Os 15 maiores jogos da história da Copa da África

0 188

Publicidade

Depois de eleger os maiores jogos da história da Copa da Ásia, chegou a hora do Última Divisão relembrar as partidas mais importantes da Copa da África, torneio que começa neste sábado (17)  na Guiné Equatorial.

Leia também:
Copa Africana x Copa Asiática: quem leva a melhor em cinco rounds?
Os 15 maiores jogos da história da Copa da Ásia
Os 15 maiores jogos da história da Copa Ouro

Há  dois anos já falamos um pouco sobre os tradições do campeonato, mas agora vamos recontar essa história através dos 15 principais duelos que o continente já viu, entre tantas disputas intermináveis de pênaltis e confrontos que marcaram época. Confira a lista abaixo, em ordem cronológica:

OS 15 MAIORES JOGOS DA HISTÓRIA DA COPA DA ÁFRICA

21/01/1962 – Etiópia 4 x 2 República Árabe Unida – um gigante adormecido
A Etiópia atualmente é pouco conhecida pelo seu futebol, mas foi uma grande potência regional nos primórdios do esporte na África, quando a maioria dos outros países ainda eram colônias. Os etíopes fundaram, ao lado de egípcios e sudaneses, a Confederação Africana de Futebol e foram vice-campeões da primeira Copa da África, em 1957.

Na terceira edição do torneio, conquistaram seu único título derrotando a República Árabe Unida (atual Egito) na final, feito que marcou o início do declínio da seleção nacional até os dias de hoje (embora boas campanhas recentes permitam sonhar com um ressurgimento).

 

24/11/1963 – República Árabe Unida 6 x 3 Nigéria – gols a cada oito minutos
Jogo com mais gols da história do torneio. Formada a princípio por Egito e Síria, a República Árabe Unida acabou em 1961, mas os egípcios mantiveram essa denominação por mais dez anos. Naquele dia, os árabes conseguiram abrir 4 a 0 no placar e depois diminuíram o ritmo, permitindo que a Nigéria encostasse e mantivesse emoção até o fim.

Detalhe: o primeiro gol foi marcado apenas aos 30 minutos do primeiro tempo, portanto, depois disso, a média foi de um gol a cada oito minutos!

republicarabeunida

 

06/02/1970 – Camarões 3 x 2 Costa do Marfim – o primeiro jogo televisionado
A edição de 1970 marcou o domínio da seleção de Gana, que, com quatro finais consecutivas, ganhou o apelido de “Brasil da África”. Mas o grande momento do torneio foi a partida de abertura, primeiro jogo televisionado ao vivo na história africana (logo com cinco gols!).

copafricatv

 

03/04/1974 – Congo 2 x 0 Maurício – o canto do dodô
Dois critérios podem ser utilizados para se definir qual foi o menor país a já ter participado da Copa da África. Analisando território, o feito é das Ilhas Maurício, que, com 2.040 km² – mais ou menos duas vezes o tamanho da cidade de São Paulo -, é um pouco menor do que Cabo Verde. Se levarmos em conta a população, os cabo-verdianos são apenas 500 mil nos dias de hoje, enquanto os mauricianos, mesmo na década de 70, já eram 800 mil.

Sem entrar em mais detalhes geográficos, a participação de Maurício na principal competição africana merece destaque nesta lista. A nanica ilha – que já foi lar do pássaro dodô – não tinha nenhum “artilheiro dos gols bonitos” em seu elenco e ficou com a lanterna do seu grupo, perdendo para Congo (2 x 0), Guiné (2 x 1) e Zaire (4 x 1). Três décadas depois os cabo-verdianos vingariam as nações minúsculas com uma campanha muito mais digna (veja no fim do post).

 

14/03/1974 – Zaire 2 x 0 Zâmbia – a final com jogo extra
Antes da introdução das decisões de pênaltis (que renderiam momentos marcantes na história da competição), confrontos que permanecessem empatados após uma prorrogação deveriam ser decididos em um jogo extra. Na final de 1974, os vizinhos Zâmbia e Zaire empataram por 2  a 2, com um gol dos zambianos no último lance.

Dois dias depois, na partida de desempate, os zairianos se recuperaram e venceram facilmente graças a dois gols de Mulamba, que, aliás, já havia feito outros sete naquele torneio e é até hoje o maior artilheiro de uma única edição da Copa da África.

 

19/03/1982 – Gana 1 x 1 Líbia (7 x 6 nos pênaltis) – o início de uma (longa) tradição
A final de 1982 marcou o início da tradição de longas disputas de pênaltis na Copa da África. Os líbios sediavam o torneio e já haviam empatado com os ganeses logo na abertura da competição. Na decisão, o confronto se repetiu e novamente terminou com igualdade no placar. Depois de 16 cobranças, 13 gols foram marcados e Gana levantou o troféu diante de um estádio lotado com 50 mil pessoas.

 

23/03/1988 – Nigéria 1 x 1 Argélia (9 x 8 nos pênaltis) – mais pênaltis
Dois anos depois de derrotarem a Alemanha na Copa do Mundo de 1986, os argelinos eram os grandes favoritos da Copa da África de 1988, disputada em Marrocos. Mas tiveram que se contentar com um terceiro lugar após caíram diante da Nigéria nas semifinais, em uma disputa de pênaltis com 22 cobranças e 17 gols (mas, calma, esses números ainda seriam superados na história do torneio…)

 

26/01/1992 – Costa do Marfim 0 x 0 Gana (11 x 10 nos pênaltis) – mais pênaltis (2)
A cada edição as decisões por pênaltis ficavam mais longas e malucas. Na final de 1992, jogando no Senegal, a Costa do Marfim conquistou seu primeiro (e até hoje único) título do torneio superando Gana depois de 24 penalidades e 21 gols.

