Guia Improvável da Copa do Brasil 2016

Copa do Brasil 2016

Se você viveu os anos 90, vai se lembrar dos famosos guias de campeonatos publicados pela Revista Placar. Eram completos, com todo tipo de imagem e informação, e todos nós comprávamos assim que eram expostos nas bancas. O único “defeito” é que os editores dedicavam um espaço exagerado aos mesmos times de sempre – você sabe quais.

Por isso, quando pensamos em criar um guia de campeonato aqui no Última Divisão, três anos atrás, queríamos ser como a velha Placar, mas um pouco diferente. Por que não destacar os times médios e pequenos, dando a eles o lugar que merecem? Por que não reservar aos grandes apenas a “última página”, amontoando-os, como a Placar fazia com os pequenos e médios que gostávamos?

Assim nasceu o Guia Improvável da Copa do Brasil, um projeto que tocamos, com sucesso e orgulho, desde 2014. Como das outras vezes, mobilizamos uma grande equipe para preparar e organizar um conteúdo interessante e original sobre esta edição da competição que, para nós, amantes do futebol alternativo, é a mais deliciosa do futebol brasileiro. E aí, vamos nessa? Custa só um compartilhamento!

O QUE TEMOS NESSA EDIÇÃO?

  • Estreantes: 10 clubes disputam pela primeira vez a Copa do Brasil por Diorgnes Saldanha Lima
  • Lembra de mim? O triste fim de algumas “zebras” ilustres por Diego Freire
  • Você apostaria no Hulk Praiano ou no Cavaleiro Capa Preta? por William Rosa
  • Pequenos ensinam grandes a tratar técnicos por Igor Nishikiori
  • 10 motivos para amar times da Copa do Brasil por Allan Brito
  • ‘Sequestrado’, togolês e Danone: na Copa do Brasil, ‘AQUELES’ seguem brilhando por Emanuel Colombari
  • História de Amor – 20 anos de Nuno Leal Maia no Londrina por Leonardo Bonassoli
  • Marx Freud, Todinho, Testinha, Tonho Cabañas: nomes para todos os gostos! por João Vitor Neves
  • Davi x Golias: o que você precisa saber sobre estes confrontos por Guilherme Semerene
  • De Pelotas à Belém: as nossas apostas por Felipe Augusto
  • Carrasco, juiz, destino… Um pouco sobre os times grandes em jejum por João Almeida
  • Mapa: os 60 improváveis da Copa do Brasil por Julio Simões

Estreantes: 10 clubes disputam pela primeira vez a Copa do Brasil

Por Diorgnes Saldanha Lima

Você sabe bem: mais do que boa ou ruim, a primeira vez é sempre marcante. Seja do que for, é especial exatamente por ser… a primeira! E como isso também vale também para o mundo do futebol, dá para dizer com segurança que a Copa do Brasil marcou a história de muito clubes. Em alguns casos foi até a primeira competição que os times disputaram.

Nesta edição, não é diferente. Ao todo, dez equipes debutarão no certame mais democrático do país. Esses times tentarão repetir o feito de Santo André-SP e Paulista-SP, que venceram o campeonato logo na primeira participação, em 2004 e 2005, respectivamente. E para a coisa ficar ainda mais legal, todas as cinco regiões do país têm pelo menos um novato: do Sul, Inter de Lages-SC; do Sudeste, Linense-SP e Red Bull-SP; do Centro-Oeste, Aparecidense-GO; do Norte, Galvez-AC, Parauapebas-PA e Gênus-RO; e do Nordeste, Estanciano-SE, Guarany-CE e Juazeirense-BA.

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Gênus treina na Arena da Amazônia, em Manaus (AM)

Destas equipes, três merecem destaque. O Sport Club Gênus chegou à Copa do Brasil após uma trajetória curiosa no Estadual. A equipe do técnico Claudemir Pontin firmou uma parceria com o Nacional de Rolândia-PR, cidade que fica a cerca de 2.700km de Porto Velho-RO (!!!) e recebeu parte do elenco do time paranaense como reforço. A parceria deu tão certo que o time conquistou o primeiro título estadual de sua história, classificando-se assim para a Copa do Brasil. Ainda colhendo frutos desta parceria, o Gênus realizou a pré-temporada deste ano em solo paranaense, onde enfrentou várias equipes de alto nível. Será que dá para surpreender ainda mais?

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Galvez, vice estadual em 2015, posando para a foto

Outra equipe que tem uma história bastante peculiar é o Galvez Esporte Clube, do Acre. O time tem apenas cinco anos de existência e, desde então, ascendeu rapidamente. Um ano após ser fundado, conquistou o título da divisão de acesso de forma invicta. Depois, foi vice-campeã estadual, perdendo a final para o Rio Branco. Mas o mais curioso é que, inicialmente, o clube tinha somente jogadores militares, com exceção do técnico. Hoje, com a flexibilização dessa regra, o clube conta com a maioria de jogadores civis, mas ainda mantém em seu elenco três militares e um bombeiro, que revezarão o dia a dia do trabalho com as partidas do time acreano.

Já o Red Bull Brasil (aqui no UD, nada de ÉrreBê!) precisou de paciência até poder comemorar a classificação inédita para a Copa do Brasil, algo que vinha sendo almejado pelo time há alguns anos. Isso porque a CBF garante quatro vagas para paulistas no torneio: os três melhores do Paulistão e o campeão da Copa Paulista. O Santos, campeão estadual, e o Linense, campeão da Copa Paulista, garantiram a vaga de forma direta. Já São Paulo e Corinthians, terceiro e quarto no Paulista, conseguiram vaga na Libertadores por meio do Brasileirão e, consequentemente, o direito de entrar direto nas oitavas da Copa do Brasil. Isso abriu espaço para a Ponte Preta, que terminou em quinto, e fez crescer a esperança no Red Bull Brasil, que havia terminado em sexto. Para que o sonho se concretizasse, era preciso que o Palmeiras, segundo colocado no Paulista, vencesse a Copa do Brasil 2015. Dito e feito: em dezembro, quase oito meses depois do último jogo do Red Bull pelo Paulistão, o Palmeiras venceu o Santos e garantiu o Toro Loko na competição.

Memória UD

Lembra de mim? O triste fim de algumas “zebras” ilustres

Por Diego Freire

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Em 2014, o Santa Rita-AL alcançou às quartas de final da Copa do Brasil. Hoje, faz figuração no Estadual.

As “zebras” da Copa do Brasil dificilmente voltam a brilhar depois da primeira campanha marcante. Raras vezes equipes menores conseguem surpreender pela segunda vez, seja pela dificuldade em manter os melhores jogadores ou mesmo por azar no sorteio das chaves. Brasiliense-DF e Ipatinga-MG ousaram desafiar essa máxima, quando, em 2007, se enfrentaram pelas quartas de final do torneio.

