9 clubes paulistas que já tiveram equipes B

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Ao contrário da Europa, onde os reserve teams (nome dado aos times B lá fora) são uma boa forma de garimpar talentos e recuperar atletas lesionados ou fora de forma, por aqui o modelo teve pouco sucesso. O grande boom de equipes reservas disputando campeonatos paralelos ao de seus esquadrões principais se deu no começo dos anos 2000, mas poucos tem alguma história ou feito para contar.

Alguns conquistaram títulos, todos eles irrelevantes. Outros revelaram jogadores, mas quase nenhum é lembrado por isso. É o caso do volante Hernanes, por exemplo, que atuou durante três anos pelo pífio time B do São Paulo, mas a maioria dos torcedores acredita que ele se desenvolveu mesmo quando foi emprestado ao Santo André, de onde voltou para se destacar, ser negociado com a Lazio e chegar à Seleção Brasileira.

Há quem tenha insistido no modelo, como o Palmeiras, que só extinguiu sua equipe B neste ano, após mais um rebaixamento. Mas nenhum destes, nem o alviverde, pode dizer que seu projeto foi vitorioso. Até porque um dos caminhos para o sucesso desta categoria intermediária entre a base e o profissional é a valorização interna, algo que não aconteceu em nenhum dos clubes pesquisados para composição desta lista.

Para grande parte destes, a equipe B serviu como depósito de jovens já sem idade para a base e profissionais sem condição (técnica ou física) de atuar em grande nível, quando deveria servir como plataforma de transição para amadurecimento ou recondicionamento de atletas, gerando suporte e peças de reposição ao time principal durante a disputa do abarrotado calendário brasileiro – faz sentido, não?

Agora, quando a discussão acerca do calendário volta à tona, o modelo de equipes B bem-sucedido na Europa sempre é lembrado. Por isso, o Última Divisão resgatou algumas histórias esquecidas sobre o desempenho dos reserve teams do estado de São Paulo, onde o modelo parece ter sido aplicado mais intensamente, já que até times mais modestos como o Marília se arriscaram na criação de times reservas.

1. Palmeiras B (2000-2013)

Sem dúvida, é a mais longínqua experiência com equipe B já realizada no Brasil. Em 2000, a gestão do ex-presidente Mustafá Contursi criou a equipe reserva com a ideia de formar jogadores e colocar em atividade atletas recém-saídos de lesões ou buscando a melhor forma. Com o tempo, a categoria foi perdendo relevância dentro do próprio clube até ser extinta este ano pelo presidente Paulo Nobre, que alegou corte de custos. Por mais de uma década, o Palmeiras B alternou entre as Séries A3 e A2, tendo acumulado quatro acessos e três rebaixamentos – o último este ano, da  A3 para a B. Nunca foi campeão.

Em janeiro de 2005, um encontro curioso marcou a trajetória da equipe reserva: pela Copa São Paulo de Juniores, times A e B se enfrentaram pela fase eliminatória da competição de base, com sonora goleada de 4 a 0 da matriz sobre a filial. Esta e outras histórias da segunda equipe alviverde já foram contadas aqui no Última Divisão – AQUI e AQUI, ó.

2. Corinthians B (2001-2007, 2011)

VÁRIOS NOMES, UMA SÓ COPA

1999: Copa Estado de SP
2000: não foi disputado
2001: Copa Coca Cola
2002: Copa Futebol do Interior e Copa Mauro Ramos
2003-2004: Copa Estado de SP
2005-2007: Copa FPF
2008-2013: Copa Paulista

Ao contrário do rival, o Corinthians B teve uma trajetória mais curta, porém com título. Foi em 2001, quando o segundo time do então campeão mundial foi o único representante da capital na disputa da recém-criada Série B3 Paulista, equivalente a sexta divisão estadual. O campeonato acabou extinto dois anos depois, enquanto o time B seguiu até 2007, disputando apenas a Série B2 (foi semifinalista em 2002, mas não subiu) e a Copa Paulista (à época, Copa Futebol do Interior e Copa Mauro Ramos – veja quadro de nomes ao lado), onde alcançou as quartas-de-final em 2004 e 2006. No fim de 2007, o presidente recém-eleito Andrés Sanchez optou pelo fechamento do projeto a pedido de Cilinho, recém-contratado para gerir a base.

