De Vaney, o repórter dos craques imortais

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O jornalista De Vaney e o jovem Pelé num treino na Vila Belmiro

O jornalista Adriano Neiva da Motta e Silva, o De Vaney (1907-1990), foi um dos maiores nomes do jornalismo esportivo brasileiro. Radicado na cidade de Santos, o profissional se empenhou em investigar minuciosamente a história dos esportes da cidade. Além disso, o cronista era respeitado em todo Brasil por levantar estatísticas históricas sobre o futebol.

Referência na área esportiva, De Vaney foi talvez o primeiro homem de imprensa a entrevistar Pelé logo após a chegada dele a Santos vindo de Bauru. Em 1976, o jornalista publicou um livro bomba sobre o rei do futebol que misteriosamente sumiu do mercado (“A verdade sobre Pelé: as fantasias, os exageros, o mito e a história de um desertor”, que já tratamos aqui).

Este importante homem de imprensa colecionou muitas histórias ao longo das diversas décadas que se dedicou ao jornalismo. Última Divisão conversou com o jornalista Ted Sartori, autor do livro “Obrigado, velha Amiga! – Vida e carreira do jornalista De Vaney”, biografia inédita do cronista.

Última Divisão: Como você começou a se interessar pela vida profissional e pessoal do jornalista Adriano De Vaney?

Ted Sartori: Comecei a me interessar pela vida profissional e pessoal de De Vaney, ainda que timidamente, em 1992, quando conheci o Centro de Memória Esportiva em Santos, que leva o seu nome e conta com seu acervo. O interesse foi crescendo, até que chegou na faculdade, com a confecção do meu trabalho de conclusão de curso sobre ele.

UD: De Vaney escreveu diversos livros bretão, entre eles o raro “Os Imortais do Nosso Futebol”. Qual é a importância desse livro na obra dele?

TS: Este livro é importantíssimo especialmente pelos perfis românticos de jogadores que a história acabou esquecendo com o tempo.

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De Vaney foi um dos mais importantes jornalistas de sua geração

UD: É verdade que o jornalista acabou indo morar em Santos por conta por ser viciado em cassinos?

TS: Quase isso. Ele acabou prestando concurso público para redator no Serviço de Vigilância Sanitária e Vegetal no Porto e passou. Uma das cidades que estava na lista das escolhas era Santos – e que De Vaney já conhecia, por já ter estado no município poucos anos antes.

UD: Da vasta obra de De Vaney, quais artigos ou livros você destaca?

TS: É difícil destacar artigos por sua longa produção em jornais dos mais diversos. Talvez um em que ele entrevista um Pelé ainda recém-chegado ao Santos, em 1956, seja interessante pelo aspecto histórico. Livros, sem dúvida, seria “Os Imortais do Nosso Futebol”.

UD: Qual importância que o jornalista teve para os times e para a cidade de Santos?

TS: Embora torcedor do Fluminense, De Vaney escreveu obras fundamentais para a história do Santos, caso do “Álbum de Ouro”, nos anos 1960, e é o criador do apelido Jabuca para o Jabaquara, por exemplo.

UD: Qual é a sua opinião sobre o livro “A verdade sobre Pelé: as fantasias, os exageros, o mito e a história de um desertor”?

TS: O que se conta é que Pelé e De Vaney sempre tiveram um relacionamento muito bom. Depois, ele escreveu um livro estatístico e que também tenta desmistificar algumas histórias em torno de Pelé. Em alguns pontos, o livro acaba sendo interessante, como em uma parte em que De Vaney divide o futebol brasileiro em épocas. Mas acaba ficando cansativo e até certo ponto exagerado em certas argumentações. Ainda assim, vale bastante como documento.

UD: O livro acabou prejudicando a carreira de De Vaney? 

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Livro que contesta a carreira de Pelé é raríssimo

TS: De certa forma, sim, pois o livro acabou recolhido. Mas a carreira de De Vaney continuou. E, creio, que isso se sobrepõe a esse fato.

UD: Na sua opinião, qual é o legado de Adriano de Vaney para o jornalismo esportivo paulista e brasileiro?

TS: O legado de De Vaney para o jornalismo esportivo paulista e brasileiro é grande pelo estilo romântico de escrever e também pela preocupação com a história do futebol, algo que não existia sempre.

UD: Você é autor de um livro-reportagem sobre o jornalista, destacando a vida pessoal e profissional dele. Quanto tempo você levou fazendo o trabalho? Quando poderemos ver sua obra nas livrarias?

TS: O trabalho foi feito no ano 2000, quando estava no quarto ano da faculdade. E espero que o quanto antes ele esteja nas livrarias, levando em conta eventuais atualizações, mudanças no texto, novas pesquisas e, principalmente, alguém que se interesse em publicar. Cheguei a procurar uma editora de Santos, mas infeliz e inexplicavelmente não houve interesse. Busco, portanto, uma editora e apoio para isso. Espero que com essa matéria, quem sabe, alguém me ajude nessa empreitada.

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