Os mineiros haviam sido semifinalistas um ano antes, enquanto os candangos sonhavam repetir o vice-campeonato de 2002. Quem analisasse os cruzamentos no início da competição certamente apostaria em um Cruzeiro x Palmeiras naquela fase, mas, provando que raios podem, sim, cair duas vezes no mesmo lugar, os dois clubes emergentes voltaram a desafiar a lógica. Sinal de que estavam se consolidando entre as forças do futebol brasileiro?

Não por muito tempo. Dali em diante, o Brasiliense-DF colecionou apenas rebaixamentos no Brasileiro, terminando por não disputar nenhuma divisão em 2015, além de nunca mais passar sequer da segunda fase da Copa do Brasil. Já com o Ipatinga-MG foi ainda pior: o clube até chegou ao seu ápice jogando a Série A, porém, após ser lanterna na elite, a derrocada foi ainda mais desastrosa. Hoje com um novo nome, homenageando a cidade de Betim, para onde se mudou, a equipe disputa a terceira divisão mineira e está mais próxima de encerrar atividades do que retornar a alguma competição nacional.

As alegrias das “zebras” tendem a ser efêmeras. Mesmo quando um pequeno chega ao título, as dificuldades são muitas para prolongar o período vencedor. Que o digam Santo André-SP e Paulista-SP, ex-campeões que hoje frequentam a Série A-2 do Campeonato Paulista, com situação mais crítica para o time de Jundiaí, ameaçado pela degola. Já o 15 de Novembro de Campo Bom-RS, semifinalista de 2005, teve seu departamento de futebol desativado, a exemplo do Linhares EC-ES, quarto colocado em 1994.

Não precisamos ir tão longe para encontrar histórias de “sumiço”. Em Alagoas, a fusão entre Corinthians-AL e Santa Rita-AL uniu duas histórias de sucesso na Copa do Brasil: em 2007, com o primeiro nome, a equipe eliminou o Atlético-PR e chegou até as quartas de final; já em 2014, após a união e adotando o segundo nome, passou pelo Santa Cruz-PE e chegou até as oitavas. A série de bons trabalhos apontava para o surgimento de uma potência estadual, mas, após ficar fora da final em 2015, o clube apresenta poucas chances de brigar pelo título alagoano na atual temporada.

Pior ainda está o Horizonte-CE, equipe cearense que jogou as oitavas da Copa em 2011 e deu muito trabalho para o Fluminense em 2014, chegando a vencer os cariocas por 3 a 1 em seu estádio. Hoje a equipe joga a segunda divisão estadual, assim como o tradicional Americano-RJ, que eliminou o Botafogo em 2009 e depois enfrentou grande decadência.

Para finalizar a triste lista, o caso mais deprimente no momento parece ser o do Grêmio Barueri-SP, que há seis anos jogou a elite do Brasileiro e hoje passa vergonha atrás de vergonha na Série A-3 do Paulista, colecionando goleadas impiedosas, atrasos de salário e outras dificuldades que indicam a ruína de um clube antes considerado modelo para os pequenos. Em 2011, quando passou uma temporada em Presidente Prudente, o time eliminou o Atlético-MG na Copa do Brasil e avançou até as oitavas de final. Não faz tanto tempo assim, mas para quem acompanha as notícias atuais parece impossível acreditar que aconteceu.

Você apostaria no Hulk Praiano ou no Cavaleiro Capa Preta?

Por William Rosa

Onde você acha que Hulk Praiano, Cavaleiro Capa Preta, Xerife e Cacique poderiam aparecer lado a lado? Em um desenho infantil de aventura? Em uma disputa do Velho Oeste americano? Nada disso. Figuras como essa, juntas, somente na Copa do Brasil deste ano.

mascote coruripe 01O Hulk Praiano, por exemplo, surgiu quando um torcedor do Coruripe-AL resolveu ir aos jogos fantasiado como o personagem da Marvel. Como já era famoso nas arquibancadas por distribuir pirulitos aos torcedores, o sucesso foi imediato.

Há também o fato de o Coruripe ter demonstrado uma “força incrível” ao debutar no Estadual 2004, quando terminou como vice, impressionando torcida e imprensa.

Mascote RIO BRANCO CAVALEIROJá o Cavaleiro Capa Preta surgiu em homenagem a um torcedor símbolo do Rio Branco-ES, o sr. Lafayete Cardoso, que, nos idos dos anos 20, ia aos jogos do time cavalgando e protegendo-se da poeira com uma capa preta.

No caso de Xerife e Cacique, as motivações são menos elaboradas. No Botafogo-PB, a escolha deste mascote se deu porque ambos (time e xerife) carregam no peito uma enorme estrela. Já no Guarany-CE, a referência foi a tribo indígena de mesmo nome, ainda que a verdadeira origem do nome da equipe seja uma homenagem ao primeiro médico da cidade de Sobral-CE, Dr. Antônio Guarany Mont’Alverne.

MASCOTE FERROVIARIA MAQUINISTAE como a zoeira never ends, a Copa do Brasil 2016 ainda nos oferece o Avião e o Trem de Ferro, mascotes de Brasília-DF e Parauapebas-PA, respectivamente. No caso do Brasília, é inevitável notar que a referência vem do Plano Piloto, característica urbana da capital do país. Já para os lados do Pará, a origem vem da cidade que está assentada na maior província mineral do planeta: a Serra dos Carajás. Ainda neste tema vale destacar também o Maquinista, mascote da Ferroviária de Araraquara, time que nasceu a partir dos funcionários da Estrada de Ferro Araraquarense.

Há também muitas referências geográficas para definição dos mascotes, como a Gralha-Azul (Paraná-PR), típica da floresta de araucária e símbolo do estado do Paraná; o Dourado (Cuiabá-MT), peixe que habita a Bacia do Paraguai, no Pantanal; e o Leão Baio (Inter de Lages-SC), um felino que pode ser encontrado vivendo livre na região dos Campos de Lages, em Santa Catarina.

Aliás, Leão é o mascote mais presente entre os times deste Guia Improvável da Copa do Brasil, sendo representante de seis times: Bragantino-SP, Dom Bosco-MT, Fortaleza-CE, Lajeadense-RS, Portuguesa-SP e Remo-PA. Não é muito difícil de imaginar a escolha por essa mascote, já que é um animal reconhecido por sua valentia e bravura.

Outros mascotes comumente compartilhados também são o Tubarão (Londrina-PR, Parnahyba-PI, Princesa do Solimões-AM e Sampaio Corrêa-MA), o Periquito (Caldense-MG, GAMA-DF e Juventude-RS), o Peixe (Ivinhema-MS e Santos-AP), o Dragão (América-RN, Atlético-GO e Confiança-SE), o Coelho (América-MG e Joinville-SC), o Lobo (Paysandu-PA, Comercial-MS e Resende-RJ), o Gavião (Galvez-AC e Tombense-MG), o Galo (Independente-PA, CRB-AL e RIVER-PI), e o Canário (Estanciano-SE e Ypiranga-RS).

Mascote Linense-SPPor outro lado, há animais pouco comuns, como o Bode do Vitória da Conquista-BA, o Camaleão do Aparecidense-GO, a Cobra-Coral do Santa Cruz-PE, o Elefante do Linense-SP, o Papagaio do Tocantinópolis-TO, a Raposa do Campinense-PB, o Touro do Red Bull-SP e o Urubu do Náutico-RR.

