A prata e o bronze que valeram ouro

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O ano de 2009 irá apresentar uma novidade no futebol nacional. Pela primeira vez em sua história, o Campeonato Brasileiro irá contar com a disputa de uma quarta divisão – no caso, a Série D. A competição, que deverá contar com 64 times (a exemplo do que acontecia com a Série C nos anos anteriores), é fruto da organização imposta ao futebol brasileiro nesta década, que resultou na estabilização das Séries A e B com 20 times, e que tentará ser ampliada à Série C – que terá 20 times pela primeira vez.

Não é, porém, a primeira vez que o Brasil assiste a este tipo de novidade em sua principal competição nacional. Foi o que aconteceu no início da década de 80, quando a CBF decidiu criar a Série B em 1980 (conhecida como Taça de Prata). De quebra, no ano seguinte, a entidade promoveu, pela primeira vez, uma terceira divisão: a Taça de Bronze.

As duas competições foram criadas por Giulite Coutinho, recém-eleito presidente da CBF, que queria reduzir o número de participantes do Campeonato Brasileiro – em 1979, nada menos que 94 times haviam participado do torneio. A rigor, as duas divisões inferiores criadas permitiam que seus clubes disputassem o título brasileiro, desde que, para isso, vencessem seus campeonatos – semelhante ao que acontecia com os vencedores dos módulos azul, amarelo, verde e branco da Copa João Havelange, em 2000.

Curiosamente, não havia um rebaixamento formal para os times que faziam campanhas ruins na Taça de Ouro, já que os campeonatos estaduais eram os principais critérios de classificação para a competição nacional. Assim, Palmeiras e Corinthians, por exemplo, foram obrigados a disputar a Taça de Prata em 1982, já que terminaram fora das seis primeiras colocações do Campeonato Paulista do ano anterior.

Foram nestes moldes que a CBF instituiu pela primeira vez uma segunda divisão. Assim, em 1980, enquanto 40 times disputavam a Taça de Ouro (em vagas já distribuídas pelos estaduais), outros 64 clubes participavam da Taça de Prata. Entre as equipes, algumas mais tradicionais, como ABC, Juventude, América-MG, Bangu, Atlético-PR, Paysandu, Sport, Figueirense e Vitória. Outras, em maus lençóis nos tempos atuais, como Inter de Limeira, Botafogo-BA, Leônico-BA, Campo Grande-RJ, Comercial-SP e Goytacaz.

Desta forma, os 64 concorrentes foram divididos em oito grupos regionais, nos quais os vencedores disputariam quatro vagas para a Taça de Ouro do mesmo ano. Desta forma, o regulamento beneficiou Paysandu, Americano, Sport, Anapolina, Uberlândia, Bangu, América-SP e Juventus, que se enfrentaram na segunda fase. Melhor para América, Americano, Bangu e Sport, que venceram seus confrontos e entraram na segunda fase da Taça de Ouro.

Enquanto os quatro “promovidos” paravam logo na segunda fase da Taça de Ouro (vencida pelo Flamengo de Cláudio Coutinho), outros 20 times disputavam o título da Taça de Prata. No caso, as vagas eram dadas aos times que haviam ficado com a segunda e a terceira colocações nos grupos da primeira fase (os que continham oito times cada). As outras quatro vagas ficaram com Paysandu, Uberlândia, Anapolina e Juventus, que lideraram seus grupos e que perderam os confrontos de mata-mata classificatórios para a Taça de Ouro.

O regulamento da Taça de Prata era simples: os 20 times eram divididos em quatro grupos com cinco times cada, no qual o vencedor de cada chave iria para as semifinais. Assim, avançaram Botafogo-SP (que superou Fortaleza, Goiânia, Paysandu e Itumbiara), Londrina (que eliminou Grêmio Maringá, Sampaio Corrêa, Anapolina e Bonsucesso), CSA (algoz de Caxias, Comercial-SP, Tuna Luso e Uberlândia) e Ferroviária (responsável pela eliminação de Uberaba, ABC, Juventus e América-MG).

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Nas semifinais, o Londrina despachou o Botafogo (vitórias por 1 a 0 e por 2 a 1), enquanto o CSA venceu a Ferroviária (duas vitórias por 1 a 0). Nas finais, os paranaenses empataram por 1 a 1 em Maceió, conquistando uma vitória por 4 a 0 em casa e assegurando o título. O feito rende, até hoje, uma estrela sobre o distintivo do LEC.


