Quatro histórias dos quatro campeões da Série D 2017

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Globo-RN, Juazeirense-BA, Atlético-AC e Operário-PR já garantiram vaga na Série C de 2018. Eles ainda vão disputar o título da Série D, mas na prática podem ser chamados de campeões.

E não foi fácil para eles chegarem até aqui. Por isso, como já é tradição no Última Divisão (veja as edições de 2015 e 2016), são destacadas a seguir grandes histórias que esses clubes vivenciaram na última divisão brasileira.

GLOBO

Com nome inspirado na Rede Globo e cores baseadas na bandeira da Alemanha, o Globo conseguiu um acesso surpreendente. O time tem menos de cinco anos de existência e já conquistou a vaga que um rival de muito mais tradição, o América-RN, deixou escapar.

O Globo enfrentou a URT, perdeu a primeira partida por 1 a 0 e teve um grande problema logo no início do jogo de volta: o goleiro titular Rafael, um ídolo local, se lesionou. Teve que ser substituído por um reserva pouco experiente, Dasaev.

O que poderia ser um desastre virou a salvação: Dasaev fez três defesas difíceis no 1º tempo do jogo. Depois, viu o time fazer o gol que precisava. A vitória por 1 a 0 levou o jogo para os pênaltis. E então Dasaev se consagrou como o herói improvável: ele defendeu as cobranças de Fabio Alves e Marques e deu a vitória para o Globo. Os goleiros se abraçaram logo depois e fizeram uma comemoração emocionante.

JUAZEIRENSE

Um time baiano nunca tinha conseguido um acesso pra Série C. E se fosse apostar que algum deles ia conseguir, provavelmente não acreditaria na Juazeirense. Poderia apostar no Jacobina ou no Fluminense de Feira, por exemplo, mas ambos foram eliminados justamente pela Juazeirense no mata-mata. E a surpresa ficou ainda maior nas quartas, pois o time enfrentou o América-RN, equipe tradicional e que estava com a melhor campanha da competição. Deu zebra. Deu Cancão de Fogo. A vitória por 3 a 0 no jogo de ida praticamente decidiu tudo. O empate por 1 a 1 completou a festa.

E um dos personagens dessa campanha é o meia Juninho Tardelli, que é irmão mais velho de Diego Tardelli, aquele revelado no São Paulo e que atualmente joga no Shandong Luneng-CHN. Fazem parte de uma família de jogadores: o pai, Tadeu, foi um andarilho da bola entre das décadas de 80 e 90. E ainda há Wendell, o irmão mais novo, que tenta iniciar a carreira como jogador.

Na Série D Juninho Tardelli chegou para disputar apenas o mata-mata pela Juazeirense e conseguiu ser bastante útil. Assumiu a camisa 10, disputou todas partidas como titular, fez um gol e virou referência da equipe na armação de jogadas.

ATLÉTICO-AC

Após jogos e treinos, é comum ver atletas fazerem imersão em banheiras cheias de gelo. É a crioterapia, que acelera a recuperação muscular. Mas um improviso do Atlético-AC chamou atenção durante o torneio. O Globoesporte publicou um vídeo que mostra os jogadores fazendo esse tratamento dentro de uma caixa d’água apertada. Ali ficam apenas dois atletas por vez, enquanto os outros esperam ao redor. A imagem foi feita no Campo B da Federação de Futebol do Acre (FFAC), em Rio Branco.

Quando o Última Divisão divulgou essa imagem nas redes sociais, houve enorme repercussão, principalmente com elogios aos “guerreiros” do Atlético-AC. Afinal, mesmo com uma estrutura precária, conseguiram ir longe na Série D. Outros clubes também sofrem com o mesmo problema, mas isso não diminui a dificuldade e o tamanho do feito do time acreano.

Curiosidade: um dos jogadores que está dentro da caixa d’água é o artilheiro da Série D, Eduardo! Ele fez nove gols e ficou empatado com Weverton, do Princesa de Solimões-AM.

OPERÁRIO-PR

A trajetória do Operário-PR é curiosa: até 2015 o time parecia destinado a alcançar divisões superiores do futebol brasileiro. Bateu na trave duas vezes, pois foi eliminado nas quartas de final da Série D em 2010 e 2015. Além disso, foi campeão paranaense em 2015. Mas logo depois tudo desmoronou: o time caiu pra segunda divisão estadual em 2016 e nem conseguiu subir em 2017. Quando todo aquele bom trabalho parecia ruir, aconteceu esse acesso pra Série C de 2018.

Nas quartas de final o Operário até teve tranquilidade, pois venceu o Maranhão nos dois jogos. Mas na fase anterior, contra o Espírito Santos, o time passou um sufoco e decidiu tudo nos pênaltis. O herói foi o goleiro Simão Bertelli, que tem uma história de superação. Antes de chegar ao Operário, ele estava quase desistindo da carreira precocemente. Desempregado, com pouca experiência, tinha 22 anos e uma filha para criar. Só foi encontrado pelo Operário-PR porque o técnico Gerson Gusmão o conhecia – eles trabalharam juntos no Novo Hamburgo anteriormente. A indicação deu certo demais, por Simão virou titular e decisivo na conquista do acesso.

Por fim, vale destacar a torcida do Operário, que é justamente o time mais tradicional entre os quatro que subiram. A recepção dos jogadores já foi calorosa e depois houve uma enorme festa no Estádio Germano Krüger, que virou um verdadeiro caldeirão. Antes do primeiro minuto de jogo, a partida já teve que ser parada por causa da fumaça feita pela torcida. E depois disso a comemoração só foi aumentando até as explosões de alegria.

https://twitter.com/netesporteclube/status/897251144862502912

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