Há ainda algumas escolhas curiosas que merecem explicação. A Águia de Cabeça Branca (ou águia-careca, água-americana), por exemplo, é símbolo dos Estados Unidos e representa o Globo-RN porque o seu presidente Marconi tem forte ligação com o país, onde morou por mais de 25 anos. Ou ainda o Urso Branco, adotado como mascote da torcida do Gênus-RO por conta de um presídio de mesmo nome em Porto Velho.

MASCOTE GENUS URSO BRANCOO Chicote da Fronteira, por sua vez, é o representante do Operário-MT por conta da economia local, que destaca-se na pecuária. Já a Estrela, ou Estrela Altaneira, mascote do Rio Branco-AC, tem sua origem na Revolução Acreana (1899-1903). Por fim, o Fantasma é o mascote símbolo do Operário-PR e do ASA-AL por terem “assombrado” os adversários no passado.

Os apelidos dos clubes também abusam da criatividade. No caso do Botafogo-PB, conhecido como Belo, o apelido nasceu da vibração de um gol do então conselheiro do time. Diz-se que Antônio de Abreu e Lima gritou tantas vezes o adjetivo após o gol que o apelido acabou pegando. Já o Independente de Tucuruí-PA possui o apelido de Galo Elétrico porque ali está sediada a Usina Hidrelétrica de Tucuruí, uma das maiores do mundo.

Em alguns casos é difícil desvincular o apelido do clube com o mascote, casos como o Princesa do Solimões-AM, o famoso Tubarão do Solimões; e o Operário-PR, que não é só Fantasma, mas também é o Alvinegro da Vila Oficinas, região do seu estádio. Aliás, a geografia influencia muito na escolha dos apelidos, como no caso do Salgueiro-PE, conhecido por Carcará do Sertão, junção do mascote com a região da cidade de Salgueiro; do Confiança-SE, que atende pelo apelido de Dragão do Bairro Industrial, pois manda seus jogos nesta região de Aracaju-SE; e ainda do Tocantinópolis-TO, o Verdão do Norte.

Cada agremiação carrega uma peculiaridade e uma história, e isso faz da Copa do Brasil não só o campeonato mais democrático do país, mas também o mais querido pelos amantes das pequenas nuances que contemplam o futebol.

Pequenos ensinam grandes a tratar técnicos

Por Igor Nishikiori

claudio-tencati-londrina“Qual é a receita do sucesso?”, pergunta qualquer jornalista do mundo para qualquer técnico bem-sucedido. A resposta nunca é a mesma, pois é difícil apontar uma única variável – e na dinâmica do futebol não existe uma única variável –, mas vamos aos fatos: os quatro times de pouca expressão da Copa do Brasil 2016 que estão há mais tempo com o mesmo treinador tiveram uma ascensão meteórica nos últimos anos. Brasil-RS, Londrina-PR, Tocantinópolis-TO e Ypiranga-RS são exemplos claros de times que nadaram contra a corrente do futebol nacional e conseguiram colher frutos desse trabalho.

Quem está há mais tempo num mesmo clube, incluindo de todas as equipes que disputam campeonatos nacionais do País, é Claudio Tencati, do Londrina-PR. Desde que assumiu o comando do Tubarão, ele foi campeão da Segundona do Paranaense (2011) e, em 2014, em um confronto histórico contra o Maringá, levantou o caneco da elite do Estadual e celebrou um feito que não acontecia desde 1992. Além disso, Tencati ajudou o time a conquistar dois acessos seguidos no Brasileiro, indo da Série D em 2014 para a Série B em 2016.

LEIA TAMBÉM: Um perfil de Claudio Tencati, publicado no Guia Improvável da Copa do Brasil de 2015

neto-costa-tocantinopolisTambém desde 2011, Neto Costa é a mente por trás do jovem time do Tocantinópolis-TO. Ele começou sua trajetória na equipe em 1999, trabalhando como auxiliar técnico e treinador das categorias de base. Só ficou longe da equipe entre 2008 e 2009, quando foi treinar o Marília-MA. No Verdão do Bico, ele foi duas vezes vice estadual (2012 e 2014), além de campeão tocantinense em 2015, o que não acontecia há 12 anos. E ainda conseguiu levar o time para a Série D pela primeira vez desde 2011. Uma trajetória e tanto!

Já Leocir Dall’Astra passou por períodos turbulentos no Ypiranga até conseguir engrenar. Contratado no meio do Gauchão de 2012, Dall’Astra viu o time cair para a segunda divisão do Estadual naquele mesmo ano. Fracassou na tentativa do acesso em 2013 e quase deixou o clube, mas a diretoria apostou no seu trabalho. E foram recompensados: no ano seguinte, levou o time ao título da segundona gaúcha; em 2015, fez boa campanha na elite do Estadual e conquistou a sonhada vaga para a Série D. No torneio, o Ypiranga liderou seu grupo, bateu o Rio Branco-AC e a Caldense-MG na fase eliminatória e ganhou o direito de disputar a Série C em 2016, a primeira vez em 20 anos.

Enquanto isso, o conterrâneo Brasil de Pelotas era um ilustre participante da Série C do Brasileiro até uma crise sem precedentes atingir o clube em 2009, quando um grave acidente com o ônibus da equipe matou três pessoas, entre eles o atacante e ídolo Claudio Milar. O baque foi tamanho que o time acabou sendo rebaixado no Gauchão daquele ano. E antes que Rogério Zimmermann assumisse o posto, em abril de 2012, o Xavante tinha recém-caído para a quarta divisão nacional. Mas logo em 2013 a volta por cima começou a ser dada, com o título da Segundona gaúcha, e, em seguida, os acessos para a Série C (2014) e depois para a Série B (2015), cuja última participação tinha sido em 1986 – sem contar a Copa João Havelange em 2000.

Quatro histórias de sucesso que têm em comum projetos de longo prazo. Às vezes, até os grandes têm algo a aprender com os pequenos.

Gringos na Copa do Brasil

O argentino Edgardo Bauza, do São Paulo, e o uruguaio Diego Aguirre, do Atlético-MG, não serão os únicos “professores” gringos da Copa do Brasil 2016. Os jogadores do Gama-DF e da Ferroviária-SP também ouvirão um sotaque diferente vindo do banco de reservas.

sergio-vieira-ferroviariaO português Sérgio Vieira é o comandante da grande sensação do Campeonato Paulista de 2016. Desde 2015 no Brasil, a convite do Atlético-PR, o jovem técnico de 33 anos trabalhou no Furacão como auxiliar técnico e treinador das categorias de base até a demissão de Milton Mendes, em setembro do ano passado. Ele acabou assumindo o time interinamente em duas partidas da Copa Sul-Americana contra o Brasília, e um jogo pelo Brasileirão, contra o São Paulo. Depois disso, foi cedido para o Guaratinguetá-SP e ajudou o time da Série C a escapar do rebaixamento. Como parte da parceria de longa data entre Atlético-PR e Ferroviária, Vieira foi treinar o time paulista no começo do ano, aplicando seu conhecimento adquirido na escola de técnicos da Europa.

