Wesley Safadão e mais 10: a seleção das peladas de fim de ano no Brasil

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O calendário do futebol brasileiro tem uma brecha maravilhosa entre o final do Campeonato Brasileiro e o começo da Copa São Paulo de futebol júnior. É neste espaço de quatro semanas (às vezes menos) que os jogadores de futebol descansam fazendo o que sabem de melhor: jogando futebol.

As peladas de final de ano são uma tradição no Brasil. São nelas que jogadores, ex-jogadores, músicos, esportistas, atores e todo tipo de convidado se divertem diante dos olhos do público. Sem compromisso com marcação ou esquema tático, é comum que esses jogos terminem com 10, 15 ou 20 gols.

Em 2016, o Brasil foi tomado de assalto novamente por estes exóticos espetáculos. A gente pode até se questionar se vale a pena descansar jogando e correndo o risco de se machucar – vide o caso do goleiro Victor, do Atlético-MG, que foi afastado dos gramados durante os quatro primeiros meses de 2017 por conta de uma lesão sofrida durante uma dessas exibições. Mesmo assim, as peladas têm seu charme e sua razão de ser – em geral, arrecadar doações para instituições de caridade.

Diante da brecha no calendário, o Última Divisão reuniu uma seleção do que vale a pena ser visto nas peladas de dezembro de 2016. Teve Neymar, é claro, mas vale a pena pagar ingresso por outros motivos – famoso jogando bem, famoso jogando mal, ex-jogador, gringo, lance bizarro, músico artilheiro, homenagem, momento bonito… Enfim, atração foi o que não faltou nas peladas.

Confira a seleção UD das peladas de fim de ano:

1. Amaral Coveiro (G)
Iniciamente reserva no time dos Amigos do Nenê, entrou em campo – como goleiro – após a lesão de Victor aos 2 min de jogo. Voltou para a reserva antes dos 15 min do primeiro tempo, mas não decepcionou: levou um gol de Romário aos 3 min, fez uma incrível defesa na cabeçada de Fred (Desimpedidos) aos 12 min e tomou outro gol aos 13 min, em batida de Belletti.

2. Zé Carlos (LD)
O goleiro Victor promoveu um jogo na cidade de Santo Anastácio (SP), onde nasceu. Sem jogar devido à lesão sofrida no já citado jogo em Jundiaí (SP), participou apenas como atração fora de campo. No gramado, o destaque foi para o ex-lateral direito Zé Carlos, ex-São Paulo, Grêmio e Matonense – sim, aquele que jogou a Copa de 1998. Aos 48 anos, bate uma bola de vez em quando e quer virar treinador.

(Crédito: Murilo Rincon/GloboEsporte.com)

3. Carlos Eduardo Leite (Z)
Quem? Provavelmente você não conhece Carlos Eduardo pelo nome, mas certamente viu o menino de 15 anos que acertou um carrinho em Gabriel Jesus durante jogo beneficente na Arena Pantanal, em Cuiabá – segundo ele, para tentar abraçar o atacante. A iniciativa do jovem fã foi bastante estúpida, convenhamos, mas o já ex-jogador do Palmeiras não se machucou e levantou depois de pouco tempo no chão. De qualquer maneira, o adolescente poderá um dia se gabar de ter parado o camisa 9 da seleção brasileira.

4. Capdevila (Z)
O espanhol, campeão da Copa do Mundo de 2010, foi um dos convidados para o Jogo da Estrelas, organizado por Zico no Rio de Janeiro. Lateral esquerdo de ofício, quebrou um galho na defesa ao lado de Réver e Juan. Como exibição festiva que se preze, atuou como faz-tudo: ciscou na zaga, ciscou na lateral e se arriscou até em uma jogada de ataque. Meio desenturmado, não comprometeu. No primeiro tempo, seu time (jogando de vermelho) venceu por 4 a 2. No fim, vitória por 8 a 4.

