Time Grande Não Cai?: Vasco 2008

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Até hoje há quem repita a frase “time grande não cai”. Nem é mais um clichê. É uma burrice: está provado que os grandes caem sim, cada vez com mais frequência. Mas não é um feito simples. Com dinheiro, estrutura e grande torcida, é preciso uma conjunção de fatores muito bizarros para que um rebaixamento assim aconteça. E é por isso que casos assim sempre ficam marcados na história. Foi o que aconteceu com o Vasco em 2008…

O time cruzmaltino está perto de um novo rebaixamento neste ano. Por isso devia olhar para o passado e tentar aprender o que for possível para não repetir o feito dessa vez.

Como caiu

Caiu ao som do hino vascaíno, que foi cantando por quem lotou o Estádio de São Januário naquele fatídico 7 de dezembro de 2008. Nem na última rodada o time fez sua parte – precisava vencer, mas perdeu de 2 a 0 para o Vitória. E assim consolidou-se um ano cheio de erros do clube.

Romário era o técnico do Vasco no começo do ano. Tinha como dar certo isso?
Romário era o técnico do Vasco no começo do ano. Tinha como dar certo isso?

Como acontece na maioria dos casos em que um time grande cai, o fator político interferiu diretamente: Eurico Miranda estava de saída e atrapalhou como podia a chegada de Roberto Dinamite, seu opositor. Isso gerou uma onda de saídas e demissões nos cargos diretivos, o que bagunçou qualquer projeto do time para a temporada.

A troca de técnicos exemplifica esse problema: o ano começou com Romário como jogador-treinador. Depois vieram Alfredo Sampaio, Antonio Lopes, Tita e, por fim, Renato Gaúcho.

Tamanha bagunça só podia gerar o rebaixamento e estatísticas terríveis: foram 40 pontos em 38 jogos; segunda pior defesa do Brasileiro, com 72 gols sofridos; segundo time que mais perdeu, atrás apenas do Ipatinga; e outros vexames que não podem ser mostrados em números.

Quem caiu

Em um time que Madson e Alex Teixeira foram os principais destaques, não dá para achar muito talento. Naturalmente o time titular variava bastante, por causa do desempenho ruim, mas um time-base seria este: Rafael (Tiago); Eduardo Luiz, Odvan e Jorge Luiz (Edmundo); Wágner Diniz, Jonílson, Matheus e Rodrigo Antonio; Madson e Alex Teixeira; Leandro Amaral

No gol, Tiago, o cobrador de faltas e pênaltis, foi trocado por Rafael quando o técnico Renato Gaúcho chegou ao time. A aposta no jovem fez pouca diferença. Na lateral direita, Wagner Diniz mostrou seu verdadeiro futebol fraco, mas Baiano não foi capaz de substituí-lo. Na esquerda não houve unanimidade, já que as alternativas a Rodrigo Antonio eram bem fracas – Pablo, Valmir e Edu Pina.

vasco jonilson
Jonilson tinha tanta beleza quanto futebol

A zaga, principal problema do time, tinha Odvan como veterano ausente, lento e apático. Eduardo e Jorge Luiz sempre foram jogadores burros e nunca se entenderam. Escalar os três juntos foi uma opção muito usada, o que só podia dar errado mesmo.

Os volantes eram terríveis: Jonilson tinha algum poder de marcação, mas era muito limitado no geral. Mateus era apenas um jovem surgindo e ainda assim venceu a disputa com Byro, Johnny e Serginho para ser titular. Mas no setor de criação o meio-campo poderia ter sido razoável, com Pedrinho, Morais, Madson e Leandro Bonfim. Mas lesões e noitadas atrapalharam.

O ataque tinha Edmundo em má fase – tinha errado pênaltis decisivos no 1º semestre – e prestes a se aposentar, mas com a faixa de capitão no braço. O jovem Alex Teixeira tentava ajudar, mas não dava conta. E quem deveria ser “homem gol”, Alan Kardec e principalmente Leandro Amaral, não conseguiu chegar perto disso.

Como subiu

Dorival Júnior e Rodrigo Caetano assumiram a missão de renovar o time e conseguiram montar uma base que subiu sem sustos. Após um primeiro turno apenas razoável, o Vasco assumiu a liderança e conquistou o acesso com quatro rodadas de antecipação. O título foi garantido no jogo seguinte, também sem sustos.

O time tinha Carlos Alberto como cérebro e capitão do time. Contava também com Élton como artilheiro. E apesar de ter mais alguns jogadores experientes, era recheado de revelações vascaínas, sendo que Philippe Coutinho era a principal delas. Poderia ter sido o indício de um bom futuro pela frente…

Aprendeu?

… Mas o Vasco não aprendeu. A gestão de Roberto Dinamite até fez o clube evoluir em alguns aspectos e montou equipes fortes em 2011 e 2012. Mas no geral ainda existem problemas de cinco anos atrás e até mesmo atraso no pagamento de salários. Não é à toa que o time grande pode cair novamente.

Será que o Vasco terá que ser campeão da Série B de novo para aprender?
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