Já o italiano Amedeo Mangone (ex-Milan [s20], Bologna, Roma, etc. como zagueiro) chegou ao Gama no final de 2015, graças a um acordo com um grupo italiano que ficará com 50% dos lucros do time. E mesmo que a situação financeira do clube não seja das melhores, a aposta é arriscada. Mangone treinou apenas três equipes de pouca expressão da Itália: Pavia (2006-2010), Reggiana (2010-2011) e AlbinoLeffe (2014-2015), e jamais conquistou um título como técnico. Para piorar, não conseguiu o visto de trabalho e acabou demitido dias antes da estreia na Copa do Brasil. Pelo menos deixou uma boa impressão: quatro vitórias, dois empates e apenas uma derrota no Candangão.

10 motivos para amar times da Copa do Brasil

Por Allan Brito

A beleza da Copa do Brasil não está nos grandes times. Basta dar uma olhada nos clubes médios e pequenos para achar dados curiosos recentes, se divertir com o folclore do futebol e torcer para que eles repitam ótimas histórias como essas…

Obrigado, Paraná, por uma das melhores histórias de 2015: o MC Bin Laden, do hino “tá tranquilo, tá favorável”, publicou uma foto em que aparece no McDonalds junto com o elenco do time tricolor e também com o MC Brinquedo, logo ele que pinta o cabelo imitando a camisa do Paraná. Foi uma cena incrível, mas nem tudo ficou tranquilo e favorável: os jogadores tiveram que se explicar por estarem comendo sanduíches e fugindo da dieta recomendada.

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Copa do Brasil, amo muito tudo isso


Em uma mesma competição é possível encontrar um suíço no Fortaleza (Eduardo), um nigeriano no Imperatriz do Maranhão (Yerien Esukusiede) e um sérvio no Parnahyba do Piauí (Bojan Mamic). No banco de reservas, teríamos um técnico italiano, Amedeo Mangone, mas ele acabou demitido do Gama-DF por problemas no visto de trabalho.

nigeriano


Um time de Rondônia, o Gênus, tem uma parceria com um time do Paraná, o Nacional de ROLÂNDIA. São 2.700 km de distância, mas a fusão de forças deu certo, já que o Gênus foi campeão estadual com jogadores emprestados pelo Nacional


O Rio Branco-AC fez barba, cabelo e bigode na lançamento dos seus novos uniformes. O evento aconteceu em uma barbearia chique da cidade. Não pergunte o porquê.

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Ferroviária rumo a Tóquio! Ou quase isso… no futebol feminino o time de Araraquara bateu o Colo Colo na final e foi campeão continental. Agora é só repetir a fórmula com os homens, afinal a Copa do Brasil dá vaga na Libertadores.

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Todos têm que acreditar


O Aparecidense atrai boas histórias. A melhor delas foi em 2013, quando o massagista Esquerdinha entrou em campo para evitar um gol do Tupi, pela Série D. Ele salvou a bola duas vezes em cima da linha e teve que sair correndo para os vestiários. É uma cena tão lamentável quanto engraçada.


Nada de Zezé Di Camargo e Luciano! Os verdadeiros filhos de Francisco são Adriano, Andrézinho e Valdivia. Só o destaque do Inter foi longe, mas os dois irmãos dele também viraram profissionais. E esse não é o único caso desse tipo: Marlos é irmão do Marlone, do Corinthians, está no Gama e pode jogar na Copa do Brasil também.

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Sabia que existe um time de críquete no Brasil? A Caldense é um dos poucos clubes no Brasil a treinar esse esporte para inglês ver. Parabéns, Veterana, mas foque no futebol, por favor.

caldense


Pode ser a última Copa do Brasil de um estrangeiro muito alternativo, o uruguaio Acosta, que já jogou no Corinthians e hoje é ídolo no Santos do Amapá. Ele está revoltado com “pessoas que não sabem o que é trabalhar com jogadores profissionais”. É provável que agora ele se dedique apenas ao desenho animado Bob Esponja.

acostalulamolusco acosta

Aloísio Chulapa está com 41 anos e continua o mesmo mito de sempre. Vai jogar a Copa do Brasil pelo Comercial-MS como uma das grandes atrações. Um brinde de “Danone” a ele!

DESCUBRA! aloisio 

‘Sequestrado’, togolês e Danone: na Copa do Brasil, ‘AQUELES’ seguem brilhando

Por Emanuel Colombari

Ano vai, ano vem, e uma receita não se modifica no futebol mundial: clubes que estão distantes dos holofotes continuam servindo de morada para jogadores que já passaram dos melhores momentos de sua carreira. Em troca, oferecem a estas equipes visibilidade, possibilitando a atração de público e dividendos. No Brasil, é claro, esta receita não é diferente. Na Copa do Brasil, é até comum. Às vezes, equipes disputam um único jogo no torneio e precisam marcar presença de alguma forma. Por isso, apostar em patrocinadores ou em velhos conhecidos das torcidas é uma estratégia recorrente.

Então, mais uma vez, o Última Divisão apresenta a seleção dos “AQUELES” da Copa do Brasil. Eles já foram campeões brasileiros, da Libertadores, do Mundial de Clubes e até defenderam seleções (não só a do Brasil); hoje, são a esperança de clubes que não disputam a Série A do Campeonato Brasileiro e que muitas vezes brigam para conquistar espaço na mídia. Para reunirmos os 11 titulares desta lista, tentamos democratizar a escalação, com um representante de cada clube. Nem sempre isso é possível – além de posições mais carentes em veteranos, alguns clubes apostam com mais frequência (e por diversos motivos) em jogadores rodados.

De qualquer forma, o time conta com nomes conhecidos – e teve até que descartar outros. No fim, uma coisa é certa: a equipe que tivesse essa escalação seria um bom candidato ao título da Copa do Brasil. De 2007.

Confira nossa seleção dos “AQUELES”, em um tradicional 4-4-2:

ricardo-berna-fortalezaG. RICARDO BERNA (Fortaleza-CE)

Passou quase uma década como uma opção (bastante utilizada) no Fluminense. Desde 2013, porém, resolveu procurar espaço em outros clubes. Passou por Náutico-PE e Macaé-RJ, antes de chegar ao Fortaleza-CE em 2015.

LD. HAMILTON (Confiança-SE)

É volante de formação, mas pode atuar também na lateral. Ficou conhecido em 2003 por defender a seleção do Togo, convocado (sem qualquer vínculo com o país) quando atuava pelo Sergipe. Passou também pelo Sport-PE.

Z. TECO (Brasil-RS)

Destacou-se em 2007, atuando pelo Grêmio que foi vice-campeão da Copa Libertadores. No entanto, uma série de lesões atrapalharam o melhor momento de sua carreira. Depois, passou por clubes como Cruzeiro, Botafogo e Atlético-GO. Desde 2015, está na equipe de Pelotas.

