Quando o clássico o Grenal cruzou a fronteira e foi ao Uruguai

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Grêmio e Inter se enfrentam em clássicos desde a fundação dos colorados, no ano de 1909. O primeiro confronto, aliás, foi no mesmo ano e terminou 10 a 0 para os gremistas. De lá para cá, o jogo se repetiu muitas vezes, sendo algumas delas marcantes – como o clássico no qual o Inter ultrapassou o Grêmio em número de vitórias (1945), o Grenal do Século (1989) e o jogo no qual Fernandão marcou o gol número mil do clássico (2004), entre outros. Os confrontos já foram realizados pelo Campeonato Gaúcho, pelo Campeonato Brasileiro, pela Copa do Brasil e até pela Copa Sul-Americana, sempre sendo realizados no Brasil.

Quer dizer, quase sempre.

No dia 30 de Janeiro de 2011, o clássico foi realizado fora do país pela primeira vez. Aconteceu em Rivera, cidade uruguaia na fronteira com o Brasil – do outro lado da divisa, encontra-se Santana do Livramento.

Um ano antes, o Internacional disputava a Libertadores da América, ano em que conquistaria o torneio. Ainda na frase de grupos, pela terceira rodada, o time comandado por Jorge Fossati enfrentaria o Cerro (Uruguai) na cidade de Rivera.

O jogo acabou em 0 a 0, mas foi importante para mostrar que o Estádio Atílio Paiva Olivera poderia receber um grande clássico – na ocasião, 25 mil torcedores compareceram ao jogo entre Cerro e Inter. No ano seguinte, depois de muitas conversas entre Grêmio, Inter e a Federação Gaúcha de Futebol, foi decidido que o clássico seria realizado em terras uruguaias.

Credita-se (erroneamente) a Jardel a frase que diz que “clássico é clássico e vice-versa”, mas o Grenal no Uruguai foi (certamente) clássico diferente. As duas equipes estavam na Copa Libertadores de 2011 e resolveram poupar atletas nesse jogo. De um lado, um time comandado por Roger Machado, então auxiliar de Renato Gaúcho; do outro, a equipe treinada por Enderson Moreira, que anos mais tarde seria treinador do próprio Grêmio. Coube ao árbitro Márcio Chagas ter a responsabilidade do apito, no Estádio Atílio Paiva Olivera.

O confronto começou morno e indicava que iria terminar sem gols, mas coube a Guto, de cabeça, depois de aproveitar um cruzamento de Marquinhos, para deixar o Internacional na frente.

No intervalo de jogo, veio a grande sacada gremista: Vilson deu lugar a William Magrão. Logo aos 13 min, em uma grande cobrança de falta, Bruno Collaço deixou tudo igual. Ricardo Goulart ainda assustou o goleiro Marcelo Grohe, mas Lins, aos 27 min, marcou o gol da vitória: 2 a 1.

Apesar de ser um clássico de times reservas, o jogo contou com nomes conhecidos da torcida brasileira. Do lado do Internacional, a equipe contava com Ricardo Goulart, Marquinhos Gabriel e Marinho – sim, o do “sabia não”. No lado tricolor, o goleiro era Marcelo Grohe, Mário Fernandes estava na lateral direita, e Dener – um dos atletas que morreram no acidente da Chapecoense – estava na lateral esquerda.

O árbitro Márcio Chagas se aposentou em 2014 e se tornou comentarista de arbitragem na RBS TV, afiliada da Rede Globo no Rio Grande do Sul. O Estádio Atílio Paiva Olivera, palco do Grenal uruguaio, recebe poucos jogos na atualidade – a maioria do futebol amador.

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