Os 15 maiores jogos da história da Copa da Ásia

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Pela primeira vez disputada na Austrália e com a ilustre presença da Palestina, não há dúvida de que a Copa da Ásia que começará nesta sexta-feira (9) será marcante. E olha que nunca faltou história nos gramados do maior continente do mundo…

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Desde quando começou a ser disputada, em 1956, a competição viu novas forças surgirem, nanicos brilharem e o futebol dar provas de que mesmo países inimigos podem promover espetáculos pacíficos dentro de campo. Antes da bola começar a rolar para a edição 2015, relembramos aqui os 15 maiores jogos de todos os tempos na Copa Asiática.

Confira a lista abaixo, em ordem cronológica:

OS 15 MAIORES JOGOS DA HISTÓRIA DA COPA DA ÁSIA

15/09/1956 – Coreia do Sul 5 x 3 Vietnã do Sul – e os coreanos não eram tão ruins
Dois anos depois da Copa do Mundo de 1954, quando sofreu 16 gols em três jogos (até hoje a pior defesa da história de um Mundial, embora o Brasil tenha chegado perto de igualar a marca em 2014), a seleção da Coreia do Sul provou que não era tão ruim assim (pelo menos para os padrões asiáticos da época) conquistando a primeira edição da Copa da Ásia, disputada em Hong Kong.

Em um quadrangular, os sul-coreanos enfrentaram os donos da casa (2 x 2), Israel (2 x 1) e o Vietnã do Sul (5 x 3). Contra os vietnamitas, fizeram um incrível jogo de oito gols, recorde só superado em 2000, com Japão 8 x 1 Uzbequistão.

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17/10/1960 – China 2 x 0 Vietnã do Sul – Guerra Fria em campo
A seleção do Vietnã do Sul excursionava normalmente pelo mundo, mas seu país, patrocinado pelos Estados Unidos, já acumulava ao menos cinco anos de conflitos armados com o Vietnã do Norte, financiado sobretudo pela União Soviética e o regime comunista chinês.

Em meio a esse cenário, o encontro entre chineses e sul-vietnamitas na segunda edição da Copa da Ásia, disputada justamente na Coreia do Sul (que também estava diretamente envolvida na guerra, apoiando a causa do capitalismo), carregou grandes desavenças ideológicas, embora tenha transcorrido sem maiores problemas dentro de campo. Reunificado em 1976, o Vietnã voltou a disputar a competição apenas em 2007, como país-sede.

 

03/06/1964 – Israel 2 x 1 Coreia do Sul – o título israelense
Israel disputou as quatro primeiras edições da Copa da Ásia, acumulando grandes campanhas (um título, dois vices e um terceiro lugar). A equipe foi campeã justamente jogando em casa, em 1964, depois de um quadrangular no qual venceu Hong Kong (1 x 0), Índia (2 x 0) e Coreia do Sul (2 x 1). Cinquenta anos depois, os jogadores ainda vivos daquele time acreditam que a memória da conquista se perdeu com a conturbada trajetória da seleção israelense ao longo das décadas seguintes, acompanhando os conflitos do próprio país.

Em 1972 os israelenses deveriam voltar a sediar o torneio asiático, mas, em tensão com as nações vizinhas, desistiram e cederam seu lugar para a Tailândia. Dois anos depois, durante os Jogos Asiáticos, as seleções do Kuwait e da Coreia do Norte se recusaram a jogar contra Israel, que oficialmente abandonou a confederação do continente pouco depois. Posteriormente chegou a disputar Eliminatórias da Copa do Mundo pela Oceania até se filiar definitivamente à UEFA.

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19/05/1968 – Irã 2 x 1 Israel – um jogo que não aconteceria hoje
Hoje o Irã é um dos maiores inimigos declarados do Estado de Israel, mas nem sempre foi assim. Antes da Revolução Islâmica de 1979, os iranianos eram aliados históricos dos judeus, mesmo no fim dos anos 60, quando a Guerra dos Seis Dias mobilizou praticamente todos os países do Oriente Médio contra o Exército Israelense.

Foi assim que, em meio a uma grande escalada de tensão na região, Israel disputou normalmente uma Copa da Ásia no Irã e até enfrentou os donos da casa, sem qualquer hostilidade. Nenhuma nação árabe participou do campeonato, que contou também com Hong Kong, China e Burma (atual Myanmar). Depois disso Israel e Irã se enfrentaram mais uma vez, em 1974, antes que os dois governos passassem se odiar.

 

08/06/1976 – Irã 8 x 0 Iêmen do Sul – o rolo-compressor iraniano
A maior goleada da história da Copa da Ásia simboliza a grande geração do Irã tricampeã do torneio em 1968/72/76. Dizer que os iranianos dominavam o futebol regional nesse período seria pouco, eles massacravam os adversários: somando as três campanhas foram 12 jogos, 12 vitórias, 23 gols pró e apenas seis sofridos.