A Taça de Bronze

O sucesso da competição – mas também o baixo nível técnico de algumas das equipes – fez com que a CBF decidisse ampliar sua gama de competições em 1981. Assim, além da Taça de Ouro e da Taça de Prata, a Confederação criou também a Taça de Bronze, que contou com a redução do número de participantes da “segunda divisão” (que passou a contar com 48 clubes) para promover alguns candidatos de razoável nível técnico para a “terceira”, de tiro mais curto. O método de seleção: igualmente os campeonatos estaduais.

Antes do início das competições, porém, a CBF realizou uma seletiva para a Taça de Bronze, que distribuiria cinco vagas para os 15 times que disputariam a pré-competição – o futebol paulista, porém, não teve representantes, já que o São José, que possuía a vaga para a seletiva, abriu mão do direito de disputá-la. Por fim, classificaram-se Baraúnas-RN (vencedor da seletiva do Nordeste), Joaçaba, Figueirense (vencedores da seletiva catarinense), Matsubara e Paranavaí (vencedores da seletiva Paraná-São Paulo, que contou apenas com os dois clubes).

Então, com 24 clubes, a Taça de Bronze começou a ser disputada, com confrontos de ida e volta entre os 24 clubes, classificando 12 para a segunda fase: Atlético de Alagoinhas-BA, Dom Bosco-MT, Santo Amaro-PE, Figueirense, Izabelense-PA, Olaria, São Borja, Baraúnas, Itumbiara, Guarani de Divinópolis-MG, Piauí e Madureira.

Garantidos, os 12 clubes se enfrentaram em novos confrontos de mata-mata na segunda fase, assegurando seis concorrentes na terceira fase. Olaria, São Borja, Dom Bosco, Santo Amaro, Izabelense e Guarani de Divinópolis passaram pelo funil, garantindo lugar na terceira fase – a primeira de grupos da competição. Aí, o Olaria venceu o equilibrado Grupo A, batendo São Borja e Dom Bosco apenas nos critérios de desempates, enquanto o Santo Amaro assegurou sua vaga ao liderar o Grupo B – pior para Izabelense e Guarani de Divinópolis.

camisa-olaria-historica-da-conquista-taca-de-bronze-1981-21523-MLB20212407331_122014-OAs finais foram realizadas em dois jogos, nas casas de ambos os times. No primeiro jogo, em Marechal Hermes, o Olaria venceu por 4 a 0, com gols de Chiquinho, Zé Ica e Leandro (dois), e praticamente assegurou o caneco. Ele veio, mesmo com uma derrota por 1 a 0 para o Santo Amaro no Arruda, na partida decidida com um gol do reserva Derivaldo aos 35 minutos do segundo tempo. O time carioca, comandado pelo técnico Duque, atuou com Hilton; Paulo Ramos, Salvador, Mauro e Gilcimar; Ricardo, Lulinha e Orlando; Chiquinho, Aurê (Nunes) e Leandro (Serginho).

A Taça de Bronze, porém, não valeu vagas à Taça de Prata do mesmo ano. Assim, na segunda divisão, Bahia, Náutico, Palmeiras, Uberaba, Remo, Tuna Luso, Botafogo-PB, Anapolina, Guarani, Coritiba, Americano e Comercial-MS asseguravam lugar na segunda fase da “segunda divisão”, nos quais os 12 times foram divididos em quatro grupos de três – os líderes asseguravam presença na Taça de Ouro, enquanto os vice-líderes se classificavam para a terceira fase da Taça de Prata.

No primeiro grupo, ficaram Bahia, Náutico, Palmeiras e Uberaba. No segundo, Remo, Comercial, Anapolina e Guarani – estes dois últimos, vencedores das semifinais, decidiram o título. Melhor para o Bugre, que venceu por 4 a 2 em Anápolis e empatou o segundo jogo por 1 a 1, faturando a competição com Birigüi, Miranda, Jaime, Édson, Almeida, Edmar, Ângelo, Jorge Mendonça, Lúcio, Marcelo (Paulo César) e Capitão (Frank) no jogo decisivo.

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