Você conhece o “Estádio José Dirceu”?

0 260

Imaginar que um estádio no Brasil possa levar o nome de José Dirceu é pedir para entrar em bate-boca político. Mas e na Itália?

Na Itália, há um estádio com o nome de José Dirceu. Mas por um motivo bem menos político.

Na verdade, o estádio não homenageia José Dirceu de Oliveira e Silva, ex-líder estudantil na década de 1960 que chegou a ocupar o cargo de ministro-chefe da Casa Civil no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre 2003 e 2005. O homenageado, na verdade, é Dirceu José Guimarães, ex-jogador de Coritiba, Botafogo, Fluminense, Vasco da Gama e futebol italiano nas décadas de 1970 e 1980, atleta da seleção brasileira em três Copas do Mundo.

O ponta-esquerda foi relevado pelo Coritiba em 1970, e se transferiu para o Botafogo após disputar os Jogos Olímpicos de 1972. Em 1974, foi convocado para disputar a Copa do Mundo de 1974. Nos anos seguintes, passou pelo Fluminense (1976) e pelo Vasco (1977 a 1978). Nos primeiros anos de carreira, conquistou títulos estaduais no Paraná (1971 e 1972) e no Rio de Janeiro (1976 e 1977).

Em 1978, disputou sua segunda Copa do Mundo. O Brasil conquistou seu polêmico terceiro lugar invicto, e consagrou Dirceu – o camisa 11 foi eleito o terceiro melhor jogador do torneio. Na sequência, passou uma temporada no América do México, antes de chegar ao futebol europeu em 1979. A porta de entrada foi o Atlético de Madrid, onde ficou até 1982.

Naquele ano, na Espanha, Dirceu disputou sua terceira e última Copa do Mundo. O Brasil foi eliminado pela Itália, e foi para lá que o ponta fez as malas. Nos anos seguintes, defenderia Verona (1982 a 1983), Napoli (1983 a 1984), Ascoli (1984 a 1985), Como (1985 a 1986) e Avellino (1986 a 1987). Não conquistou títulos coletivos, mas foi eleito o melhor jogador do Campeonato Italiano durante sua passagem pelo Como (temporada 85/86). Teria sido convocado para a Copa do Mundo de 1986, mas uma lesão anterior tirou suas chances.

Na reta final da carreira, atuou novamente pelo Vasco (foi campeão carioca em 1988) e jogou no futebol dos EUA (1989) e voltou à Itália. Em 1989, voltou para a Itália para defender a Ebolitana, modesta equipe da quarta divisão local, e, embora não tenha conseguido o acesso nos dois anos em que esteve no clube, tornou-se ídolo local. Nos derradeiros anos de carreira, Dirceu atuou ainda no Benevento Calcio (1991 a 1992), jogou futsal na Itália e se aposentou em 1995, no futebol do México.

Em 1995, aos 43 anos, morreu em um acidente de trânsito no Rio de Janeiro. Deixou mulher grávida e três filhos.

Estádio José Guimarães Dirceu

Em 2001, seis anos após a morte de José Dirceu, a Prefeitura de Eboli inaugurou um novo estádio na cidade. Desde 2012, o local é utilizado também como campo de treinamentos da Salernitana, clube que disputa a segunda divisão italiana.

No entanto, na Itália, Dirceu – ou Dirceu José, ou Dirceu Guimarães – virou José Dirceu. Como no restante da Europa, é comum chamar jogadores pelo sobrenome, e não pelo nome próprio ou pelo apelido – exceção feita a Portugal e Espanha, onde a prática é eventual.

Então, assim como Kaká é “Ricardo Kaká” na Itália, Dirceu “ganhou” um primeiro nome no país. No caso, o próprio segundo nome e o sobrenome. Assim, o estádio que o homenageia é conhecido como José Guimarães Dirceu – sem política.

Você pode gostar também
Comentários
Carregando...