Final do Paulista A-3: uma manhã de futebol e amizade no Nicolau Alayon

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Ameaçado pela especulação imobiliária, o Nicolau Alayon resiste. Na manhã do último sábado, 20 de maio, o aconchegante estádio da zona oeste paulistana abriu as portas para uma das partidas mais importantes da sua história recente: o encontro do time da casa, o quase centenário Nacional, contra a Inter de Limeira, primeira campeã paulista do interior, abrindo a final do Campeonato Paulista Série A-3 de 2017.

Dentro de campo, cada equipe dominou um tempo, mas os interioranos souberam ser mais eficientes em seu momento de superioridade. Aos 12 minutos, Éder Paulista fez o único gol do jogo, para festa da torcida limeirense, que chegou à capital em três ônibus reservados – nos quais, certamente, a festa começou muito cedo, ainda na estrada. Dezenas de carros também ajudaram na “invasão” leonina (dos 1.207 pagantes registrados na súmula, provavelmente metade tinha sangue alvinegro).

A vitória deixa a Inter muito próxima do sexto título estadual de sua história – são três taças da A-2 e uma conquista de A-3, além do feito inesquecível de 1986. Ao Nacional, resta se apegar ao histórico da semifinal (quando também perdeu em casa e reverteu a situação fora, diante do Olímpia). Apenas um sairá campeão, mas o ano de 2017 já representa o ressurgimento dos dois clubes, em uma década na qual ambos conheceram o ostracismo da quarta divisão.

O alívio de se distanciar da pior fase da história estava no semblante de qualquer torcedor presente, ansiosos por verem seus clubes em uma posição de maior prestígio no próximo ano. As semelhanças, porém, terminavam aí: enquanto o setor visitante fazia barulho, com destaque para o grito “Inter de Limeiraaaaa” ao ritmo de “Anna Júlia”, o lado do Naça era muito mais comportado, com raros cânticos de incentivo.  Conversando com alguns presentes, ficava a sensação de que muitos ali eram parentes de jogadores, além de funcionários e ex-empregados do clube.

Para embalar esse público, o locutor Richard Moses sorteou brindes e fez diversas intervenções durante a partida – inclusive, reclamando de um suposto pênalti não marcado para o Nacional no primeiro tempo. O desabafo fez com que o animador levasse uma bronca da diretoria da equipe mandante, que não queria se indispor com a Federação Paulista. Em outra atmosfera, criticar a arbitragem poderia gerar um grande mal-estar, mas certamente esse não era o caso.

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O clima de camaradagem era notório entre as duas torcidas. Tanto que, ao fim do jogo, uniformizados dos dois lados se reuniram para beber em um bar na frente do estádio, entoando, em conjunto, os principais cânticos de cada time. Cena que só campeonatos de divisões inferiores são capazes de proporcionar. Uma imagem que resume bem o que foi essa manhã de futebol e amizade no Nicolau Alayon, esse foco de resistência.

FICHA TÉCNICA DO VÍDEO

Edição: Ravi Santana

Reportagem & Imagens: Diego Freire, Julio Simões

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