Série C: base da Caldense arruma defesa do Guarani, mas acesso depende de solução no ataque

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Nenhum time tem chamado a atenção que o Guarani tem chamado na Série C do Campeonato Brasileiro. Rebaixado no Campeonato Paulista como lanterna, o time de Campinas reformulou seu elenco a toque de caixa e tem colhido os frutos na mesma velocidade. E o principal responsável por esta reação quase imediata é um jovem técnico: Tarcísio Pugliese.

Nascido em 1980, Tarcísio, 33 anos, é mais jovem até mesmo que o jogador mais conhecido de seu elenco – o meia Fumagalli, 35. Formado em Educação Fìsica, fez estágio em clubes conhecidos, até se tornar treinador em 2006, aos 26 anos. Passou por diversos clubes do interior de São Paulo, atuando ainda com destaque no Centro-Oeste (foi campeão mato-grossense pelo Luverdense em 2007 e 2009), antes de chegar à Caldense em 2012.

Foi a atuação no tradicional time de Poços de Caldas que chamou a atenção do Guarani. No Campeonato Mineiro de 2013, a equipe foi apenas a sexta colocada da primeira fase, com 12 clubes na disputa. Apesar de não ter avançado às semifinais, terminou a fase como a segunda melhor defesa: 10 gols sofridos em 11 jogos. No mesmo período, o Cruzeiro sofreu nove, enquanto Atlético-MG e Villa Nova sofreram 11 gols cada um.

Era justamente o setor no qual o Guarani do Campeonato Paulista era mais carente. Em 19 jogos pela competição estadual, o time do Estádio Brinco de Ouro da Princesa sofreu 41 gols, contra 35 do São Caetano, 33 do Mirassol e 32 do Oeste – destes, apenas o time de Itápolis não foi rebaixado. Neste sentido, a contratação de Tarcísio Pugliese para a disputa da Série C não poderia se mostrar mais acertada.

Até aqui, o treinador não tem inventado muito. No time-base do Guarani, oito atletas foram trazidos da própria Caldense: Jefferson Feijão, Júlio César, Paulão, Edmílson, Simião, Ewerton Maradona, Rossini e Nena. A escalação repete um padrão, uma variação do 4-4-1-1, com Nena atuando isolado na frente e Fumagalli oscilando entre o meio de campo e o apoio ao ataque. Nos primeiros nove jogos, Tarcísio variou entre o 4-4-2 e o 4-5-1.

Não é exagero dizer que é essa “base de confiança” da Caldense a responsável pela reação do Guarani. Nos nove primeiros jogos da Série C, Jefferson Feijão foi titular em todos, sendo substituído apenas contra o Betim (sétima rodada, vitória fora de casa por 1 a 0). Já a dupla de zaga Júlio César e Paulão foi incontestável ao longo de todo o primeiro turno, sem dar chance para a concorrência. O volante Edmílson foi titular em oito dos nove jogos – ficou fora contra o Betim e foi substituído contra o Vila Nova (oitava rodada, vitória em casa por 2 a 0).

Na zaga, dupla Júlio César e Paulão (capitão na foto) tem funcionado para manter defesa bugrina invicta (Crédito: Daniel Rufatto/SER Caxias/Divulgação)

Mas é claro que nem tudo está resolvido no Guarani, e o clube sabe disso. Com uma defesa sólida, a principal deficiência acaba sendo exposta: o ataque. Nos nove primeiros jogos, o time marcou apenas seis gols – para efeito de comparação, na mesma chave do Guarani (Grupo B, 10 times), o Betim (7º colocado) tem sete gols, contra oito do Grêmio Barueri (8º) e nove do Duque de Caxias (9º). O ataque bugrino é o terceiro pior da competição, à frente apenas de Rio Branco-AC e Crac (três gols cada).

A estatística é sintomática, já que a Caldense de Tarcísio Pugliese teve o terceiro pior ataque da primeira fase do Campeonato Mineiro (ao lado do Boa): 12 gols, contra oito do América-TO e dez do Araxá (os dois últimos colocados). O destaque do time na competição foi justamente o centro-avante Nena, com seis gols, dois a menos que Júnior Negão (Tombense), artilheiro do Campeonato Mineiro.