 

03/02/1996 – África do Sul 2 x 0 Tunísia – um país unido pelo futebol
Imortalizada no filme Invictus, a história do título mundial de rúgbi da África do Sul em 1995 é impressionante: após décadas ausente das competições oficiais por conta do Apartheid, o país sediou o torneio e, apesar de não ser favorito, chegou na final e se sagrou campeão diante de um estádio lotado na sua maior cidade, Joanesburgo, com apelos de Mandela para que aquela festa representasse um marco de união entre brancos e negros.

O momento foi tão fantástico que se repetiu um ano depois, apenas mudando de esporte. Banida pela FIFA de 1976 a 1991, a seleção sul-africana de futebol não se qualificou para a Copa da África de 1994, mas, em 1996, jogando em casa, mobilizou a torcida e teve forças para derrotar a Tunísia na final com dois gols do atacante Mark Williams, que jogou no Corinthians.

 

21/02/1998 – Burkina 1 x 1 Tunísia (9 x 8 nos pênalltis) – festa burkinense em casa
As quartas de final da Copa da África de 1998 entraram para a história não apenas por mais uma longuíssima disputa de pênaltis. O jogo marcou, especialmente, um momento histórico para Burkina Faso, país desértico muito pobre até para padrões africanos (atualmente tem o sétimo IDH mais baixo do mundo).

Sediando o torneio, os burkinenses conseguiram avançar até as semifinais e terminaram em quarto lugar, o primeiro resultado expressivo da seleção até um mais incrível ainda vice-campeonato na edição de 2013. Em outras seis participações no torneio, o melhor resultado foi um 13º lugar.

 

04/02/2006 – Costa do Marfim 1 x 1 Camarões (12 x 11 nos pênaltis) – Drogba x Eto’o
Foi a mais longa em uma história repleta de disputas de pênaltis intermináveis: 23 gols, 24 cobranças! E logo quem foi errar a cobrança decisiva? Samuel Eto’o, um dos maiores jogadores africanos da história. Coube a outro histórico atacante, Didier Drogba, fazer o gol que levou a Costa do Marfim às semifinais daquela edição.

As duas seleções estavam entre as equipes mais fortes do continente naquela época, mas os camaroneses haviam ficado de fora da Copa do Mundo de 2006 justamente por caírem no mesmo grupo dos marfinenses nas Eliminatórias, fator que acirrou ainda mais a rivalidade nos dois países.

 

10/01/2010 – Angola 4 x 4 Mali – a incrível reação/amarelada
Uma das reações mais incríveis (e também maiores amareladas) da história do futebol. Anfitriões do torneio, os angolanos goleavam por 4 a 0 na sua partida de estreia diante de 45 mil pessoas no Estádio 11 de Novembro, em Luanda. Ninguém achou que a vitória estava ameaçada quando Mali descontou aos 34 minutos do segundo tempo, a festa continuou normalmente. A 43′, os visitantes fizeram mais um… Até aí tudo bem, placar sob controle. Mas o juiz deu quatro minutos de acréscimos e foi tempo suficiente para os malineses marcarem mais dois e empatarem. Isso mesmo: o jogo estava 4 a 0 a pouco mais de dez minutos do fim e terminou empatado. Surreal, para dizer o mínimo.

 

31/01/2010 – Egito 1 x 0 Gana – Império Egípcio
Apesar de não terem se classificado para as últimas três edições, os egípcios são os grandes campeões da história da Copa da África, com sete títulos. A última conquista foi uma das mais emocionantes: em um jogo bastante equilibrado contra Gana, o atacante Mohamed Gedo saiu do banco na metade do segundo tempo para fazer o gol do título, a cinco minutos do fim da partida. Era a terceira taça consecutiva dos “faraós”.

 

12/02/2012 – Zâmbia 0 x 0 Costa do Marfim (8 x 7 nos pênaltis) – local de choro e festa
Tudo indicava que a forte geração da Costa do Marfim de Touré, Kalou, Bony, Gervinho e Drogba, entre outras estrelas internacionais, finalmente conquistaria um título africano, após bater na trave em várias ocasiões. Mas Zâmbia se sagrou campeã, em mais uma longa decisão por pênaltis, e o local da partida forçou a lembrança de um grande trauma nacional.

Na região de Libreville, capital do Gabão, onde foi disputada a final, um acidente de avião matou os jogadores da melhor geração da história do futebol zambiano durante as Eliminatórias para a Copa de 1994. Os zambianos ganharam o seu primeiro título no mesmo país em que sofreram a maior das tragédias.

 

19/01/2013 – África do Sul 0 x 0 Cabo Verde – a campanha gigante de um nanico
Quinto menor país africano em área e população, Cabo Verde já havia feito história ao eliminar Camarões nas Eliminatórias e se classificar para a Copa da África pela primeira vez. Mas a seleção ainda iria mais longe: logo na abertura do torneio, arrancou um empate com a anfitriã África do Sul. Ainda empatou com Marrocos e derrotou Angola, avançando para a segunda fase, quando caiu diante de Gana.

Comentários
Carregando...