Durante os seis anos ininterruptos que existiu, o Corinthians B contou com a atuação de jogadores que viriam a se destacar no time principal ou em outros clubes, como o goleiro Julio César, o lateral Coelho, o zagueiro Betão, o volante Vampeta, os meias Lulinha e Willian e o atacante Dentinho. Em 2011, uma parceria com o Flamengo de Guarulhos reativou a equipe, sob comando do ídolo Rincón, mas o time terminou a Copa Paulista com a quinta pior campanha e foi extinto. Desde então, o Flamengo não atua mais com o nome de Corinthians B, ainda que a cooperação entre os clubes prossiga na base.

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3. São Paulo B (2003-2005)

Na onda de times B formada no começo do século, o São Paulo surfou pouco. Criou sua segunda equipe em 2003 sob comando de Cilinho (sim, aquele mesmo que anos depois teria sugerido o fechamento da equipe B do Corinthians) e a manteve até 2005. Durante esse período, disputou apenas a Copa Paulista, então chamada de Copa Estado de São Paulo e Copa Federação Paulista de Futebol. Em três edições, nunca passou da primeira fase.

Neste levantamento sensacional feito por um torcedor, é possível acompanhar a escalação da equipe em todas as partidas e ver alguns nomes que viriam a se tornar conhecidos, como os atacantes Diego Tardelli e Thiago Ribeiro, os laterais Gabriel e Fábio Santos, os zagueiros Digão (irmão de Kaká) e Edcarlos e os volantes Denílson e Hernanes – este último, presente em 24 das 44 partidas disputadas pelo São Paulo B. Mesmo assim, pouca gente reconhece ou lembra dos nomes que defenderam os aspirantes do Tricolor.

Em tempo: a experiência de time B do São Paulo pode ser reativada num futuro breve, caso a oposição de Juvenal Juvêncio vença as eleições. Segundo o Blog do Menon, o candidato Marco Aurélio Cunha pode arrendar um time de Santa Catarina para colocar os jovens de Cotia em ação. A conferir.

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4. Santos B (2004-2005)

Copa FPF 2004
Classificaçao final das equipes B

1. Santos B
2. Guarani B
6. Corinthians B
7. Portuguesa B
13. Ponte Preta B
17. Marília B
28. Palmeiras B
29. São Paulo B

Pode-se dizer que 2004 foi o grande ano para as equipes B do futebol paulista. E a grande equipe do grande ano foi o Santos, que, comandado por Márcio Fernandes, faturou a Copa Paulista (então Copa Estado de SP), competição que contou com nada menos do que oito equipes reservas entre as 35 participantes. Quase quatro mil pessoas pagaram R$ 2 cada para acompanhar na Vila Belmiro a final sem gols contra o time B do Guarani, com quem o Santos também já havia empatado em 3 a 3 na ida, em Campinas. O regulamento do torneio não previa gols fora de casa e o time alvinegro sagrou-se campeão por ter feito melhor campanha ao longo do campeonato.

ingresso-fpfcupMas voltemos ao Santos. No ano seguinte, seu time B foi novamente a campo pela Copa Paulista (agora chamada Copa FPF), mas não teve a mesma sorte. Terminou a primeira fase em quinto lugar do grupo e desperdiçou a chance do bicampeonato. Logo em seguida, foi extinto sem muito alarde.

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5. Guarani B (2003-2007)

Esse cara jóia aí é o Rossini, ex-Santos B, hoje defendendo o Guarani A
Foto: site oficial do Guarani-SP

Depois de Palmeiras e Corinthians, o Guarani foi o time paulista que manteve um time B por mais tempo – cinco anos, ao todo. Como dito anteriormente, foi em 2004 que o Guarani B conseguiu sua maior façanha: disputou a final e perdeu para o Santos B. Ainda que tenha deixado escapar o título inédito, fez mais do que o time A, que naquela temporada amargou seu primeiro rebaixamento, da Série A para a B do Brasileiro.

