Pequenos Notáveis 2015: Imperatriz-MA, o protagonista liderado por um coadjuvante

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Quem se liga em hinos de futebol, já conhece o Imperatriz (MA) de longa data – afinal, o Cavalo de Aço conta com um dos hinos mais pesados do cancioneiro esportivo brasileiro. No entanto, mesmo pouco conhecido fora do cenário local, o clube da cidade homônima é o protagonista de uma das agradáveis surpresas dos campeonatos estaduais de 2015.

Em 2015, a Sociedade Imperatriz de Desportos conquistou seu segundo título de campeão maranhense – o primeiro foi em 2005. Ainda está longe de ameaçar a hegemonia de Sampaio Corrêa (32 títulos), Moto Club (24) e Maranhão (15), mas coroa de forma justa uma campanha que rendeu bons frutos no ano.

Quinto colocado do Maranhense de 2014, o Imperatriz não começou 2015 de forma muito promissora. O clube ganhou destaque ao anunciar a contratação do meia Anaílson (aquele, ex- São Caetano). O elenco do técnico Celinho Valentim ainda se reforçou com o zagueiro Clayton He-Man e com o atacante Ricardinho Mister M, entre outros jogadores.

Só que tudo começou dando muito errado no ano do Imperatriz. Anaílson foi embora sem jogar, Celinho Valentim deixou o clube reclamando das condições de trabalho (e voltou UM DIA DEPOIS), e até um assalto a mão armada apareceu no caminho para tumultuar o Cavalo de Aço. Resultado: em cinco rodadas, o Cavalo de Aço tinha quatro jogos (folgou em uma rodada), com uma vitória, um empate e duas derrotas.

Vinícius Saldanha (Crédito: Fillipe Araújo/FSF)
Vinícius Saldanha (Crédito: Fillipe Araújo/FSF)

As coisas só começaram a entrar nos trilhos a partir da sexta rodada, quando 51 testemunhas acompanharam a vitória fora de casa contra o modesto Expressinho (que foi rebaixado como lanterna do torneio) por 3 a 1. Na rodada seguinte, após o empate em casa por 1 a 1 com o São José, Celinho Valentim deixou o time (desta vez para valer), e o clube anunciou Vinicius Saldanha (que chegou a comandar o Sampaio Corrêa na Série B de 2014) como substituto.

Vamos ser sinceros: tudo caminhava para mais uma campanha fazendo figuração no Maranhão. Passadas sete das nove rodadas da primeira fase do torneio, o Imperatriz era o quinto colocado, havia perdido jogadores, havia trocado de treinador, e dependia de duas vitórias nos dois jogos seguintes (além de uma combinação de outros resultados) para avançar às semifinais. Quais as chances?

Bem, o time de Vinicius Saldanha – o protagonista desta história – fez sua parte, vencendo Cordino (2 a 0, em casa) e Araioses (um dramático 2 a 1, fora, com o gol da vitória nos acréscimos). De quebra, a combinação de resultados veio: o Santa Quitéria (13 pontos em sete jogos) folgou na oitava rodada, e acabou derrotado pelo São José (2 a 0) na nona. Assim, foi superado pelo Imperatriz, que chegou a 14 pontos e avançou às semis.

Parecia o bastante para o desacreditado Imperatriz, que faria seu confronto nas semifinais contra o São José – vice-líder na primeira fase, com uma derrota em oito jogos. Sabe o que aconteceu? O Imperatriz venceu os dois jogos contra o rival, por 4 a 1 na ida e 4 a 2 na volta. Na outra semi, o Sampaio Corrêa eliminou o Moto Club, vencendo por 3 a 1 o primeiro jogo e perdendo por 1 a 0 a volta.

Bem, quatro vitórias em quatro jogos… Acabou a sorte do Imperatriz, certo? Afinal, o adversário nas finais é o Sampaio Corrêa, representante do Maranhão na Série B do Campeonato Brasileiro…

É campeão! (Crédito: Brawny Meireles/O Estado)
É campeão! (Crédito: Brawny Meireles/O Estado)

No primeiro jogo das finais, deu a lógica: jogando no Castelão, o Sampaio venceu por 2 a 1, e ficou a um empate do título. Mas eis que, no jogo de volta, o Imperatriz venceu o rival por 3 a 1 no Frei Epifânio e faturou o título, o segundo da história do Cavalo. De quebra, assegurou sua vaga na Série D do Campeonato Brasileiro (2015), na Copa do Brasil e na Copa do Nordeste (ambas de 2016).

O segredo? Lembra-se que nós apontamos Vinícius Saldanha como o protagonista desta mudança no time? Talvez esta seja a resposta; porém, mais de uma vez, o técnico se descreveu como um “coadjuvante”.

“Eu sou coadjuvante. Treinador que fala demais que fez isso e aquilo, com 4-4-2 e 4-3-3 é conversa. O que se tem que fazer é agrupar princípios táticos dentro do campo. Eu vejo o futebol de uma maneira diferente. E agregar pessoas, pois isso é fundamental. Isso eu descobri com o tempo. Eu não era assim e hoje sou, graças a Deus”, disse, após o título.

Sim, talvez Vinícius Saldanha seja um coadjuvante. Mas não há como negar: sem o técnico, com passagens por Sampaio Corrêa, Maranhão e Sergipe nos últimos anos, o Cavalo de Aço não seria o protagonista do Campeonato Maranhense de 2015.

Vinícius Saldanha e os campeõe (Crédito: Bruno Alves/Globoesporte.com)
Vinícius Saldanha e os campeõe (Crédito: Bruno Alves/Globoesporte.com)

Informações e fotos: Globo Esporte MA, Federação Sergipana de Futebol e O Estado

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