Sete vezes em que o futebol paranaense ‘chocou’ o país ao contratar jogadores europeus

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Não é comum, mas vez ou outra somos surpreendidos com o anúncio da contratação de algum jogador europeu por equipes do futebol brasileiro. Isso parece ser ainda mais comum no Paraná, onde Atlético-PR, Coritiba e Paraná Clube já tiveram alguns atletas do Velho Mundo em seus quadros, nos fazendo lembrar imediatamente do jogo Football Manager (FM) e suas transferências improváveis.

Talvez o fato da capital Curitiba ter se desenvolvido sob forte influência da imigração alemã, polonesa, ucraniana, italiana e suíça em meados do século XIX explique as várias tentativas de importar jogadores destas regiões, mas é possível arriscar que muitos destes atletas chegaram aqui por estratégia de marketing ou mera oportunidade de negócios para clubes e empresários.

No fim das contas, apesar de toda torcida, nenhum destes europeus vingou por aqui e ficamos apenas com a lembrança da incredulidade que nos provocaram. Para reviver essa gostosa sensação de estar vendo o FM acontecer na vida real, listamos uma série de atletas europeus que jogaram no futebol paranaense nas últimas décadas. Caso algum nome tenha escapado da nossa memória, não hesite em registrá-lo ao final do post, ok? Confira a lista:

Alexander Baumjohann, alemão, Coritiba (2017)

Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo

O meia já defendeu Schalke 04, Bayern de Munique e Hertha Berlin, conquistou a Bundesliga e até defendeu seleções de base da Alemanha, mas agora terá o desafio de recomeçar a carreira no Coritiba. A seu favor, pesa o português fluente, língua que aprendeu com a esposa brasileira e pode ajudar em sua adaptação aos campos tupiniquins. Contra ele, depõe a evidente falta de forma, uma vez que ficou sem jogar por mais de um ano, devido a uma lesão. Se ele conseguirá se reerguer e provar qualidade, só o tempo dirá…

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Colin Kazim-Richards, inglês naturalizado turco, Coritiba (2016)

Tal qual Baumjohann, o inglês naturalizado turco (!) também chegou ao Coritiba desacreditado, depois de várias passagens onde se destacou mais pela indisciplina do que pelo futebol. Em junho de 2016, o atacante, que é filho de mãe turca e pai inglês, apareceu fazendo exames médicos no time paranaense e atiçou fãs de Football Manager, que viam naquela iminente transação a realização de seus sonhos mais loucos.

Com o aval do ídolo do clube Alex, a contratação se confirmou e o turco defendeu o Coxa até o fim da temporada, com três gols em 25 jogos – um deles determinou a vitória no clássico Atletiba. O desempenho chamou a atenção do Corinthians, que o contratou em dezembro daquele mesmo ano. A forte concorrência com colegas de posição e uma lesão, porém, vem atrapalhando a sequência de jogos do “Gringo da Favela” no time paulista.

https://twitter.com/Corinthians/status/817486354225463296

Nowak & Piekarski, poloneses, Atlético-PR (1995)

A forte tradição polonesa da cidade e uma boa dose de ousadia e marketing trouxe a jovem e desconhecida dupla Krzysztof Nowak e Mariusz Piekarski a Curitiba para defender o Atlético-PR em 1996. Apesar da dificuldade linguística, a dupla de meio-campistas se adaptou rapidamente ao time titular, que tinha figuras como Oséas e Paulo Rink, e ajudou na campanha da equipe, então recém-promovida à elite nacional. Naquele ano, com a ajuda dos dois, o time terminou a primeira fase em quarto lugar e só caiu nas quartas-de-final para o xará mineiro.