Nos anos seguintes, o Guarani B seguiu fazendo boas campanhas, ao contrário do time principal. Enquanto o B chegou até as quartas-de-final em 2006 e 2007 (onde só perdeu para os finalistas), o A acumulou fracassos, como o rebaixamento na Série B do Brasileiro (2006). Em 2008, para focar suas atenções (e $$$) na primeira equipe, deu fim ao time B.

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6. Ponte Preta B (2001-2002*, 2004, 2009)

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Torcida invade o campo após acesso da Ponte Preta Sumaré – Foto: Tribuna Liberal

Embora não tivesse este nome, a Ponte Preta B foi uma das primeiras equipes reservas a disputar campeonatos profissionais no Brasil. Em 1999 e 2000, antes mesmo de surgir o Palmeiras B, o time de Campinas fechou uma parceria e cedeu atletas jovens para o Radium (Mococa) disputar a B2 Paulista, ultimo degrau do estado. Nas duas temporadas, o mesmo roteiro: derrota nas semifinais e nada de acesso.

No entanto, o bom desempenho motivou a Ponte Preta a alçar voos mais altos, formando uma nova equipe B em parceria com a Prefeitura de Sumaré. Logo no primeiro ano (2001), disputou a recém-criada Série B3 do Estadual e conseguiu o acesso, mas não o título: caiu diante do Corinthians B, com duas derrotas por 2-0 na finalíssima.

No ano seguinte, mais do mesmo: boa campanha na B2, mas eliminação nas semifinais, o que impediu o acesso e sinalizou o fim da Ponte Preta Sumaré. Embora tenha ficado no quase, os campineiros conseguiram revelar alguns atletas, caso do volante Somália (aquele do falso sequestro, sabe?) e dos goleiros Aranha e Lauro.

A segunda equipe da Ponte só voltaria a campo em 2004, agora como Ponte B de fato. Na disputa da Copa Paulista, caiu logo na segunda fase, o que abreviou o projeto. Cinco anos depois, nova tentativa – e novo fracasso. Com a queda na primeira fase da Copa Paulista, a Ponte interrompeu a equipe reserva, que desde então não existe mais.

*Atuou como Ponte Preta Sumaré

7. Portuguesa B (2002, 2004-2006)

Além do Santos e do Corinthians, outro time que conquistou um título durante seu curto período de vida foi a Portuguesa. Logo em seu primeiro ano, a Lusa B chegou a final da Série B3 do Campeonato Paulista, equivalente a sexta e última divisão, mas acabou derrotada no placar agregado (6-3) pelo Jabaquara. Mesmo assim, colocou água no chope do time de Santos ao vencer o jogo de volta por 3-2, interrompendo uma sequência de 23 jogos do adversário e impedindo a conquista invicta.

No ano seguinte, porém, o time B abriu mão de disputar a B2 e interrompeu suas atividades. Não há relatos sobre o que teria causado o fechamento do time, que só retornou em 2004, desta vez para disputar a Copa Paulista. Naquele ano, fez excelente campanha e só foi eliminada nas quartas-de-final pelo Santos B, que terminaria campeão. O bom desempenho, porém, não se repetiu nos anos seguintes, quando a equipe sequer passou da primeira fase. O projeto foi encerrado em 2006.

8. Marília B (2003-2004)
9. São Caetano B (2003)

Em 2003, o Marília formou um dos melhores elencos de sua história, tendo alcançado o quadrangular final da Série B do Campeonato Brasileiro – ano em que subiram Palmeiras e Botafogo-RJ, vale lembrar. Para se concentrar na missão de atingir a elite, decidiu disputar a Copa Paulista com uma equipe B, que não fez feio: só caiu nas semifinais para o Ituano. No ano seguinte, menos focado no torneio nacional, acabou caindo na segunda fase do torneio paulista. Vai entender.

Já o São Caetano não teve a mesma sorte. Apesar do motivo parecido para criar seu time B (foco na disputa da Série A do Brasileiro 2003, quando terminou em quarto), a equipe decepcionou e caiu ainda na primeira fase. Foi a primeira e última experiência do clube com times reservas.

Em tempo: neste ano, ainda que não adote o nome “São Caetano B”, o time dividiu seu elenco entre os que disputam a Série B nacional e o torneio estadual. Os destinos de cada um, porém, são bem distintos: o titular ainda briga para não ser rebaixado e o reserva quase chegou as semifinais.

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