Os 15 maiores jogos da história da Copa Ouro

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Os últimos meses não foram nada tranquilos na sede da Concacaf, em Miami. Quase todas as notícias recentes sobre a entidade são ligadas a prisões de dirigentes suspeitos por corrupção, incluindo o atual presidente, Jeffrey Webb, e um dos seus antecessores, Jack Warner. Mas a crise política parece não ter afetado o principal campeonato disputado entre os países americanos do Hemisfério Norte: a venda de ingressos para a Copa Ouro 2015 bateu recordes e o futebol da região está em alta após grandes campanhas de México, Estados Unidos e Costa Rica na Copa do Mundo.

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Tudo indica que teremos a maior Copa Ouro da história, a partir de amanhã, quando Panamá e Haiti darão o pontapé inicial do torneio em Frisco, no Texas. Para chegar ao atual estágio, as seleções da região evoluíram muito desde quando os mesmos haitianos foram derrotados pela seleção das Antilhas Holandesas (que nem existe mais) em 1963, inaugurando o primeiro torneio unificado entre países das Américas do Norte e Central.

Desde então, foram disputados 22 competições nesses moldes (as dez primeiras denominadas Campeonato da Concacaf e as posteriores, sempre sediadas nos Estados Unidos, já com a marca Copa Ouro).

Apesar do crescimento, o futebol da região ainda é um dos campeões mundiais em alternatividade e merece nossa atenção. A exemplo do que foi feito com as Copas da Ásia e da África, o Última Divisão conta agora a história “dourada” dos 15 maiores jogos que encantaram as nações do Mar do Caribe ao Ártico canadense.

OS 15 MAIORES JOGOS DA HISTÓRIA DA COPA OURO

07/04/1963 – Costa Rica 4 x 1 El Salvador – a prova da superioridade dos Ticos
Até a fundação da Concacaf, em 1961, duas confederações organizavam o futebol da região: a NAFC (composta por Canadá, Cuba, México e Estados Unidos) e a CCCF (que abrangia a maior parte das nações da América Central e do Caribe). Cada entidade tinha sua própria copa, respectivamente dominadas por mexicanos e costarriquenhos entre as décadas de 40 e 50.

Quando enfim veio a unificação, dez seleções disputaram a primeira edição do Campeonato da Concacaf, cuja fase qualificatória foi jogada entre Haiti e Antilhas Holandesas na Jamaica e a fase final em El Salvador. Os anfitriões até fizeram valer o fator casa e chegaram na última rodada de um quadrangular final (também disputado por antilhanos e hondurenhos) em condições de levantar a primeira taça, mas foram goleados pela Costa Rica, a grande campeã, dona de uma campanha impecável: seis jogos, cinco vitórias e apenas um empate (contra o México, que caiu na primeira fase e foi a maior decepção do torneio).

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11/04/1965 – México 2 x 1 Guatemala – mais um visitante indigesto
Apesar do vexame de cair na primeira fase da Copa da Concacaf anterior, o futebol mexicano vivia grande entusiasmo em 1965. Um ano antes, em um Congresso no Japão, a FIFA anunciara o país como sede da Copa do Mundo de 1970, acontecimento marcante para a evolução do esporte no país. Com autoestima renovada, a equipe azteca não tomou conhecimento dos adversários e se sagrou campeã invicta, derrotando a anfitriã Guatemala na partida decisiva do quadrangular final – mesmo desfecho da edição de 1963, apenas mudando os protagonistas.

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07/12/1969 – Costa Rica 1 x 1 Guatemala – a primeira festa em casa
As primeiras edições da Copa da Concacaf foram marcadas por equilíbrio, com campeões alternados, sempre estragando a festa do país sede. Em 1967 a Guatemala havia sido campeã jogando em Honduras e, apenas em 1969, quando o campeonato chegou à Costa Rica, uma seleção anfitriã conseguiu, enfim, levantar o troféu diante dos seus torcedores. Para festejar em casa, os costarriquenhos empataram contra os guatemaltecos por 1 a 1, correndo o risco de serem ultrapassados pelos rivais no hexagonal final em caso de tropeço.

