5 camisas legais de times da ficção

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Já falamos aqui no Bola& de times de futebol da ficção, como é o caso do East Tokyo United do Giant Killing, o Nankatsu de Supercampeões e até os Sobras de Rendford. Por isso, aproveitamos para falar também de times fictícios que fizeram tanto sucesso que até seus unifomes foram parar em lojas da vida real e viraram item de colecionador. Confira alguns casos:

Tabajara Futebol Clube

Tabajara FC (TV Globo)

Muita gente mais nova certamente não conhece o Tabajara Futebol Clube. Ele foi uma criação dos humoristas do programa Casseta e Planeta, que passou na Rede Globo de 1992 até 2010. Segundo Claudio Manoel, o criador da esquete foi Bussunda, que morreu em 2006 e era fanático por futebol:

Ele era um cara que respirava futebol e um dia chegou com essa ideia de fazer um quadro com o pior time do mundo. Aí começamos a conversar e deu certo. Ele sabia tudo de futebol. Lembro que pouco antes dele morrer, já na Alemanha, a gente passou por um lugar que tinha um telão transmitindo um jogo da Alemanha contra uma seleção africana e ele mandou eu olhar o camisa 8 do time africano, porque ele tinha comido a bola em um torneio africano sub-20. Falei: ‘P.., você está de sacanagem né? F… nem pensar né?’

O Tabajara era uma óbvia sátira ao mundo do futebol: tinha um jogador chamado Marrentinho Carioca, o trio Ruinzinho, Ruinzinho Gaúcho e Ruinvaldo e até chegou a ter um craque português metrossexual de nome Cristiano Depilaldo. Também tinha o dirigente incompetente e o veterano capitão Wanthuyrson, que costumava dizer aos colegas de time: “Ouça a voz da experiência”.

 

 

Os 11 iniciais do Tabajara FC (Reprodução/Lance)

O quadro acabou fazendo tanto sucesso na época que até começaram a surgir camisas piratas do Tabajara em camelôs. E os torcedores de clubes de verdade que estavam mal das pernas passaram a usar a camisa como uma forma de protesto debochado. Sim, era assim que as coisas funcionavam quando não existiam as redes sociais.

RockGol

Camisa do RockGol (Buzzfeed)

Ainda falando de time ruim, mas nesse caso ruim sem ser de propósito, precisamos falar dos times do RockGol. Os mais novos podem também se lembrar, mas o RockGol era um campeonato organizado pela MTV todo ano desde 1995 entre times formados por bandas e artistas da música.

Em seu início, a competição não cobria grande parte da programação. Eram exibidos apenas compactos com os melhores momentos. A coisa começou a mudar em 1997, com a entrada dos humoristas Sobrinhos do Ataíde na apresentação, sendo Paulo Bonfá e Marco Bianchi na narração e Felipe Xavier na reportagem. No ano seguinte, eles foram substituídos pelo narrador Silvio Luiz e pela então VJ Soninha Francine, mas, a partir de 1999, Bonfá e Bianchi passaram a ser os grandes nomes do RockGol, além é claro dos jogadores.

E apesar de muitos boleiros serem pernas de pau, havia alguns destaques individuais, como Supla (também chamado de Juninho Papito), Japinha do CPM 22 e o pessoal do Skank (que é divide o recorde de títulos com a Comunidade Nin-Jitsu, com três canecos para cada). E, é claro, o gigante Cléston!!!

No auge do torneio, lá pelos meados dos anos 2000, as camisas do RockGol passaram a ser produzidas pela Olympikus — e inclusive era possível comprá-las nas lojas. Alguns anos depois, a Cavalera (que vinha se arriscando no mercado de futebol com as camisas da Portuguesa e do Vasco) passou a fornecer as peças. Em 2011, quando o torneio já estava em baixa e sem Paulo Bonfá e Marco Bianchi, a Adidas confeccionou as camisas. E, na edição derradeira de 2013, as camisas não tiveram nenhum fornecedor.

Para quem era jovem na época, não é difícil entender o apelo das camisas. A MTV Brasil ainda era um dos poucos lugares onde se assistia conteúdo para jovens e feito para jovens. Certamente, RockGol foi a porta de entrada de muitos fãs de música para o universo do futebol, sobretudo quando passou a ter também o Rockgol de Domingo, uma mesa-redonda que estava mais para um bate-papo entre amigos do que um debate abalizado sobre futebol.