Z. RIVALDO (CRB-AL)

Outro improviso em nossa defesa. Desta vez, recuando o volante que foi revelado pelo Santos, com passagens por Palmeiras (sem deixar saudades), Sport-PE e Figueirense-SC. Chegou ao CRB-AL após passagem pelo futebol iraniano.

LE. DIEGO SACOMAN (Red Bull Brasil)

Revelado pelo Corinthians, o canhoto é multifuncional – atua também como zagueiro. Passou com relativo destaque por Ceará, Ponte Preta e Santa Cruz-PE. Em 2016, retornou a Campinas, mas para defender o Red Bull Brasil-SP.

somalia-crbV. SOMÁLIA (CRB-AL)

O volante foi protagonista de um fato curioso quando atuava pelo Botafogo: em janeiro de 2011, prestou queixa à Polícia por conta de uma tentativa de sequestro-relâmpago, que o impedira de comparecer ao treino da equipe. Mais tarde, a divulgação de imagens do circuito de TV de seu prédio desmentiram a versão, e descobriu-se que o jogador apenas procurara uma justificativa para faltar ao treino sem ser multado. Desde então, passou por Ponte Preta, Joinville e ABC.

V. WILLIAN MAGRÃO (Red Bull Brasil-SP)

Revelado pelo Mogi Mirim, profissionalizou-se no Grêmio em 2007. Foi outro nome que sofreu com as lesões nos primeiros anos de carreira. Passou por clubes como Ponte Preta, Cruzeiro, Figueirense e Portuguesa. Em 2016, defende o Red Bull Brasil pela segunda vez na carreira.

hugo-juventudeM. HUGO (Juventude)

O meia viveu o auge de sua carreira entre 2005 e 2010, quando passou por clubes como Corinthians, Grêmio e São Paulo – foram três títulos do Campeonato Brasileiro neste período. Em 2016, voltou ao Juventude, onde atuou pela primeira vez em 2003 – com direito a show na vitória por 6 a 1 sobre o Corinthians.

M. DUDU CEARENSE (Fortaleza-CE)

Atuou com relativo destaque no exterior, passando por Japão, França, Rússia e Grécia entre 2004 e 2011. Em 2006, quando defendia o CSKA Moscou, foi convocado pelo técnico Dunga, na tentativa de renovar a seleção brasileira. Está no Fortaleza desde 2015, oriundo do futebol de Israel.

A. ALOÍSIO CHULAPA (Comercial-MS)

Aos 41 anos, já poderia ter pendurado as chuteiras, mas segue fazendo o que gosta: jogar futebol e tomar cerveja, praticamente ao mesmo tempo. Em 2016, acertou com o Comercial para a disputa do Campeonato Sul-Mato-Grossense, após passagens por clubes como Grêmio Maringá-PR e Sport Atalaia-AL.

A. WARLEY (Botafogo-PB)

Houve um tempo em que o Brasil vencia a Alemanha com naturalidade. Em 1999, quando o time do técnico Vanderlei Luxemburgo bateu os germânicos por 4 a 0 na Copa das Confederações, Warley – então na Udinese-ITA – saiu do banco no decorrer da partida para atuar ao lado de Ronaldinho Gaúcho. Desde então, passou por Grêmio, São Caetano-SP, Palmeiras e Atlético-PR, entre outros clubes. Nos últimos anos, é uma das principais atrações do futebol paraibano.

Memória UD

História de Amor – 20 anos de Nuno Leal Maia no Londrina

Por Leonardo Bonassoli, do Futebol Metrópole

Nuno Leal Maia sendo recebido pelo presidente do Londrina, em 1995
Nuno Leal Maia sendo recebido pelo presidente do Londrina, em 1995. Ao centro, seu auxiliar, o também ator Romeu Evaristo, conhecido por ser o Saci do Sítio.

Se hoje o Londrina é conhecido pela estabilidade em sua área técnica (Claudio Tencati está lá firme e forte há cinco anos), há 20 anos não era bem assim. E um dos nomes que esteve com a prancheta do Tubarão em 1996 era de novela: o ator Nuno Leal Maia.

A passagem de quatro meses pelo time do Norte do Paraná ecoa hoje como um dos momentos mais folclóricos do Tubarão, que começava a perder força depois de ter sido campeão em 1992. Nuno Leal Maia não era um novato. Ex-lateral-esquerdo da base dos Santos, acabou trocando os gramados pelo palco quando juvenil. Entre trabalhos na televisão, havia treinado o São Cristóvão-RJ e o Botafogo-PB. Porém, a passagem pelo semifinalista brasileiro de 1977 foi a mais marcante das passagens do treinador-ator.

“Foi o [presidente] Marcelo Caldarelli que me trouxe. Pessoa bacana, bem adiante do tempo dele. Não sei como me achou. Aí acabamos conversando. Tive muita ajuda dos jogadores, como o zagueiro João Neves, que é ídolo lá. Tanto que o levei no ano seguinte quando treinei o Matsubara [última tentativa como treinador]”, contou Maia em entrevista dada ao jornalista Rodrigo Linhares da Rádio Paiquerê em 2011, justamente quando o Londrina começava o processo de reerguimento que o fez voltar a ser habitué na Copa do Brasil, a disputar a Série B, além do título de 2014.

Os resultados de Nuno Leal Maia no Londrina foram expressivos: cinco vitórias, três empates (Paraná, Atlético-PR e Matsubara-PR) e apenas uma derrota (para Coritiba). Isso tudo em meio a promessas de pagamentos de bichos aos jogadores em forma de gado, pois o presidente do clube era conhecido como importante pecuarista da região.

Nos primeiros momentos como treinador, o ator passava a semana no Rio de Janeiro gravando os últimos capítulo de História de Amor – novela das oito que protagonizava ao lado de Regina Duarte, interpretando o esportista Assunção -, voltando para comandar a equipe nos finais de semana. Enquanto isso, quem dava os treinos era o auxiliar, o também ator Romeu Evaristo, mais conhecido por interpretar o Saci na primeira versão do Sítio do Pica-Pau Amarelo. Com o fim do compromisso artístico, Maia pôde se dedicar integralmente ao Londrina.

E foi justamente a relação com o auxiliar técnico o estopim para a saída repentina do treinador, após o empate contra o Atlético pela segunda fase do Paranaense. “Era um time bom o Atlético, tinha aquele Matosas. Resultado normal. Só que a coisa foi deteriorando após aquele empate. Era uma correria, e eu gostava de manter o time mais na calma. E o Romeu Evaristo mais atrapalhava que ajudava, pois ele queria ir na mídia e fazia coisas fora do controle meu e do Marcelo [Caldarelli]”, relembrou Nuno à Paiquerê.

Da passagem, ficou uma ótima lembrança do carinho da torcida e da cidade. “As pessoas queriam ver se era verdade ou não, então o assédio era grande. Eles me respeitavam muito como pessoa e tinha muita gente legal. Saía para o intervalo e parava para dar autógrafo no lado do alambrado”, contou.

