeões.

Ah, importante: o Talleres foi campeão, vencendo na final o CSA, de Alagoas. É o torneio mais alternativo da história!

5. Excursão para a Ucrânia (2002)

Por motivos até hoje nunca explicados, em junho de 2002 o Paraná embarcou para o Leste Europeu, mais especificamente para a Ucrânia, para realizar uma série curta de amistosos por lá. Era época de Copa do Mundo e todos os apaixonados por futebol defecaram para essa viagem. Até onde procurei, não existem registros em vídeo das partidas, apenas algumas matérias falando sobre a viagem em si. Foram três jogos, todos em solo ucraniano. E três vitórias paranistas! O primeiro desafio foi contra o Galitchina. Vitória por 1 a 0, gol de Maurílio (AQUELE!). No jogo seguinte, outra vitória, outro 1 a 0, desta vez diante da Seleção Olímpica sub-21 da Ucrânia. Na última apresentação, o Paraná Clube venceu o Karphathy, por 2 a 0. Voltamos invictos da Europa! E tem time em Curitiba que empatou meia dúzia de jogos na Europa e ostenta até no hino a tal da Fita Azul. Vai entender.

6. Paraná x Cerro Porteño (2011)

A temporada de 2011 desenhava-se primorosa para o Paraná Clube. O técnico Roberto Cavalo (!) havia recebido carta branca da diretoria para montar o elenco que desejasse, com as peças que quisesse. E assim fez: trouxe um monte de lixo em forma de jogador. Um bonde veio do Mixto-MT. Outro bonde do interior do RS. Desenterrou Paulo Matos das profundezas da Batalha dos Aflitos. Resumindo: uma cagada atrás da outra. Só faltava iludir o torcedor.

Arrumaram um amistoso, três dias antes da estreia no Paranaense, contra o Cerro Porteño, do Paraguai. O Cerro estava para disputar a Libertadores daquele ano, e seria um ótimo adversário para testar o novíssimo time paranista. Não sei como, mas o Paraná conseguiu vencer o time paraguaio por 2 a 0, sem ressalvas. Com gols de Rafael Vaz (o mesmo zagueiro recente do Vasco) e Davis, o time havia conseguido iludir o torcedor (inclusive este que vos fala), que saiu do estádio imaginando como ia ser divertido atropelar todos os outros times.

Apenas um levantamento a título de curiosidade. Quatro meses depois, o Cerro Porteño estava disputando a semifinal da Libertadores, contra o Santos de Neymar. O Paraná tinha acabado de ser rebaixado para a segunda divisão estadual, maior vergonha da história do clube.

7. Paraná x Austrália (2014)

Copa do Mundo no Brasil! Nem preciso comentar aqui a festa que foi. Todos vocês sabem, e muito bem. Antes de disputar o troféu mais desejado, porém, as seleções realizaram alguns jogos treinos por aqui. A Austrália, que enfrentaria a campeã e vice-campeã do último mundial (Espanha e Holanda, respectivamente) no seu grupo da primeira fase, resolveu testar o time contra um clube a altura de seus futuros adversários: o Paraná Clube.

Para ir se ambientando aos grandes estádios que iria encontrar, marcou o jogo para Cariacica-ES, fechado ao público. Com tudo pago pela delegação australiana, o Paraná viajou para o Espirito Santo e perdeu por 2 a 0. Naquele ano, a Austrália foi coadjuvante na Copa. Já o Paraná, coadjuvante na Série B do Brasileiro.

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