Blumenau: 350 mil habitantes, dois clubes profissionais e nenhum estádio

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Você consegue imaginar um município com histórico no esporte, mas sem praça esportiva? Acredite, existe! Se chama Blumenau e fica em Santa Catarina. Uma cidade com história no futebol catarinense, com o Olímpico (bicampeão estadual de 1949 e 1964), com o Palmeiras, com o Blumenau e com o Metropolitano. Só que desde 2019 não tem mais absolutamente nenhum estádio para o futebol profissional!

Isso se dá pelo fato de a FIESC não alugar mais o estádio do SESI para os clubes profissionais de Blumenau. Mas não podemos culpá-la, nunca foi o objetivo da instituição, que deve passar por mudanças na cidade com foco na educação. E, bom, já cobrava um valor absurdo (R$ 10 mil por partida em 2018).

A questão maior está no fato de a prefeitura da cidade nunca ter olhado para esse fator, deixando a população e seus clubes reféns de um estádio privado. E não é assim apenas no futebol. O único ginásio da cidade, o Galegão, com capacidade para pouco mais de três mil pessoas, não tem uma quadra com dimensões oficiais para futsal e handebol (40×20).

No ginásio do SESI sequer há cabines de imprensa e as arquibancadas ficam ao redor de duas quadras, não só de uma
No ginásio do SESI sequer há cabines de imprensa e as arquibancadas servem para duas quadras (Reprodução/Resumo Esportivo)

Sabe qual é o pior? Blumenau conta com o time de futsal masculino e o time de handebol feminino nas suas respectivas Ligas Nacionais, sendo o de handebol seis vezes vice-campeão nacional. Ambas as equipes também jogavam no Complexo Esportivo do SESI, o que ainda acontecerá, visto que a FIESC continuará alugando a quadra, mas o ginásio não tem estrutura nenhuma para receber uma partida profissional.

Para 2020, o Clube Atlético Metropolitano, que disputará a segunda divisão estadual, terá de mandar seus jogos em Ibirama, a 75 km de distância. Já o Blumenau, que foi rebaixado da segunda divisão estadual em 2019, jogou em Indaial, município ao lado.

Metropolitano aluga o estádio Hermann Aichinger, do Atlético de Ibirama (Divulgação)

 

Estádio demolido

O Blumenau Esporte Clube (BEC) chegou a ser uma das principais equipes do estado, figurando na Série B do Campeonato Brasileiro e sempre disputando entre os primeiros do Catarinense na década de 1980 e 1990. O clube foi até matéria do Globo Esporte.

Já o Metropolitano participou de 2005 a 2017 de todas as edições do Catarinense, ficando em 4º lugar em 2008 e 2014. Em 2018 foi campeão da segunda divisão estadual, mas em 2019 acabou sendo rebaixado novamente. É um clube que sempre bateu de frente com os grandes do estado.

Inclusive, o BEC tinha um estádio no centro da cidade. O Aderbal Ramos da Silva, que teve as arquibancadas construídas pela torcida para um clássico contra o Olímpico em 1948, quando o Blumenau ainda se chamava Palmeiras. O “DEBA” (apelido carinhoso dado pela torcida) foi demolido em 2007, após ser vendido em leilão para quitar as dívidas do clube falido. Hoje, onde era o estádio, são dois terrenos baldios cortados por uma rua.

O estádio tinha capacidade para mais de 4 mil pessoas e teve partidas profissionais até 2004 (Reprodução/Este é alguém Blumenauense)

Acredite, mesmo com o esporte sofrendo dessa maneira, Blumenau ainda conta com as equipes de voleibol masculino e basquete feminino nas suas principais ligas nacionais, além do voleibol feminino e basquete masculino nas segundas divisões nacionais. Aliás, Blumenau é a maior campeã dos Jogos Abertos de Santa Catarina, com 42 títulos gerais.

Como é possível uma cidade que respira o esporte, que conta com equipes de nível nacional em diversas modalidades, deixar essas equipes sem lugar para jogar?

Os políticos se aproveitam tanto dos resultados esportivos, mas não fazem nada. Estamos em ano eleitoral, as promessas com certeza virão, mas elas vêm há tempos e nada nunca foi feito. Continuamos com um ginásio magnífico, mas que tem uma quadra fora das dimensões oficiais, aliás, o município perdeu a planta do Galegão, o que dificulta a reforma.

Até quando Blumenau será órfão da história? Apaixonada por futebol essa cidade é, Metropolitano e BEC provaram isso nos últimos anos. Meu pai é BEC, eu cresci assistindo o Metropolitano, e afirmo sempre que, mesmo torcendo para o Figueirense, eu sempre torcerei pelo sucesso dos clubes da minha cidade.

Uma pena que os políticos não pensem igual, deixando o futebol da cidade na mão, de novo, como sempre.

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