Rodada da Série C deixa luta pelo G4 embolada, e Santa Cruz e Oeste em situação crítica

Lenilson Santos/Ferroviário AC
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Tivemos mais uma rodada movimentada na Série C, com alguns resultados surpreendentes, outros nem tanto, e cheia de empates. Dos 10 jogos, 5 terminaram em igualdade, sendo que 4 foram no Grupo A. Na tabela as coisas não mudaram tanto, mas vai ficando cada vez mais complicado para Santa Cruz e Oeste se recuperarem na competição, uma vez que o número de pontos disputados vai caindo. Altos, Floresta e Jacuipense no Grupo A; e São José e Paraná no Grupo B também batalham para não cair.

A classificação para a Segunda Fase ainda é disputada por muito times no Grupo A — e do Ferroviário para cima todos parecem ter plenas chances de avançar, uma vez que a distância é mínima. O Grupo B demonstrou querer ficar embolado nas últimas rodadas, mas o G4 formado por Ypiranga, Novorizontino, Criciúma e Ituano parece seguir firme e com mais constância que o Botafogo-SP para o quadrangular. Bora para os jogos!

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GRUPO A 

Floresta 2 x 2 Manaus

Tivemos um jogo bastante disputado no Ceará. Jogando em casa o Floresta tentou se impor e adiantou o time, mas faltou uma troca de passes melhor. Tanto que as maiores jogadas de perigo se deram na bola parada. Em contrapartida, o Manaus se postou bem defensivamente, deixando o Floresta com a bola, mas teve as principais chances no primeiro tempo. Em um desses contra-ataques que Anderson Paraíba acertou bom passe para Denilson abrir o placar.

Na volta do intervalo, o técnico Leston Júnior colocou o atacante Flávio Mira para jogar. Com 1 minuto de jogo, o lateral Fábio Alves deu uma assistência primorosa e lá estava ele, Flávio Mira, para empatar a partida. A partir do empate o jogo se tornou mais aberto e o Manaus teve que sair mais. Em uma dessas investidas, Anderson Paraíba manda para área, mas William Goiano desvia contra e deixa o Gavião na vantagem. Quando tudo parecia resolvido, o Floresta empatou a partida em um lance de completa desatenção do Manaus, que não prestou atenção na cobrança de escanteio curto e a bola parou na cabeça do lateral Daniel. Empate justo!

 

Volta Redonda 1 x 1 Botafogo-PB

A partida que contou com dois paredões nas metas começou com o Voltaço absoluto no primeiro tempo. O time foi superior ao Belo e só não abriu o placar por causa da pouca eficiência de seus homens de frente, Rômulo Cabral e Rafael Tanque, que erraram muitas jogadas. Como diz o ditado, “quem não faz, leva”, e o Volta Redonda levou: no início do segundo tempo, Sávio partiu pela direita e cruzou para Juba abrir o placar de cabeça. Belo gol do Belo (perdão pelo trocadilho).

Poucos minutos depois, Grasson foi expulso, deixando o Volta Redonda em campo com um a menos. No lance seguinte da expulsão, brilhou a estrela de Vinícius Dias, o paredão do Voltaço. Ele salvou duas bolas em sequência e evitou o segundo gol do Botafogo.

Mas se tem paredão de um lado tem paredão do outro também. Lucas, o paredão do Belo, também salvou duas bolas em sequência e evitou o que seria o empate do Volta Redonda naquele momento. Não foi o suficiente para garantir a vitória, já que no apagar das luzes Olávio fez de cabeça o seu primeiro gol pelo time fluminense e mostrou que é artilheiro do Brasil não por acaso.

 

Paysandu 2 x 0 Jacuipense

O jogo completamente prejudicado pela chuva que caiu em Belém, deixando o campo da Curuzu cheio de poças. No primeiro tempo foi complicado trocar passes em determinadas partes do campo, pois a bola não rolava. Mesmo assim, o Paysandu foi melhor, ou pelo menos o que mais tentava fazer alguma coisa, e abriu o placar em um chute da entrada da área de Rildo. O Jacuipense teve uma boa oportunidade, mas não fez nada além disso. Faltou explorar mais a lateral do Paysandu com o meia Ruy improvisado.