É justamente no setor ofensivo que a base da Caldense tem sofrido mais alterações. Nos nove primeiros jogos, o meia Ewerton Maradona foi titular em oito, mas foi substituído em metade deles – na estreia, saiu do banco. O também meia Rossini, outro ex-Caldense, foi titular em sete partidas, sendo substituído (por Ewerton Maradona) na estreia contra o Madureira. Ficou fora apenas de dois jogos: contra o Grêmio Barueri (foi expulso no jogo anterior, contra o Caxias) e contra o Vila Nova. Já Nena foi titular em todos os jogos, mas substituído nos últimos cinco jogos – coincidência ou não, desde que o atacante Henan foi regularizado.

Tarcísio Pugliese: com defesa zerada, a tarefa é fazer o ataque produzir (Crédito: Guarani FC/Site oficial)

Desta forma, Tarcísio Pugliese mostra que está atento à necessidade de um ataque mais produtivo. Nomes como Henan e Romário vêm sendo testados, mas sem uma solução a curto prazo. Se o técnico encontrar o equilíbrio no setor, são grandes as chances de o Guarani evitar o que aconteceu com o Fortaleza na Série C de 2012 – o time cearense liderou a primeira fase com a melhor defesa (11 gols, contra 12 da Chapecoense), mas perdeu o acesso ao ser derrotado em casa por 3 a 1 pelo Oeste, em confronto direto nas quartas de final que promoveu o time paulista. É tudo que o repaginado Guarani quer evitar em 2013.

Dados sobre a Série C do Guarani

Base mineira: Segundo os dados dos atletas disponíveis no site oficial do Guarani, foram nove os reforços trazidos da Caldense: Thomazella (goleiro), Jefferson Feijão (lateral direito), Júlio César, Paulão (zagueiros), Edmílson, Simião (volantes), Ewerton Maradona, Rossini (meias) e Nena (atacante). Apenas Thomazella não foi testado, já que Juliano é o titular.

Time-base: O time-base do Guarani até aqui deixa claro a influência da Caldense de 2012 na equipe: Juliano; Jefferson Feijão, Paulão, Júlio César e Léo Costa (Rodolfo Testoni); Edmílson, Simião, Ewerton Maradona e Rossini; Fumagalli; Nena. Fora Thomazella, quem menos jogou (dentre os que vieram do time mineiro) foi Rossini, com sete partidas em nove.

Campanha que impressiona: O Guarani, invicto até aqui: 0 a 0 com o Madureira (fora), 1 a 0 com o Mogi Mirim (casa), 0 a 0 com o Caxias (fora), 0 a 0 com o Grêmio Barueri (casa), 1 a 0 com o Macaé (fora), 1 a 0 com o Duque de Caxias (casa), 1 a 0 com o Betim (fora), 2 a 0 com o Vila Nova (casa), 0 a 0 com o Crac (fora). Aproveitamento: 70,3% dos pontos disputados.

Sem artilheiro: Dos seis gols marcados pelo Guarani no primeiro turno da primeira fase, todos foram marcados por jogadores diferentes: Wellington (contra o Mogi Mirim), Laionel (contra o Macaé), Fumagalli (contra o Duque de Caxias), Ewerton Maradona (contra o Betim), Henan (o primeiro contra o Vila Nova) e Edmilson (o segundo contra o Vila Nova).

Opções para o ataque: Além de Henan, há nomes curiosos para o setor ofensivo: Romário (ex-Rio Claro), Romarinho (formado nas categorias de base) e Robert (ex-Resende). O caso de Robert é o mais curioso: deixou o Brasil aos 12 anos para jogar na Itália, onde se profissionalizou pelo Padova. Tem um irmão gêmeo, chamado Robert William, que também jogou na Itália.

Defesa histórica: Desde que conquistou o Campeonato Brasileiro de 1978, o Guarani não passava tantos jogos sem sofrer gols. Naquele ano, foram sete jogos sem ser vazado: Botafogo-PB (1 a 0), Goytacaz (3 a 0), Botafogo-SP (1 a 0), Londrina (1 a 0), Sport (2 a 0 e 4 a 0) e Vasco (2 a 0). “Esta marca histórica que atingimos é fruto do sistema implantado pelo Tarcísio e pelo intenso trabalho de todos os jogadores. Afinal, como todos sabem, a marcação do Guarani já começa lá na frente. Todos ajudam e se doam ao máximo para alcançarmos esta segurança”, destacou o goleiro Juliano.

Próximo desafio: O Guarani volta a entrar em campo neste sábado para enfrentar o Madureira no Estádio Brinco de Ouro da Princesa. O time alviverde tem 19 pontos, contra 18 do vice-líder Caxias, enquanto o Madureira é o sexto da chave, com 12 pontos.

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