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04/12/1973 – Haiti 2 x 1 Trinidad e Tobago – cinco gols anulados por Baby Doc?
Há três anos no poder, sucedendo o pai (que já havia governado o país por outros 14), Jean-Claude Duvalier, mais conhecido como Baby Doc, conseguiu levar a Copa da Concacaf (naquela edição também válida como Eliminatórias da Copa do Mundo) para o Haiti em 1973. Considerado um dos mais sangrentos ditadores do século, Duvalier, que ficaria no cargo até 1986, viu a seleção haitiana se sagrar campeã em casa e, de quebra, garantir vaga no Mundial de 1974.

Apesar de não ter sido a última partida, a vitória mais significativa daquela campanha foi no confronto direto contra Trinidad e Tobago, equipe vice-campeã. A história conta que, naquele dia, cinco gols dos trinitinos (três deles considerados legais) foram anulados pelo árbitro salvadorenho José Roberto Henríquez, supostamente ameaçado de morte em caso de derrota haitiana. Como punição pelo roubo escandaloso, o juiz e seu assistente foram banidos do futebol pela FIFA, mas o resultado foi mantido, assim como a vaga do Haiti na Copa da Alemanha.

Na Europa, porém, o Haiti apenas colecionou frustrações: sofreu três derrotas e registrou o primeiro caso de doping da história da competição, do zagueiro Ernst Jean-Joseph, mais tarde preso e torturado pelas forças de Baby Doc como punição pela “vergonha internacional”.

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15/10/1977 – México 8 x 1 Suriname – goleada, título e surgimento de Hugo Sánchez
Até a criação da Copa Ouro, a seleção mexicana foi a única a marcar oito gols em jogos do Campeonato da Concacaf, feito alcançado em três oportunidades (8 x 0 contra o Jamaica, em 1963; 8 x 0 nas Antilhas Holandesas, em 1973; e 8 x 1 diante do Suriname, em 1977). Curiosamente, apenas no ano da última goleada o país sairia do torneio com o título, fato que torna o massacre diante dos surinameses mais especial.

Além disso, naquele dia dois gols foram anotados pelo então pouco conhecido Hugo Sánchez, atacante de 19 anos do Pumas, que na década seguinte se tornaria o maior jogador do México em todos os tempos. Apesar de ter ganhado pouca coisa com a seleção (apenas a Copa da Conacaf de 1977 e os Jogos Pan-Americanos de 1975), Sánchez alcançou glórias inigualáveis por atletas do seu país: foi  cinco vezes artilheiro do Campeonato Espanhol pelo Real Madrid e ganhou a Chuteira de Ouro do Futebol Europeu na temporada 1989/90.

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22/11/1981 – Honduras 1 x 1 México – a solitária glória hondurenha
Honduras já fez história como convidada da Copa América, eliminando o Brasil de Felipão em 2001. Na sua região, porém, os hondurenhos não colecionam tantos sucessos. Apesar de ser uma das escolas futebolísticas mais tradicionais do continente, o país conquistou apenas um título da Concacaf – em 1981 quando, jogando em casa, liderou um hexagonal também válido como Eliminatória para a Copa do Mundo do ano seguinte. Na rodada decisiva empataram com o México, que assim perdeu a segunda colocação e deixou sua vaga no Mundial escapar para El Salvador.

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15/05/1985 – Estados Unidos 2 x 1 Trinidad e Tobago – o soccer se une ao fútbol
Sentiu falta de alguma seleção importante até aqui? Sim, não havíamos mencionado os Estados Unidos porque eles só estrearam no Campeonato da Concacaf em 1985. Apesar do sucesso da North American Soccer League (NASL), liga de clubes que entre 1968 e 1984 contou com estrelas como Pelé, Beckenbauer, Cruyff e George Best, os americanos não tiveram interesse em organizar uma seleção nacional regular entre a Copa de 1950 e os Jogos Olímpicos de 1984, disputados em Los Angeles. Em todo esse período, mesmo tendo participado do futebol em algumas outras Olimpíadas, os yankees praticamente ignoraram jogos internacionais.

Foi diante de Trinidad e Tobago, em St. Louis, que os Estados Unidos voltaram a ter contato futebolístico com o resto do continente e o mundo. Apesar da vitória na estreia, uma derrota para a Costa Rica custaria ao time uma eliminação na primeira fase. Melhor para outro país ainda pouco tradicional no torneio: em um ano sem sede fixa, o Canadá se sagrou campeão do Campeonato da Concacaf, superando costarriquenhos e hondurenhos em um triangular final.

