Zebras libertadas na América

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A Copa Libertadores de 2017 teve uma zebra espetacular: o Lanús chegou na final após uma campanha bem surpreendente, que teve até uma vitória épica contra o River Pleta, na semifinal.

Mas dá para dizer que esse tipo de história é até comum na Libertadores. O Última Divisão lembrou de 12 casos em que times desacreditados chegaram na final desta competição. É uma história melhor que a outra.

Unión Española vice-campeã em 1975

O regulamento da Libertadores era bem diferente nessa época. Os times tinham duas fases de grupo antes de disputar a final. E o Union Española teve facilidade na primeira fase, pois pegou dois bolivianos. Depois enfrentou times que eram razoavelmente fortes na época, Universitario e LDU, mas com pouca tradição no torneio. Então a Unión conseguiu se classificar e aí pegou um time argentino: deu trabalho na final contra o Independiente, mas perdeu o título no 3º jogo.

Cobreloa vice-campeão em 81

Outra zebra chilena, dessa vez com dobradinha. O Cobreloa tinha apenas 4 anos quando surpreendeu a América. Primeiro sobrou contra times mais fáceis do Peru. Na segunda fase pegou os tradicionais Nacional e Peñarol do Uruguai e mesmo assim foi pra final. Pegou o Flamengo e fez 3 jogos que ficaram marcados pela violência e pelos shows do Zico.

No primeiro jogo o Zico fez dois gols e decidiu. No segundo o Cobreloa venceu, mas batendo muito. Mario Soto agrediu brasileiros e não foi expulso. No jogo de volta, o Zico deu mais um show, fez dois gols e, no final da partida, o técnico Carpegiani colocou um jogador pra entrar e bater no Soto. Anselmo entrou, deu um soco, vingou todo mundo e foi expulso. 

No ano seguinte, o Cobreloa repetiu a dose superando o rival Colo-Colo e ficando em primeiro na fase de grupos; e o Olímpia do Paraguai e o Tolima no triangular. Na final, o adversário foi o Peñarol, que ficou no empate sem gols em casa e venceu em Santiago por 1 a 0.

Argentinos Juniors campeão em 85  

Sempre que a gente fala do Argentinos Juniors, a gente lembra das categorias de base do time. Afinal o clube revelou Diego Maradona na década de 70. E em 1985 foi formado um grande time com bons jogadores formados lá, como Borghi, que foi o destaque daquela Libertadores. Era a primeira vez que o Argentinos disputava essa competição e mesmo assim eliminou Fluminense, Vasco e Independiente. Ganhou a final nos pênaltis contra o América de Cali.

Barcelona de Guayaquil vice-campeão em 90

O Barcelona-EQU já tinha chegado perto da final antes, mas só conseguiu a classificação pouco depois da mudança de regulamento, que aconteceu em 88. Com a fase mata-mata, o Barcelona bateu o rival Emelec nas quartas e depois o River na semi. A final foi contra o Olimpia, que venceu em Assunção e empatou em Guayaquil. Mas até hoje os equatorianos reclamam que a Conmebol arranjou esse resultado.

Veja uma das polêmicas aos 4min50s deste vídeo:

Vélez Sarsfield campeão em 1994

Hoje o Vélez é visto como um time bem sucedido, um dos maiores da Argentina, mas em 94 não era assim. O grande mérito daquele time era o técnico, Carlos Bianchi – ele tinha chegado pra fazer um grande projeto de longo prazo, com as categorias de base, e conseguiu esse título como resultado quase imediato. Mas foi no sufoco: ganhou três jogos no pênalti graças ao Chilavert, inclusive a final, contra o São Paulo de Telê Santana, que era bicampeão da Libertadores e favoritaço em mais uma final.Sporting Cristal vice-campeão em 1997

Na primeira fase o Sporting Cristal enfrentou Cruzeiro e Grêmio e fez uma campanha discreta. Mas no mata-mata passou por dois times argentinos, Vélez e Racing, pra chegar na final. Era a grande surpresa, mas pegou o Cruzeiro de novo e perdeu no Mineirão após o gol de Elivélton e uma grande atuação do goleiro Dida.

