Quais clubes seriam beneficiados se o Brasileirão sempre tivesse a atual fartura de vagas para a Libertadores?

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Por William Tales Silva

Com o Palmeiras campeão da Libertadores e o título da Copa do Brasil entre o próprio alviverde e o Grêmio, é alta a chance de termos um G8 no Brasileirão de 2020! Neste momento, o G7 já é uma realidade, visto que o Grêmio é o sexto colocado do campeonato, ocupando uma posição que dá vaga para a fase preliminar da Libertadores, enquanto o Palmeiras aparece em sétimo, com dois jogos a menos.

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Caso seja confirmado o G8, a reta final do Brasileirão será bastante emocionante na luta pela última vaga, já que a parte intermediária da tabela está bastante embolada. Do Corinthians (8º colocado) para o Atlético-GO (13º), a distância é de apenas 3 pontos. Ou seja, são seis equipes concorrendo por uma única vaga. Além dos alvinegros paulista e cearense, estão nessa briga Red Bull Bragantino, Santos, Athletico e Atlético Goianiense.

No entanto, se estamos na 35ª rodada do Brasileirão de 2020 falando sobre uma possível classificação do atual décimo terceiro colocado para a Libertadores, saiba que isso jamais seria possível em outras edições do campeonato. Então, é justamente esse exercício de imaginação que faremos: quais equipes se classificariam para a Libertadores se o Brasileirão sempre distribuísse o atual número de vagas, instaurado em 2016?

De antemão, é bom explicar que muitas “pré-vagas” (que classificam para a fase preliminar da Libertadores) seriam convertidas para vagas diretas, mas isso não afetaria a participação dos clubes brasileiros na grande maioria dos casos e, por isso, não serão esmiuçadas nos textos.

PARANÁ: 1 “pré-vaga” convertida para vaga direta (2006)

CRUZEIRO: 2 “pré-vagas” convertidas para vagas diretas (2007 e 2009)

ATLÉTICO MINEIRO: 1 vaga para a pré-Libertadores (2003)

Após ter chegado às quartas de final do Brasileirão de 2002, o Atlético Mineiro manteve o desempenho razoável em 2003, mas pecou pelo excesso de empates (foram 15, tornando o clube o vice-líder do quesito) e acabou deixando a vaga para a Libertadores escapar. Com a frustração por ter ficado um ponto abaixo do Coritiba, que foi o último classificado, o Galo deu início a um grande processo de reformulação no elenco após a temporada de 2003, que acabou sendo o primeiro passo do clube rumo ao rebaixamento de 2005.

Se tivesse conquistado a vaga para a Libertadores em 2003, essa grande reformulação poderia ter sido evitada, mudando os rumos do Atlético e evitando o rebaixamento inédito, que começou a ser traçado já em 2004, quando o Galo se salvou da queda por apenas três pontos.

 

AVAÍ: 1 vaga para a pré-Libertadores (2009)

Mesmo com a melhor campanha do futebol catarinense na história do Brasileirão de pontos corridos, o Avaí não conseguiu uma vaga para a Libertadores em 2009. A trajetória foi realmente digna de aplausos. A partir da 11ª rodada, o Leão protagonizou uma arrancada incrível, com oito vitórias e três empates, saindo da última para a quarta posição do campeonato. No entanto, o Avaí terminou na sexta posição, cinco pontos abaixo do G4.

Além de poder ter alcançado uma conquista inédita e histórica para o clube, a vaga certamente traria uma injeção financeira que poderia ter evitado o 2010 mediano do Leão, que se salvou do rebaixamento no Brasileirão por apenas um ponto. Por outro lado, o foco na Libertadores também poderia causar a perda de pontos preciosos na luta contra a queda, que seria consumada em 2011.

 

VITÓRIA: 1 vaga para a pré-Libertadores (2013)

Junto com 1993 e 2010, anos dos vices do Brasileirão e da Copa do Brasil, respectivamente, a temporada de 2013 é uma das mais marcantes da história do rubro-negro. A campanha no Brasileirão é, até hoje, a melhor de um clube nordestino na história dos pontos corridos. Além do bom desempenho em nível nacional, o Leão foi campeão baiano após golear o arquirrival Bahia, duas vezes, por 5 a 1 e 7 a 3. A vaga para a Libertadores seria a cereja do bolo de ano perfeito, mas não foi alcançada por apenas dois pontos.