No segundo tempo, a partida ficou mais amarrada, e o Paysandu deixou o Jacuipense com a bola, se defendendo bem. Apesar da presença na área adversária, o Jacuipense consegui produzir muito pouco, não houve nenhuma chance clara de gol. O Paysandu também pouco fez ofensivamente no segundo tempo, mas, no último lance, Jhonnatan tentou um cruzamento, a bola bateu no braço de Raion e o juiz marcou pênalti. O muito criticado Ruy foi lá e fez.

 

Altos 0 x 0 Tombense 

Jogo bastante movimentado no Lindolfinho, mas de pouca qualidade, principalmente nos passes. Muito por conta disso, quem assistiu pode tirar um cochilo na primeira etapa. O time da casa foi inoperante no setor ofensivo, os visitantes estavam mal na criação, com muita dificuldade para conseguir ter uma sequência de toques na bola, principalmente no campo ofensivo. Foi um primeiro tempo de muita dificuldade para os times e também para quem assistiu.

A partida melhorou na segunda etapa, principalmente pelo lado do Altos, que foi melhor e criou chances para abrir o placar; só faltou acertar a pontaria. O Tombense, por outro lado, escolheu abdicar da partida, passou a só se defender e, inclusive, retardar a cobrança de vários lances. O time passou o recado de que estava contente com o empate e na verdade quase perdeu.

 

Santa Cruz 0 x 0 Ferroviário 

Tivemos mais um 0 x 0 no Grupo A, este bem melhor que o anterior. A partida entre Santa Cruz e Ferroviário foi em alta velocidade e bem disputado. O Santa começou melhor a partida, deu mostras de estar mais calmo do que nos outros jogos (efeito da vitória talvez), e criou chances para abrir o placar. Do outro lado, o Ferroviário se viu pressionado e precisou fazer alguns acertos durante a partida para equilibrar o jogo.

No segundo tempo, as coisas se inverteram e o Ferroviário voltou bem mais disposto a abrir o placar. O time criou chances claras com Augusto e principalmente Adilson Bahia, mas faltou qualidade nos dois lances. O Santa acabou baixando a rotação e não conseguiu mais incomodar a meta do Ferrão.

No final das contas o empate foi ruim para os dois, mas, por todas as circunstâncias, pior para o Santa, que vai (mais uma vez) fazer o jogo da vida na próxima rodada contra o Jacuipense. Em caso de derrota já pode começar a estudar a logística para a Série D, já que o empate também seria desastroso.

 

GRUPO B

Ypiranga 0 x 1 Criciúma 

A primeira partida da rodada trazia o embate entre um invicto em casa e um time que não vencia fora de casa desde 2020. Qual seria o resultado? Isso mesmo, quebra de tabu. O jogo começou equilibrado, com os dois times criando chances. Mas depois dos minutos iniciais, o Ypiranga foi mais para cima como de costume. Mais uma vez a defesa dos catarinenses esteve muito bem plantada, dificultando a vida do Canário. No comecinho do segundo tempo o Criciúma abriu o placar com Helder de cabeça.

A derrota que ia se consumando fez o Ypiranga pressionar ainda mais, porém o time continuava esbarrando no bom sistema defensivo montado pelo mister Paulo Baier. Os gaúchos tentaram até o final, mas continuavam falhando, enquanto os catarinenses não conseguiam aproveitar os contragolpes para aumentar o placar. E nem precisaram, a vitória veio pelo placar mínimo. O triunfo fora de casa deixou o Criciúma com os mesmos 23 pontos de Ypiranga e Novorizontino.

 

Mirassol 1 x 0 Botafogo-SP

Era a partida para o Botafogo-SP vencer e embolar a briga no topo do Grupo B, ainda mais depois da derrota do Ypiranga, mas não foi bem isso que aconteceu. A partida em si foi bem fraca tecnicamente e o calor do interior paulista não ajudou nem um pouco. Outro fator que contribuiu para o jogo ruim foi a expulsão de Pará, do Botafogo, que levou vermelho direto após impedir uma oportunidade clara e manifesta de gol na entrada da área.