Marx Freud, Todinho, Testinha, Tonho Cabañas: nomes para todos os gostos!

Por João Vitor Neves

A Copa do Brasil é um torneio de todos e para todos. É a oportunidade de centenas de jogadores tentarem um lugar ao sol, conseguirem melhores contratos ou até mesmo marcarem seu nome de alguma forma na história do nosso futebol.

E falando em nome, a criatividade do brasileiro e do amante do futebol é acima do normal. Pensando nisso, categorizamos alguns dos nomes mais curiosos desse torneio, que já teve gente do calibre de Márcio Mossoró, Dema, Ediglê, Sandro Gaúcho, Osmar Cambalhota e Iranildo em seus registros históricos. Confira:

SIMPLES E OBJETIVO
Piru (Princesa-AM)
Mimica – (Sampaio Corrêa-MA)
Keno – (Santa Cruz-PE)
Parrudo – (Inter – SC)
Manteiga (Juazeirense – BA)
Juba (Operário-PR)
Babau (Rio Branco-AC)
Ley (Rio Branco-AC)
Máximo (Galvez – AC)
Chapinha (Campinense-PB)
Testinha (Rio Branco-AC)
Radar (Nacional-AM)
Monga (Independente-PA)
Montanha (ABC-RN)
Cal (Nacional-AM)
Xaro (Brasil de Pelotas-RS)
Jacó (Bahia-BA)
Todinho (Vitória da Conquista-BA)
Anjinho (Brasília-DF)
Bogé (Cuiabá-MT)
Totonho (Parnahyba-PI)

O DIFERENTÃO
Delciney (Rio Branco-AC)
Remerson (Galvez-AC)
Leonardy (Aparecidense-GO)
Vanger (Cuiabá-MT)
Willames José (Coruripe-AL)
Klenisson (ASA-AL)
Lessandro (Santos-AP)
Rubran (Independente-PA)
Walfrido (Sampaio Corrêa-MA)
Osvaldir (Nacional-AM)
Rascifran (Princesa-AM)
Alagamar (Confiança-SE)


Jarlan (Aparecidense-GO)
Labilá (Princesa-AM)
Everlan (Juazeirense-BA)
Héricles (Gama-DF)
Edicleyton (Brasília-DF)
Elcarlos (Goianésia-GO)
Félix Jhonnathans (Caldense-MG)

NOME + SUBSTANTIVO
Edson Veneno (ASA-AL)
Alencar Baú (Independente-PA)
Lucas Batatinha (Operário-PR)
Guilherme Parede (Coritiba-PR)
André Beleza (River-PI)
Jandson Chiclete (ABC-RN)
Rodrigo Vareta (Lajeadense-RS)
Marcos Gasolina (Parnahyba-PI)
Junior Mandacaru (Estanciano-SE)

NOME + ADJETIVO/ADJETIVO PÁTRIO
Otávio Pretão (Santos-AP)
Edinho Canutama (Princesa-AM)
Fredson Baiano (Operário-PR)
Célio Codó (Vitória da Conquista-BA)
Cleiton Gladiador (Rio Branco-ES)
Thiago Azulão (Caldense-MG)
Vitor Caicó (Salgueiro-PE)
Wallace Pernambucano (Confiança-SE)
Wallace Sergipano (Confiança-SE)

REINO ANIMÁLIA
Junior Lacaraia (Princesa-AM)
Tigre – (Juazeirense-BA)
Tatu (Vitória da Conquista-BA)
Ratinho (Rio Branco-ES)
Adalgiso Pitbull (Campinense-PB)


CÓPIAS
Tonho Cabañas (Galvez-AC)
Emerson Balotelli (Rio Branco-ES)
Gustavo Papa (Brasil de Pelotas-RS)
Ewerton Maradona (Caldense-MG)

XARÁS FAMOSOS
Roberto Dinamite (Rio Branco-AC)
Zagalo (Galvez-AC)
Capone (Juazeirense-BA)
Michel Platini (Brasília-DF)
Lineker (Goias-GO)
Mondragon (Salgueiro-PE)
Valderrama (Sampaio Corrêa-MA)
James Dean (Sport-PE)

COMO PRONUNCIA?
Jhulliam (Sampaio Corrêa-MA)
Whattimen (Comercial-MS)

ORTOGRAFIA ALTERNATIVA
Cácio (Rio Branco-AC)
Madisson (Coruripe-AL)
Welthon (Remo-PA)
Maicky Douglas (Parauapebas-PA)
Balotele (Parnahyba-PI)
Tcharles (Genus-RO)

MENÇÃO HONROSA
Valério Germano (Rio Branco-AC)
Clayton He-man (Imperatriz-MA)
João Lennon (Dom Bosco-MT)
Marx Freud (Caldense-MG)
Chaveirinho (Independente-PA)
Moreilândia (Salgueiro-PE)
Itacaré (Resende-RJ)
Drama (Ypiranga-RS)
Valdo Bacabal (Inter-SC)
Erivaldo Gravatá (Globo-RN)

Davi x Golias: o que você precisa saber sobre estes confrontos

Por Guilherme Semerene

Longas distâncias, documentos falsos, massagistas-goleiros e xarás que jamais se enfrentaram são apenas alguns dos elementos que já marcaram os confrontos entre clubes grandes e pequenos na primeira fase da Copa do Brasil. Separamos algumas curiosidades dos jogos do tipo já programados para a primeira fase deste ano:

santosapSANTOS x SANTOS-AP

É bem provável que o Peixe de Macapá continue sem vencer uma partida sequer na Copa do Brasil. Isto porque seu rival na primeira fase, etapa da qual nunca passou, será ninguém menos do que o xará paulista, finalista da última edição. O destaque do Santos amapaense é o uruguaio Acosta, aquele mesmo que já defendeu Corinthians e Náutico. E apesar de atuar pela equipe há alguns anos, o atacante dá sinais de que deseja pendurar as chuteiras em breve: “Cansei de pessoas que não sabem o que é trabalhar com jogadores profissionais”, disse. Vale lembrar também que, em 2015, o Santos-AP foi o último colocado da Série D do Brasileiro.


confiancaseFLAMENGO-RJ x CONFIANÇA-SE

Com o brasileiro-togolês Hamilton no elenco, o Gigante Operário tentará o feito de avançar à segunda fase da Copa do Brasil. O Flamengo, adversário e um dos times apontados como favorito ao título da competição, terá pela frente o maior e atual campeão sergipano, que fez boa Série C em 2015, terminando na 7ª colocação. O Dragão provavelmente fará figuração, mas a esperança dos torcedores é que consiga repetir o feito de chegar às oitavas de final, como em 2002.


tombosmgFLUMINENSE x TOMBENSE-MG

Após 12 anos, o Gavião-Carcará está de volta à Copa do Brasil e quer surpreender. Semifinalista do último Campeonato Mineiro, o time terá jogo complicado contra o Fluminense. Para a missão, poderia ter um ataque formado por Rychely, ex-Santos e Goiás, e Wendell Lira, vencedor do Prêmio Puskas, mas Wendell acabou dispensado sem motivo aparente – e dias antes de ser indicado para o maior prêmio da carreira.