É possível dizer que 2013 foi o último bom ano do Vitória. Já em 2014, a equipe foi rebaixada no Brasileirão e, utilizando a mesma lógica aplicada no Avaí e no Atlético Mineiro, é justo supor que a conquista da vaga para a Libertadores poderia ter mudado todo o patamar esportivo e financeiro do clube, evitando o desmoronamento da equipe.

 

SPORT: 1 vaga para a pré-Libertadores (2015)

Apesar de ter ficado uma posição abaixo do Vitória de 2013, o Sport de 2015 empatou em pontos com o rival regional e só não se apoderou da marca de melhor nordestino dos pontos corridos porque tinha uma vitória a menos que o Leão baiano, o que dá o tom da boa campanha da equipe pernambucana.

Sem a vaga, o Sport se salvou do rebaixamento por apenas quatro pontos em 2016. O prejuízo só não foi maior porque o Leão do Retiro ainda se manteria na elite nacional até 2018 e também por já ter disputado a Libertadores em 2009, graças ao título da Copa do Brasil.

 

SANTOS: 1 vaga para a pré-Libertadores (2012) e 1 “pré-vaga” convertida para vaga direta (2006)

Santos zero, Flamengo também zero, primeira rodada do Brasileirão de 2013, no estádio Mané Garrincha. Assim foi a despedida de Neymar do Santos. Um jogo de pouca importância, que teve como maior momento as lágrimas do craque santista durante a execução do hino nacional. No entanto, se o Peixe tivesse conquistado a vaga para a Libertadores em 2012, essa história poderia ter sido diferente.

Considerando que o último jogo de Neymar pelo Santos foi no dia 26 de maio de 2013, estamos falando de uma hipotética despedida do craque após a partida de ida das quartas de final da Libertadores daquele ano, provavelmente em uma Vila Belmiro lotada ou em algum outro grande palco do futebol sul-americano, num jogo à altura de Neymar. Aos otimistas, ainda ficaria a esperança do Santos forçar a barra com o Barcelona e tentar a permanência do menino da Vila até o fim do continental, em busca do tetracampeonato, que seria a melhor despedida possível.

Porém, esse roteiro grandioso ficará apenas na imaginação de todos, já que o ano de 2013 não reservou nenhuma glória ao Santos, que ficou em sétimo no Brasileirão e ainda tomou 8 a 0 do Barcelona no Troféu Joan Gamper.

 

FLAMENGO: 1 vaga para a pré-Libertadores (2008) e 1 “pré-vaga” convertida para vaga direta (2011)

O Flamengo de 2009 talvez seja o mais surpreendente campeão do Brasileirão de pontos corridos. Com uma reação histórica, o rubro-negro deixou a luta na parte debaixo da tabela e garantiu o título, embalado por Andrade, Petkovic e Adriano. A crescente flamenguista a partir da 22ª rodada do campeonato contou com 40 pontos conquistados entre 51 disputados, com apenas uma derrota rubro-negra no período. Mesmo com o ótimo returno, o primeiro turno ruim fez com que a taça fosse garantida apenas na última rodada, graças à vitória contra o Grêmio, no Maracanã lotado.

Se, mesmo com as quedas nas quartas de final da Copa do Brasil e na primeira fase da Sul-Americana, o Flamengo conseguiu se complicar no início do Brasileirão, imagine se ainda tivesse a Libertadores no calendário. Talvez, pelo menos neste ano, tenha sido bom se ausentar do continental. A vaga foi perdida na última rodada do Brasileirão de 2008, quando o Flamengo precisava vencer o Atlético Paranaense, mas perdeu por 5 a 3, na Arena da Baixada.

 

CORINTHIANS: 1 vaga para a pré-Libertadores (2004) e 2 “pré-vagas” convertidas para vagas diretas (2010 e 2014)

Assim como o Flamengo, o Corinthians também soube transformar a frustração pela perda da vaga na Libertadores em combustível na busca pelo título brasileiro. Embalado por Tévez e em meio às polêmicas dos jogos anulados por causa da “máfia do apito”, o Corinthians se sagrou tetracampeão brasileiro na última rodada, mesmo perdendo para o Goiás no Serra Dourada. Se tivesse goleado o Coritiba por seis ou mais gols de diferença, o Internacional seria o campeão, mas o Colorado também perdeu na despedida do torneio.

