Q-League: os petrodólares em jogo

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O povo do Catar se livrou do domínio de persas, barenitas, turcos otomanos e ingleses há quase 40 anos, quando se tornou um país independente, em 1971. No entanto, o pequeno país árabe localizado no Golfo Pérsico não parece ter escapado de outra invasão, desta vez menos política e mais esportiva: a dos brasileiros que vão disputar o obscuro futebol catariano em busca de petrodólares e do resgate de suas carreiras.

A batalha principal disputada nos campos de lá, aliás, teve início neste sábado, 13 de setembro, quando começou a Q-League, primeira divisão do Catar. A competição é composta por 10 clubes, que jogam entre si em pontos corridos, onde os quatro primeiros colocados avançam para disputar o título e o último é rebaixado à segunda divisão nacional, que também é composta por 10 clubes.

Neste ano, sem dúvida, a atração são os jogadores brasileiros. Muitos trocaram a elite do futebol canarinho pelo fraco (porém rico) futebol catariano, como foi o caso de Fernandão (ex-Internacional), Roger (ex-Grêmio), Marcinho (ex-Flamengo) e Aloísio (ex-São Paulo). Agora, estes jogadores e até alguns técnicos brigarão até abril do ano que vem para faturar o título nacional e ganhar dinheiro suficiente para a tão sonhada “independência financeira”, além de – claro – conquistar o prestígio dos xeques para conseguir a renovação de contrato por mais um ano. Não parece um bom negócio?

Al-Gharafa: campeão da Q-League no ano passado, o time irá tentar buscar o bicampeonato nacional com a mesma fórmula de outros carnavais: a aposta nos artilheiros brasileiros. Nesta temporada, o time manteve o atacante Araújo (ex-Cruzeiro), que detém o recorde de maior artilheiros de todos os tempos da liga (27 gols, superando os 25 do argentino Gabriel Batistuta pelo Al-Arabi, na temporada 2003/04), e contratou ainda o ídolo colorado Fernandão, de 30 anos. Para comandá-los, o Al-Gharafa acertou com o brasileiro Marcos Paquetá, que dirigiu seleções brasileiras de base e a Arábia Saudita na Copa do Mundo da Alemanha, em 2006.

Al-Sadd: maior vencedor (12) desde que a liga começou a ser disputada (1973), a equipe já teve entre seus selecionados o artilheiro Romário (em 2003, fez três jogos e nenhum gol) e Pele (o Abedi, ex-atleta ganês). Agora, investe na experiência do treinador Émerson Leão (ex-Santos) e aposta no meia-esquerda Felipe (ex-Fluminense), que já defende o clube há três temporadas e é considerado ídolo no futebol catariano.

Umm Salal: apesar de investir pouco em brasileiros, o time é a casa de um dos mais bem-sucedido deles: Fábio César Montezine, meio-campo de 29 anos nascido em Londrina e naturalizado catariano. A história do jogador, que lá é chamado de Fabio Sizar por conta da sonoridade do nome em inglês, é bastante curiosa: revelado nas categorias de base do São Paulo na época de Kaká, não teve destaque e saiu logo do país, não tendo jogado nenhuma partida como profissional no Brasil. Antes de chegar ao futebol árabe, onde já defendeu o Al-Arabi, o atleta passou pelos italianos Udinese, Avellino e Napoli.

Qatar SC: o clube que leva o nome do país nunca teve tradição em investir nos brasileiros. Até este ano, havia contado apenas com o desconhecido Francisco Lima, que começou no São Paulo em 1996, atuou na equipe por empréstimo em 2006 e atualmente joga no San Jose Earthquakes, dos Estados Unidos. Agora, porém, decidiu apostar na dupla Marcinho (ex-Flamengo) e Roger (ex-Grêmio) para faturar seu sétimo título da liga, competição que não vence desde 2003. Em tempo: o treinador para a complicada missão é Sebastião Lazaroni, campeão da Copa América de 1989 pela seleção brasileira.

