O que foi o Carrossel Caipira, de Vadão e Rivaldo, no Mogi Mirim?

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O técnico Oswaldo Alvarez, o Vadão, morreu no final de maio aos 63 anos por conta de um câncer no fígado. Com passagens por grandes times, como São Paulo, Corinthians e Athletico, além da seleção feminina do Brasil, Vadão começou sua carreira causando barulho no Mogi Mirim, até então um time com pouca expressão no estado de São Paulo.

O ano era 1991 quando o Sapão vivia uma fase terrível e quase foi rebaixado para segunda divisão estadual.  A solução do então presidente Wilson Fernandes de Barros foi reformular tudo: contratou jovens promessas de diversas partes do país e colocou no comando o inexperiente Vadão, então um preparador físico de 36 anos do clube. No começo ele relutou, mas era muito querido pelos jogadores e acabou convencido.

Vadão no Mogi Mirim (Waldemar Padovani/ Estadão)

Com um longo período de preparação, no primeiro semestre de 1992 vieram os primeiros resultados. Na Copa 90 anos da Federação Paulista de Futebol (uma espécie de precursora da Copa Paulista), o Mogi foi campeão com sobras, com apenas uma derrota em 11 jogos. No Campeonato Paulista, o clube do interior paulista foi o líder do grupo B e o time com mais pontos no placar geral. Na segunda fase, quando enfrentou os clubes maiores do estado, o Sapão acabou eliminado na última colocação do Grupo 2 com apenas uma vitória, um empate e quatro derrotas.

O esquema tático

O estilo de jogo do Mogi Mirim de 1992 já chamava atenção pelo seu esquema tático, o 3-5-2. Demonizado no Brasil após o fracasso da Copa de 1990, o estilo mostrou-se vitorioso para a seleção alemã no mesmo Mundial — e foi essa a inspiração de Vadão para montar o seu Carrossel Caipira.

Contando com a versatilidade do time formado por Mauri; Polaco, Ildo e Luís Carlos; Capone, Fernando, Lélis, Chiquinho e Válber; Leto e Rivaldo, o time fazia variações táticas que confundiam a marcação adversária e criavam chances de gol. Não era incomum o time variar também entre o 3-4-3 e o 4-3-3, com Rivaldo jogando de centroavante, ponta ou meia-armador.

Mais do que isso, o entrosamento entre o elenco era grande, fazendo com que eles trocassem de posição mesmo sem a instrução do treinador. Era um time sem estrelas, mas que contava com a união do grupo. Jogavam por música, como dizem por aí.

O lendário Carrossel Caipira

 

Fim do sonho

No campeonato paulista do ano seguinte, o Mogi não conseguiu repetir o feito do ano anterior, mas continuou incomodando os maiores do Brasil. O caso mais impressionante foi no Torneio João Havelange em 1993, uma espécie de Recopa Rio-São Paulo organizado pela CBF. Na disputa estavam Corinthians, Palmeiras, Mogi Mirim e Vasco. O time do Carrossel Caipira despachou o Corinthians na semifinal e fez a final com o Vasco. No primeiro jogo, derrota por 4 a 0. Na decisão, o Mogi surpreendentemente conseguiu devolver o placar e levou a partida para os pênaltis, e os cariocas acabaram levando a melhor.

Aquela boa campanha seria o último suspiro do Carrossel Caipira. Como é comum com as equipes do interior que fazem bonito frente aos grandes, o Mogi Mirim acabou desmanchado ainda naquele ano. O Corinthians contratou Valber, Rivaldo e Leto, os principais destaques do elenco, além do lateral esquerdo Admilson. Já Vadão continuou até 1994 no Sapão e, no ano seguinte, faria sua primeira passagem pelo Guarani.

Já o Mogi Mirim viveu períodos de altos e baixos desde então. Após um rebaixamento em 1994, o Sapão permaneceu na primeira divisão Paulista de 1995 a 2006. Voltou em 2009 e permaneceu até 2015, quando uma crise sem precedentes assolou o clube, tendo o ídolo Rivaldo como um dos pivôs dessa queda. Em 2017, quando o Mogi Mirim caiu para a A3 (a terceira divisão paulista) pela primeira vez na sua história, fizemos um texto sobre o raio-x desse momento sem precedentes.