Torcedor do Londrina homenageia clube com escultura em praça

Acervo pessoal
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A paixão pelo Londrina Esporte Clube virou escultura em uma praça de Londrina, cidade do norte paranaense. Cansado de ver o local repleto de entulhos e lixo, o proprietário de oficina mecânica Fernando Rogério Brazão revitalizou a área. Também colocou um grande monumento de um tubarão, mascote da agremiação futebolística. O custo calculado pelo autor da homenagem foi de R$ 3,5 mil tirados do próprio bolso. Ainda assim, o torcedor garante que o trabalho não foi em vão. Algumas pessoas passam pelo local pra bater fotos. Mesmo um dos maiores ídolos da história do LEC fez uma visita para dar parabéns pelo trabalho.

O trabalho de revitalização durou cerca de um ano. A escultura referente ao LEC foi acrescentada em 2017, conta o idealizador. Depois de revitalizado, o local passou a ser popularmente chamado de Praça do Tubarão. O nome oficial é Praça Bonita, em referência à localização na Rua Serra Bonita, no Jardim Bandeirantes, zona oeste de Londrina. Mentor e realizador da homenagem, Fernando Brazão retirou sujeira do local, trabalhou jardinagem, colocou bancos, mesa e um imenso mascote do Londrina. Apenas a escultura custou R$ 900 entre compra, reforma e estilização de pintura.

A homenagem rendeu reconhecimento por parte de um dos principais atletas da história do Londrina. O ex-zagueiro Márcio Alcântara foi um dos que fizeram questão de conhecer o local. Foi uma espécie de oficialização da praça entre os feitos da torcida do LEC. Márcio Alcântara foi um dos heróis do título estadual de 1992 e participou também do elenco na conquista do Estadual de 1981. O defensor foi uma das mais promissoras pratas da casa lançadas pela agremiação alviceleste, com jogos pela Seleção Brasileira de Novos e Seleção Paranaense de Juniores. “Ele é um cara fantástico, muito simples e humilde. Um grande personagem da história do LEC”, disse Fernando Brazão.

De acordo com Fernando Brazão, posteriormente, outros personagens de histórico ligado ao LEC também foram à praça. Inclusive, diz ele, tornou-se comum aparecerem torcedores para conhecer o local. Um motivo de orgulho, que possibilita conversas sobre a própria façanha de revitalizar a praça. “As pessoas viram a transformação do lugar, anteriormente cheio de lixo”, disse.

Para saber um pouco mais sobre a Praça do Tubarão, o Última Divisão realizou bate-papo com o idealizador da revitalização da praça, que faz homenagem ao Londrina, Fernando Rogério Brazão. Confira:


Última Divisão – O que te levou a homenagear o Londrina em uma praça?

Fernando Rogério Brazão – É o projeto Boa Praça. Em frente à minha casa tem uma praça, que estava abandonada. O mato tomava conta. Entulhos, móveis usados, até mesmo sofá e lixo doméstico eram jogados. A praça teve início de sua revitalização em meados de 2016. Comecei então a fazer roçagem, limpeza, mas não resolvia. Procurei a CMTU, orgão responsável pela capina e roçagem, pra ver se eles davam autorização pra eu poder desenvolver projeto na praça. Meses depois eles me autorizaram. Fiz terraplanagem, plantio de grama, árvores, flores e pintura. Implantamos bancos e mesa. Em 2017 coloquei o símbolo do LEC pra homenagem. A imprensa, de vários canais de TV, veio me entrevistar. O mesmo com jornal. Também tive a honra de receber o Márcio Alcântara (ex-jogador do Londrina herói da conquista de campeão estadual de 1992 e integrante do elenco na conquista do Estadual de 1981).

Última Divisão – Como foi pra você conhecer o Márcio Alcântara, um dos atletas mais importantes da história do LEC?
Fernando Rogério Brazão – Conheci Márcio Alcântara através da imprensa (pelo trabalho de comentarista esportivo do ídolo alviceleste em emissora de televisão) e depois fui conhecer pessoalmente. Ele é um cara fantástico, muito simples e humilde. Um grande personagem da história do LEC.