Al-Rayyan: destino tradicional de atletas brasileiros no Catar (visto que Sonny Anderson e até mesmo Fernando Fumagalli já estiveram por lá), a equipe repete a fórmula e tem cinco atletas do país nesta temporada, com destaque para o atacante Aloísio e o treinador Paulo Autuori, campeões mundiais pelo São Paulo em 2006. Os dois terão a companhia do zagueiro pentacampeão mundial Roque Junior, do ex-meia corintiano Ricardinho e de Marcelo Tavares, zagueiro que tinha contrato com o Cruzeiro, mas mudou de idéia na última hora e foi para o Catar.

Al-Arabi: enquanto outros clubes investem em nomes conhecidos para comandar seus times, esta equipe acredita na experiência árabe do brasileiro Zé Mario. O treinador já passou pela seleção do Iraque, da Arábia Saudita e do próprio Catar, além de diversos clubes destes dois últimos países – no Brasil, seu último time foi o Figueirense, em 2006. A aposta no especialista visa repetir a campanha de 1993, quando o clube faturou a liga. Em campo, as apostas são no brasileiro Kim (ex-Atlético-MG), no boliviano Juan Carlos Arce (ex-Corinthians) e no argentino Leonardo Pisculichi (ex-Mallorca/ESP), que espera seguir os passos dos ídolos Caniggia e Batistuta no clube catariano.

Al-Khor: o time não costuma ter brasileiros como jogadores fundamentais, mas mesmo assim não deixa de tê-los no plantel. Para esta época, o Al-Khor conta com o meia Fabrício (ex-Atlético-PR) e o atacante Rodrigo Gral (ex-Grêmio), que estão na equipe respectivamente há três e duas temporadas. Os dois serão importantes para dar um toque de qualidade na equipe, que costuma dar prioridade à jogadores do próprio país ou da região – predominantemente Iraque e Bahrein.

Al-Sailiya: sem grandes astros, mas com o bom e velho talento brasileiro. Essa é a tônica da equipe, que conta com dois atletas canarinhos. Um deles é Gilberto William Fabbro, mais conhecido como William, que hoje tem 31 anos e nunca se firmou no Atlético-PR, clube que o formou e o emprestou para uma extensa lista de clubes, como Gama, Figueirense e Tenerife-ESP, antes de negociá-lo em definitivo com o Al-Sailiya. O outro é um pouco mais desconhecido e atende por Will Robson, joga como atacante, tem 35 anos e também defendeu o Atlético-PR no passado, além de vários times japoneses.

Al-Wakra: o clube ficou na corda bamba para ser rebaixado à segunda divisão no ano passado e agora precisa mostrar reação. Porém, se depender do número de brasileiros, o desempenho ficará prejudicado, afinal o único na equipe é o zagueiro Daniel, que teve passagens por Atlético-PR, Lobos de Buap-MEX, Marília, Criciúma, Galo Maringá e Londrina – está na equipe desde o meio do ano passado. Outro detalhe curioso: o uniforme da equipe é idêntico ao da seleção argentina.

Al-Kharitiyath: campeão da segunda divisão no ano passado, o time entra em campo para não voltar para o segundo escalão do futebol catariano. A manutenção da vaga na elite, aliás, passa pela contratação de desconhecidos como o atacante Wilton Figueiredo, atacante com passagem pela base do São Paulo e recentemente adquirido junto ao Al-Rayyan, e o volante Rodolfo Soares, que tem apenas 20 anos e começou no Fluminense, passando ainda pela Dinamarca e pelo Madureira.

Jogos da primeira rodada:

Sábado:
Al-Sailiya 2 x 5 Al-Rayyan
Cissè (2) // Ricardinho (2), Amara Diane, Mostafa Abedi e Aadel Lami
Qatar 2 x 1 Al-Khor
Sebastian Soria e Roger // Mohamed Sayed Adnan

Domingo:
Al-Arabi 1 x 3 Umm Salal
Kim // Fabio Cesar (2)
Al-Saad 6 x 0 Al-Kharitiyath
Khalfan (2), Alhaidos, Al-Boloshi, Felipe e Majed Mohammed
Al-Gharafa 3 x 1 Al-Wraka
Fernandão (2) e Araújo // Al-Zain

Fontes: Gazeta Esportiva.Net, Wikipedia e Goalzz.com

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