Uma curiosidade dessa final é que até hoje é a a única da Libertadores a contar com um jogador ganês: o meia do Sporting Cristal Prince Amoako.

Cruz Azul vice-campeão em 2001

Times mexicanos sempre foram chatos na Libertadores, mas o Cruz Azul nem é um dos três maiores de lá. Além disso, era estreante em 2001. Mesmo assim eliminou Cerro Porteño, River e Rosario, três equipes que já fizeram bonito na Libertadores, para chegar na final. E o adversário foi o Boca, que era atual campeão e tinha feito uma grande semifinal contra o Palmeiras. A decisão foi para os pênaltis e deu Boca.

São Caetano vice-campeão em 2002

A gente já fez um vídeo falando tudo sobre o São Caetano na final da Libertadores, mas não custa relembrar. O Azulão do ABC, que tinha sido vice-campeão da Copa João Havelange e do Brasileiro de 2001, de repente chegou na final da Libertadores em 2002. E para quem acha que foi fácil, o São Caetano só pegou pedreira: eliminou Cerro Porteño e Alianza Lima na fase de grupos; no mata-mata passou por Universidade Católica, Peñarol e América do México. Na final, venceu o primeiro jogo contra o Olímpia-PAR em Assunção por 1 a 0, mas na volta, no Pacaembu, tomou de 2 a 1. A decisão foi para os pênaltis e o Olímpia levou a melhor.

Leia nosso texto completo sobre a campanha do time na Libertadores de 2002: São Caetano quase pintou a Libertadores de Azulão.

Once Caldas campeão em 2004

Imagina um time que elimina Santos, São Paulo e Boca na reta final da Libertadores. É um timaço, certo? Não, é só o Once Caldas de 2004. Depois de fazer uma primeira fase meia-boca e sofrer pra passar pelo Barcelona-EQU, o time fez essa campanha brilhante contra times grandes. Era uma equipe que sabia marcar como poucas, contra-atacava bem e tinha o goleiro Henao como estrela. 

LDU campeão em 2008

Nos anos 2000, a LDU era figurinha carimbada na Libertadores, mas costumava ser uma mera coadjuvante. Porém, no final da década montou uma grande equipe e conseguiu superar times mais tradicionais do torneio. Na fase de grupos a Liga de Quito ficou atrás só do Fluminense, eliminando Arsenal de Sarandí e o Libertad. Na fase final eliminou o Estudiantes, o San Lorenzo e o América do México. Na final, pegou novamente o Fluminense, do técnico Renato Gaúcho. No primeiro jogo, a LDU fez valer a altitude de Quito e venceu por 4 a 2; no jogo de volta, no Maracanã, o Flu começou perdendo, mas virou o jogo e, graças a Thiago Neves, conseguiu devolver a diferença e levar a disputa para os pênaltis. Mas com o goleiro Cevallos iluminado e catimbando até não dar mais, a LDU levou o caneco para casa.

Nacional-PAR vice-campeão em 2014

É um time pouco tradicional no Paraguai e foi o pior da fase de grupos em 2014. Classificou no sufoco. Mas aquela Libertadores foi estranha, com muitos times favoritos caindo precocemente. Então o Nacional-PAR passou por Vélez, Arsenal e Defensor e chegou na final. Pegou o San Lorenzo, que nunca tinha sido campeão também, e perdeu no jogo de volta, por 1 a 0.

Independiente del Valle vice-campeão em 2016

O Independiente del Valle passou muitos anos nas divisões inferiores do Equador e disputou a primeira partida na elite em 2010. Então, em 2016, esse time desconhecido até mesmo em seu próprio país chegou à final da Libertadores. E não foi uma campanha fácil. Na pré-Libertadores despachou o Guaraní do Paraguai, que tinha eliminado o Corinthians um ano antes. Na fase de grupos despachou o Colo-Colo e o Melgar (PER). No mata-mata passou por River Plate, Pumas (MEX) e Boca Juniors, inclusive vencendo o jogo lá na Bombonera. Na final o adversário foi o Atlético Nacional, que era o grande favorito da competição, mas não foi um jogo fácil. Após empate em 1 a 1 em Quito, a equipe Verdolagas se sagrou campeã em pleno estádio Atanásio Girardot graças ao solitário gol de Miguel Borja.

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