Os clubes tradicionais que estão nas divisões inferiores do Brasil

Patrick Floriani/FFC
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Por José Luiz da Silva Júnior

O futebol está passando por um momento de transformação (não, não vai ser jogado com as mãos e de costas, não é nesse sentido). Várias agremiações de tradição e/ou que tiveram seus curtos momentos de glórias e que outrora figuravam nas melhores colocações das grandes competições nacionais e internacionais, foram decaindo aos poucos, pelos mais diversos motivos. Por outro lado, clubes que antes poucos conheciam foram surgindo (ou ressurgindo), ocupando o lugar que antes era das equipes mais renomadas.

A nível estadual, temos casos de clubes que foram rebaixados até mais de uma vez, como a Portuguesa (2006, 2012 e 2015) e o Guarani (2001, 2006, 2009 e 2013) em São Paulo, CSA em Alagoas (2003 e 2009), Vila Nova em Goiás (2000 e 2014) e o Mixto em Mato Grosso (2008 e 2020). O Paraná também foi rebaixado no estadual, em 2011.

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Quando se trata de Campeonato Brasileiro, a lista é bem maior. Além dos rebaixamentos de Paraná e Figueirense para a Série C, os exemplos mais famosos e doloridos são:

 

Guarani (SP)

Sim, novamente o Bugre. Campeão da Série A em 1978, o único campeão do interior, hoje tenta reviver suas glórias. Além dos rebaixamentos estaduais, o Guarani amarga dois rebaixamentos para a Série B (2004 e 2010) e outros dois para a C (2006 e 2012) onde ficou até 2016, quando subiu como vice-campeão para o Boa Esporte.

 

Portuguesa (SP)

Novamente a Lusa também, com sua lista gigante de rebaixamentos. Vice-campeã de 1996 pela Série A e campeã da B em 2011, a Portuguesa tem na sua conta vários rebaixamentos doloridos, mas sem dúvida o de 2013 para a Série B foi o pior e o que começou a derrocada lusitana, por todo o contexto que ocorreu naquele ano.

O motivo da queda foi a escalação irregular do jogador Héverton na última rodada contra o Internacional, em Caxias do Sul. Irregular, pois ele foi expulso na penúltima rodada contra o Grêmio, no Canindé. Depois disso, outro rebaixamento para a Série C no ano seguinte, em 2014, e outro para a Série D, em 2016, além dos rebaixamentos estaduais mencionados anteriormente.

 

Paysandu (PA)

O Papão da Curuzú, quem tem como sua maior glória o título de Campeão dos Campeões em 2002, ano em que o Bicolor paraense levou a tríplice coroa (Estadual, Copa Norte e Copa dos Campeões), a última levou o Papão para a Libertadores, onde venceu o Cerro Portenho por 6 x 2 e o Boca Juniors em plena Bombonera por 1 x 0, mas na volta perdeu por 4 x 2 para os argentinos, que seriam os campeões da “Liberta” em 2003.

Porém, não vive mais as glórias do começo do século, quando jogou a primeira divisão até 2005, ano do rebaixamento para a Série B. Em 2006, outro rebaixamento para a Série C, marcado por uma goleada de 9 x 0 em Jundiaí para o Paulista.

Entre 2007 e 2012, o Papão ficou na Série C sofrendo com algumas derrotas marcantes, como o 6 x 2 contra o Icasa em 2009. Em 2012, o Paysandu conquista o acesso para a Série B em uma batalha épica contra o Macaé, no litoral Fluminense. Em 2013, não faz uma boa campanha e é novamente rebaixado para a Série C. Em 2014, conquista novamente o acesso após vencer as duas partidas contra o Tupi de Juíz de Fora (2 x 1 em Belém, 1 x 0 na cidade mineira). Fica na B entre 2015 e 2018, quando é novamente rebaixado. Em 2019 e 2020/21, o acesso quase veio, mas acabou escapando pelas mãos e caindo no colo de Náutico (eliminatória) e Londrina (pontos corridos), respectivamente.

 

Santa Cruz (PE)

Clube bem conhecido por sua apaixonada torcida, o Tricolor do Arruda vive nos últimos 20 anos uma série de altos e baixos jamais vista no futebol brasileiro. Em 2001, o primeiro rebaixamento do século para a Série B, onde ficou até 2005 quando foi vice-campeão e subiu ao lado do Grêmio.