 

07/07/1991 – Estados Unidos 0 x 0 Honduras (4 x 3 nos pênaltis) – a 1ª Copa Ouro
A chegada dos Estados Unidos logo alterou a dinâmica do torneio. Já escolhidos como sede da Copa do Mundo de 1994, os americanos queriam desenvolver ao máximo seu futebol e a capacidade de sediar eventos do tipo. Para isso, nada melhor do que realizar testes com seus vizinhos…

Em 1991 o Campeonato da Concacaf foi rebatizado de Copa Ouro. A competição também deixou de valer como Eliminatórias para a Copa do Mundo e passou a sempre ser disputada em território americano, algumas vezes com jogos também no México (em 1993 e 2003) e Canadá (em 2015).

Essa era “americanizada” teve início em 1991, já com título dos anfitriões. Diante de 41 mil pessoas, no Memorial Coliseum, em Los Angeles, o time da casa empatou em 0 a 0 a final com Honduras, mas saiu vitorioso nos pênaltis. A última cobrança, do hondurenho Espinoza, lembrou muito o chute de Baggio contra o Brasil em 1994.

 

25/07/1993 – México 4 x 0 Estados Unidos – o México dos recordes
A edição de 1993 registrou a incrível média de 3,75 gols por partida, raríssima no futebol moderno. O grande responsável foi o México, que naquele ano aplicou as duas maiores goleadas de todos os tempos da competição (incluindo Campeonatos da Conacacaf e Copas Ouro), contabilizando 28 gols em cinco jogos.

Fora o empate por 1 a 1 com a Costa Rica, a campanha até o final teve apenas massacres: 9 x 0 em Martinica, 8 x 0 no Canadá e 6 x 1 na Jamaica. Na decisão, diante da torcida no Estádio Azteca, a seleção tricolor humilhou os Estados Unidos,  a um ano de sediarem a Copa, com um impiedoso 4 a 0.

 

27/02/2000 – Canadá 2 x 0 Colômbia – sem taça para os convidados
Buscando novos mercados, já sob organização americana, a Copa Ouro começou a contar com equipes convidadas em 1996, quando o Brasil, se preparando para os Jogos Olímpicos, jogou a competição com um time Sub-23 e parou na final diante do México de Cuauhtémoc Blanco. Dois anos depois, dessa vez com a seleção principal, os brasileiros caíram na semifinal, contra os Estados Unidos.

Os convites a membros de outras confederações perdurariam até 2005, mas nenhuma edição teve tantos “forasteiros” quanto a de 2000, quando três dos doze países participantes vinham de fora: Colômbia, Peru e Coreia do Sul. Deles, os colombianos foram os mais bem-sucedidos, avançando até a final contra o Canadá.

Repleta de nomes promissores – como o atacante Carlo Corazzin e o lateral Richard Hastings -, sob a companhia do experiente goleiro Craig Forrester, do West Ham, os canadenses ficaram com a taça após uma vitória inquestionável. Parecia que aquela geração ainda renderia outras alegrias futebolísticas ao país do hóquei, mas ficou só na promessa.

 

30/01/2002 – Estados Unidos 0 x 0 Canadá (4 x 2 nos pênaltis) – o clássico anglo-saxão
A grande rivalidade do futebol da Conacaf, inegavelmente, é travada por mexicanos e americanos, que já se enfrentaram seis vezes na Copa Ouro (com duas vitórias dos Estados Unidos e quatro do México). Os vizinhos Honduras e El Salvador, protagonistas de uma guerra motivada pelo futebol em 1969, também chamam a atenção quando se enfrentam (em Copas Ouro, foram três empates e duas vitórias para cada lado). Outro confronto interessante, Estados Unidos x Cuba, aconteceu em quatro oportunidades, todas com triunfos do lado defensor do capitalismo. Por fim, em 2009, a seleção americana derrotou também a representação da pequena Granada, país invadido por seu exército em 1983.

Entre tantos clássicos, um que ainda não “engrenou” no futebol é Estados Unidos x Canadá, natural em outros esportes pela proximidade dos dois países. A inconstância canadense (que já venceu os torneios continentais duas vezes, mas também caiu na primeira fase em outras ocasiões) impede mais confrontos. Até hoje foram quatro encontros, com três vitórias tranquilas americanas e apenas um jogo equilibrado: o zero a zero na semifinal de 2002, disputada em Pasadena, palco da final da Copa de 1994. Nos pênaltis, porém, os visitantes acabaram levando a pior mais uma vez.