(Crédito: SporTV/Reprodução)

28. Alan Ruschel (LE)
Para um jogador, disputar uma pelada de final de ano é apenas uma brincadeira, quando não uma formalidade. No entanto, a presença de Alan Ruschel no gramado do Beira-Rio para o Lance de Craque (evento beneficente organizado por D’Alessandro em Porto Alegre) esteve muito acima disso. Sobrevivente da tragédia da Chapecoense na Colômbia menos de um mês antes, o lateral deu o pontapé inicial do jogo e foi muito aplaudido. Ali, a maior vitória aconteceu antes mesmo do jogo.

(Crédito: ESPN Brasil/Reprodução)

5. Marrone (V)
O desempenho do parceiro de Bruno foi… Bem, peculiar. Marrone foi escalado para uma porção de peladas e claramente mostrou falta de cacoete. Chegava na área, recebia e espirrava o taco. Diante de tais características, podemos presumir que Marrone 1) não joga na defesa, já que está sempre batendo a gol, e 2) não joga no ataque, já que o aproveitamento de chutes a gol é bem baixo. Daremos aqui uma vaga para o sertanejo de volante, já que não complicaria na criação de jogadas e teria a dupla de zaga para ajudar na cobertura.

8. Eri Johnson (V)
Figura onipresente nas partidas de futevôlei do Rio de Janeiro, Eri Johnson mostrou seu ziriguidum também no gramado do Estádio Jayme Cintra, em Jundiaí (SP). Titular do time ‘Amigos do Nenê’, acertou um belo passe para Denílson logo no começo do jogo – o comentarista arriscou de trivela e mandou para fora. Tudo bem que foi o único lance de efeito do ator no jogo, mas ninguém esperava mais do que isso, né?

Eri Johnson, ofuscado por Wesley Safadão até na imagem (Crédito: SporTV/Reprodução)

10. MC Livinho (M)
Com dois tempos de 30 minutos na partida, o camisa 10 do ‘Santos de 2002’ teve pouco tempo para brilhar. No primeiro tempo, marcou três gols – um deles, o primeiro, em um belo arremate da entrada da área. Saiu no intervalo para descansar, mas voltou aos 15 min da etapa final e ainda marcou mais dois gols. No fim, seu time venceu o ‘Santos de 1995’ por 7 a 4 na Vila Belmiro.

(Crédito: SporTV/Reprodução)

7. Wesley Safadão (AD)
O cantor foi, por mais um ano, um dos destaques das peladas de final de temporada. Em Itu (SP), comandou o time Amigos do Wesley Safadão na vitória por 10 a 8 sobre o Amigos do Falcão, e não fez feio diante do astro do futsal – foram dois gols de pênalti e um gol de cobertura. Dois dias depois, no Estádio do Pacaembu, marcou mais um gol de pênalti na pelada mais concorrida do fim de 2016, a Ousadia x Pedalada, fez (também de pênalti) um dos gols da vitória do Ousadia por 13 a 9 – E ainda mostrou habilidade pelo lado direito do ataque do time de Neymar. No Jogo dos Artistas, preliminar do Jogo das Estrelas no Maracanã, porém, perdeu dois pênaltis.

9. Rogerinho (CA)
Atacante da seleção brasileira de amputados, o camisa 9 reforçou o time dos Amigos de Douglas Costa no amistoso diante dos Amigos de Gabriel Medina em São José dos Campos. Inicialmente reserva no jogo, entrou no segundo tempo e marcou um gol – no lance, recebeu o passe do anão Pedrinho na esquerda e bateu cruzado para marcar. O time de Douglas Costa venceu a partida no Estádio Martins Pereira por 5 a 4.

(Crédito: SporTV/Reprodução)

11. Fernando Pires (AE)
Os irmãos Alexandre e Fernando Pires, do Só Pra Contrariar, costumam promover um jogo beneficente em Uberlândia (MG) todo fim de ano. Em 2016, o Time do Amor (Fernando) encarou o Time da Paz (Alexandre) e perdeu por 14 a 13. Mesmo assim, Fernando fez bonito e marcou quatro gols – no primeiro, de pênalti, demonstrou tranquilidade para tirar o goleiro.

(Crédito: SporTV/Reprodução)

(A foto que abre este post registra o carrinho de Carlos Eduardo Leite em Gabriel Jesus na Arena Pantanal. O autor da imagem é Robson Boamorte, da sucursal do GloboEsporte.com em Cuaibá.)

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