Torneio Início: Ba-Vi renega, “Ba-Vi” decide

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A Federação Baiana de Futebol (FBF) bem que tentou: trinta anos depois, organizou a volta do Torneio Início para abrir o Estadual, promoveu festa de lançamento, batizou as taças com nome de jogadores do passado e planejou até desfile das delegações antes da série de jogos. Porém, elencos reservas – até juniores – e declarações contrárias a realização das partidas acabaram fazendo com que o título do Bahia de Feira de Santana sobre o Vitória da Conquista passasse quase despercebido, enquanto a dupla Ba-Vi mais famosa seguia com a pré-temporada.

Na tarde de domingo (09/01), o Estádio do Pituaçu recebeu 5.600 torcedores que pagaram R$10 para assistir a quatro horas de futebol e, de quebra, cinco disputas de pênaltis. Menos gente do que vinha sendo especulado pela FBF, que inclusive anunciou uma antecipação da venda de ingressos, dizendo querer facilitar a procura dos torcedores. A organização garantiu também a transferência de toda a renda obtida para a Associação de Garantia ao Atleta Profissional do Estado da Bahia (AGAP).

Quem não gostou da ideia foi o técnico do Vitória, o delegado Antônio Lopes. Em entrevista coletiva na véspera, chamou a iniciativa de “retrocesso no futebol”, “pura perda de tempo” e “prejuízo no trabalho de preparação”. Com a equipe sub-18 disputando a Copa São Paulo de Juniores, ficou difícil até para montar o mistão. Enquanto isso, os titulares venciam o time juvenil B por 3 a 0, no primeiro coletivo do ano.

Site do Vitória publica nota curta sobre as partidas, citando a presença do técnico Antônio Lopes acompanhando os jogos

Do lado do Bahia, nada muito diferente. Melhor média de público da Série B, retorno a elite, reforços para a temporada e opção por não aderir ao bom e velho Torneio Início. Mais que isso, fez um amistoso contra o Acima da Média (!!) na manhã do mesmo dia, vencendo por 6 a 0. Alguns atletas inclusive participaram dos jogos no Pituaçu à tarde. Rodada dupla para os reservas.

Os demais times parecem ter levado mais a sério a oportunidade de testar os elencos a uma semana da estreia oficial no Baianão 2011. O presidente do Camaçari, Fernando Lopes, afirmou que não jogaria com o time reserva, inclusive pelo acordo feito no conselho arbitral. “Bahia e Vitória esquecem que isso seria bom para dar ritmo aos times”. O técnico do Serrano, Elias Borges, falou em “conhecer o elenco dos rivais e, em seguida, competir”.

Ba-Vi alternativo decide o torneio
Em 12 jogos de 20 minutos cada, foram marcados 12 gols. A primeira rodada aconteceu em forma de eliminatória simples, com seis jogos e seis clubes avançando a segunda fase. No sétimo jogo, o Bahia empatou com o Camaçari e avançou nas penalidades graças ao goleiro Omar, que fez duas defesas depois de atuar no jogo-treino da manhã como substituto de Tiago. Em seguida, o Bahia de Feira venceu o Serrano por 1 a 0 e o Vitória perdeu para o Vitória da Conquista, mas também foi às semifinais.

Site do Bahia destaca apenas a atuação do goleiro Omar, um dos jogadores que tiveram jornada dupla no domingo: quatro pênaltis defendidos durante todo o Torneio Início.

O regulamento previa que o clube de melhor campanha entre os derrotados também seguiria na competiação. E o Vitória, para alegria da torcida rival, conseguiu a façanha de ser “eliminado” duas vezes pelo mesmo time. Depois do Bahia perder para o xará de Feira por 1 a 0, o Vitória empatou sem gols e caiu com um 3 a 2 nos penais para o Vitória da Conquista.

– Adeus, Vitória! Adeus, Vitória!
– O Leão voltou! O Leão voltou!
– Adeus, Vitória! Adeus, Vitória!

Depois da troca de homenagens entre a dupla Ba-Vi, o Ba-Vi alternativo da decisão teve a maior goleada do dia: 3 a 0 para o Bahia de Feira sobre o Vitória da Conquista, garantindo ao “Tremendão” a honra de erguer o primeiro troféu da temporada. De quebra, é a primeira vez que um time de fora da Capital vence o torneio.

Nas arquibancadas, nenhuma divisão de torcida. Basicamente, tricolores e rubro-negros se posicionaram nos setores onde costumam assistir os jogos no Pituaçu. Em relatos de torcedores, apesar de times reservas e o clima amistoso da competição, a confirmação de dois dos ingredientes mais tradicionais de um Torneio Início: nenhum intervalo entre os jogos e times esperando na arquibancada a vez de retornar ao campo, nada muito diferente do que se vê em peladas por aí.

Tradição esquecida
Se na Bahia a última edição havia sido disputada em 1980 (Vitória tem 11 títulos contra 9 do maior rival), o Campeonato Mineiro promoveu tal abertura de temporada pela última vez em 2006, em comemoração aos 90 anos da federação local. Também deu título inédito, com o Democrata de Sete Lagoas erguendo a taça – o América é o maior vencedor com 13, seguido por Cruzeiro (10) e Atlético (8).

No Rio de Janeiro, o evento deixou de existir em 1977, quando o Botafogo venceu o Vasco, maior campeão do torneio com 10 conquistas, contra 9 do Fluminense, 8 do Alvinegro e 6 do Flamengo. Mas a melhor história fica para a edição de meio século antes. Em 1927, o Fluminense venceu a competição, mas preferiu devolver a taça e pedir oficialmente a anulação da conquista. O motivo? Percebeu, dias após a final, ter ferido um dos artigos do regulamento, que proibia a substituição de jogadores entre as partidas.

Em São Paulo, as últimas edições datam do final do século passado, quando o torneio também perdeu regularidade. Em 1996, a Portuguesa se sagrou campeã; em 91, o Bragantino; e em 86, o Juventus, com incrível campanha de quatro jogos e quatro empates sem gols: duas vitórias por número de escanteios (3 a 1 na Inter de Limeira e 1 a 0 no São Paulo) e duas nos pênaltis (5 a 3 no São Bento e 4 a 3 no Santo André) . Os maiores vencedores são Corinthians e Palmeiras, com 8 títulos cada.

Barbiroto; Chiquinho, Juninho, Nenê, Carlão, Rocha, Heriberto, Gatãozinho, Claudinho, Reinaldo Xavier, Betinho. T: Candinho. O artilheiro? Ninguém. Campeão em quatro jogos e nenhum gol

Como funciona?
Vale lembrar que o regulamento tradicional do Torneio Início realizado Brasil afora previa que o desempate das partidas se daria pelo número de escanteios, antes da disputa de pênaltis. Ao longo da história, porém, diversas alterações foram feitas, como em algumas edições no Rio de Janeiro onde a sequência de penalidades era de apenas três cobranças, e todas feitas pelo mesmo jogador.

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