São Caetano quase pintou a Libertadores de Azulão

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31 de julho de 2002. Há 15 anos, o São Caetano chegou na final da Copa Libertadores da América. Se você, leitor, for muito novo, talvez nem tenha ideia de como esse time já foi forte. Hoje ele está em baixa, fora até da última divisão brasileira. Mas naquela época disputava os principais torneios como gente grande. E por muito pouco não conquistou um título continental. Seria um dos momentos mais alternativos da história do futebol.

O São Caetano foi fundado em 1989 e, em pouco mais de dez anos, conseguiu chegar na final de um Campeonato Brasileiro de 2000. Na verdade era a Copa João Havelange, que tinha um regulamento bem exótico. Times de divisões inferiores podiam levantar o título da “Série A”. E o São Caetano quase aprontou: perdeu só para o Vasco na final. E no ano seguinte a história se repetiu: em uma final mega alternativa do Campeonato Brasileiro, o Azulão perdeu na decisão para o Atlético-PR.

Pelo menos assim foi conquistada uma vaga na Copa Libertadores de 2002. E naquele ano o time atingiu o auge. Ainda existia uma base forte vice-campeonatos, mas também chegaram reforços importantes. No gol havia um ícone do clube, Silvio Luiz. Na lateral direita normalmente jogava Russo, lateral discreto e competente. A zaga tinha três bons nomes que revezavam e se completavam: Serginho (que faleceu em campo em outubro de 2004), Daniel e Dininho. Na lateral quem jogava era Rubens Cardoso, que não era brilhante, mas tinha atuações seguras na época. O cérebro do time era Marcos Senna, um volante forte, bom marcador e com ótimo passe – sim, o mesmo que se naturalizou espanhol depois e ganhou uma Eurocopa. Ao lado dele jogava Adãozinho, que o complementava com boa velocidade. O meio-campo também tinha uma dupla de características diferentes: Anaílson, mais habilidoso, apoiado por Robert, mais técnico. E o ataque tinha a experiência e o poder de decisão de Ailton junto com a boa presença de área de Somália. Enfim, não era um esquadrão, mas tinha peças que se encaixavam muito bem.

Essa equipe conseguiu ser líder em um grupo com Cobreloa-CHI, Cerro Porteño-PAR e Alianza Lima-PER. Depois, enfrentou três pedreiras: bateu a Universidad Católica-CHI e o Peñarol-URU nos pênaltis e fez jogos muito nervosos contra o América-MEX. Era o time de melhor campanha na 1ª fase, mas foi surpreendido pelo São Caetano. Primeiro o Azulão venceu por 2 a 0. Depois, no México, empatou por 1 a 1. Na bola e na raça o São Caetano chegou na final.

A saga surpreendente continuou: no primeiro jogo, vitória do Azulão por 1 a 0, com gol de Ailton. E a segunda partida foi emocionante: primeiro Ailton, de novo ele, abriu o placar. O jogo foi para o intervalo com 2 a 0 no placar agregado. Tudo indicava título do Azulão. Todos já imaginavam como seria o duelo São Caetano x Real Madrid de Zidane e Ronaldo. Eu queria ver o Somália deitar em cima do Hierro!

Mas o improvável aconteceu: Córdoba e Baez viraram o jogo para o Olimpia. Então a decisão foi para os pênaltis. Muito abalados, os jogadores do Azulão não deram conta do recado. Serginho e Marlon desperdiçaram cobranças e assim o time paraguaio ficou com o título.

Foi uma pena. Depois da tragédia, aquela base se desmanchou e nunca mais o São Caetano foi tão forte. Até conseguiu ser campeão paulista em 2004, sob comando de Muricy Ramalho, mas foi o último suspiro. Pelo menos por enquanto. Em 2017, o time conseguiu voltar à primeira divisão do estadual e mostrou que ainda pode se reerguer. Provavelmente nunca mais terá a chance de disputar uma final de Libertadores, mas viver aquela experiência já foi bastante especial para um clube tão novo e alternativo.

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