5 histórias alternativas do Milan

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Segundo maior time com taças da Champions League (atrás apenas do Real Madrid), o Milan se gabou de ser chamado de Rei de Copas em décadas passadas, mas os últimos anos são pouco edificantes para o time rossonero. Dívidas bilionárias, ressurgimento de Napoli e Roma entre as grandes forças da Itália e troca de comando (de Berlusconi para um magnata chinês) fazem do Milan atual uma mera sombra do que já foi no passado.

Mas esta não é a primeira grave crise que passa o rubro-negro de Milão. O time, sempre gigante, conviveu como poucos com grandes glórias e retumbantes vexames. Passou por poucas e boas, mas soube sempre se recuperar. Torcemos que seja o caso desta vez.

Por isso, reunimos cinco histórias que mostram que até grandes como Milan tem um lado alternativo em sua história. Confira:

Milan jogou torneio em BH e decepcionou

Em 1997, a cidade de Belo Horizonte completou cem anos de fundação e para comemorar a data foi realizado um torneio amistoso em agosto daquele ano.

O legal da Copa Centenário de BH é que, como poucas vezes na história recente, contou com times de 4 países diferentes: Milan da Itália, Benfica de Portugal e Olimpia do Paraguai, além de Atlético-MG, Cruzeiro, América-MG, Corinthians e Flamengo.

Naquela época, o Milan tinha um belo elenco: Paolo Maldini, George Weah, Marcel Desailly, Leonardo, Zvonimir Boban e Patrick Kluivert são alguns destaque da época. No comando técnico, Fabio Capello.

Mas a forma do Milan já não era das melhores, muito longe dos anos gloriosos do começo dos anos 1990. Na temporada anterior, de 1996-1997, tinha terminado a Serie A numa vergonhosa 11º posição e havia sido eliminado ainda na fase de grupos da Champions League.

Por isso, a Copa Centenário de BH seria o lugar perfeito para restaurar o ânimo da equipe naquela pré-temporada. O Milan caiu no grupo de Atlético-MG, América-MG e Corinthians. Na outra chave estavam Cruzeiro, Flamengo, Benfica e Olimpia. Apenas os líderes de cada grupos passariam para a final.

Parecia uma tarefa fácil, mas não foi. Mas, antes, uma curiosidade: no primeiro jogo, contra o Atlético-MG no Mineirão, foi também a despedida de Toninho Cerezo. Aos 42 anos, ele jogou com a camisa 100, em alusão ao aniversário da cidade.

No jogo em si, George Weah mostrou porque foi eleito o melhor jogador do mundo em 1995 e marcou dois gols ainda no primeiro tempo. Mas no final da partida, o time da casa mostrou que tem raça e empatou com Jorginho (aquele que depois virou técnico do Palmeiras e da Portuguesa) e Hernani no último minuto de jogo.

Contra o Corinthians, outro empate, desta vez em 0 a 0. Um dos responsáveis pelo placar, segundo Capelo, teria sido o volante Gilmar Fubá, que marcou Weah e praticamente anulou o liberiano.

Na partida decisiva — e mais alternativa de todas — contra o América-MG no estádio Independência, o roteiro se repetiu. Weah abriu o placar logo aos 5 minutos, mas no último minuto de jogo, Celso empatou com um tremendo golaço.

No fim, Milan ficou em terceiro do grupo, sem nenhuma vitória e atrás do líder Galo e do Coelho. Na outra chave, Cruzeiro venceu todas as partidas e se credenciou para a grande final, fazendo um duelo caseiro.

Naquele sábado no Mineirão, o Atlético abriu o placar no final do primeiro tempo com Leandro Tavares. De cabeça, o zagueiro Odair empatou para a Raposa, mas logo em seguida Valdir Bigode fez o gol do título para o Galo mineiro. Lembrando que o Cruzeiro entrou com o time reserva porque na semana seguinte jogaria a final da Libertadores contra o Sporting Cristal.

Milan jogou por duas vezes na Série B

Time grande não cai? No caso do Milan sim. A equipe Rossonera disputou a Serie B duas vezes em sua história. A primeira queda aconteceu por causa do escândalo da Totonero em 1980, em que foi descoberto um esquema de manipulação de resultados em troca de dinheiro. Dois clube envolvidos na Serie A, Milan e Lazio, foram rebaixados.

Diferente da Lazio, que precisou de algumas temporadas para retornar à primeira divisão, o Milan venceu a Serie B já no ano seguinte. Porém, os Rossoneros estavam irreconhecíveis em seu retorno à elite.

Com uma dificuldade tremenda para fazer gols, a equipe ainda sofria na defesa com a ausência de Franco Baresi, que ficou quatro meses de fora por conta de uma doença.

Na última rodada, o Milan tinha 22 pontos, dois a menos que o Genoa, o 13º na tabela (o 14º ao 16º eram rebaixados). Na partida contra o Cesena, o Milan chegou a estar perdendo por 2 a 0. Mas, aos 22 minutos do segundo tempo, a equipe de Milão iniciou uma reação inédita, virando para 3 a 2 e levando a torcida ao delírio.

Principalmente porque, no outro jogo, o Napoli vencia o Genoa por 2 a 1, resultado que manteria o Milan na Serie A. Mas, aos 40 minutos do segundo tempo, o goleiro napolitano Luciano Castellini cedeu o escanteio em uma falha bizonha e o zagueiro do Genoa Mario Faccenda não perdoou e marcou na sobra. Com isso, Milan caía de novo para a segunda divisão, dessa vez em campo.