No ano seguinte, a dupla se desfez com a negociação de Piekarski para o Flamengo – o meia ainda jogaria no Mogi Mirim antes de voltar ao futebol europeu em 1998, onde defendeu Bastia-FRA, Legia Varsóvia-POL e Anorthosis Famagusta-CY. Nowak permaneceu no Atlético-PR até este mesmo ano, quando foi negociado com o Wolfsburg-ALE, clube pelo qual encerrou a carreira em 2002. Diagnosticado com uma doença degenerativa (Esclerose Lateral Amiotrófica-ALS), faleceu em 2005, com apenas 29 anos. Antes de morrer, criou uma fundação para fomentar a pesquisa e ajudar pessoas acometidas pela mesma doença.

VÍDEO: Reportagem da Globo sobre a apresentação de Nowak e Piekarski no Atlético-PR. Jogadores foram os primeiros poloneses a atuar no Brasil.

Fran Mérida, espanhol, Atlético-PR (2013)

O meia espanhol, criado nas categorias de base do Barcelona, foi apontado como o novo Césc Fábregas quando, antes mesmo de se tornar profissional, foi contratado pelo Arsenal. No entanto, nunca se firmou na Inglaterra e nem nos outros times que defendeu: os espanhóis Real Sociedad, Atlético de Madrid (seu clube do coração) e Hércules, além do português Sporting Braga.

Por demora no registro, Mérida ficou fora do Paranaense e só estreou na Copa do Brasil.

Em 2013, decidiu atravessar o Atlântico para defender o Atlético-PR. Sua passagem por Curitiba foi morna, como bem resumimos neste post. Ficou por pouco mais de um ano e participou das boas campanhas do time no Brasileiro e na Copa do Brasil, mas deixou o clube em abril de 2014. De lá para cá, voltou a defender times espanhóis, tendo sido importante no acesso do Huesca da terceira para a segunda divisão, o que lhe valeu uma chance na elite, desta vez para defender o Osasuña. Lá, não conseguiu evitar o rebaixamento na temporada 2016/17, mas é visto com bons olhos para a disputa da divisão de acesso. Porém, para mantê-lo, o clube terá que superar a concorrência de Crotone-ITA, Sporting Gijón-ESP, Oviedo-ESP e Huesca-ESP, que aparecem como interessados no jogador.

Bruno Pereirinha, português, Atlético-PR (2014)

Pouco mais de um ano depois de dispensar Fran Mérida, o Atlético-PR voltou a apostar em um jogador europeu em baixa: o lateral direito/esquerdo (e por vezes meia) Bruno Pereirinha, ex-Sporting-POR, que vinha de uma temporada ruim na Lazio-ITA. Em seu país, ficou conhecido por ter cobrado um pênalti tão bizarro na seleção sub-21 que acabou afastado pelo então técnico principal Carlos Queiroz. No Furacão, não teve muitas oportunidades: fez apenas 15 jogos e um gol em duas temporadas. Deixou a equipe no meio de 2017, depois de meses treinando separado, e acertou retorno ao Belenenses-POR, clube em que iniciou sua formação.

Aymen Souda, francês, Paraná Clube (2012)

O jovem atacante fez parte de sua formação no Nice e atuou pela base paranista antes de ter chances no time profissional. Seus dribles conquistaram parte da torcida, que gostaria de tê-lo visto mais vezes em campo. No entanto, deixou o clube pouco mais de um ano depois, para defender o time B do Cádiz-ESP. Pouco tempo depois, defendeu os tunisianos Etoile du Sahel e Kasserine, e acabou conseguindo a dupla cidadania, o que lhe permitiu atuar pela seleção olímpica daquele país. Há alguns anos atua no futebol belga.

Marko Perović, sérvio, Operário-PR (2016)

Europeus no Trio de Ferro podem até serem comuns, mas jogando pelo Operário de Ponta Grossa é realmente alternativo. Durante o Campeonato Paranaense de 2016, o Fantasma anunciou a chegada do meia sérvio de 32 anos, que já havia rodado o mundo defendendo times da Itália, Holanda, Sérvia, Suíça, Estados Unidos, Irã, Tailândia e Malásia. No fim das contas, fez só sete jogos e um gol antes de rumar para o futebol de Hong Kong, onde permanece até hoje.

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