brasilrsATLÉTICO-PR x BRASIL-RS

O Brasil de Pelotas não é exatamente um time pequeno. Em ascensão, a equipe saiu da Série D para a B em duas temporadas e quer surpreender o Furacão na Copa do Brasil, quebrando assim o tabu de nunca ter passado da primeira fase. Um dos trunfos do Xavante é a experiência de alguns jogadores, como o goleiro Eduardo Martini, ex-Grêmio, Avaí e Ponte Preta, e o zagueiro Teco, ex-Grêmio e Cruzeiro. Já no banco de reservas, conta com um dos treinadores mais longevos do país: Rogério Zimmermman, no Índio desde abril de 2012.


coruripealBOTAFOGO-RJ x CORURIPE-AL

O Hulk Praiano deve ficar mais uma vez pelo caminho na primeira fase da Copa do Brasil. A equipe de Alagoas teve azar no sorteio e logo de cara enfrenta o Botafogo-RJ, que voltou à Série A do Campeonato Brasileiro nesta temporada e terminou a primeira fase do Campeonato Carioca sem perder nenhuma partida sequer.


guaranyceCORITIBA-PR x GUARANY-CE

A equipe de Sobral é estreante na Copa do Brasil, mas quase foi desclassificada antes mesmo de estrear. Isso porque o time teria enviado um documento falso ao Profut, fato que fez o time ser rebaixado para a segunda divisão cearense. Felizmente, a questão se resolveu após a apresentação da documentação verdadeira três dias depois. Mesmo assim, o Coritiba, que não tem nada a ver com isso, deve eliminar o Cacique do Vale já na partida de ida.


aparecidensegoSPORT-PE x APARECIDENSE-GO

Inicialmente conhecida como “filial do Goiás” ou “Goiás B”, a Aparecidense conseguiu sua “emancipação” nos últimos anos e pode surpreender o Sport, que fez boa campanha na Série A do ano passado. Com Márcio Goiano no comando técnico e o experiente Da Matta em campo, o Camaleão vai bem no Campeonato Goiano, torneio em que é o atual vice-campeão. Vale lembrar que o massagista Esquerdinha, que salvou o time de uma derrota na Série D de 2013 entrando em campo, ainda é funcionário do clube e pode aprontar.


nauticorrVITÓRIA-BA x NÁUTICO-RR

O Náutico-RR tem boas prerrogativas para ser eliminado logo de cara na Copa do Brasil. Além de nunca ter passado da primeira etapa e perder seu artilheiro do ano anterior, o Urubu enfrentará o Vitória, que está de volta a Série A. Fora das quatro linhas, o clube também passa por dificuldades. A falta de um bom relacionamento com o governo estadual fez com que o Náutico-RR realizasse sua pré-temporada em Betim-MG, cerca de três mil quilômetros de Caracaraí, sua sede.


princesaamCHAPECOENSE-SC x PRINCESA DO SOLIMÕES-AM

O hilário torcedor símbolo do time amazonense, que se veste de princesa para assistir os jogos do time, terá que fazer uma viagem um pouco mais longa para prestigiar a equipe, que atravessará o Brasil para enfrentar a Chapecoense na primeira fase da competição. Com um 2015 ruim dentro de campo, o Princesa não se classificou para a Copa Verde e nem para Série D do Brasileiro, o que faz da Copa do Brasil a grande chance de prolongar o calendário para além do Estadual.

De Pelotas à Belém: as nossas apostas

Por Felipe Augusto, do Série Z

O novo formato da Copa do Brasil dificultou a vida das zebras, mas como bom guia que se preze, não podemos deixar de apostar em algumas equipes para conseguirem um épico na mais democrática das competições nacionais. Pode ser que não tenhamos um novo Paulista ou Santo André, porém é possível que algumas dessas equipes cheguem as fases finais, seja pelo bom começo de ano, o trabalho de longo prazo ou pelo histórico. Vamos viajar o Brasil mostrando nove apostas para ficar de olho.

BRASIL-RS

O ano não começou como se esperava para o Xavante, com muitos empates e a torcida pedindo uma reformulação, entretanto o elenco é bem experiente (média de 31 anos) e copeiro, o que pode se tornar o ponto forte para surpreender. A Copa do Brasil é mais um teste para a equipe que nesse ano disputa a Série B, depois de uma arrancada na qual saiu da Segunda Divisão Gaúcha para a Nacional, com muitos jogadores que continuam na equipe e fizeram parte dessa retomada.

PARANÁ-PR

O Paraná espera que a regularidade seja o ponto alto em 2016. Nos últimos anos, o Tricolor começa bem as competições, mas cai de produtividade no decorrer da disputa. O bom futebol apresentado credencia a equipe para boas campanhas, com destaque para o retorno de Claudinei Oliveira e uma nova política de contratações, com mais qualidade que quantidade, como os “achados” Nádson e Válber, ambos ex-Sampaio Corrêa.

LONDRINA-PR

Um dos melhores trabalhos a longo prazo do futebol brasileiro nos últimos anos vem do Norte do Paraná. O treinador da equipe, Cláudio Tencatti, é exemplo disso, prestes a completar cinco anos no comando do Tubarão, que está na equipe desde 2011, quando conseguiu o retorno à elite estadual. A base do elenco também é mantida, com destaque para Germano, Bruno Batata, Sílvio, Bidía e Diogo Roque.

Foto: Carlos Insaurriaga/GEBrasil
Nesta edição, apostamos algumas boas fichas em Brasil-RS e Londrina-PR, duas forças tradicionais do Sul do país

FERROVIÁRIA-SP

O “melhor time do interior paulista”! É assim que a Ferroviária vem sendo chamada pela campanha no Paulistão, em que complicou a vida de Palmeiras e Corinthians. As novidades são muitas, como a nacionalidade do treinador, Sérgio Vieira, português e aprendiz de Mourinho. O elenco tem muitos jovens jogadores com passagem pelo Atlético-PR e Fluminense. Por tudo isso, a Locomotiva é a única “sem divisão” que nós apostamos.

CUIABÁ-MT

Chegamos ao Pantanal para falar de outro bom trabalho a longo prazo. O Cuiabá demonstra um planejamento bem definido, o que resultou em campanhas sem sustos na Série C e no título da Copa Verde 2015. O Dourado terá na Copa do Brasil um dilema, pois caso alcance a fase final (quarta etapa) não poderá disputar a Copa Sul-Americana, direito que conseguiu ao vencer o regional. Seja no Brasil ou na América, que o Cuiabá nos surpreenda!

SANTA CRUZ-PE

O Santinha é o único clube da Série A fora dos dois primeiros potes da Copa do Brasil, devido ao ranking da CBF, situação que deve mudar posteriormente. Credenciado pelo acesso à elite, a força do Arruda e os gols de Grafite, o Santa Cruz quer chegar longe para mostrar a que veio no ano de seu retorno. A base foi mantida, junto com o treinador Marcelo Martelotte, cenário que é a esperança de mais um ano de ressurreição.

