Quatro histórias dos quatro campeões da Série C 2018

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As divisões de baixo do futebol nacional sempre apresenta grandes histórias e em 2018 não foi diferente. Após falarmos sobre os casos mais curiosos dos campeões da Série D, falamos agora sobre as histórias incríveis dos quatro times que conseguiram o acesso na Série C 2018. Confira:

Operário de Ponta Grossa-PR

José Tramontin/OFEC

Os últimos anos do Fantasma foram mágicos. Em 2017, venceu a Série D em cima do Globo-RN e conquistou seu primeiro título nacional da história. Em 2018, foi campeão da Segunda Divisão do Campeonato Paranaense e retornou à elite do futebol estadual. E agora, na série C 2018, conquistou mais um acesso: desta vez para a Série B 2019.

Em comum com essa história de destaque há dois nomes: o volante Chicão e o técnico Gerson Gusmão.

Chicão, que inclusive já foi entrevistado pelo UD em 2017, é considerado o Rei do Acesso: subiu para a Série C com o Criciúma em 2010, subiu para a Série B com a Chapecoense em 2012, subiu para a Série C com o Juventude em 2013, subiu para a Série C com o Brasil de Pelotas em 2014, subiu para a Série C com o Operário em 2017 e agora subiu para a Série B com o Operário em 2018.

Chicão chegou ao Fantasma em 2015 e ajudou o time a ser campeão paranaense inédito naquele ano. E, como nem tudo são flores, também esteve no elenco que foi rebaixado para a segunda divisão do estadual no ano seguinte.

Foi naquela temporada, aliás, que Gerson Gusmão voltou ao time (ele era auxiliar no time comandado por Itamar Schulle em 2015). Contratado em março de 2016, seu objetivo era salvar o Operário do rebaixamento do estadual, mas já era tarde demais para reverter o quadro. Mas Gusmão se manteve no time, arrumou a casa e conquistou a Taça FPF 2016 em cima do Andraus. Foi por conta desse título que o Fantasma conquistou a vaga para a Série D 2017.

Atualmente, Gusmão é o técnico mais longevo no cargo de todas as séries nacionais. Atrás dele estão Mano Menezes no Cruzeiro (desde julho de 2016) e Renato Gaúcho no Grêmio (desde setembro de 2016).

 

Bragantino-SP

Marlon Costa / Pernambuco Press

Grande destaque do time é o técnico Marcelo Veiga, que tem o apelido de “Ferguson do Interior”, em referência ao mítico treinador que ficou de 1986 a 2013 no Manchester United. Veiga não ficou tanto tempo assim no Bragantino: ao todo foram seis passagens em um total de oito anos somados. Segundo conta o Estadão, ele nunca ficou mais de 20 dias desempregado, pois sempre que ele é demitido de um clube, rapidamente consegue um cargo no Braga.

Sob seu comando, a Massa Bruta teve grandes conquistas: conseguiu acesso para a Série A1 Paulista em 2005, foi vice-campeão da Copa FPF de 2006, conquistou a Série C do Campeonato Brasileiro de 2007 e agora em 2018 o acesso para a Série B.

Na passagem atual, ele assumiu o time em agosto de 2017 quando havia um sério risco de queda para a Série D. No último e decisivo jogo da primeira fase, o Leão sofreu um gol-relâmpago, mas conseguiu ganhar de virada do Tupi e se manteve na Série C.

Mas é verdade também que ele foi um dos treinadores daquele conturbado ano de 2016, quando o Braga foi rebaixado para a Série C. Veiga entregou o cargo faltando seis jogos para acabar o campeonato e com o time na zona da degola. Na época, ele disse que foi uma de suas piores passagens desde 2004.

 

Cuiabá-MT

Divulgação/Cuiabá EC

Nascido em 2001, o Cuiabá foi fundado pelo ex-atacante Gaúcho, falecido em 2016, e que ficou famoso por ter pego dois pênaltis em uma partida decisiva pelo Palmeiras em contra o Flamengo.

O técnico que levou o Cuiabá pela primeira vez à Série B é Itamar Schulle. Contratado no final de 2017, ele tem em seu currículo os títulos do Campeonato Paranaense de 2015 com o Operário de Ponta Grossa e do Campeonato Paraibano de 2017 pelo Botafogo, além de várias passagens por clubes da região Sul. Em 2017, esteve no ABC de Natal, que acabou rebaixado para a Série C.

Além de Schulle, o Dourado conta ainda com alguns nomes mais conhecidos do futebol nacional. Um deles é o meia Eduardo Ramos, que foi campeão da segunda divisão pelo Corinthians (2008) e pelo Joinville (2014). O outro é o meia-atacante André Mensalão, que ficou conhecido mesmo por conta do apelido. Segundo ele conta, a alcunha nasceu quando foi treinar no Ananindeua (PA) e apareceu com uma camisa do PT que a mãe tinha ganho em um showmício. Como na época o escândalo de corrupção tinha acabado de estourar, o treinador resolveu chamá-lo de André Mensalão, e o apelido pegou.

Botafogo-SP

No ano do seu centenário de fundação, o Pantera Negra soube comemorar com estilo: disputará a Série B pela primeira vez desde a queda em 2002. E tudo isso pode ser atribuído a uma festinha inapropriada após um jogo contra o Ypiranga de Erechim-RS, no que ficou conhecido como a Farra de Erechim.

Três jogadores foram flagrados pela comissão técnica com garotas de programa no hotel. Por conta disso, acabaram cortados do time. O problema é que os três atletas em questão estavam sendo fundamentais para a campanha do time, mas mesmo assim a diretoria foi firme em afastá-los.

Em seus lugares entraram os jovens Caio Dantas e Felipe Augusto, que rapidamente se tornaram respectivamente o artilheiro e vice-artilheiro do time na Série C. Mas a coroação aconteceu no jogo decisivo das quartas de final da competição. Após o time ter perdido para o xará Botafogo-PB por 1 a 0 no jogo de ida, o Pantera vinha empatando até os acréscimos da partida do jogo de volta. Foi então que Caio Dantas achou um gol na marca do pênalti e levou o jogo para os pênaltis. E, na cobrança, o autor do tento decisivo foi justamente de Felipe Augusto.

Outro ponto a ser mencionado é que o Botafogo de Ribeirão Preto passou por uma grave crise financeira em 2017, com atrasos de salário e até greve de funcionários. O clube correu até o risco de perder o estádio Santa Cruz.

Uma mudança no estatuto permitiu que o clube de futebol fosse gerido como uma sociedade anônima. Atualmente, 60% das ações pertencem ao Botafogo e 40% à Trex Holding, que pertence a Adalberto Baptista, empresário e ex-diretor do São Paulo Futebol Clube. Por conta disso, o Pantera recebeu R$ 8 milhões de aporte.

Com a venda de uma parte do terreno, o Botafogo sanou suas dívidas e agora pretende alçar voos maiores na Série B.

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