Malta: uma nova porta de entrada para os brasileiros no futebol europeu

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É preciso olhar com carinho os mapas da Europa para encontrar Malta. O arquipélago está ali ao sul da Itália, perto da Sicília, a leste da Tunísia. Estamos falando de um país de 316 km² (superfície menor que a de cidades como Belo Horizonte, Guarulhos ou Saquarema), conhecido ultimamente por ser um tropical destino de estudantes interessados em aprender inglês. E também por novidades no futebol.

Malta, em destaque (Crédito: Wikipedia)
O arquipélago de Malta, em destaque (Crédito: Wikipedia)

Ex-colônia britânica, Malta conheceu o futebol ainda no século XIX, quando soldados da Coroa Britânica alocados no arquipélago praticavam o esporte para manter o condicionamento físico. Uma primeira entidade regulamentadora da modalidade foi fundada ali em 1863, antes que a atual Associação Maltesa de Futebol fosse criada em 1900. Em 1909, foi disputada a primeira edição da liga nacional local, vencida pelo Floriana.

Ao longo das primeiras décadas do século XX, o futebol maltês foi dominado por Floriana e Sliema Wandereres, que venceram respectivamente 12 e 10 dos títulos disputados até a paralisação para a Segunda Guerra Mundial. A partir de 1945, a liga local ganhou mais protagonistas, como Hibernians e Valletta. Ainda na década de 40, o Campeonato Maltês ganhou mais divisões – hoje, são quatro.

A partir da década de 80, o futebol maltês voltou a crescer, boa parte por conta da inauguração do Estádio Nacional de Ta’Qali em 1980. Na década, clubes como Hamrun Spartans e Rabat Ajax conquistaram cinco títulos nacionais, desafiando a hegemonia de Floriana e Sliema Wanderers.

Estádio Nacional de Ta'Qali (Crédito: Wikipedia)
Estádio Nacional de Ta’Qali (Crédito: Wikipedia)

Nos últimos anos, Malta tem colhido sucessos pequenos, mas constantes. Em 2009, o país ocupava a 50ª posição (de 53 times) no ranking do coeficiente da Uefa que define vagas nas competições continentais de clubes. Em 2014, chegou a 47ª colocação (de 54 países) da lista.

Parece pouco? Foi o suficiente para atrair jogadores de diversos países, como Argentina, Nigéria e Espanha. O Brasil não fica atrás, e também aparece com destaque entre os estrangeiros que disputam a chamada BOV Premier League.

Camilo Sanvezzo, no Querétaro (Crédito: Goal.com)
Camilo Sanvezzo, no Querétaro (Crédito: Goal.com)

O primeiro destaque do Brasil em Malta foi um nome relativamente conhecido: Camilo Sanvezzo, artilheiro da temporada 2009/2010 pelo Qormi (24 gols em 22 jogos) e atualmente no Querétaro, do México. Na temporada 2013/2014, dois brazucas dividiram a artilharia: Jhonnattan (Birkirkara, ex-Volta Redonda) e Edison (Hibernians, ex-Rio Preto), com 21 gols cada um.

Na temporada 2014/2015, mais uma vez, um brasileiro se destacou: Edison Tarabai, que marcou 23 gols antes de se transferir para o Seoul E-Land (Coreia do Sul). Por coincidência, Tarabai atuou com Camilo Sanvezzo em 2007, quando ambos levaram o Oeste Paulista ao título da quarta divisão do Campeonato Paulista. O título da temporada ficou com o Hibernians, time do próprio Edison Tarabai.

Edison Tarabai (Crédito: Divulgação)
Edison Tarabai pelo Hibernians (Crédito: Divulgação)

Na temporada 2014/2015, 12 times entraram na disputa da Malta Premier League – todos da Ilha de Malta, a maior das três que formam o arquipélago. Ao todo, pelo menos 25 jogadores do Brasil foram inscritos por seus respectivos clubes na primeira divisão – ou seja, média superior a dois brasileiros por time. E quem resolveu se aventurar no arquipélago não se mostra arrependido.

Rodolfo Soares em ação no futebol de Malta (Crédito: Joe Borg/Hibernians)
Rodolfo Soares (com a bola) em ação pelo Hibernians (Crédito: Joe Borg/Hibernians)

“É muito gratificante ver que o trabalho que estamos realizando vem dando resultados. Temos que manter isso. O futebol de Malta vem evoluindo a cada ano e ficando cada dia mais equilibrado”, diz o zagueiro Rodolfo Soares, ex-Fluminense e Madureira, eleito o melhor defensor da temporada em Malta.

“Desde que cheguei no futebol de Malta a evolução tem sido muito grande. Os clubes estão procurando investir mais no esporte e isso tem deixado os estrangeiros mais animados para buscarem seus espaços no país. Além disso, o nível técnico, hoje, é considerado muito bom. Torço para que continue assim nas próximas temporadas”, reforçou o atacante Jorge Silva (de azul na foto que abre o texto), com passagens por Rio Claro, Atlético-PR e América-RN, defendendo atualmente no Naxxar Lions.

É claro que a evolução ainda não coloca os times em Malta em condição de desafiar rivais de Inglaterra, Alemanha, Itália ou Espanha. Mas já indica um domínio entre os piores colocados do coeficiente da Uefa. E indica uma porta de entrada para brasileiros na Europa – nem que seja para passar uma temporada aprendendo inglês.

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