Curiosamente, quatro dia antes de ser rebaixado, o Milan tinha acabado de ganhar um título europeu, no caso um torneio praticamente desconhecido chamado Mitropa Cup.

Milan trocou Zidane por Dugarry

Na Copa da Uefa de 1995-1996, uma das grandes surpresas foi o time francês Girondins de Bordeaux, que acabou perdendo a final para o Bayern de Munique. Em seu elenco se destacavam dois jovens jogadores: o atacante Christophe Dugarry e o meia Zinedine Zidane.

Entre os times que o Bordeaux bateu naquele torneio estava justamente o Milan, nas quartas de final. Na partida de ida, em San Siro, a equipe Rossonera venceu por 2 a 0. No jogo de volta, no Stade du Parc Lescure, o Bordeaux conseguiu a classificação em uma virada espetacular, com Dugarry marcando dois dos três gols da vitória.

No fim daquela temporada, os grandes europeus disputaram a tapas o passe dessas novas estrelas do futebol, e os rivais Milan e Juventus saíram na frente. Com dinheiro de Silvio Berlusconi em mãos, o diretor técnico Ariedo Braida foi à caça dos franceses. Mas, no fim das contas, mesmo reconhecendo o talento de Zidane, ele retornou à Milão com Dugarry.

Dugarry ficou apenas uma temporada no Milan e depois foi negociado com o Barcelona. Já Zidane foi bicampeão italiano, campeão da Copa Intercontinental e da Intertoto pela Juventus, e ainda foi vendido para o Real Madrid na então transferência mais cara da história.

E o detalhe é que outra grande estrela da Juve poderia ter ido para o Milan. Gianluigi Buffon começou a treinar futebol ainda criança incentivado pelo primo de segundo grau Lorenzo Buffon, goleiro que fez história no Milan nos anos 1950.

Segundo Lorenzo, ele chegou a levar Gigi para fazer testes na categoria de bases em seu ex-clube, mas o hoje campeão do mundo pela Itália em 2006 acabou não sendo aprovado. Gianluigi então tentou a sorte no Parma, onde começou sua trajetória até virar uma lenda do futebol.

Milan x Estudiantes: a final da vergonha

Combín e Prati foram alvos da violência do Estudiantes

Outro jogo memorável envolvendo o Milan foi a Copa Intercontinental de 1969, porém, essa foi marcada pela grande vergonha internacional proporcionada pelo Estudiantes da Argentina.

Na época, o torneio era disputado em dois jogos. Em San Siro, o Milan superou o Estudiantes por 3 a 0, com dois gols de Sormani (brasileiro naturalizado italiano) e um de Néstor Combin (argentino naturalizado francês).

No jogo da volta, disputado na Bombonera, o time de La Plata até se esforçou para mudar o cenário dentro de casa, mas quem marcou primeiro foi o Milan, com gol do capitão Gianni Rivera aos 30 minutos. Foi uma ducha de água fria, porém, o time de La Plata não se abateu e conseguiu virada ao placar ao final da etapa com Conigliaro e Aguirre Suárez. Só que ainda era preciso ao menos dois gols e foi então que entrou em campo uma das táticas mais sórdidas da equipe argentina: a violência desmedida.

Descontrolados, os argentinos apelavam para faltas duras contra os italianos. O alvo preferencial era Combin, tido como traidor da pátria. Ele levou uma cotovelada no rosto e caiu ensaguentado em campo. Rivera também apanhou, levando um soco após irritar os adversários fazendo cera.

A pancadaria continuou após o fim do jogo e os jogadores do Milan nem fizeram questão de comemorar: só queriam ir para casa. Só que para piorar a situação, Combin ainda chegou a ser preso em um hospital militar acusado de deserção por supostamente ter fugido do serviço militar obrigatório. Uma acusação tão absurda que até o presidente ditador na época, Juan Carlos Onganía, teve que pessoalmente libertá-lo da prisão. Em compensação, os três jogadores do Estudiantes envolvidos na confusão foram detidos por um mês e banidos temporariamente do futebol.

Maldição dos Hintermanns

Logo depois de ter sido fundado, em 1899, o Milan viveu um período promissor de títulos, vencendo três torneios nacionais entre 1901 e 1907. Mas depois disso, eles só voltariam a levantar uma taça em 1951!

O motivo disso, dizem alguns, é a maldição de Hintermann. A história começa em 1908, quando um grupo de italianos e suíços do Milan estavam descontentes com a medida do clube de banir jogadores estrangeiros. Eles então decidem sair e montar seu próprio time, um time que pudesse receber pessoas de qualquer nacionalidade. Assim nascia a Internazionale de Milão.

Entre os dissidentes estavam três irmãos de origem suíça: Carlo, Arturo e Enrico Hintermann, que segundo reza a lenda, teriam profetizado que o Milan jamais ganharia um título enquanto eles estivessem vivos.

De fato, depois daquilo, o Milan ficou 44 anos na fila, ganhando apenas uma Coppa Federale de 1916, que substituiu o campeonato italiano durante a Primeira Guerra Mundial, mas que não é considerado um torneio oficial. A maldição só caiu ao final da temporada de 1950-1951, coincidentemente semanas depois de morrer o último dos irmãos, Enrico.

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