Com dez em campo, o técnico Argel montou uma rodoviária na frente da área, não jogou mais e nem deu espaços para o Mirassol jogar. Estava tão difícil sair algo bom que até o gol foi feio: Luiz Fernando bateu escanteio à meia altura, a bola passou por todo mundo, menos pelo Luizão, que escorou de barriga. O curioso desse jogo é que o Mirassol tinha a vantagem no placar e quem segurava a bola para passar tempo era o Botafogo. Eduardo Baptista e Argel chegaram a discutir devido à postura do Botafogo. E repito, quem tinha a vantagem era o Mirassol. Isso é Série C!

 

Ituano 2 x 2 São José

Os dois times presentearam os torcedores com uma baita partida de futebol, um dos melhores da rodada. Começou com o São José com a bola, tentando chegar no ataque, pressionando bastante na saída de bola, mas com sérios problemas para marcar a ações em velocidade do Ituano. O primeiro gol saiu inclusive numa dessas bolas de velocidade: Fernandinho após assistência de Thiago Marques.  O segundo do Ituano também saiu após jogada de Tiago Marques, que arrancou do meio de campo e levou a  bola até a área. Depois de um bate-rebate, a bola sobrou livre para Léo Duarte aumentar a vantagem. E podia ter sido mais, não fosse o gol inacreditável perdido por Fernandinho.

O São José estava tomando um vareio de bola até então, mas diminuiu em um cruzamento de Crystopher que contou com o desvio contra de Mateus Silva. Após o gol, o time gaúcho se jogou ainda mais para o ataque, dessa vez cobrindo bem os possíveis contra-golpes do Ituano.

A partida foi para o intervalo aberta e voltou menos intensa, com os dois times criando menos, a solução veio na bola parada. Escanteio na área e Jadson, zagueiro do São José, fez o gol sozinho, dentro da pequena área do Ituano. A partida então novamente esquentou bastante e no final do jogo Fábio Rampi, do São José, e Pegorari, do Ituano, fizeram grandes defesas, decretando o empate.

 

Oeste 1 x 2 Novorizontino 

Bom jogo na manhã de domingo em Barueri, os dois times começaram a partida buscando o gol e dividindo o controle da bola. Com a partida tão equilibrada, o Novorizontino aproveitou um momento de rara infelicidade de Victor Lisboa, zagueiro do Oeste, e o Novorizontino abriu o placar. O problema é que não foi só mais um gol contra, foi um golaço!

Mesmo com o placar adverso o Oeste continuou atacando, mas ainda faltava caprichar na finalização, no último passe… naquele detalhe.

Na volta do intervalo, o detalhe aconteceu, mas onde não podia. A defesa vacilou e a bola sobrou para Danielzinho cruzar e Cléo Silva (que já tinha dado a “assistência” para Victor Lisboa) aumentar o placar. Assim como aconteceu no primeiro tempo o Oeste não se abateu com o gol e continuou atacando o Novorizontino, até que aos 32 minutos, Robertinho fez boa jogada e tocou para Luis Ricardo servir Léo Artur. O Oeste até pressionou pelo empate, mas novamente esbarrou nas suas próprias limitações.

 

Figueirense 2 x 0 Paraná 

A partida começou muito boa, com os dois times buscando o gol. Com dois minutos de jogo, aconteceu o lance que poderia ter mudado o rumo do jogo: o Paraná puxa um contra-ataque e Sillas bate pro gol, a bola desvia em Oberdan e bate caprichosamente no travessão. Eu disse que poderia mudar o rumo do jogo porque depois o Figueirense foi pra cima, levou mais perigo e conseguiu abrir o placar aos 21 minutos, com Rodrigo Bassani de cabeça. Esse foi o oitavo gol que o Paraná sofreu antes dos 30 minutos de jogo.

A partida seguiu movimentada com muitas finalizações (sem tanto perigo) até que, no início da segunda etapa, Diego Tavares finge que furou, mas na verdade deu uma assistência para Andrew aumentar o placar. Depois do gol, o Paraná não teve forças para reagir, enquanto o Figueirense apenas administrou o placar.


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