101° lugar: a pior equipe do ano no estado de São Paulo

Não tá fácil pra ninguém... (Crédito: Reprodução/EPTV/Globo Esporte.com)
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O Campeonato Brasileiro ainda não acabou, então ainda é difícil apontar quem foi a melhor equipe paulista do ano de 2012 – muito provavelmente, a avaliação mais positiva é do Corinthians, campeão da Copa Libertadores e representante brasileiro no Mundial de Clubes da Fifa. No entanto, pairam poucas dúvidas na hora de apontar, dentre as 101 equipes do estado que disputam ou disputaram competições oficiais no ano, quem foi o pior em campo.

O Taquaritinga, de cidade de mesmo nome, teve o pior desempenho na Segunda Divisão (a rigor, a quarta) do Campeonato Paulista. Em 10 jogos pela primeira fase do torneio, somou apenas dois pontos, de dois empates, e sofreu oito derrotas. Assim como a Portuguesa Santista, não venceu nenhuma partida – a Briosa, ainda que também sem vencer nem um jogo sequer, empatou três vezes e livrou-se do posto de pior equipe do estado no ano.

Taquaritinga: não tá fácil pra ninguém…
(Crédito: Reprodução/EPTV/Globo Esporte.com)

Desta forma, o ano de 2012 termina com o tradicional Clube Atlético Taquaritinga na 41ª colocação da Segunda Divisão – muitas vezes erroneamente chamada de “Série B do Campeonato Paulista” – e ainda abaixo dos 20 times que disputaram a Série A-1, dos 20 que disputaram a Série A-2 e dos 20 que disputaram a Série A-3. Foram 100 os times melhores.

Rebaixado da Série A-3 de 2011 com quatro vitórias em 18 jogos (16 pontos, contra 15 do também rebaixado Lemense), o Leão da Araraquarense seria candidatíssimo ao acesso de volta em 2012. O discurso antes da Segunda Divisão era de otimismo, falando até em título – ou de, “no mínimo”, voltar à Série A-3.

No entanto, de nada adiantou a empolgação do técnico Solito Alves, aquele mesmo, que apelava para o clichê de “recuperar o posto do qual nunca deveríamos ter saído”. Ao longo da temporada, o discurso do CAT foi mudando, a esperança diminuindo e os problemas aparecendo. Elenco improvisado, falta de pagamento, mudança de treinador e problemas entre dirigentes pouco alinhados acabaram colocando a tradicional equipe tricolor como a dona do pior desempenho dentre os sete grupos da primeira fase da Segundona.

Donizete Gil, o abnegado: acreditou até o fim. (Crédito: Reprodução/EPTV/Globo Esporte.com)

Neste cenário, surgiu uma personagem interessante: Donizete Gil (foto), o técnico contratado após as duas primeiras rodadas (e as duas primeiras derrotas). Mantido até o fim da campanha, Gil vendeu o próprio carro para arrecadar dinheiro para os atletas – estes, atuando sem receber pagamento, dividiram o montante de cerca de R$ 15 mil conseguido pelo treinador, mas sem conquistar a sonhada primeira vitória no ano. Anote: o clube não vence um jogo oficial desde 30 de março de 2011, quando bateu a Francana por 1 a 0 pela primeira fase da Série A-3. Mais de um ano.

Para registrar esta queda livre, o Última Divisão reunião uma série de declarações referentes ao Taquaritinga – que, para quem não se lembra, disputou a Série A-2 em 2010. Desde que foi rebaixado da Série A-3 em 10 de abril de 2011, a equipe foi da esperança ao caos, postando-se longe do sonho de disputar a elite do Campeonato Paulista diante das principais equipes do estado.

Mas que isso não abata a equipe, que pode buscar na própria quarta divisão os exemplos para brigar pelo acesso nos próximos anos – casos com o do Jaboticabal, pior equipe do ano em 2009, ou do Novorizontino, recriado do zero para 2012, ilustram que é possível ser competitivo após uma performance desastrosa como a do CAT.

