Série C 2021: Santa Cruz respira e sonha, enquanto Paraná e Oeste estão perto do rebaixamento

Rafael Melo/Santa Cruz
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A 14ª rodada da Série C 2021 do Brasileiro não tivemos jogos de muita qualidade (exceto a gigante vitória em casa do Santa Cruz e a derrota do Paraná para o São José), mas mesmo assim tivemos momentos marcantes: cenas lindas (Tutuba, o mascote do Ferrão, com o cachorro Xarope), cenas lamentáveis (confusão no jogo do Paraná) e cenas dolorosas (pisão no testículo do atacante MV, do Volta Redonda).

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Com a fase de grupos chegando à reta final, a briga pelo rebaixamento toma rumo distinto nos grupos. No Grupo A, temos um Santa Cruz buscando um milagre e apostando tudo no jogo seguinte, e um Jacuipense que, se não dá mostras de recuperação, pelo menos tem uma pontuação que ainda permite sonhar. Já no Grupo B, a situação parece mais definida: é questão de tempo para que os descensos de Oeste e Paraná se confirmem.

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A luta pelo acesso à Segunda Fase também toma contornos parecidos aos de rebaixamento. O Grupo B parece ter já os 4 times definidos: Ypiranga, Novorizontino, Criciúma e Ituano, este último com 5 pontos de vantagem para o 5º colocado. E pelos lados do Grupo A, a trocação de pontos continua a milhão e a distância entre o 1º colocado, Tombense, e o 6º, Volta Redonda, é de apenas 3 pontos. Pelo jeito vai ficar para a última rodada!

 

GRUPO A

Ferroviário (CE) 0 x 0 Jacuipense (BA)

O jogo no Elzir Cabral teve poucos momentos de bom futebol e eles foram guardados para a parte final da segunda etapa. Até chegarmos lá, a partida trouxe um Ferroviário que errava muitos passes e um Jacuipense que estava completamente perdido em campo (o time regrediu ainda mais depois da saída do Jonilson Veloso. Mesmo com a volta do treinador, o Jacupa não deu muita liga).

O segundo tempo ao menos teve um pouco mais de emoção, principalmente com o Ferroviário chegando ao ataque de forma perigosa, mas que costumeiramente vira chance de gol perdido. Chega a impressionar a capacidade dos jogadores de frente do Ferrão de perder tantos gols. O Jacuipense, sem conseguir chegar na troca de passes, dependeu da bola parada, o que representou alguns momentos de perigo. No final o empate foi justo pela falta de competência do Ferroviário em colocar a bola no fundo da rede, apesar de jogar melhor na partida.

Em contrapartida, tivemos a cena mais bonita da rodada: os mascotes do Ferroviário Tutuba e Xarope interagindo no estádio.

 

Tombense (MG) 2 x 1 Manaus (AM)

No único duelo do G6 desse Grupo A tivemos também a única vitória do G6 na rodada. O Tombense fez valer o fator casa para conseguir os 3 pontos e virar líder do grupo pela primeira vez. A história, no entanto, poderia ter sido diferente se o atacante Denílson, do Manaus, tivesse aproveitado um passe em profundidade que o deixou na cara de Felipe: ele tirou do goleiro, mas também tirou do gol; Marcelinho ainda tentou completar e não alcançou a bola. Era a chance do Manaus abrir o placar com 3 minutos de jogo.

Depois desse lance, o Tombense conseguiu ficar com a bola, mas sem pressionar. Até que a zaga do Manaus bateu cabeça em cruzamento de David e o ponta Everton Galdino aproveita para marcar. O Tombense aumentou em mais uma bobeada da zaga do Gavião, Everton Galdino cruzou e depois de um bate rebate Gilson Alves completou para o gol, jogando contra a própria meta — o gol contra bizarro da rodada foi garantido aí. Na volta do segundo tempo, Rafhael Lucas aproveitou cruzamento de Edvan para diminuir o placar e o Manaus ainda pressionou pelo empate, mas não foi o suficiente para evitar a derrota.

 

Paysandu (PA) 1 x 1 Floresta (CE)

Jogo muito fraco na Curuzu, principalmente no primeiro tempo. O Paysandu teve a bola, mas não conseguiu uma finalização sequer; já o Floresta chutou pelo menos 3 vezes, mas faltou também o gol. O destaque da primeira etapa foi o baixo número de faltas: 12 no total, numero bem abaixo das costumeiras 40 faltas por partida.

