Os anos difíceis: a década perdida do Palmeiras

O time de 86 tinha um bom conjunto. Mas acabou perdendo a final do Paulista
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O torcedor gosta de ver seu clube do coração ganhar todos os títulos. Mas nem sempre é assim. Dirigentes omissos, atletas descompromissados e torcedores impacientes podem levar clubes tradicionais a momentos complicados. Última Divisão recorda os períodos de fila do Trio de Ferro paulistano.

Duração: 16 anos (1976 a 1993)

Cinco ídolos do período: Jorginho Putinatti, Edu Manga, Mirandinha “Fominha”, Vágner Bacharel e Careca Bianchesi.

O torcedor palmeirense passou poucas e boas nos anos 80. O Verdão manteve times competitivos até o início da década. Tanto que o clube de Parque Antártica foi vice-campeão brasileiro em 78. O meia Jorge Mendonça era um dos destaques. Nos anos seguintes, seguiram-se campanhas abaixo da média, tanto que a agremiação chegou a disputar a Taça de Prata.

O time de 86 tinha um bom conjunto. Mas acabou perdendo a final do Campeonato Paulista

Em 1986, o técnico Carbone conseguiu montar um elenco forte. Os destaques eram o zagueiro Vágner Bacharel, o atacante Éder Aleixo e o artilheiro Mirandinha “Fominha”. A equipe chegou a eliminar o rival Corinthians nas semi-finais do Paulista com uma histórica goleada por 3 a 0. O alviverde entrou favorito na final contra a Inter de Limeira. Os órgãos de comunicação davam o jejum como encerrado. Muitos torcedores chegaram a comemorar o título antes da hora. A derrota para o clube interiorano foi um dos episódios mais dramáticos da história do Palmeiras. José Macia, o Pepe, treinador do time de Limeira na ocasião, considera este seu maior título como técnico.

O meia Edu Manga foi um ícone do período

O Verdão voltou a ter um time competitivo três anos depois. A equipe do goleiro Velloso manteve-se invicta por 23 jogos.  A eliminação com uma única derrota para o Bragantino foi um golpe duro para os torcedores. Para muitos alviverdes, a década de 80 pode ser lembrada pela fundação da principal torcida organizada do clube (Mancha Verde) e a adoção definitiva do porco como mascote. O início da parceira com a Parmalat iria encerrar o jejum somente em 1993.

Depoimento: “A pressão nos bastidores do Palmeiras era forte. Quando eu cheguei, o clube estava á doze anos sem título. Formei uma dupla de ataque com o Gaúcho, que depois foi pro Flamengo. Marcamos muitos gols juntos e a imprensa deu destaque pra nossa dupla. O técnico do clube era o Ênio Andrade. Meu relacionamento com ele foi tranquilo, o Ênio era um excelente treinador. Um dos melhores com quem eu trabalhei na minha carreira. Me espelhei muito nele quando tive algumas oportunidades como técnico. O ídolo da torcida era o Edu Manga. Mas o Edu era muito novo e um pouco sem juízo. O relacionamento dele com o Ênio foi turbulento por conta dos atrasos dele. Lembro num jogo no Maracanã que ele foi cortado na preleção por conta de um atraso. A torcida era bem amendoim. Se você não fizesse um gol logo no começo, a pressão ficava grande. Naquele momento, o time chegou a ficar invicto durante vários jogos. A gente tinha uma sorte danada quando atuava no Parque Antártica, mesmo em condições ruins. Quando mandávamos no Pacaembu ou no Morumbi, isso não acontecia.

Nos anos 80, o Palmeiras tinha muitos problemas políticos. Assumia uma diretoria e desmontava todo elenco. Nisso, eu e muitos atletas acabamos pagando um preço. Ficamos marcados. Depois de defender o Palmeiras, me transferi para o América de Minas. Fui artilheiro do Campeonato Mineiro do ano seguinte”. Silvio Bernardes Filho, ex-atacante do Palmeiras em 1988. Aos 44 anos, o ex-jogador é dentista em Uberaba (MG).

Confira os outros períodos de fila dos grandes de São Paulo na série Os Anos Difíceis.
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