Pelo mundo, 20 estádios de Copa do Mundo já foram destruídos

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Responda rápido: o que há em comum entre o primeiro jogo da história das Copas do Mundo, a Batalha de Berna da Copa de 1954 e a vitória da Coreia do Norte sobre a Itália por 1 a 0 na Copa do Mundo de 1966? A resposta é melancólica: os estádios de todas estas partidas já não existem mais. Foram destruídos e deram lugar a todo tipo de sucessor – avenidas, prédios comerciais e outros estádios.

Quem acompanha a Copa do Mundo ao longo dos anos tem a impressão de que a história está protegida do tempo. Que estádios, uniformes, bolas, ingressos, fotos e vídeos de cada feito permanecerá para sempre, como um museu informal do futebol. No entanto, o passar dos anos mostra que não é bem assim que a banda toca.

São verdades amargas. O palco do primeiro gol das Copas do Mundo é hoje uma esquina em Montevidéu. O Estádio dos Eucaliptos, palco gaúcho no Mundial de 1950, foi abandonado e vendido para uma construtora, que o substituirá por um condomínio. O palco onde o Brasil conquistou seu primeiro título mundial já não existe mais – assim como o local que selou a amarga eliminação brasileira em 1982. Alguns estádios foram abaixo com menos de 40 anos de uso.

Em um levantamento, o blog chegou a um número triste: 20 estádios que receberam jogos de Copa do Mundo já não existem mais – quatro da Suíça, quatro da Itália, três da Inglaterra, dois da Alemanha, dois da Espanha, um no Uruguai, um na França, um no Brasil, um na Suécia e um nos Estados Unidos. Aliás, outro estádio americano – que até recebeu o Brasil na caminhada rumo ao título de 1994 – está perto de integrar a lista.

Estádio Pocitos (Montevidéu, Uruguai)

Inaugurado em 1921, o antigo estádio do Peñarol recebeu apenas dois jogos na Copa do Mundo de 1930. Entretanto, entre estes dois jogos, um deles foi o primeiro da história do torneio: França 4 x 1 México. Perdeu espaço após o Mundial, dando lugar à Avenida Doctor Francisco Soca. Hoje, apenas um marco guarda o lugar onde ficava a construção.

Um marco em uma esquina: é apenas o que marca o local do estádio do primeiro jogo das Copas do Mundo (Crédito: Wikimedia Commons)

Estádio Nacional do PNF (Roma, Itália)

Foi inaugurado em 1911 como Estádio Nacional, mas rebatizado em 1927 como Estádio Nacional do Partido Nacional Fascista. Recebeu três jogos da Copa do Mundo de 1934 – entre eles, a abertura (Itália 7 x 1 EUA, com o próprio Benito Mussolini nas arquibancadas) e a final (Itália 2 x 1 Checoslováquia). Foi demolido em 1957 e deu lugar o Estádio Flaminio, poliesportivo e ainda de pé.

Estádio Partenopeo (Nápoles, Itália)

Com 40 mil lugares, o suntuoso Stadio Giorgio Ascarelli (nome do primeiro presidente do Napoli) foi inaugurado em 1929, mas não resistiu a bombardeios da Segunda Guerra Mundial e foi ao chão em 1942. Recebeu dois jogos na Copa do Mundo de 1934: Hungria 4 x 2 Egito (oitavas de final) e Alemanha 3 x 2 Áustria (terceiro lugar).

Estádio Partenopeo não resistiu a bombardeios em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial (Crédito: Wikimedia Commons)

Estádio Littorio (Trieste, Itália)

O terceiro dos oito estádios da Copa do Mundo de 1934 que já não existe. Inaugurado em 1932, recebeu apenas um jogo no Mundial dos italianos (Checoslováquia 2 x 1 Romênia, nas oitavas de final). Mudou de nome duas vezes: Estádio de Valmaura (a partir de 1943) e Estádio Giuseppe Grezar (em 1967). Derrubado em 1992, deu lugar ao Estádio Nereo Rocco, onde a antiga dona, a Triestina, joga desde então.

Estádio Littorio foi derrubado em 1992 (Crédito: Wikimedia Commons)

Estádio Victor Boucquey (Lille, França)

Com 15 mil lugares, o estádio inaugurado em 1902 era originalmente chamado de Stade de l’Avenue de Dunkerque, mas foi rebatizado cinco anos depois. Com um jogo na Copa do Mundo de 1938 (Hungria 2 x 0 Suíça, quartas de final), foi rebatizado em 1943, passando a se chamar Estádio Henri-Jooris, em homenagem a um ex-presidente do Olympique Lillois – o clube se fundiu no ano seguinte com o SC Fives e virou o atual Lille OSC. O estádio foi demolido em 1975 para permitir a obra de um canal navegável na cidade. Seu substituto, o Stade Grimonprez-Jooris, foi demolido em 2010.