Esse foi o primeiro (e único) título desde que o Corinthians havia assinado uma polêmica parceria com o fundo de investimento MSI, em 2004, turbinando o clube com craques como Tévez, Mascherano, Nilmar, Carlos Alberto e Roger Flores. Com o elenco estrelado, não é difícil imaginar que o MSI iria insistir para que o Corinthians focasse seus esforços na conquista da Libertadores, que, àquela altura, seria inédita para o clube, deixando assim o Brasileirão em segundo plano e perdendo esse título.

Por outro lado, essa hipótese da fartura de vagas impediria que o Corinthians passasse o vexame da eliminação na pré-Libertadores para o Deportivo Tolima (COL), em 2011, com Ronaldo, Roberto Carlos, Ralf, Paulinho, Tite e companhia. Com a distribuição atual de vagas, o timão iria direto para a fase de grupos. Porém, hoje sabemos o quanto aquela derrota para o Tolima foi importante para o clube conquistar o Brasileirão daquele ano, pois deu início a um grande processo de reformulação e amadurecimento, que contou até com as saídas dos craques Ronaldo (aposentado) e Roberto Carlos (Anzhi, da Rússia).

 

SÃO PAULO: 1 vaga para a pré-Libertadores (2011) e 2 “pré-vagas” convertidas para vagas diretas (2012 e 2015)

Se a vaga para a Libertadores colocaria em risco o título brasileiro de Flamengo e Corinthians, a conquista da vaga definitivamente impossibilitaria o São Paulo de ser campeão da Sul-Americana em 2012. Em 2011, o São Paulo se manteve na briga pela Libertadores até a última rodada do Brasileirão, e fez sua parte ao golear o Santos por 4 a 1, mas teve a classificação frustrada pelo Internacional, que venceu o clássico Gre-Nal por 1 a 0, garantindo a última vaga. Apesar do insucesso, o tricolor paulista deu a volta por cima na temporada seguinte, conquistando a Copa Sul-Americana, com o time liderado por Lucas Moura, Luis Fabiano e Rogério Ceni.

O time do São Paulo era forte naquele ano, tanto que ainda conseguiu um quarto lugar no Brasileirão e alcançou a semifinal da Copa do Brasil. Poderia fazer uma boa campanha na Libertadores, se tivesse garantido a vaga, mas o Corinthians teve uma trajetória impecável (e invicta) naquela edição do continental e dificilmente seria parado na busca pelo título. Dito isso, tenho certeza que o torcedor são-paulino não trocaria o certo pelo duvidoso, ainda mais sabendo que “apagar esse título da história do clube” aumentaria o jejum de troféus de oito para doze anos.

 

FIGUEIRENSE: 2 vagas para a pré-Libertadores (2006 e 2011)

O Figueirense certamente é um dos clubes que mais lamentam a antiga escassez de vagas do Brasileirão. Jamais classificado para a Libertadores, a equipe catarinense esteve duas vezes em posições que hoje seriam suficientes para beliscar uma “pré-vaga”. Em 2006, o Figueira contava com nomes que populares no futebol brasileiro, como os zagueiros Chicão e Felipe Santana, os volantes Marquinhos Paraná, Cícero e Henrique e o atacante Schwenck, sob o comando de Adilson Batista no início do torneio e, pela maior parte dele, de Waldemar Lemos (o mesmo que foi xingado na apresentação no Flamengo).

Essa equipe foi a base para o Figueirense que viria a ser vice-campeão da Copa do Brasil de 2007, perdendo o título para o Fluminense. Se tivesse somado quatro pontos a mais no Brasileirão de 2006, o clube jamais teria alcançado essa decisão, pois as equipes que disputavam a Libertadores naquela época não participavam da Copa do Brasil. Em 2007, o Figueira ainda voltaria para a luta na parte debaixo da tabela, terminando o campeonato em 13º.

