Time Grande Não Cai?: Palmeiras 2002

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Até hoje há quem repita a frase “time grande não cai”. Nem é mais um clichê. É uma burrice: está provado que os grandes caem sim, cada vez com mais frequência. Mas não é um feito simples. Com dinheiro, estrutura e grande torcida, é preciso uma conjunção de fatores muito bizarros para que um rebaixamento assim aconteça. E é por isso que casos assim sempre ficam marcados na história. Foi o que aconteceu com o Palmeiras em 2002.

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Como caiu

O rebaixamento foi decretado com uma derrota por 4 a 3 para o Vitória, em 17 de novembro de 2002. Mas para entender essa queda é preciso voltar no tempo. Mais exatamente para 2000, ano que foi encerrada a parceria entre Palmeiras e Parmalat. A partir daquele momento, ficou claro que o clube não tinha se preparado para viver com as próprias pernas. Jogadores importantes saíram, poucos bons foram contratados e, pior do que isso, a estrutura do Palmeiras ficou atrasada. Não souberam usar a parceria para dar um futuro consistente ao Palmeiras.

Mustafá não fazia nada quando o Palmeiras ganhava. E não fez nada quando o Palmeiras perdeu
Mustafá não fazia nada quando o Palmeiras ganhava. E muito menos quando perdia.

Em 2001, o time ficou sem títulos e, no ano seguinte, começou a passar vexames cedo. Na Copa do Brasil veio a eliminação vergonhosa para o ASA de Arapiraca, que já criou uma crise sem precedentes na história do Palmeiras. Sob forte pressão por essa derrota e insatisfeito com a diretoria, Vanderlei Luxemburgo saiu do time logo após a primeira partida do Campeonato Brasileiro, ficando assim marcado como vilão, principalmente por ter abandonado a reformulação que ele havia começado.

Depois dele, vieram quatro treinadores, sendo que dois foram interinos – PC Gusmão e Karmino Colombini. Os efetivos Flávio Murtosa e principalmente Levi Culpi não souberam fazer aquele elenco alterado “dar liga”.

Outro problema do Palmeiras na época foi a política do clube, já que Mustafá Contursi vivia pressionado desde 2000, mas mesmo assim continuava omisso. Ele não aparecia no clube e dava a impressão de não se importar com o possível rebaixamento. Jogadores relatam que dirigentes confiavam em uma virada de mesa. “O Palmeiras nunca vai jogar a segunda divisão”, bradavam esse clichê burro.

Além dos problemas extra-campo, um excesso de contusões atrapalhou o elenco do Palmeiras. Jogadores como Marcos, Arce, Cesar e Muñoz, que faziam parte da espinha dorsal da equipe, não puderam jogar em momentos importantes.

Com tantos problemas, o Palmeiras passou 20 rodadas na zona de rebaixamento, teve fracos espamos de reação e acabou morto, junto com Portuguesa, Gama e Botafogo.

Quem caiu

Quem narra a história do rebaixamento do Palmeiras costuma dizer que o elenco de 2002 tinha qualidade, apesar do rebaixamento. Mas havia sim jogadores bastante questionáveis, como os zagueiros Alexandre e César, o lateral Rubens Cardoso e o volante Flávio. Além disso, outros atletas com algum talento sentiram demais a pressão, como o meia Juninho e atacante Itamar; e alguns veteranos simplesmente não conseguiam mais dar conta do recado, como Galeano.

Nenê brigou com Alexandre e foi apontado como "laranja podre" por Sérgio
Nenê brigou com Alexandre e foi apontado como “laranja podre” por Sérgio

Quem realmente tinha qualidade estava longe do auge ou com pouca vontade de jogar. Marcos tinha acabado de ser titular do penta com a Seleção Brasileira, mas teve lesões leves e até atrapalhou time com declarações infelizes. Arce era importante na bola parada e só. Zinho estava mais lento e com pouca liderança. Dodô e Léo Moura sequer eram titulares exatamente pela má vontade.

Não era, portanto, o ambiente ideal para qualquer jovem talento se firmar. Pelo contrário: uma das revelações daquele time, o meia-atacante Nenê, era um dos jogadores mais controversos. Sergio, o goleiro reserva que atuou diversas vezes como titular, apontou Nenê como “laranja podre” do grupo. Além dele, havia ainda Lopes (conhecido como “Tigrão” ou pelo maldoso “Cheirador”), que começava a desperdiçar seu futuro com problemas extra-campo.

Como subiu

Agora sim, um ambiente favorável aos jovens talentos. Na Série B de 2003, o Palmeiras aproveitou para usar suas categorias de base e promoveu atletas como Vagner Love, Diego Souza, Edmilson e Thiago Gentil. Em um elenco com atletas mais rodados – Marcos, Daniel, Magrão, Pedrinho, Adãozinho e Muñoz – e outros com “fome de bola” – Lucio, Élson, Corrêa e Fábio Gomes -, as revelações foram, enfim, se destacando.

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A campanha, porém, não foi fácil, principalmente por culpa do regulamento, que previa três fases diferentes. Além disso, havia apenas duas vagas para a Série A. Mesmo assim Botafogo e principalmente Palmeiras conseguiram sobrar na competição – na última fase, um quadrangular com turno e returno, o time alviverde ficou invicto, com cinco vitórias e um empate. Por isso foi campeão e subiu com dignidade, sem virar a mesa.

Aprendeu?

Definitivamente não. Logo após subir, o time até fez um boa temporada em 2004, foi campeão paulista em 2008 e esteve muito perto do título brasileiro em 2009. Mas a fraca estrutura do clube e principalmente a conturbada situação política nunca mudaram. Esses dois problemas levaram a equipe a ser rebaixada de novo, em 2012, exatamente dez anos depois. Ou seja, agora que voltou à Série A novamente, o Palmeiras terá outra oportunidade para mostrar que aprendeu.

Time grande cai sim. E cai até duas vezes...
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