As duas primeiras conquistas contaram com a participação de Homayoun Behzadi, eleito pela Confederação Asiática um dos dez maiores jogadores do continente na história.

 

04/12/1988 – Japão 0 x 0 Irã – a tardia estreia japonesa
Para quem analisa a atual realidade do futebol japonês, já quatro vezes campeão asiático e seleção mais vencedora do torneio, é difícil acreditar que os nipônicos demoraram nove edições para estrear na principal competição do continente.

Por isso é histórico o empate sem gols na tardia estreia japonesa entre os grandes da Ásia. Aquele, aliás, foi o único ponto conquistado pelo Japão no campeonato de 1988. Depois do 0 x 0 com o Irã, vieram derrotas contra Coreia do Sul (2 x 0), Emirados Árabes Unidos (1 x 0) e Catar (3 x 0).

 

06/11/1992 – Japão 3 x 2 China – o fim da freguesia
Logo na sua segunda participação, também sediando o torneio, o Japão conquistou o primeiro título, batendo a Arábia Saudita na final. Mas o jogo marcante daquela campanha foi a semi contra a China. Mais do que rivais políticos históricos, os chineses haviam sido os carrascos que tiraram os japoneses duas vezes da Copa da Ásia, nas Eliminatórias de 1968 e 1976, além de estarem no caminho na tentativa de se qualificar para a Copa do Mundo de 1982. Vencê-los pela primeira vez em um torneio importante representou o fim da freguesia (japoneses e chineses voltaram a se enfrentar três vezes em Copas da Ásia -1996, 2000 e final de 2004 -, sempre com vitórias nipônicas).

Já com o outro grande rival do Japão, a Coreia do Sul (que, aliás, os tirou de cinco Eliminatórias para Copas do Mundo – 58, 62, 78, 86 e 94), a disputa é mais equilibrada em Copas da Ásia. O retrospecto contabiliza um triunfo sul-coreano e dois empates (com uma vitória nos pênaltis para cada lado).

 

15/12/1996 – Emirados Árabes Unidos 1 x 0 Iraque – os inimigos de Saddam
Os anos seguintes à participação na Copa do Mundo de 1986 foram funestos para o futebol iraquiano. Protagonista de dois conflitos com vizinhos em um curto espaço de tempo (Guerra do Irã-Iraque, de 1980 a 1988, e Guerra do Golfo, entre 1990 e 1991) o país se acostumou a sofrer sanções esportivas. Quando retornou aos Jogos Asiáticos, em 1996, encontrou em campo alguns dos principais inimigos políticos. Logo de cara, derrotou os iranianos (confronto que se repetiria nos torneios de 2000 e 2011, com vitórias do Irã) e na sequência perdeu para a Arábia Saudita, que, de antiga parceira comercial, se convertera a um grande oponente do regime de Saddam Hussein.

Passando da primeira fase, os iraquianos foram eliminados na prorrogação pelos Emirados Árabes Unidos, país que Bagdá também ameaçou de invasão na mesma época em que usou sua força militar contra o Kuwait. Uma doce vingança pra os adversários de Saddam, com consequências duras para os jogadores do Iraque… Uday Hussein, um dos filhos do ditador, presidia o Comitê Olímpico e a Associação de Futebol local como plenos poderes e nenhuma interferência da FIFA. Considerado um dos membros mais cruéis da família, Uday criou fama por torturar atletas que não atingissem resultados esperados.

 

29/10/2000 – Japão 1 x 0 Arábia Saudita – troca de hegemonia
Com cinco finais consecutivas (e três títulos) entre 1984 e 2000, a Arábia Saudita foi a grande potência asiática do fim do século XX. Na última dessas campanhas, a seleção teve uma trajetória complicada até a final: passou em segundo no seu grupo, precisou do gol de ouro para eliminar o Kuwait e ganhou apertado da Coreia do Sul na semifinal, por 2 a 1.

Na decisão, teve pela frente o Japão, que os goleara por 4 a 1 na primeira fase daquele ano e já os havia vencido na final do torneio de 1992. Em um embate valendo a soberania do continente, mais uma vez a superioridade nipônica se confirmou. A hegemonia, a partir de então, foi trocada – os sauditas nunca mais seriam campeões e os japoneses conquistariam a Copa da Ásia três vezes nas quatro edições seguintes.

