Torneios alternativos de futebol feminino que você deveria conhecer

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Que o futebol feminino está em mais evidência do que nunca, não há dúvidas. As federações que organizam o futebol demoraram a sacar que existe uma demanda para elas, mas finalmente o incentivo está sendo dado. Na Libertadores da América de 2019, por exemplo, todos os clubes participantes precisarão ter ou se associar a um time de mulheres ou então não irão jogar.

Mas a cobertura da mídia sobre o futebol feminino ainda é minúscula perto do masculino (e isso inclui também o Última Divisão, embora estejamos melhorando nesse aspecto). Por isso, especialmente hoje vamos falar sobre competições de seleções femininas que vão muito além da Copa do Mundo e das Olimpíadas e que quase ninguém fala:

Algarve Cup

Crédito: Canadian Soccer Association

Desde 1994, a região portuguesa de Algarve sedia anualmente um torneio de seleções femininas. O intuito, segundo o site da Federação Portuguesa de Futebol, é “ajudar a desenvolver o futebol feminino português”.

E para isso, elas topam encarar várias pedreiras. Noruega, Suécia, EUA e Alemanha estão entre os países que mais participaram do certame – e também os que têm mais títulos. Canadá e China completam a lista de campeãs.

É fato que o time da casa (hoje 38º do ranking Fifa) até hoje jamais levantou o caneco. Mas por outro lado, se há alguma lição a aprender é não desistir dos seus objetivos: em 2017, pela primeira vez na história, as lusitanas terão a chance de participar de uma Eurocopa, que acontece em julho na Holanda.

A seleção brasileira conta com apenas de duas participações da Algarve Cup: 2015 e 2016, sendo que nessa última o time de Marta e Formiga perdeu a final contra as canadenses por 2 a 1 (aliás, mesmo placar da Rio-2016). A seleção até foi convidada a participar da edição deste ano, mas a CBF recusou o convite.

De certa forma, isso até que não é tão ruim. Reza a lenda de que existe uma maldição de Algarve: todo time campeão do torneio se dá mal na Copa do Mundo da Fifa. A Suécia venceu em 1995 e caiu em casa nas quartas de final do Mundial daquele ano. Em 1999, a China venceu em Portugal, mas terminou em vice na Copa do Mundo. E em 2003, 2007 e 2011 foi a vez das campeãs norte-americanas serem amaldiçoadas após dois 3º lugares e um vice-campeonato mundial.

A maldição de 20 anos, porém, pode ter sido quebrada em 2015 com o próprio EUA, que finalmente conseguiram vencer tanto em Algarve quanto no Mundial no Canadá.

SheBelieves Cup

Crédito: United States Soccer Federation

A partir de 2016, a Algarve Cup passou a disputar espaço com um outro torneio de seleções, a SheBelieves Cup, que também acontece nos primeiros dias de março.

A SheBelieves Cup é capitaneada pelos EUA e conta com as melhores equipes do ranking da Fifa. Em 2017, por exemplo, participaram EUA (anfitrião), Alemanha (2ª colocação), França (3ª) e Inglaterra (5ª).

A ideia por trás da SheBelieves Cup nasceu entre as próprias jogadoras após venceram o Mundial de 2015. O objetivo é ensinar o empoderamento feminino, entre outras iniciativas ligadas ao esporte e às mulheres na sociedade.

“O empoderamento de jovens mulheres e garotas não acontece da noite para o dia, é um movimento permanente que pode impactar milhões, porque quando garotas alcançam o sucesso, todo mundo se beneficia”, diz o site da organização.

Na edição de estreia, as norte-americanas levaram a melhor com 3 vitórias em 2 jogos, e prêmio de melhor jogadora para Alex Morgan. Já em 2017, o jogo virou: o time da casa terminou em último, com 1 vitória e duas derrotas, e as francesas levaram a taça para casa.

Copa do Chipre

Outro torneio que divide as atenções com SheBelieves Cup e Algarve Cup é a Copa do Chipre, que – adivinhem – também rola em março.

Uma peculiaridade é que, embora a sede seja o Chipre desde o começo, em 2008, a seleção cipriota jamais participou da competição. O motivo disso é simples: o maior patrocinador do evento é uma empresa que promove o turismo no país europeu e que não tem qualquer ligação com a federação local de futebol.

No início, chamou atenção a qualidade dos times que participaram do torneio. Canadá, Inglaterra e França são os times com mais títulos, sendo três para as canadenses e as inglesas, e dois para as francesas.

O problema é que com a criação da SheBelieves Cup e com a Algarve Cup tendo maior relevância no cenário mundial, a Copa do Chipre acabou relegada a times do segundo escalão do futebol. Em 2017, o time mais competitivo era a Coreia do Norte (10ª no ranking da Fifa), seguido por Itália (16ª) e Suíça (17ª).

Four Nations Tournament

Crédito: Bente Bratbak/ The FA of Norway

Todo começo de ano, em meados de janeiro, a China sedia a Four Nations Tournament. O torneio foi criado em 1998, um ano depois da Copa Feminina da Ásia que também aconteceu em território chinês.

Assim como na Copa do Chipre, o Four Nations Tournament começou promissor, com convidados de peso como Suécia, EUA e Noruega, mas ao longo do tempo foi perdendo relevância. As dez primeiras edições foram dominados pelos EUA, com 7 títulos; depois a China passou a ser a bola da vez.

O problema é que as últimas edições foram extremamente fracas. Em 2017, a China (13ª do ranking Fifa) enfrentou a Tailândia (30ª), a Ucrânia (26ª) e Mianmar (43ª) e o resultado não poderia ser diferente: 3 vitórias, 9 gols marcados e nenhum tomado.

A “crise” deste ano se deve em parte à preparação que as seleções europeias estão fazendo para a Euro 2017. Inglaterra, Noruega e Suécia, por exemplo, disputaram em janeiro um triangular em La Manga, na Espanha, local que costuma receber torneios de meio de temporada.

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