O segundo tempo começou mais animado: logo aos 3 minutos, Primão encontrou Mira na entrada da área. Ele ajeitou para Jô bater colocado e abrir o placar para a equipe visitante. O gol fez o Paysandu acordar e buscar o empate, que poderia ter acontecido já aos 13 minutos quando Daniel fez pênalti em Rafael Grampola, mas o juizão mandou seguir o jogo.

O árbitro não marcou aos 13, mas marcou aos 17, quando Fábio Alves derrubou Marlon na área. Pênalti que Grampola bateu e Tony defendeu. A sorte do atacante é que o gol saiu no rebote. Depois dos gols, o jogo voltou a ficar morno e terminou empatado. O jogo não foi dos melhores, então o que vale destacar ao final da partida são as só 18 faltas marcadas.

 

Altos (PI) 0 x 0 Botafogo (PB)

Eu poderia dizer que Altos e Botafogo foi mais um jogo fraco nessa Série C, mas dessa vez a culpa não foi só das equipes. A partida aconteceu às 16h em Teresina debaixo de um sol de 39ºC que tomava praticamente o campo inteiro no primeiro tempo. Então vou relevar a isolada horrorosa do atacante Manoel e comentar a partir da segunda etapa, que foi um pouco melhor.

Logo aos 2 minutos, Juba marcou de cabeça para o Belo, mas o bandeira assinalou impedimento. Depois o Altos teve mais chances de marcar, só que faltou capricho na finalização. Aos 7, Manoel isolou mais uma, Mimica zagueirou e perdeu uma grande oportunidade na pequena área, cara a cara com o goleiro Lucas. O Altos foi melhor na partida e sair com a vitória não seria de forma alguma injusta, mas a pontaria deixou a desejar. Destaque para os 16 escanteios que o Altos teve no jogo.

 

Santa Cruz (PE) 2 x 1 Volta Redonda (RJ)

O jogo mais nervoso do Grupo A teve de tudo: treta, arbitragem fraca, time perdendo vários gols e, como não podemos deixar de destacar, a lesão do atacante MV, que precisou realizar uma cirurgia para a reconstrução da bolsa escrotal após levar um pisão nos testículos.

Falando especificamente da bola rolando, o Santa Cruz foi superior do início ao fim do jogo, mostrando um bom volume de jogo. O resultado foi apertado mais pela incapacidade do Santa em concluir as boas chances criadas do que por méritos do Volta Redonda, que continua oscilando no campeonato. O primeiro gol do Santinha foi marcado por Pipico na sorte, porque o zagueiro Grassom chutou a bola em cima do atacante e com o desvio parou na rede. O Volta Redonda ficou desorientado com esse gol tomado e sofreu pressão o primeiro tempo inteiro.

Na volta do intervalo, o time visitante fez alterações e colocou Wallisson e Pedrinho, dando mais velocidade e poderio ofensivo ao Voltaço. Foi a partir deles que saiu o gol de empate: Wallisson levou a bola até a entrada da área e tocou para Pedrinho, que deu um drible lindo no lateral Lucas no chão e bateu cruzado.

O Santa Cruz, diferente de outros jogos, não tirou o pé no segundo tempo. Quando o desespero começou a bater, Breno Calixto subiu mais alto que todo mundo e fez o gol, dando números finais ao placar, recolocando o Santinha na rota correta pela fuga do rebaixamento e garantindo a vitória após 4 meses em vencer no Arruda. Se dará para escapar é outra história, mas deixar de lutar não parece ser uma opção.

 

GRUPO B

Novorizontino (SP) 1 x 0 Criciúma (SC)

Tivemos um duelo de tigres abrindo a 14ª rodada e, dessa vez, quem se saiu vitorioso foi o tigre paulista. O Novorizontino conseguiu a quinta vitória em casa e também chegou ao quinto gol no Jorjão. Isso mesmo, todas as vitórias foram por 1 a 0. Se o ataque faz o que precisa, a defesa é ainda melhor: o time ainda não sofreu gols nos 7 jogos como mandante. Voltando à partida, tivemos um primeiro tempo com poucas chances dos dois lados,  com as defesas bem montadas e os ataques não conseguindo produzir.

Na segunda etapa, o Novorizontino voltou melhor e conseguiu abrir o placar com Michel Douglas aos 12, após cobrança de falta do Guilherme Lazaroni. Com o gol sofrido, o técnico Paulo Baier deixou o Criciúma mais ofensivo, porém a defesa do Novorizontino vêm se mostrando impenetrável em casa.