Em 2011, a vaga esteve ainda mais perto. Bastavam mais três pontos para que o Figueirense conseguisse o acesso, mas o time teve que se contentar com o mesmo sétimo lugar de 2006. Dessa vez, no entanto, não há atenuante para a perda da vaga. No Brasileirão de 2011, o Figueira conseguiu emendar 14 jogos de invencibilidade, mas patinou na reta final por causa de lesões e desfalques e deixou o G5 escapar. Em campo, o clube contava com atletas como o goleiro Wilson, os zagueiros Edson Silva e Bruno Alves, o lateral-direito Bruno, o volante Maicon e os atacantes Wellington Nem, William Pottker e Aloísio Boi Bandido. Para aumentar o sabor amargo da perda da vaga, o Figueirense ainda foi rebaixado no Brasileirão de 2012, em último lugar.

 

FLUMINENSE: 2 vagas para a pré-Libertadores (2005 e 2014)

Quinto colocado do Brasileirão de 2005, o Fluminense viu a oportunidade de voltar para a Libertadores pela primeira vez desde 1985 escapar por apenas dois pontos. O tricolor era o grande carioca mais desacostumado com o torneio continental, tendo o disputado apenas duas vezes até então, sem nunca ter passado da fase de grupos. Todo esse peso certamente deixou mais amarga a perda do título na última rodada, em um confronto direto contra o Palmeiras, fora de casa, por 3 a 2, quando precisava apenas empatar. Sem a Libertadores, o Fluminense lutou contra a queda no Brasileirão de 2006, se salvando por seis pontos, na 15ª posição.

Já em 2014, o Fluminense entrou no campeonato ainda marcado pelo polêmico rebaixamento da Portuguesa no ano anterior, e queria fazer bonito para que essa história fosse esquecida. A luta contra a queda realmente esteve longe, assim como a briga pelo G4. Apesar da sexta colocação, o tricolor precisaria de oito pontos para ultrapassar o Corinthians na luta pela última vaga. Sem a América para disputar, o Flu esteve de novo na parte debaixo da tabela em 2015, se salvando do rebaixamento por cinco pontos, no 13º lugar.

 

ATLÉTICO-PR: 2 vagas para a pré-Libertadores (2005 e 2010) e 1 “pré-vaga” convertida para vaga direta (2013)

Até 1999, o Athletico Paranaense era, inequivocamente, um time com menos glórias que seu arquirrival, o Coritiba. O Furacão jamais havia disputado a Libertadores e nunca havia conquistado o Brasileirão, feitos já alcançados pelo Coxa. No entanto, a partir de 2000, a vida do torcedor rubro-negro começou a mudar. A equipe participou de três das seis primeiras edições da Libertadores após o “bug do milênio” e ainda conquistou o Brasileirão de 2001.

Realmente, o Athletico vivia seu auge, mas os ventos fortes do Furacão começaram a se arrefecer em 14 de julho de 2005, quando a equipe foi vice-campeã da Libertadores contra o São Paulo. No Brasileirão, a equipe acabou na sexta posição, nove pontos abaixo do G4, dando início a um jejum de nove anos sem participar da Libertadores. Em 2006, o Athletico ficou na parte debaixo da tabela, no 13º lugar.

O jejum continental quase foi interrompido em 2011, mas faltaram três pontos para que o Furacão entrasse no G4. E, dessa vez, a ausência na Libertadores pesou muito para o clube, que foi rebaixado após passar 16 anos na elite. Se tivesse se classificado para a Libertadores, o maior orçamento poderia ter, ao menos, evitado a queda do Furacão, que lutou até a última rodada, mas terminou dois pontos abaixo do Cruzeiro, 16º colocado.

 

GOIÁS: 2 vagas para a pré-Libertadores (2004 e 2013) e 1 “pré-vaga” convertida para vaga direta (2005)

Após o título da Série B, em 1999, o Goiás viveu um momento de franca ascensão no futebol brasileiro. O esmeraldino se acostumou a figurar na primeira metade da tabela e, em 2004, chegou a sonhar com uma vaga inédita na Libertadores, mas ficou sete pontos abaixo do G4. A história mostra que essa frustração seria rapidamente contornada pela campanha do clube em 2005, terminando no 3º lugar do Brasileirão e garantindo a classificação para o continental. Talvez a conquista da vaga em 2004 fosse um passo “maior que a perna” naquele momento para o esmeraldino, que só seria rebaixado novamente em 2010.

