Transição de ciclo e mudança de conceito: a nova e intensa seleção brasileira

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Por Eduardo Bento

Futebol vistoso, alegre, ofensivo e dono de cinco estrelas estampadas no peito, estes são sem dúvida nenhuma os sinônimos que fazem referência ao nosso futebol brasileiro. Glórias, problemas e inúmeras “voltas por cima” fazem parte do enredo histórico da camisa canarinho, que vem desde os tempos de Pelé dividindo a hegemonia sul-americana com a sua grande rival Argentina.

Este e outros duelos estão prestes a começar por aqui. As eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022 estão batendo na porta, e o Brasil, comandado por Tite, foi convocado na sexta-feira, dia 6, com uma grande margem para evolução ao longo da campanha.

 

Quem está cotado?

Gabigol e Bruno Henrique (André Durão/ Globoesporte.com)

Valores individuais nunca faltaram para a seleção brasileira. Neymar, líder técnico de sua geração certamente — se nada de ruim acontecer — estará presente, constantemente. O craque do Paris Saint Germain está em alta dentro de campo e vem sendo o comandante da equipe na temporada.

Pela seleção, ele vem sendo o principal nome desde 2010/2011, mas em 2016 passou a dividir o protagonismo e agora, com outros valores jovens chegando, pode ser o mentor que tanto se espera.

Inclusive, o treinador da seleção canarinho, Tite, falou recentemente da importância de Neymar, e que todos do grupo sabem disso devido a tudo que ele representa em termos técnicos e personalidade de time.

“Neymar é top 3 para mim. De qualidade técnica individual, eu coloco Messi acima, Cristiano Ronaldo, porque são outras gerações. Aí eu pego outra geração: ele e Hazard são dois jogadores, para mim, extraordinários. Com uma vantagem para o Neymar: ele pensa igual o Hazard, mas executa mais rápido. Ele em condições é imparável. É imparável”, destacou.

Além do camisa 10 do Paris, jogadores como Marquinhos, Casemiro, Firmino, Gabriel Jesus, Alisson e Éderson parecem ser nomes certos para a sequência do ciclo. Jesus, que mesmo sendo reserva de Aguero no Manchester City em muitos jogos, tem a aprovação total de Tite, tanto que foi um dos destaques do Brasil na Copa América vencida em 2019.

Agora, se formos falar em possíveis atletas que estão no radar sempre, a seleção possui nomes interessantíssimos. Coutinho, Arthur, Douglas Costa, Richarlison, Renan Lodi e Fabinho são nomes que dificilmente não farão parte de muitos duelos das eliminatórias.

No futebol brasileiro, alguns nomes também estão cotados, mas Éverton “Cebolinha”, do Grêmio, larga na frente por ter sido o principal nome do ataque brasileiro durante a conquista da competição sul-americana no ano passado.

No entanto, o gremista não é o único atleta jogando em solo brasileiro que está sendo visto. Bruno Henrique, Gabriel Barbosa (Gabigol), Gerson, Rodrigo Caio (todos dos Flamengo) e Dudu (Palmeiras) são nomes importantes e que, se mantiverem o nível, podem aparecer constantemente.

 

Atletas renomados e os meninos do Brasil

Matheus Henrique e Bruno Guimarães (Montagem/GloboEsporte.com)

Como em todas as gerações e ciclos, a troca de experiência entre os mais é de suma importância para o desenvolvimento e crescimento de um grupo. Nessa linha, muitos “Rituais de Passagem” dentro da própria seleção brasileira foram feitos ao longo do tempo. Em uma linha cronológica, Pelé, Rivelino, Zico, Romário, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Kaká e Neymar, vieram sucedendo-se a cada troca significativa de ciclo como os principais de suas gerações.

Atualmente, os jogadores que deverão dar esse equilíbrio são os do sistema defensivo. O zagueiro Thiago Silva, e os laterais Daniel Alves e Marcelo, são figuras extremamente representativas no mundo da bola, inclusive na seleção brasileira, e devem participar desta entre-safra, passando experiência de conquistas e de jogos importantes aos mais jovens.