 

Oeste (SP) 0 x 0 Botafogo (SP) 

O jogo foi tão morno que duvido alguém ter assistido e não ter ficado com um pouco de sono. Tivemos uma partida em marcha lenta, quase parando, na Arena Barueri, com os dois times errando tudo o que tentavam. O Botafogo-SP até ensaiou uma pressão no começo do jogo, mas não passou de fogo de palha. Pelos lados do Oeste não dá para esperar muita coisa, o time parece contar os dias para a Série D.

O que espanta mesmo é o fraco desempenho do Botafogo-SP. Se na tabela o time ainda tem chances de se classificar para a próxima fase, em campo vemos um futebol pragmático, sem criatividade, apesar do bom elenco. Importante lembrar que o começo da temporada se deu com Alexandre Gallo, que tinha outra característica de jogo, bem mais ofensivo do que Argel Fuchs, contratado para ser a antítese do futebol apresentado. Se no começo da era Fuchs os resultados vieram, o desempenho em campo não acompanhou. O clube que que deseja se classificar para a próxima fase não pode empatar contra um provável rebaixado do campeonato, ainda tendo um jogador a mais ao longo do segundo tempo.

 

Ituano (SP) 2 x 1 Mirassol (SP)

O Galo de Itu começou melhor a partida, mas tomou o gol em uma das poucas jogadas do Mirassol no primeiro tempo. Matheusinho cruzou e Everton Heleno, de cabeça, mandou para rede. A partir daí, o Ituano se lançou ainda mais para o ataque e não demorou para chegar ao empate. Jogadaça de João Victor pela esquerda, cruzamento de Gérson Magrão e Tiago Marques empata. A virada aconteceria ainda no primeiro tempo, em outro cruzamento: Fernandinho manda para área e o zagueiro Bernardo (cria da base) mostrou categoria e fez o gol.

Após o intervalo, o técnico Eduardo Batista consertou o sistema de marcação do Mirassol, fez o Ituano recuar e criou boas chances para empatar, mas faltou aquele “detalhe” da finalização. O Ituano, por seu lado, cozinhou o placar e se postou na defesa, tendo poucos contra-ataques.

 

Figueirense (SC) 1 x 1 Ypiranga (RS)

Era a partida para o Figueirense vencer e encostar no G4. Era também a partida para o Ypiranga triunfar e praticamente garantir a vaga na segunda fase. No final, o empate até que ficou de bom tamanho para o Canário; pior para o Figueirense que viu o Ituano abrir 5 pontos de vantagem, enquanto o Ypiranga continua líder e com 7 pontos para o quinto colocado.

O primeiro tempo foi de poucas chances para ambos os lados, mas o Figueirense aproveitou a oportunidade que teve e abriu o placar aos oito minutos. Os catarinenses fizeram marcação alta na saída de bola e Garré cruzou para Bruno Paraíba marcar. Depois do gol o Figueira se fechou na defesa e deu espaços para o Ypiranga, que não conseguiu vazar a meta de Rodolfo Castro.

Na segunda etapa, no entanto, o Canarinho voltou com mais vontade e empatou logo aos seis minutos com Quirino, de peito, após cruzamento de Silvano. Os dois times continuaram tentando o gol e o Ypiranga ainda acertou uma bola no travessão em chute de longe de Erick, mas o placar terminou empatado.

 

São José (RS) 1 x 0 Paraná (PR)

Outro jogo na rodada que carregou muita tensão foi o confronto direto entre São José e Paraná. Quem perdesse deveria ficar muito preocupado com a sua participação na Série C de 2022.

Deu a lógica: com o São José vencendo por uma diferença pequena no placar, mas que foi grande na atuação, o primeiro tempo só deu Zeca, que abriu o placar com Cláudio Maradona. Não fosse a ótima atuação do goleiro Bruno Grassi e a quantidade incrível de gols perdido o jogo nem teria toda a emoção que teve no segundo tempo.

Na etapa final o São José recuou e o Paraná foi para cima com tudo como quem não tem mais muita coisa a perder e o jogo ganhou em emoção. Chances foram criadas para os dois lados, mas o Paraná chegava principalmente nas bolas paradas, o que acabou não sendo o suficiente para buscar o empate. A distância entre o futebol apresentado pelas duas equipes é gigantesca, infelizmente para a equipe paranista.

Com os 6 pontos de vantagem do São José e só 12 pontos em disputa, me parece que ambos os times já decretaram a sua história para o campeonato do ano que vem. Após o jogo, o técnico Silvio Criciúma foi demitido do Paraná.


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