Camisas do RockGol feitas pela Cavalera e pela Adidas (Montagem)

Club de Cuervos

Club de Cuervos (Divulgação)

Uma das séries da Netflix que falam sobre futebol é Club de Cuervos, que conta a história de um time da cidade fictícia de Nuevo Toledo, no México. O pontapé inicial da trama começa após a morte repentina do presidente do Los Cuervos, Salvador Iglesias. O futuro do time fica então nas mãos de seus dois filhos: Chava, o irmão mais novo e inconsequente, e Isabel, a mais preparada e responsável, mas que é preterida por motivos de machismo.

Com uma história que vai além do dramalhão mexicano, Club de Cuervos tem como destaque contar como funciona os bastidores do futebol. A disputa de poder, tanto na diretoria quanto no vestiário, é algo comum no futebol e que costuma ficar relegado em histórias assim.

Outra coisa legal são as camisas do Cuervos. Na primeira temporada, o time alvinegro é patrocinado pela americana Under Armour. Na segunda temporada, eles trocam o fornecedor para a Adidas e, na mais recente, a empresa que estampa a camisa é a Charly, uma marca mexicana que também patrocina o Xolos de Tijuana e o Necaxa. Um detalhe interessante é que na temporada em questão a camisa ganha detalhes em rosa que prenunciam os rumos da história.

Camisa do Cuervos pela Charly (Divulgação)

Fuga para a Vitória

Fuga para a Vitória (Divulgação)

Talvez você não saiba, mas o famoso filme do Pelé com Stallone e Michael Caine foi inspirado em uma história real. No caso é a história da partida entre os jogadores do Dinamo de Kiev, que se encontravam aprisionados pelas forças de ocupação nazista na então União Soviética, e os soldados alemães, no que ficou conhecido como O Jogo da Morte.

Como diz o Trivela, há muita lenda por trás dessa história, mas os relatos apontam que o time de prisioneiros, batizado de FC Start, mesmo sob forte ameaça enfrentou membros do exército nazista para uma partida e foram vencedores com uma sonora goleada 5 a 3. Depois disso, alguns dos jogadores acabaram morrendo.

Em Fuga para a Vitória, Michael Caine é um ex-jogador do West Ham preso em um campo de concentração. Um comandante alemão, fã de futebol, o reconhece e o desafia a enfrentar um selecionado alemão, a fim de motrar a superioridade do povo germânico. Ele aceita e monta um time com Pelé, Bobby Morre, Osvaldo Ardilles, entre outros. E Stallone, o norte-americano perna de pau, acaba indo para o gol.

O filme está longe de ser uma grande obra para os amantes da sétima arte, mas tem lá seus grandes momentos, principalmente a parte final, que é a partida em si, jogada em um estádio de Paris. Inclusive todas as jogadas que se vê no filme foram “coreografadas” pelo próprio Rei Pelé.

Em relação ao uniforme dos jogadores usado no filme, há uma história não confirmada de que ela teria inspirado a camisa da Islândia na Euro 2016. E de fato, a camisa azul vestida por Stallone é muito parecida com a usada pelos vikings.

O uniforme do filme jamais foi comercializado oficialmente, mas diversas marcas de camisas de futebol retrô vendem um modelo inspirado no filme e até hoje, é possível encontrar nas melhores lojas do ramo.

Avenida Brasil

Divino FC (TV Globo)

Um dos maiores fenômenos novelísticos recentes, Avenida Brasil contava a história dos habitantes do fictício bairro de Divino, no subúrbio do Rio de Janeiro. Um dos protagonistas era Jorge Tufão (Murilo Benício), ex-jogador do Flamengo que, apesar de rico, decide ficar em Divino para curtir a aposentadoria. Enquanto isso, seu filho adotivo, Jorginho (Cauã Reymond), segue seus  passos e se torna um dos principais jogadores do Divino FC, que no início da novela estava na terceira divisão.

Apesar do time ser mero coadjuvante na história, ele acabou fazendo sucesso na novela. Tanto que o time passou a aparecer com mais frequência, mas apenas treinando, como apontou na época o colunista Mauricio Stycer. Ele até se pergunta se isso também não teria a ver com a Lupo, marca patrocinadora do clube e uma das anunciantes da Globo.

O fato é que a camisa laranja do Divino também passou a ser vendida em lojas de futebol. Lembrando que a empresa já vinha investindo no esporte e confeccionando os uniformes da Portuguesa, do Atlético-MG e da Ferroviária de Araraquara (que, aliás, é onde fica sua fábrica).

Atualmente, por módicos R$ 99 é possível comprar a camisa no site da Globo, mas sem o patrocínio da Lupo.

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