PQP, é a melhor biografia de goleiro do Brasil!

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Hoje em dia não é preciso ter uma carreira muito longa no futebol para ganhar uma biografia. São vários os exemplos de jogadores que mal atingiram o ápice e já conquistaram lugar nas prateleiras. Mas lá para o fundo, entre os três livros sobre o Neymar e os outros dois do Messi, com sorte você encontrará também a história de duas lendas, provavelmente os últimos atletas que devotaram carreiras inteiras a apenas um clube do Brasil. Melhor: em ambos os casos, além dos biografados, os autores também são craques.

Estamos falando das biografias oficiais dos goleiros Marcos e Rogério Ceni assinadas, respectivamente, por Mauro Beting e André Plihal. Como não criar grandes expectativas?

Pois foi com grande entusiasmo que comprei Nunca Fui Santo (Universo dos Livros, 2012) e Maioridade Penal (Panda Books, 2009), dois livros finos (mais ou menos 170 páginas cada um), subdivididos em capítulos curtos, de leitura rápida.

Como era de se esperar, ambos são ótimos. Mas, claro, já que o assunto é Marcos vs. Rogério, não vou resistir a compará-los e eleger um melhor.

Melhor livro, não melhor goleiro, certo? Essa discussão eterna fica para outra oportunidade. 

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A biografia canonizada

Nunca Fui Santo, de Mauro Beting, não é a única biografia publicada sobre Marcos. Um ano antes, o jornalista e historiador Celso de Campos Jr. lançou São Marcos de Palestra Itália, que virou notícia no Última Divisão e quase foi censurada por ter sido lançada sem autorização do Palmeiras.

Pela má vontade da diretoria palestrina na época, Celso não entrevistou Marcos e acabou por levantar algumas mini-polêmicas, como cogitar que o santo palmeirense possa ter sido dispensado do Corinthians nas categorias de base (enquanto a história oficial relata o adolescente Marcão “fugindo” do Parque São Jorge por saudades da família, uma versão muito mais agradável para a torcida que depois passou a idolatrá-lo).

O livro de Mauro Beting, por sua vez, não apresenta nada questionador. Como boa biografia oficial, é um tanto “chapa branca” – ou “chapa verde-e-branca”, se preferirem nesse caso. Não critica ninguém (a não ser o próprio jogador, que afirma várias vezes “não ser tão bom assim”), mas consegue em alguns momentos fugir do politicamente correto… Nela, por exemplo, Marcos assume que fumava e bebia ao longo da carreira, além de desabafar: não aguenta mais falar dos dois extremos da sua trajetória alviverde, o pênalti defendido do Marcelinho e a falha contra o Manchester United.

Marcão é um notório contador de “causos” e eles são sempre divertidos, mesmo sem ser inéditos. A verdade é que boa parte das histórias extra-campo de Nunca Fui Santo já foram contadas algumas vezes na TV, como a passagem em que o goleiro ajudou um ladrão a roubar um carro na rua ou a razão pela qual ele e Vampeta foram os únicos da seleção a vestir camisas de times na festa do penta de 2002.

A Copa da Coreia e Japão, por sinal, ganhou o capítulo mais longo do livro. Marcão mantém a humildade em todos os momentos, concordando com a premiação de Oliver Kahn como melhor goleiro da competição e se dizendo no “mesmo nível” dos colegas Dida e Ceni na época. A biografia apenas comprova a fama que fez do goleiro uma figura querida por todas as torcidas, a definição de um cara “gente boa”. Vale muito a leitura, embora fique uma sensação de que a parceria Marcos-Mauro Beting poderia ter cativado um pouco mais.

Um livro (e uma carreira) sem final?

Rogério Ceni
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Não dá para cobrar do Rogério o mesmo carisma do Marcão. E nem do André Plihal a mesma desenvoltura do Mauro Beting com as palavras. Para piorar, o livro do herói são-paulino foi escrito pelo menos seis anos (e diversos recordes pessoais) antes da aposentadoria, praticamente uma biografia sem final. Isso significa que Ceni perdeu o duelo das prateleiras? Calma, não é bem assim.

Os anos de noticiário esportivo construíram para muitos a imagem de que Marcos é um cara mais espontâneo, enquanto o grande ídolo são-paulino às vezes soa arrogante, meio “fazedor de média” e quem sabe até falso. Na comparação dos dois livros, porém, as falas do tricolor parecem mais autênticas. Enquanto o alviverde se “derrete” por todos os companheiros de profissão, Rogério mostra um lado mais franco e humano, admitindo algumas mágoas.

A lista surpreende: nomes como Ricardinho e Mário Sérgio (único treinador que o proibiu de bater faltas) são tratados com carinho, enquanto outros inesperados, como Márcio Araújo e Roberto Rojas (por motivos bem explicados no livro), revelam-se desafetos. Não que Maioridade Penal declare repúdio público a alguém, tudo já parece superado, mas merece elogios por “cutucar feridas” e não fugir de (quase) nenhum assunto.

Rogério dá a sua opinião sobre muitas dos pontos controversos da carreira: proposta do Arsenal, vaias da torcida são-paulina, falha na final da Libertadores-2006 e até o hábito de sair do gol de joelhos. A impressão é de que ele sempre fala o que pensa… Talvez apenas com uma exceção: quando o assunto é seleção brasileira fica difícil engolir o tom blasé do são-paulino, que insinua pouco se importar por não ter sido convocado mais vezes (e ignora, por exemplo, a contestada atuação no amistoso Brasil x Barcelona depois da Copa de 98).

Talvez por sempre ter evitado expor sua vida pessoal, Ceni tenha um grande repertório de curiosidades inéditas para contar, com a do assalto na categoria de base, a bermuda-talismã, a gafe em avião… E por aí vai. Se Marcos comprova a imagem bonachona, Rogério em seu livro consegue derrubar alguns estereótipos, embora não deixe de mostrar também a personalidade forte (às vezes honrando a fama de “mala”).

Mais do que tudo: Maioridade Penal mostra um sujeito extremamente comprometido com seu trabalho, que não à toa construiu uma carreira brilhante – e por isso tem muita história para contar.

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O Veredicto

E a torcida vibra: “Puta que pariu! É o melhor (livro de) goleiro do Brasil…”

Por fugir do lugar comum e trazer mais histórias inéditas, mesmo precisando de um ‘volume 2’ por ter sido escrita muito precocemente. A biografia vencedora é:

“MAIORIDADE PENAL” – ROGÉRIO CENI, ANDRÉ PLIHAL

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Mas sempre haverá quem (com bons argumentos) discorde.

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