Estádio dos Eucaliptos (Porto Alegre, Brasil)

O Internacional jogava na Chácara dos Eucaliptos desde 1912, mas foi apenas em 1929 que conseguiu construir um estádio para chamar de seu – o Estádio dos Eucaliptos, na Rua Silveiro. Inaugurada de fato em 1931, com uma vitória sobre o Grêmio por 3 a 0, a casa colorada hospedou duas partidas na Copa do Mundo de 1950, sendo duas derrotas do México no Grupo A: 4 a 1 para a Iugoslávia e 2 a 1 para a Suíça. Foi aposentado em 1969, quando o Inter apresentou o Estádio do Beira-Rio, mas chegou a ser utilizado no final da década de 90. Foi vendido em 2010 para a construtora Melnick Even, que prometeu um “projeto especial” para o local – no caso, um futuro condomínio.

Estádio em Porto Alegre é o único da Copa do Mundo de 1950 que foi abandonado (Crédito: SC Internacional/Site oficial)

Estádio St. Jakob (Basileia, Suíça)

O St. Jakob Park, atual estádio do FC Basel, foi inaugurado em 2001. Três anos antes, o clube atuava no Estádio St. Jakob, inaugurado em 1954 e demolido em 1998. Recebeu seis jogos na Copa do Mundo de 1954, com destaque para a semifinal Alemanha Ocidental 6 x 1 Áustria. Dos seis estádios do Mundial dos suíços, apenas dois seguem firmes e fortes.

Wankdorfstadion (Berna, Suíça)

Aberto em 1925, o estádio do Young Boys esteve na Copa do Mundo de 1954. Dos cinco jogos disputados ali, dois são especialmente históricos: Hungria 4 x 2 Brasil pelas quartas de final, conhecido como “a Batalha de Berna”, e Alemanha 3 x 2 Hungria na final, conhecido como “o Milagre de Berna”. No primeiro, brasileiros quebraram o pau com húngaros após a eliminação; no segundo, o time de Kocsis, Hidekguti, Puskas e Czibor perdeu por 3 a 2 após abrir 2 a 0. O estádio foi demolido em 2001 e substituído pelo Estádio de Suisse.

Wankdorfstadion: palco da final história entre Alemanha e Hungria virou pó (Crédito: Wikimedia Commons)

Estádio Charmilles (Genebra, Suíça)

O antigo estádio do Servette FC foi aberto em 1930. Quando foi fechado e demolido, em 2002, tinha capacidade para apenas 9 mil torcedores. Teve quatro jogos na Copa do Mundo de 1954, com destaque para Brasil 5 x 0 México na abertura do torneio – simultaneamente, o Uruguai vencia a Checoslováquia por 2 a 0 em Berna.

Estádio Hardturm (Zurique, Suíça)

Foi inaugurado em 1929 com capacidade para 27,5 mil torcedores. O Grasshopper deixou de atuar ali em 2007 para jogar no Estádio Letzigrund, provocando a demolição do Estádio Hardturm no ano seguinte. Em seu lugar, os suíços prometiam construir o Stadion Zürich, que nunca saiu do papel. Em 1954, recebeu cinco jogos na Copa do Mundo, com 28 gols marcados – destaque para Hungria 9 x 0 Coreia do Sul e Alemanha Ocidental 7 x 2 Turquia.

Parece ideal para o seu time? Não é para os suíços, que derrubaram o Hardturm (Crédito: Jamie McDonald/Getty Images)

Estádio Rasunda (Solna, Suécia)

Nem mesmo o palco do primeiro título do Brasil, na Copa do Mundo de 1958, resistiu à passagem do tempo. Inaugurado em 1937, foi o palco de oito partidas naquele Mundial, sendo três delas disputadas pela própria Suécia na fase de grupos. Embora Brasil e Suécia tenham se enfrentado em agosto de 2012 na “despedida” do estádio, o último jogo do Rasunda foi disputado em novembro daquele mesmo ano: AIK 1 x 2 Napoli. Foi demolido em 2013.

Agora, para rever o estádio do primeiro título do Brasil, só em imagem de arquivo (Crédito: AP)

Roker Park (Sunderland, Inglaterra)

O estádio do Sunderland foi inaugurado em 1897 e foi demolido exatos cem anos depois. Na Copa do Mundo de 1966, recebeu quatro partidas – a última delas, a vitória por 2 a 1 da União Soviética sobre a Hungria nas quartas de final. Desde sua demolição, o Sunderland atua no Stadium of Light.

Estádio do Sunderland, Roker Park recebeu quatro jogos na Copa de 1966 (Crédito: Wikimedia Commons)

Ayresome Park (Middlesbrough, Inglaterra)

A antiga casa do Middlesbrough foi aberta em 1903. No Mundial de 1966, recebeu apenas três jogos, todos pelo Grupo D – no qual os times atuavam também em Sunderland. Foi no Ayresome Park que a Coreia do Norte surpreendeu o mundo e venceu a Itália por 1 a 0 em 19 de julho de 1966. O local foi demolido em 1997; desde então, o Middlesbrough manda seus jogos no Riverside Stadium.

