Gigena, o herói de um clássico só

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One-hit Wonder é uma expressão que, na música, define cantores ou bandas que fizeram sucesso com apenas uma canção, voltando ao ostracismo pouco após o estrelato. Caso de Dexys Midnight Runners, 4 Non Blondes, Meredith Brooks, Natalie Imbruglia e de muitos outros. O futebol não tem expressão equivalente, mas tem casos muito parecidos. E no Dérbi Campineiro, um atacante argentino se tornou ídolo na Ponte Preta, justamente por brilhar diante do arquirrival Guarani em um único clássico. Seu nome: Darío Gigena.

Nascido na cidade de Arroyito, província de Córdoba, em 21 de janeiro de 1978, Darío Alberto Gigena surgiu para o futebol no Belgrano em 1996. No ano seguinte, foi negociado com o Rayo Vallecano, mas pouco apareceu no clube espanhol. Assim, após a temporada 1997/1998, retornou à Argentina, repatriado pelo Unión Santa Fé. Em 1999, jogando pelo Talleres, conquistou o principal título de sua carreira: a Copa Conmebol, vencendo o CSA nas finais – história contada aqui e aqui, e que a gente adora lembrar.

O troféu continental, com direito a gol marcado nas finais, não deu a projeção esperada a Darío Gigena. Nos anos seguintes, ele ainda passou por Colón e Huracán. Encostado no Globo, El Topo acabou sendo negociado com a Ponte Preta, na qual chegou sem muita pompa. Isso mudou, porém, em 11 de outubro de 2003.

Era o terceiro clássico entre Ponte Preta e Guarani no ano. Nos dois jogos anteriores, ambos realizados em campo ponte-pretano, vitórias bugrinas: 3 a 1 pelo Campeonato Paulista e 2 a 0 pelo primeiro turno do Campeonato Brasileiro. Desta vez, pela 36ª rodada do Brasileirão, o Dérbi Campineiro aconteceria no encharcado gramado do Estádio Brinco de Ouro da Princesa.

Sem contar com o titular Fabrício Carvalho, o técnico Abel Braga lançou mão do desconhecido argentino. E ele não decepcionou: após o 0 a 0 do primeiro tempo, Gigena abriu o placar aos 19min do segundo tempo, recebendo o passe de Jean pela esquerda, girando e chutando forte. De quebra, três minutos mais tarde, converteu o pênalti sofrido por seu time e colocou a Ponte em vantagem: 2 a 0.

O Bugre ainda diminuiu aos 27min, com Wagner, mas o dia era mesmo de Gigena. Aos 43min, novo pênalti para a Macaca. O argentino foi para a bola e bateu, mas o goleiro Jean defendeu. A arbitragem, porém, mandou voltar, e o camisa 9 não perdoou: bateu e fez seu terceiro gol no clássico. Na comemoração, a máscara da macaca e a festa com a torcida – a mesma que o levou nos braços na mesma noite, em festa no Moisés Lucarelli, a poucos metros do estádio que recebeu o clássico.

Gigena, porém, não se firmou na Ponte Preta. Mesmo herói, acabou voltando ao futebol do exterior: passou por Colón (2004), Racing de Córdoba (2004 a 2005), Cortuluá-COL (2005), Deportivo Pereira (2006) e Once Caldas (2006 a 2007). Em 2007, foi apresentado como reforço do Fortaleza para a Série B, mas deixou o clube sem estrear. Dali, foi para o Guaros de Lara-VEN (2007) e para o Everton-CHI (2008), onde conquistou o Torneio Apertura do Campeonato Chileno – no segundo jogo das finais contra o Colo Colo, foi inclusive titular.

De lá, voltou a rodar pela América do Sul: Nueva Chicago (2008 a 2009), LDU de Portoviejo (2009), San Telmo-ARG, Almagro-ARG e Universitário-PER (todos em 2010). Até que, em abril, aos 32 anos e já na descendente de sua carreira, Darío Gigena foi anunciado na Ponte Preta. Desta vez, como jogada de marketing, mas como herói.


Na apresentação, aos 32 anos, Gigena (à esquerda) posa ao lado do
volante Dionísio, ex-Santos. (Crédito: Ponte Press/DJota Carvalho)

“O Dario é um ídolo da torcida, tem uma empatia enorme com a torcida, além de ser um cara totalmente de grupo. Ele será uma força positiva, a torcida gostará muito de vê-lo novamente com a camisa da Ponte. Gigena chegou a nos dizer que, se não estivesse em campo com o time, ficaria na arquibancada. Ele provavelmente encerrará a carreira aqui”, disse Márcio Dalla Volpe, gestor da Ponte Preta, em entrevista à rádio Bandeirantes, de Campinas.

Parado desde o início de 2011, Gigena treinou na Ponte Preta para recuperar sua forma. A apresentação do ídolo à torcida aconteceu na primeira rodada da Série B, em goleada por 5 a 0 sobre o ASA de Arapiraca no Estádio Moisés Lucarelli. Neste sábado, mais uma vez no Moisés Lucarelli, Gigena deve começar o clássico no banco de reservas. E mesmo querendo a vitória, a torcida da embalada Ponte Preta certamente não deixará de fazer festa caso Darío Alberto Gigena entre em campo para escrever mais uma página na história do mais importante clássico do interior de São Paulo.

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Darío Gigena foi apenas o terceiro jogador a marcar três gols em um Dérbi Campineiro – antes dele, os também ponte-pretanos Weldon e Átis também chegaram à marca.

A vitória no returno do Brasileiro de 2003 ainda deu início a uma série invicta da Ponte no clássico de Campinas: em cinco jogos, foram duas vitórias e três empates.

Em compensação, a Macaca não vence o Bugre desde 2008. Desde então, em três jogos, foram duas vitórias verdes e um empate.

Imagens e informações: Futpedia, Futebol Interior, Globo Esporte.com, Wikipedia, YouTube, RSSSF e Ponte Preta.

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