Os anos difíceis: o expressinho tricolor

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O torcedor gosta de ver seu clube do coração ganhar todos os títulos. Mas nem sempre é assim. Dirigentes omissos, atletas descompromissados e torcedores impacientes podem levar clubes tradicionais a momentos complicados. Última Divisão recorda os períodos de fila do Trio de Ferro paulistano.

Duração: 13 anos (1957 a 1970)

Cinco ídolos do período: Roberto Dias, Jurandir, Bellini, Benê e Prado.

A construção do estádio do Morumbi consumiu o dinheiro e o tempo dos dirigentes são-paulinos na década de 60. O time de futebol ficou para segundo plano. O São Paulo comprava diversos atletas jovens, a maioria vinda de clubes do interior. Jogadores caros eram tidos como artigo de luxo. Vários veteranos (como Bellini) foram adquiridos para inserir experiência nos elencos. Dentro de campo, os resultados foram decepcionantes. A concorrência contra o Santos de Pelé e o Palmeiras da Primeira Academia não era fácil.

No campeonato estadual, o Tricolor obteve campanhas razoáveis, ficando muitas vezes em colocações intermediárias. Em 1967, o clube empatou em quantidade de pontos com o Santos. Acabou perdendo no jogo-desempate.

Um dos maiores volantes da história do SPFC, Roberto Dias teve poucas chances na Seleção Brasileira

Durante o período, o Tricolor teve um grande ídolo: o zagueiro e volante Roberto Dias Branco (1943-2007). Dono de uma técnica apurada, o atleta é considerado um dos melhores marcadores do Rei Pelé. “O diferencial do Dias é que ele conseguia fazer duas posições muito bem. Era um atleta versátil, coisa difícil pros jogadores de hoje. Ele batia faltas maravilhosamente bem”, recorda o ex-jogador Peixinho, contemporâneo de Dias no clube do Morumbi.

O maior feito do São Paulona fila foi a goleada de 4 a 1 contra o Santos de Pelé, numa partida válida pelo Campeonato Paulista de 1963. Houve uma série de desentendimentos dos atletas santistas com o árbitro Armando Marques. O jogo foi encerrado aos oito minutos do segundo tempo porque os jogadores do Peixe fizeram um “cai-cai”.

Em 1970, o técnico Zezé Moreira iria comandar uma renovação no elenco e finalmente conquistaria o título paulista. Disciplinador, o treinador carioca armou um timaço com as contratações de jogadores habilidosos como o meia Gérson, o lateral Pablo Forlán e o atacante Toninho Guerreiro. A equipe ainda conquistaria o bicampeonato estadual  no ano seguinte.

Elencos do São Paulo e Benfica perfilados antes da inauguração do Morumbi em 1960

Depoimento: “Iniciei minha carreira nas divisões de base do São Paulo. Eles me pegaram da várzea. Conheci o Morumbi quando ali ainda era um terreno de terraplanagem. Quando subi pro profissional, tinha um timaço com Canhoteiro, Poy, Mauro Ramos de Oliveira. Naquela época, um time grande ficar sem ganhar título não era como hoje. Não tinha tanta pressão. O clube estava preocupado em construir o estádio. Marcar o primeiro gol do Morumbi foi muito importante e deu uma repercussão grande. Foi algo muito especial porque eu era cria do São Paulo. Ganhar um Campeonato Paulista naquela época era muito diferente. Era complicadíssimo, tinham muitas equipes e jogadores bons. Os times do interior eram fortes. Antigamente, os atletas das equipes grandes vinham jogar no interior. A verdade é que hoje eles vem pra passear”. Arnaldo Poffo Garcia, o Peixinho, ex-ponta direita do São Paulo entre 1959 e 61. Seu gol mais famoso pelo clube foi o primeiro do Estádio do Morumbi, num amistoso contra o Sporting Lisboa, em 2 de outubro de 1960. Aos 71 anos, o ídolo ensina futebol para crianças em Piracicaba (SP).

Confira os outros períodos de fila dos grandes de São Paulo na série Os Anos Difíceis.
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