Tem coisas que só acontecem no Palmeiras

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Sim, existem coisas que só acontecem no Botafogo ou na Portuguesa. Mas o Palmeiras também é um clube cheio de pérolas. Nesta semana, por exemplo, até o assessor de imprensa completou o time reserva em um treino coletivo. A alternatividade deste momento lembrou outro acontecimento que seria único na história de qualquer clube: o dia em que o Palmeiras enfrentou o Palmeiras. Parece estranho e até impossível, mas não é. Explico…

A história aconteceu na Copa São Paulo de 2005. O Palmeiras foi autorizado a fazer duas inscrições, com os times A e B, no mesmo torneio. E por uma incrível coincidência do destino e do regulamento, as duas equipes tiveram que duelar após a fase de grupos.

O Palmeiras B, surpreendentemente, tinha feito melhor campanha. Foi líder do grupo e chegou na última rodada classificado. Porém, ainda poderia fazer um favor para a matriz do Palestra Itália – se pelo menos empatasse com o Juventude, ajudaria o Palmeiras A, que estava em segundo lugar em outro grupo, mas precisava do índice técnico para se classificar.

Deu tudo certo e os dois times se classificaram. Mas também deu tudo errado e calhou deles se enfrentaram logo na fase seguinte. Em entrevista à Folha de S. Paulo, o presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF) ainda comemorou o fato: “Você vê, que coisa? Ainda bem que foi agora, que não foi numa final”, brincou o mandatário.

Clássico dos Palmeiras/ Foto: Fernando Martinez

Como não poderia deixar de ser, o jogo foi repleto de curiosidades. A começar pelos uniformes. Por ter ido melhor na primeira fase, o time B vestiu a camiseta verde, enquanto a equipe principal ficou com o uniforme branco. E mais exótico do que isso só o comportamento da torcida palmeirense…

Os cerca de 3000 torcedores comemoraram, é claro, o gol de Marquinhos, que abriu o placar aos 17 minutos. Mas rapidamente eles lembraram de apoiar também o time B. Cantaram, até com certa ironia, que “o Palmeiras é o time da virada”. Há relatos ainda de um protesto bem humorado: “se o Palmeiras não ganhar, olé, olé, olá, o pau vai quebrar”.

Poucos atletas presentes neste curioso jogo viraram destaques do Palmeiras no futuro. O polivalente Ilsinho e o goleiro Bruno eram os mais conhecidos e já estavam no time A, que ganhou e goleou. A facilidade da equipe principal foi grande até por causa da expulsão de Reinaldo – lance que enfim criou um vilão no jogo, afinal o árbitro Rodrigo Bragueto passou a ser tão vaiado quanto qualquer adversário que poderia estar ali enfrentando um dos Palmeiras.

Ficha técnica do clássico entre Palmeiras

No final os dois times se cumprimentaram com um respeito único e houve pouca festa no Palmeiras A. Técnico do time principal na época, Estevam Soares comentou o jogo pela TV Cultura e se orgulhou do que viu: “foi bonito, bem disputado e uma festa para o clube”.

Opinião compartilhada por Mustafá Contursi, ex-presidente do Palmeiras, também em entrevista para a Folha na época: “é inédito e pioneiro. Isso mostra que nós estamos à frente das outras equipes. Elas que se organizem. Nós temos 148 atletas. Acho desleal que o Palmeiras tenha que se atrasar por causa dos outros”, disparou ele, já que o Palmeiras foi proibido de inscrever as duas equipes em competições futuras.

No Brasil talvez o clube tenha sido pioneiro. Mas esse fato já aconteceu ao redor do mundo e até de maneira mais curiosa: em 1980, o Castilla, time B do Real Madrid, fez campanha surpreendente e foi para a final da Copa do Rei. Só perdeu para justamente para o time A na decisão. Mas pelo menos mostrou que também existem coisas que só acontecem no Real Madrid…

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