Segundona paranaense terá encontro de quatro campeões estaduais em 2017

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Quatro dos cinco interioranos campeões do Paraná em atividade iniciam oficialmente o ano futebolístico no dia 19 de março. Longe da elite, essas equipes farão parte da Divisão de Acesso do Estadual 2017. No quesito participantes donos de taça, a popular segundona paranaense tem longa vantagem sobre a 1ª divisão desse Estado, com apenas um vencedor de fora da capital.

Os interioranos campeões da elite paranaense na Divisão de Acesso são os seguintes: Grêmio Maringá (1963, 64 e 77), Operário de Ponta Grossa (2015), Paranavaí (2007) e Iraty (2002). Vale-se para o assunto o critério da Federação Paranaense de Futebol em relação ao clube iratiense, que venceu o torneio principal sem clubes da capital e posteriormente viu o Atlético-PR se sagrar campeão apenas de um Supercampeonato Paranaense.

Os demais participantes da segundona 2017 são: Portuguesa Londrinense, Cascavel Clube Recreativo, Andraus de Campo Largo, Apucarana Sports, União de Francisco Beltrão e Maringá Futebol Clube.

Grêmio Maringá, campeão de 1964. Crédito: Marcelo Dieguez (O Historiador do Futebol)

Demais campeões

Na 1ª divisão do futebol do Paraná, o Londrina é o único interiorano com título (1962, 1981, 1992 e 2014). O Tubarão, inclusive, foi campeão da Divisão de Acesso em 1999 e 2011. Somados os municípios campeões, apenas não existe clube de futebol em atividade em Telêmaco Borba, cidade sede do Monte Alegre, primeiro clube de fora da capital com título estadual, em 1955. As outras duas cidades que um dia também conquistaram o campeonato contam apenas com sucessores.

Campeã estadual em 1980, Cascavel conta com um sucessor do Cascavel Esporte Clube, vencedor em título dividido com o Colorado (atual Paraná Clube), em cada divisão. O Cascavel Clube Recreativo está na Divisão de Acesso e o Cascavel Futebol Clube na 1ª divisão do Paranaense. Cornélio Procópio, cidade que em 1961 viu o Comercial campeão estadual, atualmente é representada pelo PSTC Procopense. A agremiação está na 1ª divisão do Estadual.

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Fantasma

O Operário Ferroviário de Ponta Grossa é um dos clubes mais tradicionais do Paraná. Apelidado de Fantasma, por assombrar os grandes do Estado, o clube foi fundado em 1912, de acordo com o site oficial do clube.

Como recorda o livro “Futebol do Paraná – 100 Anos de História“, de Levi Mulford e Heriberto Ivan Machado, a agremiação é uma das três ainda existentes na atualidade a participar da primeira edição do Campeonato Paranaense em 1915. Coritiba e Rio Branco de Paranaguá também são remanescentes do torneio inaugural. Na época desse Estadual, o Operário participou da 2ª divisão.

No Paraná, a trajetória do Operário Ferroviário ganhou renome histórico, em grande parte, pelas obras publicadas pelo falecido pesquisador de história do futebol paranaense José Cação Ribeiro Júnior. Entre as obras está “O Fantasma da Vila – A História do Operário Ferroviário Esporte Clube”. As demais abordam o contexto do futebol da região dos Campos Gerais do Paraná.

Cação também é responsável pelo único livro sobre o Futebol de Monte Alegre (na atual cidade de Telêmaco Borba), região do Clube Atlético Monte Alegre, o primeiro interiorano campeão paranaense, em 1955.

Entre outros legados do pesquisador, uma exposição permanente do arquivo de fotos na associação de torcedores do Operário Avante Fantasma. Ex-jogador de futebol, Cação chegou a vestir, por uma vez, a camisa do Fantasma em 1942. Inspirou ex-atleta e pessoas de novas áreas para realização de pesquisas sobre o esporte.

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Entrevista: Fábio Nascimento

Para contextualizar o cenário histórico desse torneio estadual, o Última Divisão bateu-papo com o futebolista Fábio Nascimento, ex-atacante do Londrina Esporte Clube na conquista da Divisão de Acesso do Paranaense de 1999. No currículo do jogador, desde enfrentamentos contra tradicionais do interior na segundona até convocação para a Seleção Brasileira de Novos. Confira:

Última Divisão: Em 1999, o Londrina conquistou a Divisão de Acesso do Campeonato Paranaense em um derby contra a Portuguesa Londrinense. O torneio ainda contava com o Comercial de Cornélio Procópio, que já foi campeão da 1ª divisão. Poderia falar um pouco no assunto?

Fábio Nascimento: Esse campeonato foi muito bom pra me apresentar ao futebol profissional. Fui artilheiro do time e ainda fiz os dois gols que deram o acesso à 1ª divisão contra o Prudentópolis. Foi um grande time esse também que joguei.

UD: Tanto o Londrina Esporte Clube quanto a Portuguesa Londrinense estavam em baixa nessa época. Mesmo assim, o derby era cercado de polêmicas e folclores na cidade. Como era isso?

FN: Na minha época havia até uma certa rivalidade entre as equipes. Hoje, por causa da disparidade (após gestão da SM Sports e consequente revitalização do nome do LEC), não existe mais. É uma pena, pois a Portuguesa é uma grande equipe de Londrina também.

UD: Naquela Divisão de Acesso de 1999, o Londrina contava inclusive com Aléssio, atacante, campeão estadual da 1ª divisão de 1992 e ídolo da torcida alviceleste. Inclusive esse Londrina foi base para a Série B do Campeonato Brasileiro do mesmo ano. Comente:

FN: Foi um grande time esse que joguei, ao lado de grandes jogadores. Tinha o Aléssio, com quem fiz dupla em 99, na segunda do Paranaense e depois na Série B (do Campeonato Brasileiro). Também tinha vários atletas consagrados (até mesmo estadualmente) como Alemão , Renato , Julio, Milton e outros.

UD: Antes de jogar no Londrina, existe algum momento especial que tenha te marcado junto ao clube?

FN: Sim. Teve o jogo da final do Paranaense (1992, Londrina campeão), contra o União Bandeirante. Com aquele gol do João Neves, esse jogo como torcedor foi muito marcante para mim.

UD: Na história do Londrina, quem eram as referências na hora de tentar aplicar um estilo de jogo em campo?
FN: (Carlos Alberto) Garcia, Claudio José, Marcos Severo são atacantes que eu lembro de tentar imitar (no estilo), pela qualidade que eles tinham.

UD: Você foi campeão Sul-Americano de Juvenis (Sub-17) em 1995. Julio Cesar era o goleiro e Juan estava na zaga da Seleção Brasileira de Novos, em final contra a Argentina. Como foi?

FN: Foi muito bacana ter jogado ao lado de jogadores que posteriormente vieram a se tornar grandes atletas no mundo do futebol. No Sul-Americano foi bacana, fui campeão sendo titular de todos os jogos e fazendo vários gols. Assistências também.

Crédito da foto: Acervo José Cação Ribeiro Júnior
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