Veja como foi, em frases, o 2012 do Taquaritinga:

2 de fevereiro de 2012: lutar pelo título
“Caímos no ano passado, mas estamos confiantes no nosso retorno. Se não der pra sermos campeões, lutamos, no mínimo, pelo acesso de volta à A3.”
(Do presidente do clube, Vitor Bonazzi – em junho, já chamado de ex-presidente, o que apontava Jair Fontanelli como “presidente em exercício” pela Federação Paulista de Futebol)

Jair Fontanelli assumiu a bucha no Taquarão. (Crédito: Reprodução/FPF)

27 de abril de 2012: elenco muito forte
“Estamos montando um elenco muito forte e competitivo para conseguir fazer uma boa campanha e sonhar com o acesso para a Série A (…). Ainda não fechamos um elenco, mas os atletas que já estão aqui vêm treinando muito para a competição. Vamos realizar diversos amistosos ao longo deste mês, além de continuar trazendo atletas para o elenco.”
(Do técnico Solito Alves, antes da estreia)

2 de maio de 2012: preparação
“Estamos treinando há dois meses, nos dedicando ao máximo. Temos que subir, né?”
(Do volante Caetano, nos treinamentos antes da competição)

5 de maio de 2012: voltar de onde não devia ter saído
“Vamos batalhar muito nesta competição para conseguir o acesso e recuperar o posto do qual nunca deveríamos ter saído.”
(Do técnico Solito Alves, com elenco ainda incompleto; no dia seguinte, derrota fora de casa por 4 a 0 para o Olímpia)

Olímpia 4 x 0 Taquaritinga, com a faixa dos DeMolay na torcida. (Crédito: Guia Olímpia.com)

9 de maio de 2012: justificativa e confiança
“Na última rodada não tínhamos atletas no banco de reservas, devido à falta da regularização dos jogadores. Tive que improvisar muitos atletas e por isso acabamos não tendo um padrão de jogo e sofremos uma goleada (…). Tenho certeza que até sexta-feira teremos todos os nossos atletas inscritos e aí sim poderemos demonstrar o futebol do Taquaritinga. Sabemos que o Jaboticabal tem uma equipe muito forte, mas jogando dentro dos nossos domínios não podemos deixar escapar três pontos.”
(Do técnico Solito Alves, após a derrota)

12 de maio de 2012: em casa
“Dentro de casa, temos a obrigação de jogar bem e conseguir os três pontos. Respeitamos o Jaboticabal, mas não podemos deixar de pontuar nesta segunda rodada do estadual.”
(Do técnico Solito Alves, antes do primeiro jogo em casa; no dia seguinte, derrota por 1 a 0 em casa para o Jaboticabal)

20 de maio de 2012: novo técnico
“Precisamos buscar os três pontos para deixarmos a lanterna do estadual. Sabemos que enfrentaremos um adversário muito forte, mas na nossa atual situação não teremos outra saída se não atacar e buscar a vitória.”
(De Vitor José, diretor de futebol do clube; no mesmo dia, com Donizete Gil como técnico, derrota para o José Bonifácio por 2 a 1)

26 de maio de 2012: ainda dá
“Estamos numa situação complicada, mas temos condições de rever e ainda buscar a classificação para a próxima fase. Jogando em casa, contando com a força e o incentivo da nossa torcida, tenho certeza que conseguiremos um resultado positivo.”
(Do técnico Donizete Gil; no dia seguinte, com a força e o incentivo de 39 torcedores, derrota em casa para a Matonense por 1 a 0)

Contra o José Bonifácio, eram 17 – menos da metade (Crédito: Reprodução/EPTV/Globo Esporte.com)

30 de maio de 2012: evolução
“Cheguei aqui após três rodadas e, pelo que acompanhei até agora a equipe evoluiu muito neste tempo. Creio que já temos condições de vencer e convencer, seja dentro ou fora de casa (…). Ainda temos 18 pontos em disputa e como o campeonato está disputadíssimo creio que se fizermos a nossa parte conseguiremos avançar de fase.”
(De Donizete Gil – segundo a conta aqui, contratado após duas rodadas)

2 de junho de 2012: preparação tardia
“Esperamos que os três pontos finalmente cheguem. Começamos a preparação mais tarde que os adversários e por isso ainda estamos nos adaptando a competição. A ordem é concentração, raça e qualidade nas finalizações.”
(De Donizete Gil; no dia seguinte, derrota fora de casa por 4 a 1 para o Novorizontino)

