Real Madrid: 6 histórias alternativas que você precisa conhecer

Reprodução/Marca
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Todos conhecem as histórias, os títulos e os grandes ídolos do Real Madrid, o campeão do século. Mas há algumas passagens curiosas e pouco lembradas do Rey de Copas que a torcida merengue prefere esquecer – e os rivais adoram tripudiar: derrota para uma equipe quase desconhecida do Rio de Janeiro, uma quase contratação de Philippe Coutinho e um vexame histórico que mudou a cara do clube.

E para mostrar que até os gigantes do velho continente também têm seu lado alternativo e curioso, estamos com um novo programa em nosso canal do YouTube chamado Europa Alternativa. Não deixe de conferir.

Derrota em casa para a Portuguesa Carioca

Até pouco tempo atrás, não era difícil os times brasileiros ganharem dos grandes europeus. Real Madrid já perdeu para São Paulo, Palmeiras e Flamengo, por exemplo. Mas poucas derrotas são tão marcantes quanto a do poderoso Real contra a pequena Portuguesa Carioca.

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A partida aconteceu em 4 de setembro de 1969, quando a Lusa da Ilha do Governador estava fazendo uma série de amistosos pela Europa. Seu adversário na Espanha na verdade seria o Sevilla, mas o Real “atravessou” a negociação e ofereceu um valor maior para fazer o jogo.

A partida seria festiva, como parte da comemoração da entrega da faixa de campeões espanhóis, por isso esperava-se não menos que um chocolate por parte dos madrilenhos, que entrou no estádio Santiago Bernabéu com seu time completo. Só que eles não esperavam que os convidados estragariam a festa desse jeito.

Logo aos sete minutos, o ponta-direita Miguel abriu o placar para os cariocas, que ampliaria aos 42′ da primeira etapa. O time da casa até conseguiu marcar o dele, mas apenas ao final da partida, aos 45′ do segundo tempo. Resultado final: 2 a 1 e uma das histórias mais insanas do futebol alternativo.

Para relembrar os 48 anos dessa partida, o Twitter oficial da Portuguesa Carioca fez até uma graça e corretamente chamou o Real Madrid de freguês:

A confusão entre Ricardo Rocha e Zamorano

Ricardo Rocha foi um dos grandes zagueiros brasileiros nos anos 90, mas também foi um jogador muito divertido e até folclórico. Mas o que quase ninguém lembra é que ele jogou no Real Madrid.

Foi uma passagem breve, apenas entre 1992 e 1993, e só com um título da Copa do Rei. Só que foi o suficiente para que surgisse uma história curiosa envolvendo ele e o craque chileno Iván Zamorano, seu então companheiro de time. Ele mesmo conta a história:

Era a primeira concentração dele e ambos dividiram o quarto. De repente, de madrugada, Ricardo Rocha acordou assustado com Zamorano olhando para ele do lado de sua cama. Mas quando o zagueiro estava pronto para sair na briga, o chileno subtamente virou e voltou a dormir. No dia seguinte, Ricardo Rocha descobriu o motivo do comportamento esquisito de Zamorano: ele é sonâmbulo.

Enfrentou o Raja Casablanca no Brasil

O torcedor do Atlético-MG não gosta de lembrar do Raja Casablanca por causa do fatídico Mundial de 2013, mas o fato é que o time do Marrocos já tinha um histórico de aprontar contra grandes clubes.

Em 2000, no Mundial de Clubes no Brasil, o Real Madrid caiu no grupo de Corinthians, Raja e Al-Nassr (SAU). Segundo o regulamento, apenas o primeiro colocado iria à final, enquanto que o segundo faria a disputa de terceiro lugar.

Após uma vitória contra o Al-Nassr e um empate contra o Timão, o Real precisava de uma boa vitória contra os marroquinos para ultrapassar o Corinthians no saldo de gols. A equipe espanhola, que na época era comandada por Vicente Del Bosque (futuro campeão mundial com a seleção em 2010), foi escalada com força total: o jovem Casillas no gol; Michel Salgado, Hierro, Karembeu e Roberto Carlos na zaga; Redondo, McManaman, Guti e Sávio no meio; e Raúl e Anelka no ataque.

Parecia um trabalho fácil já que o Raja vinha de duas derrotas, mas a realidade foi diferente: aos 27′ do primeiro tempo, Achami marcou de cabeça após uma cobrança de escanteio. A virada dos espanhóis só veio no segundo tempo com dois gols relâmpagos: Hierro de falta aos 3′ e Morientes (que entrou no lugar de Anelka) aos 7′.

A porteira parecia ter sido aberta, só que o Raja foi para cima e empatou com mais um gol de cabeça, dessa vez com Mustapha Moustaoudua, aos 13′.

Como era de se esperar, o jogo ficou tenso e logo debandou para as famosas CENAS LAMENTÁVEIS: Bouchaib El Moubarki fez uma graça com a bola e Roberto Carlos respondeu com uma pancada violenta por trás, o que obviamente lhe rendeu um cartão vermelho. No empurra-empurra, como quem não quer nada, Guti deu um chute sorrateiro no joelho de Moubarki e a confusão se instalou. Moubarki, que estava caído no chão, deu um pulo e partiu para cima de Guti. Saldo da confusão: Roberto Carlos, Guti e Moubarki expulsos.

Esse jogo só não terminou em vexame porque Geremi salvou a pátria merengue com um gol aos 42′. Mas a vitória suada não ajudou muito o Real porque, já sabendo do resultado, o Corinthians fez 2 a 0 contra o Al Nassr e assegurou a vaga para a final contra o Vasco.

