Quem foi o autor do primeiro gol da Seleção Brasileira em Copas do Mundo?

Imagem: Arquivo CBF
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Por Guilherme Bucalon

Gol. Momento mágico do futebol, possívelmente o ápice para qualquer jogador – ainda mais se este for marcado no torneio mais importante do planeta, a Copa do Mundo. A cada quatro anos, é renovada a lista do privilégiados mortais que marcam seus nomes na história do futebol e também dos seus países natais, mas nem todos são frequentemente lembrados pelo público geral.

Na nação mais importante e vencedora do futebol, a nossa, 81 jogadores, 81 brasileiros, tiveram a honra de empurrar de alguma forma a bola para dentro dos gols adversários, marcando ao todo 226 gols nas 21 edições de Copas do Mundo disputadas. Afinal, o Brasil é a única nação que participou de todas elas. Apenas um gol, o marcado contra pelo escocês Tom Boyd no jogo de abertura da Copa do Mundo de 1998, é que não foi anotado por jogadores canarinhos.

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Dentre esses jogadores, claro que não se esquecem os gols de Ronaldo que o tornaram o maior goleador brasileiro em copas. Ou de Pelé, que além de ser o segundo no ranking, ainda tem a marca de ser o único nascido em solo tupiniquim a marcar em quatro Mundiais diferentes. Ou quem sabe Ademir de Menezes, recordista de gols em uma única Copa do Mundo, a fatídica de 1950.

Até aquele que fez apenas um gol em Copas, por vezes, é lembrado para sempre – logicamente que dada a importância do gol, como o caso de Carlos Alberto Torres e seu histórico tento na final da Copa do Mundo de 1970, no México, que corou a atuação do Capita.

Mas assim como todo texto ou qualquer tipo de história, seja ela escrita, falada, ouvida, transmitida… Todas elas têm um ínicio, e não poderia ser diferente da formidável história brasileira em Copas do Mundo. Contudo, quem conhece a história do primeiro brasuca a chegar ao momento máximo do futebol?

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João Coelho Netto, mas pode chamar de Preguinho. Brasileiro, carioca, capitão, artilheiro. No minuto 62 da partida entre Iugoslávia x Brasil da Copa de 1930, entrou para a história como o autor do primeiro gol brasileiro nas Copas do Mundo.

Após esse jogo contra os iugoslavos, que terminaria em 2 a 1 para a seleção europeia, Prego – como era chamado naquela Copa, ainda sem o diminutivo – marcou ainda mais dois gols no jogo seguinte contra a Bolívia, fechando o Mundial como o melhor marcador de nossa seleção.

Nosso primeiro matador em Copas era filho de um grande nome da nossa literatura, Coelho Neto, membro da Academia Brasileira de Letras e fundados da cadeira de número 2 e que certa vez proferiu a seguinte frase:

Já escrevi mais de 100 livros e ainda sou apontado na rua como o pai do Preguinho.

E tal identificação de Prego era ainda maior por conta do clube que atuava e que também era o seu de coração, aquele pelo qual atuou por toda a carreira: o Fluminense.

Antes mesmo de nascer, Preguinho já era sócio do clube das Laranjeiras. Segundo declaração do próprio, e que inclusive está em um busto dedicado a ele no clube carioca:

Eu mal sabia falar e o Fluminense já estava em minha alma, em meu coração e em meu corpo.

E por conta desse amor tão grande é que, aos 11 anos de idade, ingressou no clube para ficar marcado na história do Tricolor. Estrou no profissional do clube aos 20 anos, recusando-se a receber para jogar por conta de seu amor pelo Fluminense, foi por cinco anos seguidos o maior goleador do time no Campeonato Carioca, entre 1928 e 1932, sendo em duas delas o goleador máximo do campeonato.

Ao todo, foram 153 gols em 174 jogos com a camisa tricolor, sem contar que ele ainda disputou outras modalidades esportivas pela equipe carioca e em praticamente todas foi campeão.

Sempre que virmos um gol brasileiro em Copas do Mundo, jamais devemos esquecer como essa história começou, com o amor de um atleta pelo seu clube, pelo seu país, por aquilo que fazia, ou seja, não só pelo futebol, mas pelo esporte de uma maneira geral, que essa história nos influêncie nesses tempos a fazermos mais pelas somas e não pelas cifras apenas.