Um Time Show de Bola (argh, que título!)

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Juan José Campanella é argentino, nasceu em Buenos Aires, mas costuma dizer que, quando o assunto é futebol, ele é apenas um torcedor de Copa do Mundo. Mesmo assim, sempre se preocupa em tratar o tema com o respeito e a elegância que ele merece, como na impressionante sequência de “O Segredo de Seus Olhos” (vencedor do Oscar em 2010), e em seu novo projeto, “Um Time Show de Bola”, longa de animação que chega aos cinemas brasileiros nesta sexta-feira (29).

Embora a tradução do título em português nos remeta a uma rasa produção de Sessão da Tarde, o filme não deve nada as maiores e mais caras produções norte-americanas da Pixar ou da Dreamworks. Nele, Amadeu é um jovem com muita habilidade para derrotar adversários no pebolim/totó e pouca para enfrentar as situações típicas da adolescência. Tímido, é pressionado por uma menina que admira a aceitar o desafio de Grosso, um jovem metido a besta e pouco acostumado a derrotas. Ele começa perdendo, mas vira o jogo e impõe ao adversário uma derrota que jamais será esquecida.

Tanto que, anos depois, Grosso já é ídolo do futebol mundial e reaparece disposto a destruir a pequena cidade para a construção do maior estádio de futebol do mundo. Diante da impotência de salvar a cidade e especialmente sua mesa de jogo, Amadeu vê os personagens ganharem vida para ajudá-lo.  A personalidade dos bonecos é uma atração a parte e o carisma de alguns deles vale o ingresso, ainda que a primeira hora do filme, muito focada em explicações, canse um pouco o espectador mais velho.

O filme só se torna realmente dinâmico a partir dos últimos 30 minutos. É nessa hora que Amadeu aceita a revanche de Grosso, que propõe que o jogo seja disputado no gramado do novo estádio e não na mesa de pebolim. O prêmio para quem vencer? A posse da cidade. A partir daí, acompanhamos cenas memoráveis e emocionantes, provando a habilidade dos argentinos em construir dramas.

Outros detalhes também merecem ser observados. A falta de referências diretas ao futebol argentino ou espanhol, países co-produtores, denunciam uma provável tentativa de internacionalizar o filme e, quem sabe, buscar o Oscar de Animação, objetivo declarado de Campanella. Além disso, o futebol brasileiro também é sutilmente lembrado em algumas passagens, como a do silêncio absoluto do estádio, situação que remete diretamente ao Maracanazo.

Fora isso, “Um Time Show de Bola” (argh, que tradução terrível!) é uma excelente ferramenta para os pais iniciarem os filhos no mundo do futebol, já que Campanella consegue captar muito bem os elementos e personagens que fazem desse esporte um dos mais emocionantes, vibrantes e imprevisíveis já criados. Ainda que ele mesmo diga ser apenas um torcedor de Copa do Mundo.

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