 

27/07/2003 – México 1 x 0 Brasil – freguesia?
Em sua terceira e última participação na Copa Ouro, o Brasil mais uma vez se apresentou com uma seleção Sub-23, dessa vez se preparando para o Pré-Olímpico do ano seguinte. O time tinha diversos garotos que já eram estrelas em seus clubes, como Diego, Robinho, Kaká e Nilmar, e não decepcionou… Pelo menos até a final, quando, após um zero a zero no tempo normal, perdeu para o México na prorrogação, graças a um gol de Osorno.

A derrota fez parte de um período no qual os brasileiros perderam mais do que ganharam dos mexicanos, algo incomum ao longo da história. Da final da Copa das Confederações de 1999 até um confronto pela Copa América de 2007, as duas seleções jogaram nove vezes, com seis vitórias mexicanas, dois empates e apenas um triunfo brasileiro.

 

17/06/2007 – Guadalupe 2 x 1 Honduras – a maior zebra
A minúscula Martinica, ilhota de 400 mil habitantes, ainda sob domínio francês, já havia feito história após vencer Trinidad e Tobago, muito mais tradicional, e empatar com o Canadá na Copa Ouro de 2002. Mas nenhuma zebra se equipara ao time de Guadalupe em 2007.

Com população igualmente pequena e também pertencente à França, a desconhecida colônia conquistou o direito de disputar a Copa Ouro após ser 4ª colocada na Copa das Nações do Caribe. Sua participação deveria ser apenas protocolar: se esforçar para não sofrer grandes goleadas na primeira fase e aproveitar a experiência

Mas o time não seguiu o roteiro e avançou para o mata-mata, perdendo para a Costa Rica, empatando com o Haiti e vencendo o Canadá. Nas quartas de final veio a grande partida da campanha, uma convincente vitória por 2 a 1 contra o Honduras, que colocou a surpresa nas semifinais. Diante do México, os guadalupenses foram derrotados, mas por um honroso 1 a 0.

O quarto lugar já estava excelente. Para se ter ideia, a seleção de Guadalupe sequer é reconhecida pela FIFA e não poderia disputar a Copa das Confederações caso conquistasse o torneio.

 

26/07/2009 – México 5 x 0 Estados Unidos – castigados por poupar o time
Mesmo sediando a Copa Ouro (como sempre, aliás), os Estados Unidos optaram por não priorizar a competição, em detrimento da Copa das Confederações, disputada um mês antes na África do Sul. A estratégia deu muito certo em um primeiro momento: em solo africano, a equipe do técnico Bob Bradley eliminou a então “imbatível” Espanha e ficou com o vice-campeonato, dando muito trabalho para o Brasil na final.

Mas depois… Com o mesmo treinador e um time quase todo mudado, os americanos conseguiram chegar também na decisão do torneio da Concacaf. Porém, o fim daquela competição foi muito diferente, logo contra os maiores rivais. Os mexicanos, derrotados pelos Estados Unidos na final dois anos antes, deram o troco com sobras: uma humilhante goleada por 5 a 0, diante de 80 mil pessoas no Giant Stadium, em Nova Jersey.

 

25/06/2011 – México 4 x 2 Estados Unidos – cada vez mais fortes
A cada ano a rivalidade entre mexicanos e americanos ganha força, acompanhando o desenvolvimento do futebol dos dois países. Como já citado aqui, o México leva vantagem nos confrontos em Copas Ouro, mas pode-se dizer que os Estados Unidos venceram o duelo mais importante entre os países, nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2002.

Entre 2007 e 2011, as seleções se encontraram três vezes consecutivas na decisão do principal torneio da Concacaf, com duas taças aztecas e uma yankee. No jogo mais recente, os americanos abriram 2 a 0 logo aos 23 minutos e deram mostras de que vingariam a goleada da decisão de 2009. O que se viu depois, no entanto, foi uma incrível reação mexicana, virando para 3 a 2 ainda no primeiro tempo e coroando seu nono título continental com o quarto gol na última etapa.

 

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