Ayresome Park, em Middlesbrough, recebeu a histórica vitória da Coreia do Norte sobre a Itália (foto) (Crédito: Getty Images)

White City Stadium (Londres, Inglaterra)

Esqueça Wembley: o primeiro grande estádio do futebol inglês foi o White City. O local abriu suas portas em 1907 com 68 mil lugares para hospedar competições da Olimpíada de 1908. Na Copa do Mundo, porém, perdeu terreno para Wembley, que hospedou todos os seis jogos da seleção inglesa na caminhada rumo ao título. O White City, que hospedou apenas Uruguai 2 x 1 França, foi derrubado em 1985. O terreno hoje recebe um estúdio da BBC.

White City: o primeiro grande estádio inglês, recebeu apenas um jogo em 1966 (Crédito: Express/Hulton Archive/Getty Images)

Rheinstadion (Düsseldorf, Alemanha)

Batizado em homenagem ao Rio Reno, o “Estádio Reno” recebeu o público a partir de setembro de 1925. Foi o estádio que por mais tempo recebeu as partidas do Fortuna Düsseldorf (entre 1953 e 2002, com um pequeno intervalo entre 1970 e 1972). Hospedou cinco partidas na Copa do Mundo de 1974. Foi demolido em 2002.

Rheinstadion, o estádio que homenageava um rio, foi demolido em 2002 (Crédito: Wikimedia Commons)

Parkstadion (Gelsenkirchen, Alemanha)

Foi um estádio que durou pouco tempo: 39 anos. Abriu em 1969 e fechou em 2008. Além de ter sido a casa do Schalke 04 entre 1973 e 2001, foi também o estádio de cinco partidas na Copa do Mundo de 1974 – entre eles, a vitória de 9 a 0 da Iugoslávia sobre o Zaire e o 3 a 0 do Brasil em cima do mesmo Zaire. Holanda 4 x 0 Argentina também foi ali.

Estadi de Sarrià (Barcelona, Espanha)

Aquele mesmo. O estádio do Espanyol foi inaugurado em 18 de fevereiro de 1923 e só recebeu três jogos na Copa do Mundo de 1982, todos pelo Grupo C da segunda fase. No mais famoso, a Itália venceu o Brasil por 3 a 2, com três gols de Paolo Rossi, e avançou às semifinais. Em 1997, o Espanyol vendeu o local para saldar dívidas e passou a jogar no Estádio Olímpico de Monjuic. Em 2009, a equipe inaugurou o Estádio Cornellà-El Prat.

Aquele mesmo, daquele jogo (Crédito: AP)

Estádio Carlos Tartiere (Oviedo, Espanha)

Mas quem foi que disse que o Sarrià foi o único estádio da Copa do Mundo de 1982 a ser demolido? Palco de três partidas na primeira fase do torneio, o estádio do Real Oviedo foi inaugurado em 1932, fechado em 2000 e demolido em 2003. Hoje, o clube atua no Nuevo Carlos Tartiere.

Stadio Delle Alpi (Turim, Itália)

Embora seja bastante conhecido das gerações mais jovens, durou apenas 19 anos. Foi inaugurado em 1990 e demolido em 2009, dando lugar à Arena Juventus. Embora o Torino também tenha mandado jogos no estádio nessa quase duas décadas, o clube grená hoje voltou a jogar no Estádio Olímpico de Turim. Recebeu cinco partidas na Copa do Mundo de 1990, sendo quatro deles os do Brasil.

Stadio Delle Alpi: casa do Brasil na Copa de 1990 não durou nem duas décadas (Crédito: David Cannon/Getty Images)

Giants Stadium (Nova Jersey, EUA)

O estádio que reuniu as duas maiores colônias de Nova York, Itália 0 x 1 Irlanda, também não existe mais. Foram cinco jogos na arena do New York Giants durante a Copa do Mundo de 1994. Inaugurado em 1976, foi derrubado em 2010. Desde então, os Giants atuam pela NFL no MetLife Stadium, palco do amistoso entre Brasil e EUA em 2010.

De brinde: Pontiac Silverdome (Pontiac, EUA)

O estádio de Suécia 1 x 1 Brasil pela Copa do Mundo de 1994 não foi demolido, mas está abandonado. Inaugurada em 1975, a arena na região metropolitana de Detroit não tem um time mandante desde que o Detroit Lions (NFL) se mudou para o Ford Field em 2001. Foi levado a leilão oito anos depois. Embora tenha recebido eventos de grande porte entre 2010 e 2011, está apodrecendo atualmente.

Pontiac Silverdome está à venda. Interessa? (Crédito: Carlos Osorio/AP)
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