A louca estreia de Vanderlei Luxemburgo

Quem vê a imagem do Luxa em baixa no nos dias de hoje, deve achar estranho que algum dia ele tenha treinado o Real Madrid. Mas o fato é que em dezembro de 2004, dias após se sagrar campeão brasileiro com o Santos, ele foi chamado para treinar os Merengues.

E seu primeiro jogo já foi bem alternativo. A partida entre Real Madrid e Real Sociedad em dezembro de 2004, válida pela La Liga, teve que ser interrompida por conta de uma ameaça de bomba a seis minutos do apito final quando o placar era de 1 a 1. Posteriormente, o grupo separatista basco ETA assumiu a autoria da ameaça.

O jogo só foi retomado em janeiro de 2005, e apenas para completar os seis minutos restantes. Neste meio tempo, Luxemburgo assumiu o comando do time no lugar do interino Mariano García Remón e precisava encarar a estreia mais louca de sua vida.

E os corajosos que foram ao Santiago Bernábeu assistir os seis minutos de futebol em pleno inverno europeu saíram recompensados. Foram seis minutos frenéticos de um Real Madrid jogando como se estivesse em uma final de título mundial. Após quatro minutos de muita pressão, Ronaldo foi derrubado na área e o árbitro assinalou pênalti. Na cobrança, Zidane marcou e o time da casa saiu com a vitória.

Como o Real Madrid conseguiu essa façanha? Luxa explicou alguns anos depois: treinou o time antes do jogo para que eles já estivessem aclimatados ao ritmo da partida. Assim, quando o juiz iniciou o jogo, os jogadores já entraram com um ritmo mais intenso que o adversário.

A aventura do técnico brasileiro, porém, durou pouco no Real. Quase um ano depois, em dezembro de 2005, ele foi demitido — e após uma vitória sobre o Getafe. A gota d’água teria sido a substituição de Ronaldo durante o jogo, o que provocou vaias da torcida.

Alípio ou Philippe Coutinho?

(Reprodução)

Responda rápido: quem você contrataria hoje para seu time, Alípio ou Philippe Coutinho? Pois é, o Real Madrid teve essa decisão nas mãos em 2008 e quase contratou o hoje astro da Seleção Brasileira quando ele tinha apenas 16 anos, mas o time merengue decidiu assinar com um outro jovem brasileiro promissor, segundo revelou um ex-diretor do clube.

Alípio estava no time de juniores do Rio Ave de Portugal, que recebeu 2,5 milhão de euros por seu passe. Segundo o ex-diretor, Miguel Ángel Portugal, ele foi pego de surpresa, pois a negociação toda foi feita enquanto ele estava no Rio de Janeiro vendo Coutinho jogar.

O fato é que o Alípio não rendeu como o esperado e nunca foi além do time B do Real. Dois anos depois, ele voltou a Portugal para jogar pelo Benfica, onde também não se firmou e acabou virando um andarilho da bola, defendendo o América-RN, o Luverdense e futebol árabe.

Coutinho, por outro lado, saiu do Vasco em 2010 para defender a Inter de Milão. E, em 2012, sentiu pela primeira vez o gostinho de jogar o campeonato espanhol ao ser emprestado para o Espanyol de Barcelona.

Alcorconazo

Se poucas equipes da Europa fazem frente ao Real Madrid, imagine para um time da terceira divisão espanhola. O Agrupación Deportiva Alcorcón SAD nasceu em 1971 e durante boa parte de sua história teve uma vida de pouco glamour, transitando sempre entre as ligas regionais e a quarta divisão profissional. Apenas em 2001, o clube alcunhado de Los Alfareros subiu para a terceira divisão, a Segunda División B.

Mas foi apenas em 2009 que o Alcorcón ganhou fama internacional e graças ao evento que ficou mundialmente conhecido como Alcorconazo. Acho que nem é preciso dizer que é uma referência ao nosso Maracanazo de 1950 e que as coisas ficaram bem estranhas para os merengues.

No dia 29 de outubro daquele ano,  após passar pelo Palencia e pelo Lagun Onak nas fases premilinares, o Alcorcón enfrentaria o poderoso Madrid em seu modesto estádio Santo Domingo. A diferença entre os times era visível: a folha salarial do time da casa não ultrapassava 1 milhões de euros, que é o valor de um salário mensal de um único jogador do Real.

Só que entrando em campo com Van der Vaart, Guti, Raúl e Benzema no time titular, os Galáticos não foram páreo para o esquema defensivo e os contra-ataques do Alfareros. Final da  história: 4 a 0 para o Alcorcón, fora o baile, no que o jornal AS chamou de “A Vergonha do Século”.

No jogo da volta, em Santiago Bernabéu, o técnico chileno Manuel Pellegrini até tentou usar o que tinha para reverter o vexame, com Kaká, Higuaín e Van Nistelrooy, mas o estrago já estava feito, e o time estrelado conseguiu enfiar apenas 1 tento no bravo Alcorcón.

As consequências desta eliminação foram fatais: Pellegrini não durou muito no cargo mesmo tendo terminado a Liga em vice; Guti e Van der Vaart deixaram o clube em 2010, assim como o ídolo Raúl González. Já o Alcorcón subiu pela primeira vez para a segunda divisão, onde permanece até hoje.

Recentemente, o Alcorconazo foi relembrado pela imprensa espanhola após um novo vexame madrilenho. Em janeiro de 2018, o time de Zinedine Zidane foi surpreendentemente eliminado pelo Leganés após ter vencido o primeiro jogo por 1 a 0. Com um gol do brasileiro Gabriel, os merengues perderam por 2 a 1 no jogo de volta que ficou carinhosamente conhecido como PEPINAZO.

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