Diferentemente de 2004, quando o Goiás vivia uma sólida e gradativa crescente, em 2013 o Esmeraldino protagonizou uma ascensão meteórica. O time havia sido campeão da Série B em 2012, e manteve boa parte da base daquela equipe para a disputa do Brasileirão, esperando se manter no meio da tabela. No entanto, embalado por Walter, o Esmeraldino lutou pela classificação para a Libertadores até a última rodada. Com o empate do Vitória, os triunfos de Botafogo e Atlético Paranaense e o vice da Ponte Preta na Sul-Americana, bastava que o Goiás vencesse o Santos, que já não tinha pretensões no campeonato. Porém, o Peixe aprontou no Serra Dourada e venceu por 3 a 0, ceifando o sonho da segunda participação do time goiano na Libertadores. Para 2014, o Goiás perdeu boa parte do time titular e até mesmo o técnico Enderson Moreira foi embora. O resultado foi a 12ª colocação no Brasileirão.

 

PALMEIRAS: 2 vagas para a pré-Libertadores (2007 e 2009) e 3 “pré-vagas” convertidas para vagas diretas (2004, 2005 e 2008)

Após brigar contra o rebaixamento em 2006, o Palmeiras disputou o Brasileirão de 2007 com o objetivo de voltar à luta na parte de cima da tabela. O objetivo foi alcançado, embora a vaga para a Libertadores não tenha sido conquistada. O alviverde terminou em sétimo, dois pontos abaixo do G5. Na última rodada, o Palmeiras poderia ter garantido a classificação para o continental com uma simples vitória contra o Atlético Mineiro, no Parque Antarctica, mas perdeu por 3 a 1.

Apesar do insucesso, o Palmeiras seguiu melhorando sua performance. Em 2008, foi campeão estadual e garantiu vaga na pré-Libertadores pelo Brasileirão. Ainda em crescente, o alviverde lutou pelo título nacional em 2009, chegou a passar 19 rodadas na liderança, mas acabou a temporada fora até do G4, graças às últimas 11 rodadas do campeonato, em que somou apenas nove pontos. Ainda assim, bastava empatar na última rodada com o Botafogo, mas o alvinegro venceu por 2 a 1 no Engenhão. Após a frustração de 2009, o Palmeiras ficou apenas com o 10º lugar no Brasileirão de 2010.

 

GRÊMIO: 2 vagas para a pré-Libertadores (2007 e 2014) e 2 “pré-vagas” convertidas para vagas diretas (2010 e 2012)

Desde o rebaixamento, em 2004, o Grêmio vivia um bem sucedido processo de reformulação, que fez o clube reascender no futebol sul-americano. Após subir com o título em 2005, o tricolor gaúcho foi o terceiro colocado do Brasileirão de 2006, garantindo vaga na Libertadores de 2007, em que foi vice-campeão. Para manter o embalo, seria importante conquistar a vaga novamente, mas essa classificação escapou na última rodada do Brasileirão. O Grêmio empatou com o Corinthians por 1 a 1, mas não conseguiria a vaga nem mesmo em caso de vitória, porque o Cruzeiro e o Fluminense venceram na rodada. Sem a Libertadores no calendário, o Imortal brigou pelo título do Brasileirão de 2008 até a última rodada, mas o São Paulo ficou com a taça.

Se em 2007 houve briga por vaga até a última rodada, em 2014 o torcedor gremista teve de se conformar um pouco mais cedo com a ausência do time na próxima Libertadores. Foram oito pontos de distância para o G4. Na temporada de 2015, o tricolor conseguiu a vaga, após terminar o Brasileirão no terceiro lugar.

 

VASCO: 1 vaga direta (2012) e 1 vaga para a pré-Libertadores (2006)

Quinto colocado do Brasileirão de 2012, o Vasco terminou o campeonato oito pontos abaixo do G4, mas com certeza é um dos times que mais seriam impactados pela conquista de uma vaga à Libertadores. Isso porque, a partir daquele ano, o cruzmaltino entrou em uma severa crise financeira, em parte por causa do time estrelado que montou em 2011 para conquistar a Copa do Brasil de 2011 e ser vice do Brasileirão, que levaria o time ao rebaixamento em 2013. Com a vaga na Libertadores, possivelmente haveria mais verba em caixa para investir em um elenco mais qualificado ou pelo menos para convencer peças importantes a permanecerem, garantindo o ponto que faltou para a salvação.