Última Divisão – Quanto você gastou entre o monumento do tubarão e a revitalização da praça?
Fernando Rogério Brazão – O gasto da praça, para mim, foi R$ 3,5 mil e um ano de trabalho e dedicação. Com o tubarão tive gasto R$ 900. Ele era do senhor Julio Kimura, que faleceu há um ano. Ele era apaixonado pelo LEC, o senhor Julio. Era cliente da minha oficina. Como eu tinha o conhecimento do monumento, consegui comprar o tubarão de seu filho por R$ 450. Logo ganhou pintura nova e foi colocado na praça, inclusive chumbado.

Última Divisão – Na internet apareceram algumas pessoas batendo fotos na praça. É comum que isso ocorra? As pessoas te procuram pra conhecer a história do local?
Fernando Rogério Brazão – A praça hoje é visitada por muitas pessoas, de vários lugares da cidade de Londrina e cidades vizinhas. Tiram fotos, conto a história. Uma praça que não tinha nome e hoje é chamada de Praça Bonita ou Praça do Tubarão.

Nesse projeto teve várias fases que ficaram marcadas. Pessoas que passavam pela rua, e me viam, em pleno sábado ou domingo, trabalhando. Elogiavam. As pessoas viram a transformação do lugar, anteriormente cheio de lixo, ganhando ambiente de pura natureza com flores e grama.

Última Divisão – Mais pessoas te ajudam na preservação do paisagismo da praça?
Fernando Rogério Brazão – Poucas pessoas me ajudaram nas etapas que tive ao fazer a revitalização da praça. Entre eles, meu pai, meu sogro e dois vizinhos. Mas quem mantém a praça limpa e organizada sou eu. Esse projeto não tem nada de associação de moradores. É meu. Particular. Somente eu cuido. Minha família, minha esposa, sempre me apoiaram.

Última Divisão – Quem foram seus ídolos com a camisa do Londrina Esporte Clube?
Fernando Rogério Brazão – No Londrina tem vários jogadores. Entre eles, Germano (ídolo na atualidade), Dirceu e o Vitor (campeões estaduais em 2014). Foram e são jogadores importantes da história do LEC.

Última Divisão – Conheceu personagens ligados ao Londrina por causa da praça?
Fernando Rogério Brazão – Tenho amizade grande com Marcio Alcântara. Também com o professor Ademir, Cassiano, Warley, Ricardinho e outros.

Última Divisão – Qual o melhor jogo do Londrina que já viu em campo?
Fernando Rogério Brazão – O jogo que ficou marcado na história recente do LEC foi aquele Maringá e Londrina, válido pela final do Campeonato Paranaense 2014 (a equipe londrinense foi campeã depois de dois empates e decisão nas penalidades máximas).

Última Divisão – Costuma chamar os amigos do Jardim Bandeirantes para ir aos jogos do LEC?
Fernando Rogério Brazão – Sempre vamos aos jogos. Amigo, cunhado, levo meu pai, etc…

Última Divisão – Como e quando começou a gostar de futebol e torcer pelo Londrina Esporte Clube?
Fernando Rogério Brazão – Vim para Londrina com 14 anos de idade (após nascer em Umuarama, no interior do Paraná). Aos meus 18 anos de idade me despertou um seguimento ao futebol, quando montei um time de amigos pra disputa de campeonatos amadores em Londrina. Ao mesmo tempo, promovia campeonatos de futebol salão. Com 22 anos de idade formei um grande time de futebol de campo amador chamado Tabajara Futebol Clube. Eu era treinador. Ao mesmo tempo, era árbitro de futebol. No campo que nós jogávamos, eu tinha que apitar o jogo. Foi aí que comecei a gostar e admirar o time do Londrina. Meu primeiro jogo foi no VGD (Estádio Vitorino Gonçalves Dias), entre Londrina e Atlético Paranaense. Partida válida pelo Campeonato Paranaense, em 2003.

Crédito: Acervo pessoal
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