Por outro lado, a garotada do Sub-23 do Brasil vem pedindo passagem. Os volantes Bruno Guimarães e Mateus Henrique são nomes muito bem vistos pela crítica nacional e podem ser uma boa opção na sequência. Mateus Cunha, que se tornou o camisa 9 titular na competição sul-americana devido à ausência de Pedro também ali cavando seu espaço.

Além deles, os meninos Reinier, Vinicius Júnior, Rodrygo e Gabriel Martineli que, por hora, ainda não podem ser considerados do grupo, mas, a margem de crescimentos para futuras convocações é muito grande.

 

Modelo de Jogo

Tite (Lucas Figueiredo/CBF)

Durante o último ciclo, Tite optou por um modelo mais ofensivo do que o utilizado por Dunga. Em seu primeiro jogo comandando a amarelinha contra o Equador, em 2016, pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018, o treinador foi a campo com um 4–1-4–1, colocando Casemiro entre linhas à frente da zaga e do meio-campo. Já no comando ataque passou a contar com Gabriel Jesus, destaque no Palmeiras que viria a ser campeão nacional naquele ano.

Com um esquema definido e de fato testado, Tite foi para o mundial colocando Coutinho como homem de ligação, William como extrema e Paulinho como o famoso “box to box”, o jogador que transita de área a área. Após o mundial, o técnico brasileiro vem mudando aos poucos, tendo como base as convocações recentes.

O sistema se mantém o mesmo do último mundial, mas Arthur, e Richarlison e Renan Lodi (que parece ser o novo lateral), dão uma nova cara para algumas funções. Agora, a segunda função de meio-campo também é construtura, uma vez que o meia do barça tem o passe e dinamismo como qualidades principais.

Apesar do momento instável, Arthur pode se tornar peça chave da seleção. Visão, controle e refino técnico são algumas das características que fazem dele o principal nome para assumir a camisa 8 canarinho.

No esquema em que a seleção atua, o mecanismo é um pouco diferente. Pelo Barcelona, Arthur sempre teve menos preocupações defensivas devido ao estilo dos laterais de seu time, na seleção, pode ser que mude um pouco. Se a formação de alas for Marcelo e Daniel Alves, por exemplo, o volante poderá construir o jogo mais pelo centro.

Seguindo pelas alas, Lodi tem por característica a velocidade, intensidade e chegada a linha de fundo. Aliás, o mesmo deve ocorrer a longo prazo pela direita. Emerson, lateral-direito do Bétis e da seleção olímpica está em grande fase e possuí um estilo mais agressivo pelo lado, diferente de Daniel Alves que é mais construtor.

Mais a frente temos Richarlison, um caso típico do atacante moderno, pode jogar nas quatro funções como grande qualidade. Seja, como centroavante, segundo atacante, extrema direito ou esquerdo, o jogo flui naturalmente. Além dele, outro jogador que “muda o jeito” do time jogar é Douglas Costa.

O atleta, que já não é mais um garoto – beirando a faixa dos trintões -, é um daqueles jogadores de rara qualidade, o famoso “quebrador de linha”. Incisivo e driblador, Costa pode atuar nas duas extremas, pela direita fazendo um papel estilo “Arjen Robben”, puxando para o meio abrindo um leque de opções, tanto para passes de infiltração, quanto finalização.

Já pelo lado esquerdo, pode gerar amplitude e fazer jogadas de linha de fundo, o que não são comuns hoje em dia, devido a exigências táticas e modelos de jogo fixados e totalmente duros. Com esse estilo, o futebol brasileiro vários atletas, entre os mais conhecidos e que podem estão Antony, do São Paulo, e David Neres, do Ajax.

 

Que comecem os jogos!

O primeiro compromisso de 2020 da era Tite começa com um adversário que remete boas lembranças ao técnico. No dia 27 de março, a seleção pentacampeã do mundo estreia nas eliminatórias para o mundial no Catar diante da Bolívia, na Arena Pernambuco, em São Lourenço da Mata, Recife.

Em 2016, o time brasileiro aplicou uma goleada por 5 a 0, na Arena das Dunas, em Natal (RN). Os do Brasil foram marcados por Neymar, Coutinho, Filipe Luís, Gabriel Jesus e Firmino.