Foto: Antônio Melcop/Santa Cruz FC
Santa Cruz-PE e Sampaio Correa-MA, que se enfrentaram no Brasileiro Série B 2015, são outros dois times em que apostamos

AMÉRICA-RN

O América fez parte de um dos jogos mais marcantes de 2014. Na terceira fase da Copa do Brasil, o clube natalense perdeu para o Fluminense, em casa, por 3 a 0, mas conquistou uma virada heroica em pleno Maracanã: 5 a 2, com direito a gol no último minuto. Com a retomada do domínio estadual, o clube quer repetir a boa campanha, mas sem esquecer as outras competições, pois em 2014, mesmo com a campanha na Copa, a equipe foi rebaixada na Série B.

SAMPAIO CORRÊA-MA

A Bolívia Querida recolocou o futebol maranhense no cenário nacional, com os dois “quase acessos” na Série B. Falta uma melhor campanha na Copa do Brasil. Para isso, a expectativa é que o aprendizado na segunda divisão seja utilizado dessa vez. Na frente, a velocidade de Pimentinha e a cadência do interminável Arlindo Maracanã serão importantes para fazer a melhor campanha da história do clube.

PAYSANDU-PA

Dado Cavalcanti reencontrou na Curuzu o bom trabalho, como em 2013, quando surgiu para o futebol no comando do Mogi Mirim. Em paz com a torcida, o treinador pode remontar o Paysandu que vem de boa campanha na Série B, mas sem Yago Pikachu. A consistência parece ser a característica que o clube buscava e vem demonstrando em 2016. Que tal repetir o feito da Copa dos Campeões de 2002, com aquele 2002, com aquele título surpreendente?

Carrasco, juiz, destino… Um pouco sobre os times grandes em jejum

Por João Almeida

São Paulo, Botafogo, Internacional, Grêmio, Cruzeiro, Atlético-PR e Coritiba. São grandes e têm “camisas que entortam o varal”, como costumam dizer os comentaristas. Mas estão em jejum. Grêmio e Cruzeiro estão no rol dos maiores campeões, mas não sabem o que é levantar o caneco há algum tempo. Outros, no entanto, amargam uma seca maior, como São Paulo e Botafogo, que sequer sabem como é levantar o caneco.

Há algum motivo para isso? Sim, mas vale respeitar cada caso específico. Para entender, vamos relembrar em quais momentos decisivos os ditos grandes caíram ou negaram fogo. E, de alguma forma, responder o porquê disso.

cruzeiromgComeçamos com o último a conquistar a taça, o Cruzeiro. Desde 2003, a Raposa não conseguiu mais ganhar o principal mata-mata do país. Como melhores campanhas, parou no Paulista de Jundiaí, na semifinal de 2005, e na decisão contra o maior rival, o Atlético-MG, em 2014. No último, há a “justificativa” da ressaca pós-título nacional, já que o clube havia faturado com antecedência o Brasileiro dias antes. Porém, o real motivo é um carrasco, e que carrasco: o goleiro Victor. Não pela atuação, mas, sobretudo, pela mística: Victor estava no elenco do Paulista – era reserva – e defendeu o Galo na final nove anos depois.

gremiorsO Grêmio, campeão pela última vez em 2001, não alcançou mais nenhuma decisão. O problema é a “sina da semifinal”. No ano de 2010, fez um duelo equilibradíssimo com o Santos de Neymar e Ganso, mas sabemos quem levou a melhor. Dois anos depois, Valdívia, quem diria, foi determinante para o Palmeiras de Felipão derrubar o tricolor gaúcho. Na edição seguinte, contra o Atlético-PR, o tabu seria quebrado. Seria. Caso Marcelo Cirino, Ederson e Paulo Baier contribuíssem.

interrsDo outro lado de Porto Alegre, o lado vermelho, o jejum é maior: há 24 anos, o Inter foi campeão. E só. Depois, os resultados mais notáveis foram a semi de 1999, contra o Juventude, e o vice frente ao Corinthians, dez anos depois. Ambos com um fator peculiar: o Beira-Rio jogou contra. Diante do Juventude, a goleada sofrida por 4 a 0 dentro dos seus domínios ficou marcada para eternidade. Já na final de 2009, o Corinthians, em dez minutos, abriu dois gols de vantagem. O Inter passou a precisar de quatro gols, pois já tinha perdido por 2 a 0 fora de casa. Mas o Colorado só fez dois e viu D’Alessandro ser expulso.

botafogorjO Botafogo, ah, o Botafogo. A Copa do Brasil se encaixa perfeitamente no clichê “tem coisas que só acontecem com o Botafogo”. Estamos falando de 1999, Juventude, um Maracanã com 100 mil pessoas, e um senhor chamado Márcio Rezende de Freitas. Na finalíssima, tudo levava crer que o Bota reverteria a desvantagem de 2 a 1 sofrida no Sul. Não reverteu. E a culpa recaiu sobre o árbitro do primeiro jogo, que polemizou e não deu dois gols legítimos dos cariocas.

saopaulospO São Paulo chegou a sentir o gostinho de campeão até os minutos finais da decisão contra o Cruzeiro, em 2000, em pleno Mineirão. Contudo, um ídolo tricolor não deixou isso acontecer. Müller, reserva, entrou e deu o título aos mineiros. Ele não fez gol. Nem salvou bola em cima da linha. Ele falou. Deu uma palestra para o Geovanni segundos antes da cobrança de falta, aos 45m do segundo tempo. Ele sabia o caminho. Geovanni escutou, e o Mineirão explodiu de alegria.

coritibaprOs paranaenses também não contam com a sorte na competição. Enquanto oatleticopr Furacão surpreendeu em 2013, eliminando Palmeiras, Grêmio e Inter até chegar na final com o Flamengo, o destino parecia sorrir ao Atlético-PR. Mas não. Elias e Brocador não deixaram o título ir a Curitiba. Destino que também judiou com Marcelo Oliveira. Os dois vices do Coritiba, em 2011 e 2012, foram cruéis. Um para o Vasco de Prass, que um dia lhe salvaria o emprego nesta competição. Outro, para o Palmeiras, em uma bola de cabeça de Betinho, o inesquecível Betinho.

Mapa Interativo da Copa do Brasil – Clique para Ampliar

mapa-copa-do-brasil-2016

 

FICHA TÉCNICA DESTA EDIÇÃO (em ordem alfabética)

  • Allan Brito – Redação & Pesquisa
  • Diego Freire – Redação & Pesquisa
  • Diorgnes Saldanha Lima – Redação & Pesquisa
  • Emanuel Colombari – Redação & Pesquisa
  • Felipe Augusto – Redação & Pesquisa
  • Guilherme Semerene – Redação & Pesquisa
  • Igor Nishikiori – Redação & Pesquisa
  • João Almeida – Redação & Pesquisa
  • João Vitor Neves – Redação
  • Julio Simões – Edição, Tecnologia & Pesquisa
  • Leonardo Bonassoli – Redação
  • William Rosa – Redação & Pesquisa

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