Em 2006, uma das piores campanhas da história dos pontos corridos fez o Santinha cair novamente para a Série B . Em seguida, outro rebaixamento, para a Série C. E finalmente mais um, para a D em 2009 (exatamente: quatro rebaixamentos consecutivos, algo inédito no futebol). Em 2010, o tricolor não passou da primeira fase da Série D.

Porém, em 2011, o Santa Cruz subiu como vice-campeão da Série D, lotando seu estádio no jogo final contra o Tupi, marcando a memória de todo o torcedor brasileiro e mundial com uma imagem espetacular de mais de 60 mil torcedores no Estádio José do Rego Maciel, em Recife. Na Série C, em 2012, o Tricolor desperdiça a chance de avançar para o mata-mata ao ser derrotado pelo Águia em Marabá (PA) por 2 x 0.

Com uma campanha irretocável, 2013 marca o início da reconstrução tricolor no cenário nacional. Além do acesso a Série B, contra o mineiro Betim (atual e anteriormente chamado Ipatinga), conquista a Série C contra o maranhense Sampaio Corrêa. Na Série B em 2014 fica no meio da tabela, para em 2015 conquistar o acesso em uma volta triunfante, ao vencer o Mogi Mirim por 3 x 0 em Itu (SP).

Mas em 2016, o começo do ano iludiu o torcedor tricolor. Após o título da Copa do Nordeste (contra o Campinense-PB, fora de casa) e Pernambucano (contra o Sport, também fora de casa), o Santa Cruz vai do céu ao inferno no Brasileiro ao liderar o campeonato logo nas primeiras rodadas para terminar rebaixado.

Em 2017, outro rebaixamento, e novamente a Cobra Coral se reencontrava com a Série C, onde se encontra até então. Em 2018, perdeu o acesso para o Operário (PR), por 3 x 0 em Ponta Grossa após vencer no Arruda por 1 x 0 e em 2020/21 mesmo vencendo o Brusque por 3 x 1, mas a vitória do Vila Nova contra o Ituano fora de casa impediu o acesso tricolor (ufa, história longa).

 

Figueirense (SC)

O Furacão do Estreito, que chegou a jogar a primeira divisão por 7 temporadas consecutivas (de 2002 até 2008) estará na Série C em 2021. Mas não foi o primeiro rebaixamento do alvinegro (obviamente). Em 2008, foi rebaixado para a Série B, onde quase subiu em 2009, mas a derrota para o Duque de Caxias em casa por 2 x 1, aliada à vitória do Ceará sobre a Ponte Preta também por 2 x 1 fora de casa, selaram o sonho alvinegro.

Mas em 2010, o Figueira conquistou o retorno e subiu junto com outros três clubes muito tradicionais: Bahia, Coritiba e América Mineiro. Em 2012, mais um rebaixamento, amargando a lanterna da primeira divisão.

Mas não durou muito, em 2013 voltou a primeira divisão (houve uma descoberta recente de escalação irregular pelo Figueirense que não daria esse acesso e iria para as mãos do Icasa), onde permaneceu até 2016.

Em 2017 voltou para a B, onde ficou até a última temporada, quando caiu com a combinação de resultados: derrota do próprio Figueirense de virada para o Juventude por 2 x 1 e Vitória contra o Botafogo (SP) por 1 x 0.

 

Paraná (PR)

Clube que surgiu da união entre dois clubes tradicionais da capital paranaense (Pinheiros e Colorado), o Tricolor da Vila amarga o primeiro rebaixamento da sua história para a Série C. Desde a sua fundação, em 1989, o Paraná só jogou a Série C quando surgiu no cenário nacional, em 1990.

A partir de 1991 até a última temporada, a Gralha Azul ficou migrando entre Série A e B. Passou recentemente 10 temporadas seguidas na B (2008 até 2017, quando conquistou acesso). Anteriormente a isso, figurou bastante na primeira divisão na grande maioria da sua curta história até então, chegou até a disputar a Libertadores em 2007, pela sua ótima campanha no Brasileirão de 2006, alcançando o quinto lugar (beneficiado pela vaga adicional do Internacional, que ficou em segundo mas já tinha a vaga por ser o campeão atual da Libertadores).

Em 2018 foi sua última aparição na Série A, com uma péssima campanha foi logo rebaixado para a B de novo. Em 2020, foi para esquecer. Além de não conseguir a classificação para a fase final do Campeonato Paranaense, pela primeira vez em sua história também foi rebaixado para a Série C.

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