 

17/07/2004 – China 2 x 2 Bahrein – Davi contra Golias
A própria definição de um confronto de Davi contra Golias. A China tem população mil vezes maior do que a de Bahrein (1,3 bilhão x 1,3 milhão) e uma área quase 14 mil vezes maior (9,5 milhões de km² x 700 km²). Os chineses ainda por cima sediavam o torneio e estavam empolgados pela sua primeira participação em uma Copa do Mundo, dois anos antes.

Contra todas as expectativas, porém, os bareinitas saíram na frente. Depois, sofreram uma virada, mas conseguiram o empate no último minuto. E foram além… Enfrentaram em pé de igualdade outros gigantes ao longo da competição e terminaram na quarta colocação.

 

18/07/2004 – Indonésia 2 x 1 Catar – a primeira vitória indonésia
Ainda com o nome de Índias Holandesas Orientais, a Indonésia foi o primeiro país asiático a disputar uma Copa do Mundo, em 1938. Após esse feito, quase 60 anos se passaram até que o país (terceiro mais populoso da Ásia) voltasse a se orgulhar da sua seleção de futebol.

Sem nunca somar um ponto em duas participações anteriores na Copa da Ásia, os indonésios conquistaram a sua primeira vitória na competição em 2004, diante do Catar. Depois seriam derrotados por China (5 x 0) e Bahrein (3 x 1), mas a história já estava feita.

 

03/08/2004 – Japão 4 x 3 Bahrein – uma edição cheia de gols
A Copa da Ásia de 2004 foi uma das melhores da história, com média de 3 gols por partida. Nas quartas de final a Coreia do Sul já havia eliminado o Irã com um sensacional 4×3 – e quem diria que o placar maluco se repetiria na fase seguinte no confronto entre Japão e Bahrein.

Comandados por Zico, os japoneses saíram perdendo, mas viraram no início do segundo tempo e pareciam ter a classificação encaminhada. Só que a valente seleção do Oriente Médio voltou a empatar o confronto e, a cinco minutos do fim, fez o gol que lhe valeria uma incrível passagem para a decisão, não fosse o japonês Nakazawa igualar novamente o marcador no último minuto da partida. A semifinal teve que ser decidida na prorrogação, com melhor sorte para os nipônicos.

 

29/07/2007 – Iraque 1 x 0 Arábia Saudita – o título iraquiano
Um ano depois da morte do ditador Saddam Hussein, o Iraque, já definitivamente de volta às competições oficiais da FIFA e da Confederação Asiática, alcançou a maior glória da sua história futebolística. Comandados pelo brasileiro Jorvan Vieira, os “Leões da Mesopotâmia” foram campeões da Ásia de forma invicta, deixando pelo caminho Tailândia (1 x 1), Austrália (3 x 1), Omã (0 x 0), Vietnã (2 x 0), Coreia do Sul (0 x 0 e vitória nos pênaltis), até enfrentar na grande decisão a Arábia Saudita, também comandada por um técnico brasileiro, Hélio dos Anjos.

Aos 24 minutos do segundo tempo, Younis Mahmoud fez o único gol da vitória iraquiana, que garantiu festa nas ruas de Bagdá e na colônia espalhada por diversas cidades do mundo, como Toronto, Kuala Lumpur, Genebra, Estocolmo, Londres e Copenhague.

 

2011 – Irã, Iraque e Coreia do Norte – o “Eixo do Mal” no mesmo grupo
A expressão pegou. Em discurso no início de 2002, George W. Bush disse que Irã, Iraque e Coreia do Norte apoiavam organizações terroristas e possuíam armas de destruição em massa, formando o “Eixo do Mal” que ameaçava americanos no mundo todo. Ele provavelmente não sabia, mas estava anunciando com nove anos de antecedência o Grupo D da Copa da Ásia de 2011, faltando apenas incluir os Emirados Árabes Unidos.

Agentes do Pentágono e da CIA devem ter acompanhado essas partidas, nas quais os países exibiram suas armas (aparentemente nenhuma química ou nuclear) para se classificar às quartas de final. Melhor para Irã e Iraque, que ficaram com as duas primeiras colocações e avançaram, enquanto os Emirados Árabes Unidos terminaram na lanterna, massacrados pelos adversários, para assombro da Casa Branca.

 

29/01/2011 – Japão 1 x 0 Austrália – a primeira final da Austrália
Um tanto entediada com o baixo nível das competições da Oceania, ainda mais depois de golear Samoa Americana por 31 a 0, a seleção australiana oficializou sua mudança para a Confederação Asiática de Futebol em 2006, buscando de maior competitividade e vagas diretas para a Copa do Mundo.

O tempo mostrou que a decisão foi acertada. Logo em sua segunda participação na Copa da Ásia, os australianos já atingiram a final, perdendo para os japoneses apenas na prorrogação em um jogo bastante equilibrado. Uma nova força que engrandece o esporte no continente.

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