Libertadores da América: Qual a origem do nome do maior torneio continental da América do Sul

Alexandre Vidal / Flamengo
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Por Guilherme Bucalon

Aos poucos o futebol está retornando, jogos estão sendo feitos pela Europa sem torcida, assim como em alguma ligas na Ásia. No Brasil, alguns clubes já retomam as rotinas de treinamento enquanto aguardam o reinicio das competições. Uma delas é a mais importante para nós da América do Sul: a Taça Libertadores da América ( ou Copa Libertadores da América, ou ainda Conmebol Libertadores).

Além de consagrar o melhor time da América do Sul, o torneio ainda garante uma vaga para o Mundial de Clubes, competição organizada pela FIFA que conta com representantes de todos os continentes (além do campeão nacional do país-sede). Mas um fato curioso chama a atenção, no último Mundial de Clubes disputado no Catar: todas as competições continentais que garantiam vaga para o torneio possuíam em seus nomes o prefixo “Liga dos Campeões”, com exceção da nossa famigerada Libertadores.

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Além da tradicional Liga dos Campeões da Europa, garantiram vaga para o Mundial a Liga dos Campeões da CAF (África), Liga dos Campeões da CONCACAF (América do Norte e Central), Liga dos Campeões AFC (Ásia) e a Liga dos Campeões da OFC (Oceania).
Mas então por quê a competição Sul-Americana é diferente? E por quê ela tem esse nome? Bem, é isso que vamos contar hoje.

Inicialmente, a Taça Libertadores não possuía esse nome. Em 1948 surgiu a ideia de realizar um campeonato continental de clubes reunindo o campeão de cada país filiado a Conmebol; Foi então batizado de Campeonato Sul-Americano de Campeões, organizado pelo Colo-Colo junto ao então presidente da Conmebol, o chileno Luiz Valenzuela. O torneio contou com a presença de 7 clubes e teve todos os seus jogos realizados no Estádio Nacional de Chile no sistema de todos contra todos. Apenas Colômbia, Venezuela e Paraguai não enviaram seus representantes a época para a disputa. Ao fim do torneio, o Vasco da Gama se sagrou campeão ao empatar sem gols com o River Plate da Argentina.

Vasco no Campeonato Sul-Americano de Campeões de 1948 (Reprodução/Vasco da Gama)

Porém, a entidade não deu continuidade à competição, e somente em 1958 surge novamente a ideia de realizar uma competição com todos os campeões dos países da América do Sul filiados à Conmebol — vale lembrar que Guiana, Guiana Francesa e Suriname são filiados a CONCACAF e por isso disputam torneios juntos a clubes e seleções das Américas do Norte e Central. Um ano depois, em um congresso da confederação, foi anunciada a criação da Copa dos Campeões da América, que viria a ser disputada a partir de 1960. Somente depois de cinco edições do torneio é que decidiu-se por alterar o nome para o que conhecemos hoje: Copa Libertadores da América.

Simón Bolivar, Bernardo O’Higgins, José de San Martin, Dom Pedro I, Manuel Belgrano, Antonio José de Sucre, José Joaquín de Olmedo, José Gervasio Artigas e José Miguel Carrera, dentre muitos outros nomes, foram os responsáveis pelos movimentos nacionalistas que buscavam a independência dos países latino-americanos nos séculos 18 e 19. Por isso, eles ficaram conhecidos como os “Libertadores da América”.

Coincidentemente o sobrenome de algumas dessas figuras, inclusive, se tornaram nomes para clubes da América do Sul. O principal nome dos “Libertadores” talvez tenha sido Simón Bolivar. Nascido na Venezuela, ele conduziu Bolívia, Colômbia, Equador, Panamá, Peru e a própria Venezuela rumo à independência e deu origem ao nome do Club Bolívar, maior campeão boliviano e time do país a ir mais longe na Copa Libertadores. O’Higgins também deu nome a um time, que se encontra na região homônima no Chile; e San Martin e Belgano possuem clubes em suas homenagens na Argentina.

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De um tempo para cá, foi reservado o seguinte lema para o campeão: “A Glória Eterna”. E não haveria de ser diferentes. Assim como aqueles homens e mulheres que deram sua vida para que o povo sul-americano pudesse um dia ser livre, o mesmo ocorre com o vencedor da Libertadores. No fim de tudo isso, somos nós, o povo da América do Sul, os grandes vencedores; não só por termos uma competição tão maravilhosa como a Libertadores, mas por termos o oportunidade de viver livres, libertos.

(Reprodução/Copa Libertadores)