Preparação tardia? Em abril, estavam montando um elenco forte. Crédito: Catanduva News
9 de junho de 2012: o que falta?
“Temos um time muito bom, mas que o entrosamento ainda não está no ideal. Tenho trabalhado muito o emocional dos atletas e creio que nesta rodada conseguiremos a reação no estadual. Sabemos do poderio ofensivo do Olímpia, mas teremos que nos superar para nos mantermos vivos no estadual.”
(Do abnegado Donizete Gil, antes do jogo contra o Olímpia em casa; no dia seguinte, vitória do Olímpia no Estádio Taquarão por 4 a 0)

12 de junho de 2012: fazendo contas
“A equipe infelizmente ainda não correspondeu em campo o que sempre vem demonstrando nos treinos. Creio que a classificação está distante, mas tenho certeza que iremos conseguir arrancar alguns pontos das equipes (…). Se ainda quisermos ter esperança de conseguir classificar, teremos que vencer fora de casa a forte equipe do Jaboticabal. Sei do potencial da minha equipe e espero que consigamos um resultado que possa satisfazer as nossas necessidades”
(De Donizete Gil, antes do jogo fora de casa contra o Jaboticabal)

16 de junho de 2012: cabeça erguida
“Vamos jogar com dedicação e muita garra. Apesar da situação atual, vamos lutar para sair de cabeça erguida. O torcedor merece que o time encerre sua participação no estadual com dignidade”
(De Donizete Gil; no dia seguinte, fora de casa, derrota por 4 a 1 para o Jaboticabal)

23 de junho de 2012: planejamento?
“Não é uma situação agradável, porque o nosso planejamento foi feito para brigarmos pela classificação. Infelizmente não podemos mais almejar a classificação, por isso vamos tentar vencer todas as partidas até o final do estadual para subirmos um pouco na tabela e tentarmos deixar o torcedor menos triste”
(De Donizete Gil, antes do jogo contra o José Bonifácio em casa; no dia seguinte, 0 a 0 e o primeiro ponto)

25 de junho de 2012: carro vendido
“Temos algumas dificuldades financeiras. Para não deixar uma situação difícil, procuramos ajudar ao máximo. Fiz isso e faria dez vezes se fosse preciso, porque o grupo merece. Queria levar o time para a Série A-3, mas infelizmente não conseguimos fazer acontecer.”
(De Donizete Gil, após vender o próprio carro para ajudar a pagar os jogadores)

Ficamos sem imagens…

26 de junho de 2012: o pior time do Brasil?
“Agora chamaremos de IbisCAT. Se continuar assim, este vai ser o novo nome do time.”
(De Zita Mendonça, torcedor, citando o Íbis e talvez sem se ligar no cacófono)

27 de junho de 2012: canto do cisne
“Empatar com uma equipe postulante à classificação deixou o nosso elenco muito confiante para o final desta fase (…). Temos que conseguir a nossa primeira vitória o mais rápido possível. Já passou da hora de mostrarmos um bom futebol. Nesta rodada pretendemos conquistar um bom resultado.”
(De Donizete Gil, após o 0 a 0 com o José Bonifácio)

30 de junho de 2012: o auge de 2012
“Vamos procurar deixar os nossos torcedores menos tristes, não fizemos uma boa campanha nesta temporada. Temos duas rodadas para disputar e quero conseguir os seis pontos em disputa para alegrar o nosso torcedor que sofreu junto com a gente neste estadual”
(De Donizete Gil, antes do jogo fora de casa com a Matonense; no dia seguinte, empate por 1 a 1, talvez o melhor resultado do ano no CAT)

7 de julho de 2012: decepção
“A decepção por não estarmos lutando pela classificação é muito grande, mas temos um compromisso com a competição, com o nosso torcedor e com as demais equipes que possam estar interessadas neste resultado. Precisamos ir em busca da vitória para fecharmos bem o torneio”
(De Donizete Gil, antes do duelo contra o Novorizontino; no dia seguinte, derrota em casa por 3 a 1, no último jogo do Taquaritinga no ano)

 

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