Já em 2006, o Vasco teve duas claras chances de classificação para a Libertadores, mas desperdiçou ambas. Primeiro, foi vice da Copa do Brasil contra o Flamengo, depois deixou a vaga pelo Brasileirão escapar na última rodada. Bastava vencer o Figueirense, no Orlando Scarpelli, mas o placar terminou zerado. Sem a vaga, a temporada de 2007 reservou ao Vasco o 10º lugar no Brasileirão, o quarto no Carioca e as quedas nas quartas da Sul-Americana e na pré-oitavas da Copa do Brasil. Um ano abaixo da média, que anunciava a tragédia que se avizinhava: o rebaixamento inédito em 2008.

 

BOTAFOGO: 3 vagas para a pré-Libertadores (2008, 2010 e 2012) e 1 “pré-vaga” convertida para vaga direta (2013)

Como diz o ditado: “tem coisas que só acontecem com o Botafogo”. Tendo participado da Libertadores pela última vez em 1996, o alvinegro carioca conseguiu “bater na trave” em busca da vaga três vezes em apenas cinco temporadas. As aspas são necessárias porque, em algumas dessas edições, o acesso esteve distante para a realidade da época, mas, trabalhando com a hipótese da atual fartura de vagas, o desempenho alvinegro seria suficiente para garantir a classificação hoje em dia.

O primeiro “quase” foi em 2008, quando o Botafogo ficou em sétimo, 12 pontos abaixo do G4. O segundo, em 2010, foi por quatro pontos, na sexta posição, com o sonho da vaga vivo até a última rodada, mas triturado pelo Grêmio, que bateu o alvinegro por 3 a 0, no Olímpico, quando a equipe carioca precisava da vitória. O terceiro, em 2012, foi por onze pontos, com o Botafogo terminando na sétima posição.

Provavelmente a temporada onde a ausência da vaga mais foi sentida foi a de 2009, quando o Botafogo lutou contra o rebaixamento até a última rodada, sendo salvo por Jóbson. Em 2011, o alvinegro foi o nono colocado do Brasileirão. Já em 2013, sob o comando de Seedorf, o Botafogo enfim conseguiu a vaga, ficando na quarta posição e conquistando o Carioca.

 

INTERNACIONAL: 1 vaga direta (2008), 2 vagas para a pré-Libertadores (2003 e 2015) e 1 “pré-vaga” convertida para vaga direta (2011)

Junto com o Botafogo, o Internacional foi o mais prejudicado pela antiga escassez de vagas da Libertadores. A equipe gaúcha tem vantagem apenas porque a vaga de 2008 seria direta para a fase de grupos. Isso porque o Colorado foi campeão da Copa Sul-Americana e, na época, isso não valia a promoção para a Libertadores. O Inter terminou aquele Brasileirão no sexto lugar, onze pontos abaixo do G4, mas já devia ter a classificação assegurada pelo título internacional. Sem a vaga, o Colorado pôde concentrar suas forças no Brasileirão de 2009, onde lutou até a última rodada pelo título, mas acabou com o vice-campeonato. O Inter ainda seria vice da Copa do Brasil e da Recopa Sul-Americana naquele ano.

Antes disso, o Inter já havia batido na trave em 2003, quando acumulava dez anos sem participar da Libertadores. Na última rodada, o Colorado precisava apenas empatar com o São Caetano, fora de casa, mas foi atropelado por 5 a 0. Em 2004, o Inter foi o oitavo do Brasileirão.

Já o caso mais recente aconteceu em 2015, também decidido na última rodada. O Inter até fez sua parte, bateu o Cruzeiro por 2 a 0, mas isso foi insuficiente, já que o São Paulo também venceu. De todas as vagas perdidas, essa certamente é a mais dolorosa. Isso porque, em 2016, o Inter foi rebaixado para a Série B. A classificação para a Libertadores poderia ter fomentado uma melhor construção de elenco, com mais verba disponível, evitando a queda consumada por dois pontos.

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